domingo, 24 de maio de 2026

Sons da imaginação


Num mergulhar sem limite, precipícios adentro, a meio de rascunhos esquecidos e lembranças guardadas, renascem as vivências mais antigas. As vezes quando ali viajava-se pelos estrados de passadas estruturas, a encontrar novamente épocas inteiras, desde a infância, adolescência, até épocas recentes. Mundos espaços de dentro das criaturas. De tudo um pouco. Das situações por vezes agradáveis, felizes, preenchidas dos variados aspectos dos que aqui existem.

E nisso de reconsiderar o quanto houve certa feita eis o resumo das vidas. Distintos aspectos daquilo que antes foi, o que nem sempre as palavras obtêm êxito em considerar. Mas que insistem permanecer nas golas das roupas, nas barras das calças, no frio das noites enluaradas, mitos de heróis que viverem insistentemente no céu de tempos outros e habitam lá dentro feitos seus reais proprietários. Circunstâncias. Transes inesperados. Ruas solitárias. Céus cobertos de estrelas. Vozes, as vozes de outros momentos que ainda permanecem nas músicas, nas fotografias, nos livros; personagens originários de instantes doloridos de saudade, ausências, um diapasão poderoso a dizer do que jamais irá sumir. Espécie de fagulhas inapagáveis, fazem das pessoas mares de um movimento constante, quais pulsação do Infinito através do coração. Histórias sempre vivas, alimentam as almas de sonhos, vontades outras superpostas nos mesmos grilhões de antigamente. Nisto, os lugares têm poder absoluto sobre as tais recordações. Os lugares e os dias. As noites. Viagens. Falas. Paisagens intactas daquelas vezes do que houve de ser.

Haverá, não resta dúvida, o senso do inevitável a percorrer as entranhas dos acontecimentos inapagáveis. Suportam sede, fome, distâncias, longe, outrossim, das alternativas do desaparecimento. Vêm e vão, sucessivamente, porquanto aos ombros dos amigos, das horas e dos rios de aventuras. Raios de sol desse caudal que compõe as existências, formam ao léu o querer da perfeição de se ser instrumento de lembrar e sonhos reconstituídos na sequência natural de existir, então.

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