Num transe a bem dizer único e inevitável de ser assim, perduram os seres e objetos, a circular em volta e imperceptivelmente, pela crosta suave do que haveria de ser. Quer-se criar versões, estabelecer diálogos, a punção de consciência distantes. Olhares em volta a considerar o trilho das alturas e viver. Tomar a pulso crer na própria gana, sustentar o nível das percepções, e contornar o impossível, afã alimentado de pensamentos e palavras, seguidos de perto pelas lembranças e sentimentos. Bem isto de ser assim. Tamborilar destreza nunca notada. Vislumbrar o espetáculo das essências, e sobreviver a qualquer custo.
Quanta virtude, pois, rever as mudanças que ocorrem ao furor das consequências, e manter o estado da presença diante desse tudo arrebatador, consistente. Nisto, as culturas, civilizações esplendorosas ali submersas pelas areias do Tempo, justo motivo de continuar nessa viagem enigmática. Perdurar. Fazer-se fruto das existências, raciocinar, interpretar, criar, construir. Normas soberanas de liberdade relativa são mantidas ao custo de sentir e avistar dos novos momentos que virão. Espécie de prazer inarredável, tal tocar o barco das horas neste mar das quantas virtudes, habitar a vida antes de tudo.
O fascínio sorrateiramente preenche de verdades os horizontes. Traz nas entranhas clarezas arrebatadoras, belezas infindas, contrições jamais imaginadas. A desvendar quais mistérios, enquanto isto essa caravana imensa de tantos e quantos senhores dos pagos lá escondidos pelas conotações da História, guardam no íntimo pessoas e lugares. As estradas carregam, enfim, nas margens tudo desde o princípio, elas e as almas em movimento. Transbordam, a inundar de frestas luminosas os mesmos mares da continuação absoluta.
Das profundezas desse abismo vêm ecos por demais, marcas fixadas naquelas hastes da matéria-prima do que existirá sempre, logo em seguida transcritas nas luas hão de vir, que lhes puseram de retalhos foscos na finalidades dos sonhos.
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