Vez em quando me pego a olhar a profundidade dos céus. Nesses finais de tarde, quiçá um azul sem nuvens, daí merlhar a imaginação. Longe, muito longe, retalhos de sonhos, memórias vagas, viajam soltos pelas cores da imensidão. De tudo lá esteja. Talvez sombras do que foram antes. Resquícios de lembranças agora feitos fiapos de sóis e significados. Estradas molhadas, poeira, bichos de várzeas, objetos inexistentes e símbolos do imaginário. Ali pelas encostas dos poentes as cores doutras visões desde sempre desfeitas em letras e palavras, relíquias e sons abafados nas impressões deixadas pelo Tempo. Vontades assim de querer narrar o passado, no entanto meros significados de sentimentos somados ao léu.
Lembro aos poucos a busca das existências desde então reunidas
pelas mãos calejadas de formas e abstratos trazidos no vento daquelas ocasiões,
ditos da verdade em volta dos seres. Nadas, poréns, substantivos concretos,
haustos de alguém a respirar aqui dentro, nas margens de um silêncio a bem
dizer absoluto, no entanto por demais, surpresa das vezes quando isto percorria
as distâncias lá adiante, por certo circunstâncias livres só depois reveladas. Sabores
inigualáveis dos instantes, vejo com clareza o infinito das ausências, mesmo
que tal pedaços de mim próprio.
Sobre essa superfície amorfa de rápidos traços dalgum
artista perfeito, ali me detenho diante disso e pego a orar pela paz das
criaturas, pelos tempos novos que vêm suavemente na noite dali a pouco. Trago
de volta trechos percorridos na infância e os observo cobertos de infinitos
falado comigo lá no íntimo das vastidões mantidas a ferro e fogo nas malhas do
desejo de harmonia, e acalmo pensamentos e indagações. Esqueço dalgum modo o ruído
insistente da atualidade. Transito, suavemente, pelas palavras já destarte
pequeninos seres quais partículas de um todo em movimento.
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