segunda-feira, 11 de maio de 2026

Abismo do Infinito


Lá dentro das existências, em meio a um aparente caos de ausências, seres percorrem as entranhas de si próprios na procura dos detalhes daquilo desde antes esquecido no desvão do tempo em volta. Pequeninos seres. Silenciosos se olham e olham as encostas desse universo, talvez cientes do quanto ali espera de verdades deixadas à algum interno de sonhos. Sabem dos segredos, os analisa desde quando, nem disto lembram mais. No entanto adotam postura de sercientes durante todo o roteiro que houve de percorrer, cercados que foram daquelas visões do Paraíso. Veem de consigo a possibilidade imaginária de habitarem o mesmo corpo, isto passadas que foram tantas gerações. Sustentam, nisso, a certeza de estar onde assim vejam em volta, dotados de iguais percepções uns dos outros.

Vagueiam desde sempre nalgumas daquelas imensidões desvendadas no âmago e nem que tal padecem de saudades e distâncias. Só mínimos contatos fazem que sintam o poder onde imperam, construção transcendente do mistério. Olhos postos, pois, nalgum objeto, nalgum movimento, acrescentam às recordações vislumbrem transportados sabidas heranças que as alimentam a todo custo. Nisto, seres, visões, presenças, o abismo, as cores, formas mil, transes, músicas inesquecíveis, filmes vivos na alma, senhores absolutos do que possam ser, creem vivamente na sorte do inesperado, vez haver plantado sementes cálidas de amor através de quantos turnos.

Qual painel de muitos sóis acumulados no íntimo, percorrem no vento a certeza da existência, aqueles minúsculos seres espalhados num abismo valioso. Ao longe, no acumulado das distâncias sem limite, apenas sinais enigmáticos do que lhes trouxe até então, espécie de componentes necessário do que virá face aos dias, sem dúvida. Sustentam, pois, as razões de todas as notícias boas logo adiante que chegará nas malhas do futuro. Uma missão inevitável que está a caminho com pouco.

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