sexta-feira, 15 de maio de 2026

Espiral dos acontecimentos


Quer-se demasiado que haja um hiato aberto naquilo que pensam as criaturas. Demonstram certas vezes, através dos instintos, reconhecer aonde seguem, no entanto restritas só às frias determinações do quanto existe em volta. Com isto, no tanger das carruagens, horas sem conta preenchem vagamente o poder da intuição. Assim, numa fresta que se abre no seio do imprevisto, demasiados seres mergulham pelas crostas de si e desfazem a cada tempo partículas mínimas daquilo antes visto, deixadas ao relento das lembranças. Face ao tal, vez por outra alguns chegam a observar distâncias considerações entre a imaginação e a realidade, isso constante dos sonhos de noites seguidas. E refazem desejos, planos, expectativas, estirão inominável de atenções escondidas sob as luzes do mesmo segmento ali escondido nas asas da imprevisão.

Enquanto isto, o furor das histórias jamais interrompe e conta detalhes até do que nunca antes, senhores doutros mundos. Admitem esses limites, porém recolhidos na pequenez do pensamento, espaço estreito do Tempo naquelas iguais criaturas. Veem-se, contudo, nem sempre assustado, conquanto persistem a perder de vista. Assistem todas as temporadas e, ainda que tal, olhos fixos numa válvula íntima que chamam esperanças. Distinguem infinitas eras nessa memória a lhes transportar diante do Eterno.

Querem conter o poder das vastidões no mesmo invólucro de outras aventuras, seus heróis, suas criações; e nisto sobrevoam os firmamentos pelos dourados amores de antigamente. Eles, silenciosos, ofegantes, inscrevem no próprio ser roteiros imensos do futuro, tocados pelos fulgores de milhões de sóis que os percorrem de fora a dentro, e subsistem nas palavras, nos gestos vagos e nas caligrafias. Sabem o suficiente de serem qual isso, outrossim alimentados de pendores, de quereres. Ao notarem sendo observados, largam de lado o esquema previsto e resolvem compreender lá certa feita o sentido das existências como um todo.

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