domingo, 1 de março de 2026

Mundos individuais


São estrelas, umas ao lado das outras; umas ainda apagadas, mesmo assim existentes, que percorrem trilhas sem final, rumo ao desconhecido. Houvesse, contudo, certezas desde então, ainda que tanto tocariam em frente passos e dúvidas, porém cientes de nenhuma chance das inexistências. Submissos das contingências, passam aos milhões ali diante do Eterno, a sonhar consigo noutras histórias.

As antigas contradições lá dos inícios ferem por dentro as tais criaturas, vezes e vezes restritas ao código que as transportam vidas a fora. Transitam no espaço das alturas, serviçais da incompreensão, no entanto afeitas ao desejo de se auto revelar qualquer tempo, madrugada destas, espécies de números vagando nos céus, horas contadas daquilo que antes foram. Forçados, imaginam, contudo, encontrar a resposta desse enigma milenar que guardam no íntimo.

Dias feitos de carne e ossos, metais e contrições, percorrem a imensidão qual disto fossem único motivo. Sorriem vez em quando, de olhos fixos nessa condição inevitável dagora, rescaldo imenso das tantas verdades escondidas na ânsia dalguma ocasião as distinguir no claro da consciência. Um perfil por demais estonteante desses tais seres que preenchem lendas e mitos; seriam filhos diletos que sejam do imaginário e dos dramas deixados no vácuo do Infinito.

Quando as palavras oferecem, pois, o sentido próprio das interpretações, outrossim restritas ao signo da visão imediata, entes desta sinfonia supõem possibilidades de perdurar. Em consequência, daí os frutos lançados ao chão pelas sementes, as árvores, lances restritos de intensas caminhadas através de florestas sombrias, reservadas aos ditos autores. Visagens dos contos surreais, cenas absortas de roteiros em andamento, sabem-se dotados em forma de imagens ora assustadoras, vilões astutos da indecisão de estar aqui.

Portanto, perfis entre animais e arcanjos, estabelecem de detalhes esse território imenso das verdades profundas, durante percursos trazidos pelos traços de uma longa jornada, a meio das marés e dos sóis em movimento. Bem isto, ser-se-iam fagulhas da fogueira descomunal do silêncio, logo em seguida transpostos à mais pura das perfeições.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Dias e dias


Isto um passar cadenciado, séculos sem fim diante das longas estradas cobertas de palavras e tradições. Nisto, as pessoas, esteiras imensas de transformações em andamento, diante do vazio ora em movimento. Abertos os olhos, fitam essas paisagens de silêncio e multidões que trazem consigo. Superpõem a si mesmos qualquer possibilidade do que virá logo em seguida. Esses, as testemunhas incontáveis de circunstâncias do que significam. Sei que existem suposições, falas continuadas de histórias inigualáveis; dúvidas feitas de riscos na face do Tempo. No entanto, meras buscas do quanto percorrer na face dos destinos. Personagens individuais, criaturas nascidas de dentro das consciências e expectativas febris do que haveriam de ser horas dessas.

Razão disso, narrativas constantes do mistério que lhes compõe sustentam o drama de aqui viver, entretanto. São distintas as vertentes que as descrevem. Acalmam os pensamentos, transpiram motivos que devoram o Infinito num abrir e fechar de intervalos. Há de conhecer as consequências, todavia cobertos dos entulhos das idades e das flores. Rios, mares, regiões ilimitadas ali através das escrituras que transportam sem cessar. Fossem rever o passado, habitariam esquecimentos sem conta.

Bem depois, pelos rastros informes largados nos rochedos das eras, dormem contritos pelas crostas de tudo aquilo desde antes acondicionado na alma de cada dessas pessoas. Porém apuram de si mínimos detalhes feitos farpas deixadas ao relento. Conquanto reúnam, pois, milhões de estrelas na fresta de um desaparecimento imediato, mesmo assim reconhecem que traduzem do inesperado a certeza de novos séculos. Nisso, arrebanham os momentos eternos em pequenos artesanatos de couro e madeira, distribuídos pelo correr dos sóis. Seguram as rédeas dos animais e os tangem devagar no fluir das gerações.

Impávidos, segredam entre eles todos os códigos conquistados, resquícios de vivências até então enigmáticas. Veem, sonham, definem, enquanto só presenciam tantos, quais outros que fossem. E em blocos coesos, arquitetam o futuro nas folhas secas da floresta onde habitam.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Uma vida interior


Visões sucessivas do imaginário preenchem a visão e definem mundos lá de fora na velocidade dos pensamentos. Eis o que define estar e permanecer diante das horas. Quais peças soltas de uma loja de variedades, superpõem momentos seguidos a lhes invadir a noção do quanto presenciam. Disto se acha identificada a realidade em volta. Seres, objetos, circunstâncias, e o silêncio que os envolve. São tantas as paisagens, os gestos, no suficiente de considerar outro universo que inexista, não fossem as consciências a exercitar a causa-origem do quanto existe dentro das criaturas.

Abre-se, contudo, nova porta ao senso desse mundo real superposto, onde habitam as tais presenças e os significados que deles possam advir. A esse território o denominam vida interior, nascida através do conhecimento das percepções e suas interpretações continuadas. Disso, há duas realidades, pois. A circunstancial e a íntima, dois aspectos dos humanos.

Vistas assim, definições nascidas dos pensamentos e das palavras imperam no plano externo das vidas, transitando ao bel prazer pelos corredores do cotidiano. Autores dos próprios universos, movidos pela imaginação, os indivíduos perfazem o panorama do quanto, logo ali fora, o significado doutra realidade a todo tempo. Em razão disto, vêm tantas e quantas suposições de teorias, filosofias, epopeias.

No entanto, ambos perfis dessas possibilidades tocam adiante, vidas e vidas, o prisma das histórias, versões inevitáveis de conceitos só pessoais, limitados ao ponto de vista de quem as traz. Em face destas considerações, percorrem tantos o poder restrito das constatações e exercitam o que existe à sua compreensão. Muitos até aceitam de bom grado apenas exercitar o plano traçado pelos costumes; outros, no entanto, mergulham noutras dimensões, ao sabor do gosto de avistar mais à frente o abismo da inspiração de um si mesmo ali existente.

A que pensar no senso dessas possibilidades, nítida disposição da natureza humana consiste na auto descoberta e no poder da revelação que mostra a presença então de muitos desconhecida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Instantâneos


De longe, lá de dentro das distâncias, regressam recordações trazidas dalgum modo através de músicas, pessoas, pensamentos. Chegam assim ao seu jeito, vezes, fortes; doutras, só vislumbres que se dispersam com facilidade. Dali, chegam os ídolos daqueles reinados que antes foram. Eles, que sumiram nas quebradas do Tempo e retornam meio desconfiados, já agora noutras fases, noutras aventuras, a saber viventes doutros planos. Mas invadem com força os largos dos sentimentos e mexem a valer naquelas ocasiões escondidas nalgum lugar das consciências.

São poetas, romancistas, cronistas, compositores, autores vários das recônditas lembranças ali entranhadas na memória, que sustentam vivamente as horas das tantas vezes antigas, das noitadas, das manhãs ensolaradas, afetos intensos, alegrias, esperanças, notícias, um enxame poderoso de verdades acumuladas nesse farnel de anonimato, postas ao claro nas suas revivências.

Nisto, as fases da infância, das recentes descobertas daqueles mínimos detalhes que persistiram nesse filão eterno de depois e depois. Objetos encantados, falas, narrativas, roupas, até os acidentes de percurso das situações adversas, desencontros, saudades, despedidas, algo que tanto fixou nas mesmas entranhas das almas a eternidade de um tudo. As primeiras fotografias, que chamavam de instantâneos perenizavam essas circunstâncias várias pelos álbuns guardados desde sempre. Viagens de si no âmbito dos acontecimentos fortuitos do passado. Imortalizar. Fixar nalgum monumento essas verdades que fizerem de nós estar aqui e deitaram alicerces do íntimo de agora.

Hoje vejo, sem previsão, sem medida, isso acontecer num roteiro imprevisto de filmes vários nascidos de conviver comigo na maior sem cerimônia, feitas criaturas, momentos, cores, cenas, sequências, películas sem par que acharam a oportunidade do transe inesperado nas telas da individualidade. Nisto, por mais desejos de reunir resquícios em coleções, já os somos todos, arquivos das humanas presenças jamais desaparecidas que nos sustentam a consistir de ser e permanecer durante o Infinito, pigmentos de imagens definitivas que constituem o que há e haverá no transcorrer das existências.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Um tempo subjetivo


Ser-se isso, o transcorrer das próprias sombras e avaliar tais rastros ficados nas encostas de traços assim largados nalgum chão dalgum lugar. Depois de muita procura, eis que se depara consigo no correr mecânico dessas horas. Pedaços reunidos e, dali, provem aquilo desde antes considerado existir. Tais portadores de faixas sucessivas dessas histórias contidas pelos pensamentos, considera, então, único lá dentro das tantas avaliações traduzidas em falas, imagens, locações, esses entes que percorrem as trilhas do Destino de almas em punho.

Isto só depois das quantas presenças ali ao lado, mãos postas no arco das estruturas montadas a título de cenário. Disto, são muitos, infinitos fossem, decerto, o porquanto contar e achar de limites os circuitos das memórias que, de longe, transportam na alma. Esperam, silenciam nas noites escuras a visão e reveem trechos inteiros de antigas escrituras encontradas entre os escombros dessas lendas mais antigas.

Sabem de si quantas vezes, porém absortos se deixam passar nos trechos por demais importantes dos longos intervalos, perdidos ou ignorados. Eles, no entanto, padecem face a isto, submissos a determinações imaginárias. Bem ali próximos, outros também reconhecem o valor das narrativas que transportam aos ombros. Constroem pontes imensas a meio dos momentos e as cruzam de olhos fechados, sob o risco das profundezas que logo avistam sob os pés.

São espécie de visagens recém criadas no íntimo, descritas na superfície do mundo que preenchem aos poucos. Primeiro de palavras, em seguida antepostos no coração à forma dos sentimentos vagos. Transpiram, quem sabe?, novos habitantes desses universos que carregam sem reconhecer; figuras feitas ao sabor das ausências e refeitas na medida dos sonhos. Realidades que signifiquem, arrastam pelos dias fardos imensos de interrogações. Gotejam no Infinito o pouco daquilo descoberto na imensidão das consciências. Contribuem, na verdade, com o passar dessa voragem que apenas escreve nos sóis algo de tamanha profundidade, mas hão de reconhecer nisto o motivo essencial de habitar as hostes acesas dos firmamentos.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Trilhas desde sempre percorridas


Entre letras e números, são eles, os mesmos heróis de antigamente. Dotados das razões parciais, descortinam incontáveis as paisagens, no transcorrer do inextinguível. Fragmentos desses tempos, remoem as estruturas onde vivem, numa condição no entanto enigmática, perdida pela imensidão das horas. Daí, sede insaciável de novos mistérios lhes irrompe no fervor das sortes e os compõem nos quadros espalhados nesse chão em movimento.

Conquanto por vezes silenciosos, só reconhecem, sem fim, o sabor devastador dos firmamentos, resquícios daquilo que antes parecia ter sido. Assim, os verbos tornam-se exíguos, na ânsia de continuar sobrevivendo. Descrevem a si próprios de mil nuances, nas vezes largadas pela História e logo depois feitas de pó, minúsculas partículas de um infinito que aguarda os quantos estiveram nos sonhos.

Dos roteiros inéditos, as lendas deixadas no eito perene de tudo, sinais de pedra dos que chegavam e, lá um dia, viraram pequeninos seres, noutras aventuras rumo ao desconhecido. Vez por outra se reencontram, no correr das gerações; abraçam ideais inesquecíveis, rápido inscritos nas estrelas, singulares certezas que poucos já sabem, artífices de toda jornada, aves de todos os voos.

Disso que hoje se pode ser há de haver, no correr das escolhas e dos amores, o quanto existe. Pendores submissos, contudo, desejos inefáveis, percorrem de inumeráveis saudades feitas de viagens e lassidão, resquícios dos seres trazidos pelas naus do insondável. Astutos habitantes, pois, dos lugares recônditos da alma, dali espalham suas bênçãos aos céus e sóis. Nisto, pouco ou nada ilustram de falas os objetos e as sequências, retratos perfeitos de visões que ora contêm os segredos de que foram elaborados. Passos silenciosos, apenas, e deles constroem as muitas moradas aonde viverão certa feita.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Bem doutras dimensões


Enquanto que os pensamentos conduzem, os sentimentos assistem a esse andar de acontecimentos qual quem resume a razão de existir. Nisto, viaja o Tempo por dentro, a transcrever o crivo dos destinos. Mares imensos desses entes assim estabelecem na memória estradas sem fim de transformar histórias em definições, na essência de tudo para sempre.

Tais artífices daquilo em que consolidam presenças em monumentos, daí denominam de civilizações. No entanto quem as fazem são seres individuais, a sumir inevitavelmente nalgum universo dos quantos persistem pela Eternidade. Isso pode, também, se encontrar nos sonhos. Resquícios vindos desses recantos da Natureza, já trazem consigo histórias intermináveis, sinais gravados de pensamentos e sentimentos que ora vagam ao léu da sorte. Foram muitas dessas interrogações que preencheram o espaço das lembranças e jamais os deixarão do teto de continuar.  

Nisto, indícios constantes de outras dimensões andam soltos no vão dos indivíduos, a conduzi-los ao modo das existências e dos lugares daqui do Chão. São tantas as sentenças, os pressentimentos, intuições doutras eventualidades, a encher de formas e cores quantos objetos sujeitos a encontrar qualquer vez. Em razão disto, os roteiros, as visões, os valores, caravanas inteiras de forasteiros a desembarcar, de uma hora a outra, nas consciências dos que aqui estejam.

Daí, gestas, narrativas incontáveis, cavernas misteriosas, sons adversos, inesperados, rastros informes desses todos que passaram nesse meio tempo, astutos autores das quantas histórias. Revivem, sustentam, anunciam, contatos por vezes indecifráveis de notícias inesperadas. Isto leva a imaginar, nalguma noite, as origens só agora trazidas de volta ao pomo da consciência. Quereres, ritmos, previsões, numa sequência exclusiva de traduções pessoais, no jeito próprio dos que viveram aqueles momentos e os esqueceram de volta.

Espécies de presenças até então desconhecidas nas mesmas pessoais, todavia sem nenhuma alternativa a não sustentar o feixe das compreensões e aceitar de bom grado o que lhes vem pelas vagas do silêncio.