Há momento assim, vistos em filmes, lidos em livros, ouvido nas canções. Trâmite avassalador das distâncias, cores novas hão de surgir a todo instante de saudade, nos contos leves dos autores surreais. Narrativas por demais daquilo antes perdido pelas folhas do Tempo. Enquanto que longas filas se formavam ao relento de noites sucessivas, logo depois nasceram as lembranças boas, os credos e as luas envoltas de lindas cores. Buscar que seja no imo do coração. Outra vez aceitar os véus desse mistério, na certeza do Sol.
Ali ouvíamos leves sussurros de silêncio através do vento, a rever suavemente o quanto deixamos, cientes, pois, de encontrar em seguida antigos heróis, conquistar a paz e conhecer sempre verdades inegáveis. Aonde foram todos que nos esqueceram aqui?! Qual das estrelas hoje lhes servem de lenitivo, criaturas ensimesmadas e livres? Estantes cheias de preciosidades, revistas do século XX, jornais amarelecidos e botons doutros valores, nas asas da esperança. Na verdade, quase isto de não querer sumir através dos fossos e dos destinos. Olhares vagos em maio às luzes da madrugada. Debates, interrogações, fotografias, persistências, viagens a longas distâncias, signos dos que ficaram e imagens vagas daquilo largados no bolso das aventuras.
Gerações inteiras acantonadas nesse painel dos corações, gravados firmemente nas horas e dos dias. Os trajes, os haveres, relíquias postas na parede entre os santos da devoção. Conquanto patrimônio inarredável, circulam pelos túneis de quantas vidas vividas em todas e numa única, talvez. Um relicário de recordações imorredouras que hoje falam conosco nas dobras dos blusões já desbotados. Nisto, poder absoluto de persistir ilimitadamente nos sonhos, nas frestas da presença dagora e livres pelos penhores do ora somos. Contidos nesse universo entranhado no peito, os que aqui estiveram permanecem de raízes do indefinido, porém coberto das glórias da perene felicidade individual.