Algo assim que bem pudesse ser, do Nunca ao Nada, eles primos-irmãos e da mesma sorte. A meio disso, essa imaginação ativa dos seres quais testemunhas do correr das nuvens pelo mar dos infinitos. Em todo instante, presentes nesse transitar dos objetos sobre superfície invisível, a não dizer impossível, algum ente que se superpõe a toda realidade, num correr sem conta, que vem e some de lugar a lugar. Ali adiante, os profetas a lhes observar extasiados.
Saber-se face a face consigo, nesse fazer inumerável de frações, transitam pelas frestas dos objetos, criando condições de tocar na ficção em que habitam as criaturas humanas, ditas pensantes. Por certo à luz dos acontecimentos há de haver caldeiras imensas que as sustentem no fervor das estruturas e alimentam os outros animais, nessa faina de viver. Condições inigualáveis de presenciar tantos momentos, alguns que silenciam os pensamentos e adormecem feitos quem achou o trilho dos contentes e se libertou. São tantos protagonistas das mesmas cenas, a repetir litanias e canções pelos ares bravios lá de fora.
Florestas incontáveis de tantos seres nem sempre deixam margem a compreender as razões de andarem aqui, no entanto persistem atentos pelos entulhos das eras que sumiram do jeito que vieram. Transitam e observam a finalidade do que habitam. Escutam sinais entre os sons do Infinito e rezam, sonham, trabalham, numa tradição milenar de longe suspensas nos reinos das alturas.
Jamais acreditariam antes chegar a este painel de solidão à busca das certezas e crenças, logo de novo submersas nas lembranças que restaram. Sabem, outrossim, de tudo isto em pequenas frações trazidas no vento da sorte. Chegam a tocar levemente o caule de árvores imensas, e, em seguida, descreem do que lhes disseram os sentidos. Conquanto fieis servidos da imaginação, acalmam os sentimentos e abandonam às margens das ausências aquilo trazido até agora.
(Ilustração: A luta entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel, o Velho).