quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Uma vida interior


Visões sucessivas do imaginário preenchem a visão e definem mundos lá de fora na velocidade dos pensamentos. Eis o que define estar e permanecer diante das horas. Quais peças soltas de uma loja de variedades, superpõem momentos seguidos a lhes invadir a noção do quanto presenciam. Disto se acha identificada a realidade em volta. Seres, objetos, circunstâncias, e o silêncio que os envolve. São tantas as paisagens, os gestos, no suficiente de considerar outro universo que inexista, não fossem as consciências a exercitar a causa-origem do quanto existe dentro das criaturas.

Abre-se, contudo, nova porta ao senso desse mundo real superposto, onde habitam as tais presenças e os significados que deles possam advir. A esse território o denominam vida interior, nascida através do conhecimento das percepções e suas interpretações continuadas. Disso, há duas realidades, pois. A circunstancial e a íntima, dois aspectos dos humanos.

Vistas assim, definições nascidas dos pensamentos e das palavras imperam no plano externo das vidas, transitando ao bel prazer pelos corredores do cotidiano. Autores dos próprios universos, movidos pela imaginação, os indivíduos perfazem o panorama do quanto, logo ali fora, o significado doutra realidade a todo tempo. Em razão disto, vêm tantas e quantas suposições de teorias, filosofias, epopeias.

No entanto, ambos perfis dessas possibilidades tocam adiante, vidas e vidas, o prisma das histórias, versões inevitáveis de conceitos só pessoais, limitados ao ponto de vista de quem as traz. Em face destas considerações, percorrem tantos o poder restrito das constatações e exercitam o que existe à sua compreensão. Muitos até aceitam de bom grado apenas exercitar o plano traçado pelos costumes; outros, no entanto, mergulham noutras dimensões, ao sabor do gosto de avistar mais à frente o abismo da inspiração de um si mesmo ali existente.

A que pensar no senso dessas possibilidades, nítida disposição da natureza humana consiste na auto descoberta e no poder da revelação que mostra a presença então de muitos desconhecida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Instantâneos


De longe, lá de dentro das distâncias, regressam recordações trazidas dalgum modo através de músicas, pessoas, pensamentos. Chegam assim ao seu jeito, vezes, fortes; doutras, só vislumbres que se dispersam com facilidade. Dali, chegam os ídolos daqueles reinados que antes foram. Eles, que sumiram nas quebradas do Tempo e retornam meio desconfiados, já agora noutras fases, noutras aventuras, a saber viventes doutros planos. Mas invadem com força os largos dos sentimentos e mexem a valer naquelas ocasiões escondidas nalgum lugar das consciências.

São poetas, romancistas, cronistas, compositores, autores vários das recônditas lembranças ali entranhadas na memória, que sustentam vivamente as horas das tantas vezes antigas, das noitadas, das manhãs ensolaradas, afetos intensos, alegrias, esperanças, notícias, um enxame poderoso de verdades acumuladas nesse farnel de anonimato, postas ao claro nas suas revivências.

Nisto, as fases da infância, das recentes descobertas daqueles mínimos detalhes que persistiram nesse filão eterno de depois e depois. Objetos encantados, falas, narrativas, roupas, até os acidentes de percurso das situações adversas, desencontros, saudades, despedidas, algo que tanto fixou nas mesmas entranhas das almas a eternidade de um tudo. As primeiras fotografias, que chamavam de instantâneos perenizavam essas circunstâncias várias pelos álbuns guardados desde sempre. Viagens de si no âmbito dos acontecimentos fortuitos do passado. Imortalizar. Fixar nalgum monumento essas verdades que fizerem de nós estar aqui e deitaram alicerces do íntimo de agora.

Hoje vejo, sem previsão, sem medida, isso acontecer num roteiro imprevisto de filmes vários nascidos de conviver comigo na maior sem cerimônia, feitas criaturas, momentos, cores, cenas, sequências, películas sem par que acharam a oportunidade do transe inesperado nas telas da individualidade. Nisto, por mais desejos de reunir resquícios em coleções, já os somos todos, arquivos das humanas presenças jamais desaparecidas que nos sustentam a consistir de ser e permanecer durante o Infinito, pigmentos de imagens definitivas que constituem o que há e haverá no transcorrer das existências.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Um tempo subjetivo


Ser-se isso, o transcorrer das próprias sombras e avaliar tais rastros ficados nas encostas de traços assim largados nalgum chão dalgum lugar. Depois de muita procura, eis que se depara consigo no correr mecânico dessas horas. Pedaços reunidos e, dali, provem aquilo desde antes considerado existir. Tais portadores de faixas sucessivas dessas histórias contidas pelos pensamentos, considera, então, único lá dentro das tantas avaliações traduzidas em falas, imagens, locações, esses entes que percorrem as trilhas do Destino de almas em punho.

Isto só depois das quantas presenças ali ao lado, mãos postas no arco das estruturas montadas a título de cenário. Disto, são muitos, infinitos fossem, decerto, o porquanto contar e achar de limites os circuitos das memórias que, de longe, transportam na alma. Esperam, silenciam nas noites escuras a visão e reveem trechos inteiros de antigas escrituras encontradas entre os escombros dessas lendas mais antigas.

Sabem de si quantas vezes, porém absortos se deixam passar nos trechos por demais importantes dos longos intervalos, perdidos ou ignorados. Eles, no entanto, padecem face a isto, submissos a determinações imaginárias. Bem ali próximos, outros também reconhecem o valor das narrativas que transportam aos ombros. Constroem pontes imensas a meio dos momentos e as cruzam de olhos fechados, sob o risco das profundezas que logo avistam sob os pés.

São espécie de visagens recém criadas no íntimo, descritas na superfície do mundo que preenchem aos poucos. Primeiro de palavras, em seguida antepostos no coração à forma dos sentimentos vagos. Transpiram, quem sabe?, novos habitantes desses universos que carregam sem reconhecer; figuras feitas ao sabor das ausências e refeitas na medida dos sonhos. Realidades que signifiquem, arrastam pelos dias fardos imensos de interrogações. Gotejam no Infinito o pouco daquilo descoberto na imensidão das consciências. Contribuem, na verdade, com o passar dessa voragem que apenas escreve nos sóis algo de tamanha profundidade, mas hão de reconhecer nisto o motivo essencial de habitar as hostes acesas dos firmamentos.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Trilhas desde sempre percorridas


Entre letras e números, são eles, os mesmos heróis de antigamente. Dotados das razões parciais, descortinam incontáveis as paisagens, no transcorrer do inextinguível. Fragmentos desses tempos, remoem as estruturas onde vivem, numa condição no entanto enigmática, perdida pela imensidão das horas. Daí, sede insaciável de novos mistérios lhes irrompe no fervor das sortes e os compõem nos quadros espalhados nesse chão em movimento.

Conquanto por vezes silenciosos, só reconhecem, sem fim, o sabor devastador dos firmamentos, resquícios daquilo que antes parecia ter sido. Assim, os verbos tornam-se exíguos, na ânsia de continuar sobrevivendo. Descrevem a si próprios de mil nuances, nas vezes largadas pela História e logo depois feitas de pó, minúsculas partículas de um infinito que aguarda os quantos estiveram nos sonhos.

Dos roteiros inéditos, as lendas deixadas no eito perene de tudo, sinais de pedra dos que chegavam e, lá um dia, viraram pequeninos seres, noutras aventuras rumo ao desconhecido. Vez por outra se reencontram, no correr das gerações; abraçam ideais inesquecíveis, rápido inscritos nas estrelas, singulares certezas que poucos já sabem, artífices de toda jornada, aves de todos os voos.

Disso que hoje se pode ser há de haver, no correr das escolhas e dos amores, o quanto existe. Pendores submissos, contudo, desejos inefáveis, percorrem de inumeráveis saudades feitas de viagens e lassidão, resquícios dos seres trazidos pelas naus do insondável. Astutos habitantes, pois, dos lugares recônditos da alma, dali espalham suas bênçãos aos céus e sóis. Nisto, pouco ou nada ilustram de falas os objetos e as sequências, retratos perfeitos de visões que ora contêm os segredos de que foram elaborados. Passos silenciosos, apenas, e deles constroem as muitas moradas aonde viverão certa feita.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Bem doutras dimensões


Enquanto que os pensamentos conduzem, os sentimentos assistem a esse andar de acontecimentos qual quem resume a razão de existir. Nisto, viaja o Tempo por dentro, a transcrever o crivo dos destinos. Mares imensos desses entes assim estabelecem na memória estradas sem fim de transformar histórias em definições, na essência de tudo para sempre.

Tais artífices daquilo em que consolidam presenças em monumentos, daí denominam de civilizações. No entanto quem as fazem são seres individuais, a sumir inevitavelmente nalgum universo dos quantos persistem pela Eternidade. Isso pode, também, se encontrar nos sonhos. Resquícios vindos desses recantos da Natureza, já trazem consigo histórias intermináveis, sinais gravados de pensamentos e sentimentos que ora vagam ao léu da sorte. Foram muitas dessas interrogações que preencheram o espaço das lembranças e jamais os deixarão do teto de continuar.  

Nisto, indícios constantes de outras dimensões andam soltos no vão dos indivíduos, a conduzi-los ao modo das existências e dos lugares daqui do Chão. São tantas as sentenças, os pressentimentos, intuições doutras eventualidades, a encher de formas e cores quantos objetos sujeitos a encontrar qualquer vez. Em razão disto, os roteiros, as visões, os valores, caravanas inteiras de forasteiros a desembarcar, de uma hora a outra, nas consciências dos que aqui estejam.

Daí, gestas, narrativas incontáveis, cavernas misteriosas, sons adversos, inesperados, rastros informes desses todos que passaram nesse meio tempo, astutos autores das quantas histórias. Revivem, sustentam, anunciam, contatos por vezes indecifráveis de notícias inesperadas. Isto leva a imaginar, nalguma noite, as origens só agora trazidas de volta ao pomo da consciência. Quereres, ritmos, previsões, numa sequência exclusiva de traduções pessoais, no jeito próprio dos que viveram aqueles momentos e os esqueceram de volta.

Espécies de presenças até então desconhecidas nas mesmas pessoais, todavia sem nenhuma alternativa a não sustentar o feixe das compreensões e aceitar de bom grado o que lhes vem pelas vagas do silêncio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Artesões da sobrevivência


E nisso refazem caminhos até então desconhecidos. Estabelecem metas. Criam gado. Escrevem argumentos. Superam crises. Ocupam postos inacessíveis. Eles, mar imenso dessas iguais criaturas num horizonte coberto pelo lodo das eras intermináveis. Mas, diga mesmo, se tal não seria, a bem dizer, inacreditável diante o fosso doutros universos se não este que ora presenciamos, de largas montas daqueles outros que ficaram lá atrás?! Esforços sejam feitos e novas descobertas dar-se-ão das mais antigas civilizações, de novo encher páginas e páginas desses diários apressados que deixaram as viagens à nossa frente. Ver valores. Alimentar diapasões. Transitar a meio de caravanas outras, de línguas desconhecidas, olhos postos no fluir das gerações. Sustentar no íntimo as profundezas e os abismos, sorrir de controversos aos mínimos acordos firmados com o mistério, desvendar segredos guardados nas cavernas e nos sonhos.

Depois, lembrar do quanto houve, acreditar no que há de vir, submissos ao código infindável. Tudo a meio de palavras incontáveis, sombras que preenchem os céus e deixam cair de tudo os frutos das tantas solidões. Nalgumas vezes, revelam seus desejos de místicos louvores a quantos ídolos desde longe trazidos nas distâncias. Disto, o ritmo sincopado dos milhões de estrelas lá na escuridão dos vales. Sabem de si quase o suficiente de viver e nem por isso compõem os quadros infinitos das verdades eternas presas no coração.

Assim, entre imaginação e desaparecimento, vórtices de luzes inesgotáveis, os protagonistas das existências transitam pelos hemisférios, na busca de, certa feita, interpretar as mesmas guarânias contidas nas filosofias, nos dilemas originais e na infância. Tal seja, no penhor da ansiedade, persistir atônitos, impávidos senhores dos quatro pontos cardeais. Escutam o som das noites quando adormecem nos próprios braços. Cadenciam, desnorteiam, visitam lugares insólitos. Emissários de sóis inigualáveis, viajam pelos pensamentos, livres quais fossem das artimanhas do Destino. Intuem, no entanto, aonde vão chegar, face a face com o inesperado em movimento.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instintos e sentimentos


Esses os motivos das criaturas humanas, ao impulso de cumprir princípios guardados sob a sete capas dos destinos. Tantos seres, quantas histórias. Ao peso de existir, vêm as recentes descobertas individuais. Toques sem conta pelas paredes do céu e, gradualmente, revelam a si o tal sentido das visões que antes tiveram. Enquanto isto, preenchem cadastros, abrem cadernetas, totalizam estatísticas, no prisma constante das gerações. Aqui e ali, são vistos no trânsito, nas noitadas, acampamentos, viagens de um furor do inevitável. Bem isto, à conta de identificar profissões, aventuras, desempenhos.

Porém significam algo além de tocar no duas estruturas das compreensões, e lá num tempo desvendar as chaves dalgum mistério desse longo itinerário. Quer-se mergulhar noutras histórias, contudo blocos coesos de consistência definitiva os mantém nas paredes a dizer instransponíveis, exclusivas de cada um, circos ambulantes a vagar pelos vagões do Infinito.

Mártires, heróis, soberanos, subalternos, longas narrativas de quem há de transpor consigo metas ainda desconhecidas, em epopeias de experiência de causar espanto. Esse o perfil das tais criaturas que persevera desde sempre que delas se têm notícias pelo mundo. Muitos desses quais dotados de quanta genialidade em fase de aprimoramento.

Neste meio período da sorte, superpostos conceitos transportam assim vidas e vidas, no intervalo da ilusão com a verdade, pelo que exercitam o crivo da perfeição no mar das consciências. Nos primórdios, supõe-se haja sido tal e qual, pastores do pensamento em noites de sonhos. Eles, às vezes, pressentem largas interpretações, e dividem aos outros aquelas imagens arquitetônicas. Depois, passadas iguais conveniências, esquecem coletivamente o que alguém imaginou e deixam fluir novos enredos. Padecem perante o silêncio essa fome de querer conhecer. Aquietam os ânimos e desfazem estruturas antigas. Transitam, pois, no meio de duas margens, espécies de cavaleiros andantes de sortes imprevisíveis, verdadeiras loterias ao léu da perfeição.

Qualquer deles justificaria as andanças dos próprios pés, entretanto de olhos postos na distância das luas, no sabor de amores inigualáveis que sejam e alimentam.