quarta-feira, 27 de maio de 2026

Pelas eternidades a fio


Num transe a bem dizer único e inevitável de ser assim, perduram os seres e objetos, a circular em volta e imperceptivelmente, pela crosta suave do que haveria de ser. Quer-se criar versões, estabelecer diálogos, a punção de consciência distantes. Olhares em volta a considerar o trilho das alturas e viver. Tomar a pulso crer na própria gana, sustentar o nível das percepções, e contornar o impossível, afã alimentado de pensamentos e palavras, seguidos de perto pelas lembranças e sentimentos. Bem isto de ser assim. Tamborilar destreza nunca notada. Vislumbrar o espetáculo das essências, e sobreviver a qualquer custo.

Quanta virtude, pois, rever as mudanças que ocorrem ao furor das consequências, e manter o estado da presença diante desse tudo arrebatador, consistente. Nisto, as culturas, civilizações esplendorosas ali submersas pelas areias do Tempo, justo motivo de continuar nessa viagem enigmática. Perdurar. Fazer-se fruto das existências, raciocinar, interpretar, criar, construir. Normas soberanas de liberdade relativa são mantidas ao custo de sentir e avistar dos novos momentos que virão. Espécie de prazer inarredável, tal tocar o barco das horas neste mar das quantas virtudes, habitar a vida antes de tudo.

O fascínio sorrateiramente preenche de verdades os horizontes. Traz nas entranhas clarezas arrebatadoras, belezas infindas, contrições jamais imaginadas. A desvendar quais mistérios, enquanto isto essa caravana imensa de tantos e quantos senhores dos pagos lá escondidos pelas conotações da História, guardam no íntimo pessoas e lugares. As estradas carregam, enfim, nas margens tudo desde o princípio, elas e as almas em movimento. Transbordam, a inundar de frestas luminosas os mesmos mares da continuação absoluta.

Das profundezas desse abismo vêm ecos por demais, marcas fixadas naquelas hastes da matéria-prima do que existirá sempre, logo em seguida transcritas nas luas hão de vir, que lhes puseram de retalhos foscos na finalidades dos sonhos.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Imagens do Inconsciente


Nessa missão estonteante de revelar a si o caminho, criaturas habitam o pórtico do invisível enquanto apenas observam de longe as primeiras jogadas. Isto o itinerário das existências a par da compreensão de todos. Busca de luzes, desejos de revelação e uma fome religiosa de notar o mínimo que seja de verdades, amor e paz no coração. Dali, o ritmo frenético dos dias. Quais que protagonistas de peças jamais vistas, distinguem monumentos nas praias, inscrições pelas encostas de montanhas distantes, dunas faiscantes dalgum deserto a lhes percorrer entranhas e sentimentos. A vontade bem que admite, lá um tempo, dar de cara consigo e reviver tudo aquilo espalhado nas lembranças. Eles, minúsculos habitantes desses reinados santos, perscrutam qual tal jamais os mesmos mistérios trazidos do Infinito.

Em considerar, portanto, a trilha deixada pelos ancestrais, decidiram construir sonhos sucessivos nas cidades e vilas, agora cruzadas pelos mais diversos transeuntes. Admitem, contudo, viver o senso eterno de visões avistadas de antes e reúnem, passo a passo, os traços de roteiro encantado. Juntam milhões de falas numa só, sabem, de tanto avistar, que persiste no alto o poder de tantas realizações até aqui palmilhadas a ferro e fogo. E no silêncio do íntimo transmitem, um a um, o conceito da felicidade. Lastro monumental de verdades e imaginação, superpõem legendas inigualáveis a todo instante.

Perante os demais seres também inesperados, transitam vidas e vidas nessa reunião de belas histórias incrustradas nos céus. Formam filas enormes dos viandantes ora cientes desta procura, isto feitos de fé, amáveis criaturas criadas na renovação e nos becos. Trabalham de sol a sol nas visões do encantamento que os compõe. Certa feita, todavia, portas se abrirão e verão chegar quem quantas horas conteve nesses delírios de felicidade em forma de lindas cores, tradições, sobrevivência crucial daquilo de que foram elaborados pelo Destino.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O preço de ser livre


A fé é a mais elevada paixão de todos os homens.
Kierkegaard

Todo esse tempo e que passou hoje se resume imaginar que nunca houve, talvez as vivências contidas em si. E nisto, chegar até então, olhos postos em lugar algum. Uma gama a bem dizer quase infinita de histórias que nos atravessaram ao momento em que preenchiam o sol da consciência e nestante pulsa tanto só ao sabor de haver sido, contudo noutros universos também abstratos. Ali, porém, vivem pessoas nas lembranças fortes das emoções, dos sentimentos encantados em lugares inarredáveis, porquanto saguem junto ao que ora somos. Valores dessas épocas de outros sonhos, estruturas em movimento no mesmo lastro de agora. Há qual o que naquilo eco solto de inexistência, pedaços de um todo indivisível, estranhos abismos cá dentro da alma, a contar das suas angústias, seus temores, numa intensidade jamais consideradas ao instante do que aconteciam. Longas essas tais vastidões descritas em iguais roteiros naqueles filmes a percorrer entranhas do desconhecido transportado anos a fio. Transes, shows, diálogos persistentes ao silêncio das antigas recordações assim habitam ricamente os pensamentos acesos de verdades eterna, onde estivemos, nas dobras do Tempo por demais enigmático, fortuito, amoroso, de persistentes madrugadas, fiapos do que se seja neste para sempre.

Consistentes criaturas vagam destarte pelos rincões das permanências e observam cautelosas essa correnteza de mil cenas a lhes envolver os sentimentos. Trazem na essência o motivo de estar aqui, de reconhecer pouco a pouco as realidades que os compõem. Talvez até possam traduzir em novos sonhos aqueles antes escondidos que persistam continuar um dia qualquer. Nesse traço de eternidades que se move e nos move resta, quiçá, mínima a distância do panteão dos deuses, donde vieram e carecem regressar de quando em vez, aventureiros do destino e das luas, escrituras abertas ao querer mais absoluto existindo na alma da gente.  

Viagem ao centro de si


A mais que se buscasse, desde longe, o seguimento indicaria tão só o senso da procura, porquanto restava um tanto a cada criatura de afirmar a sua real compreensão nessa jornada ainda sem final visível. Que há o que encontrar, isso ninguém, a qualquer tempo, questiona, diante de tamanha exatidão no tudo em voga. Daí, vieram as religiões antigas, tradições, filosofias, psicologias, ficções, num afã do imaginário jamais desconsiderado. No entanto, eis-nos aqui, face a face com o Destino, dunas imensas de indagações pela frente a perquirir melhores deslumbramentos, sequer adotando qual um comportamento definitivo. Em contrapartida, os resultados vêm à tona pelas versões pessoais e de grupos, espécie de fanatismo impetuoso a preencher o vazio dos corações, marcas trazidas de outras civilizações arrevesadas, de traços esquizoides e sarcásticos. Desse panorama, até agora um mundo impera pelos patamares dos milênios.

Nisso, bem que a cultura humana persistirá e algo vem à tona gradualmente, isto é, a busca da própria consciência de todo indivíduo, numa resposta consistente do quanto já aqui acontece nas artes, realizações justas; no aprimoramento das instituições sob os novos valores aos poucos revelados. Vê-se com relativa transparência a necessidade inadiável de rever alternativas praticadas e repensar o crivo das aventuras tingidas de verdade, porém deixando margem apenas relativas de possíveis meios de uma resposta pertinente.

Neste ponto a perspectiva correspondente ao grau da perfeição que impera no âmbito do Universo. Substância que corresponda ao sentido de respostas aprimoradas, no mínimo próximas daquilo onde ora significa a Criação. Escolas afirma com veemência tais virtudes infinitas, pensamentos e palavras coerentes ao que desde sempre trouxeram as esperanças nos dias benfazejos. Nestante, ao quadro das horas e dos seres, pela natureza que os alimenta, abrem de par em par as portas da certeza de que tempos outros veem-se no íntimo das criaturas de si conscientes.


 [PS1]

domingo, 24 de maio de 2026

Sons da imaginação


Num mergulhar sem limite, precipícios adentro, a meio de rascunhos esquecidos e lembranças guardadas, renascem as vivências mais antigas. As vezes quando ali viajava-se pelos estrados de passadas estruturas, a encontrar novamente épocas inteiras, desde a infância, adolescência, até épocas recentes. Mundos espaços de dentro das criaturas. De tudo um pouco. Das situações por vezes agradáveis, felizes, preenchidas dos variados aspectos dos que aqui existem.

E nisso de reconsiderar o quanto houve certa feita eis o resumo das vidas. Distintos aspectos daquilo que antes foi, o que nem sempre as palavras obtêm êxito em considerar. Mas que insistem permanecer nas golas das roupas, nas barras das calças, no frio das noites enluaradas, mitos de heróis que viverem insistentemente no céu de tempos outros e habitam lá dentro feitos seus reais proprietários. Circunstâncias. Transes inesperados. Ruas solitárias. Céus cobertos de estrelas. Vozes, as vozes de outros momentos que ainda permanecem nas músicas, nas fotografias, nos livros; personagens originários de instantes doloridos de saudade, ausências, um diapasão poderoso a dizer do que jamais irá sumir. Espécie de fagulhas inapagáveis, fazem das pessoas mares de um movimento constante, quais pulsação do Infinito através do coração. Histórias sempre vivas, alimentam as almas de sonhos, vontades outras superpostas nos mesmos grilhões de antigamente. Nisto, os lugares têm poder absoluto sobre as tais recordações. Os lugares e os dias. As noites. Viagens. Falas. Paisagens intactas daquelas vezes do que houve de ser.

Haverá, não resta dúvida, o senso do inevitável a percorrer as entranhas dos acontecimentos inapagáveis. Suportam sede, fome, distâncias, longe, outrossim, das alternativas do desaparecimento. Vêm e vão, sucessivamente, porquanto aos ombros dos amigos, das horas e dos rios de aventuras. Raios de sol desse caudal que compõe as existências, formam ao léu o querer da perfeição de se ser instrumento de lembrar e sonhos reconstituídos na sequência natural de existir, então.

sábado, 23 de maio de 2026

As sombras da consciência

 

Algo assim que só o decorrer das idades há de reverter, desvendar as razões e permitir o encontro de verdades até então guardadas nos armários do Infinito. Esses tais significados perduram aos moldes de tantas aventuras humanas, e daí o correr dos séculos através dos habitantes do Cosmos. De certeza, serão eles os autores do que virá no intervalo de compreender. Tantos aos moldes de tudo. Nem de longe haverá de sumir, porquanto habitam a perfeição original, motivo justo de pisar e correr ao sabor de muitas histórias largadas aos céus. Sob esse teto, horas a fio desvendam de cada ser o princípio, causa primeira de todas as motivações.

Nesse desvendar eterno, a claridade chega brusca ou suave ao espetáculo do Chão. Transita pelos corredores das existências no ritmo das disposições pessoais. Levemente tocam o favo da visão, depois da audiência, e sucessivas outras situações, desde longe a cumprir o devir dos milênios. Instantes existem quando imaginar o fervor dos indivíduos, depois das coletividades e, por fim, do renascimento e dos sonhos.

De quando em vez tal acontece, de notar os padrões desse espaço fruto da essência. Qual lona imensa do circo do Universo, ali debaixo convivem eles consigo próprio, minúsculos portais do definitivo. Vale de profundida sem limite, circulam em volta carroções de prazeres, desejos avantajados e ânsias irreverentes. Transcritas, contudo, as periferias daquele arco incalculável de épocas, menos esperar, no entanto, advém ente doutras virtudes. Impessoais figurações de trajes surreais, dotadas de práticas acima da imaginação, lotam o pátio de toda expectativa benfazeja. Livres, almas abertas ao Paraíso, agora sorriam emoções inigualáveis. Fôssemos, todavia, distinguir da realidade a ficção, paisagens de beleza rara inundariam o sentido da inteligência. Hoje e sempre, uma única e crucial justificativa nos traz ao viver, pois.

O eterno presente à luz do inevitável


O mar das circunstâncias que a tudo envolve. Poder infinito das horas em movimento e num único lugar ao que seja o permanecer dos acontecimentos vidas e vidas sem conta. Conquanto aqui, isto será sempre. Por demais cientes do quanto exista, seguem as caravanas no deserto das próprias condições. Bem isto, o retrato de uma realidade apenas daqui e em queda livre ao abismo da inexistência. Senhores, portanto, de dúvidas e percalços, sempiternas ciências no ato das ações sem final, ser-se-á prenúncio de tantas cores, novos sabores, sons inolvidáveis, ao furor do Tempo.

Ao celebrar, pois, gesto único do quanto existir, há nisto viagem ao centro de si mesmo, enquanto caem as folhas das árvores e elas se refazem no íntimo dos céus. Estabelecido face a face diante do mistério, caudal imenso de verdades e justiça circunscreve o gesto da permanência. Bem sob o critério do firmamento, são perenes os blocos de pedras transpostos através de todo momento. Pausa inexiste. Silêncio. Roteiro nunca imaginado. Palavras acesas no mar das consciências, e os penhascos do Sol lá dentro da sorte de todos.

Então, ver-se nítida a força de uma determinação jamais identificada, que, porém, transmite essa chama de persistir e lançar novas oportunidades adiante. De onde impera, contudo, a condição de tanta soberania? Indagação por demais, trazida aos ombros do interminável, que aqui, outrossim, perfaz a lâmina do Poder. Turbilhões sucessivos de indagações. Sinais nos dias repetem o itinerário das certezas e alimentam quantas infinitudes. E saber que nada deixa de ser e virá nas asas dos pássaros, nas ondas dos oceanos, lufadas de vento, tons avermelhados no poente. Qual o quê, sob o teto da Eternidade tocam em frente os carrilhões da perene intenção ainda em fase de deslumbramento.