Tempos esses de ser assim, coberto de asfalto e vagando solto ao léu da sorte, entre carcaças e sonhos. Eles, os parceiros do impossível, transidos pelas frestas do pouco que resta de tanta busca. O solo, as pedras, fragmentos de consciências espalhados no horizonte, ao sabor do vento. Surpresas em formato de embalagens coloridas, perfumes exóticos de amores inexistentes. No entanto, em ser que tal consiste nisso de mostrar alternativas ao Tempo e mergulhar nas águas do anonimato. Abrir espaço a meio do calor das tardes, enquanto milhões circulam em torno dos totens deixados ali pelo fragor dos momentos inesperados.
Nisto, o passado alimenta em si o deslumbramento das vezes
sem conta percorridas nos corredores daquilo de antes, riscos postos no próprio
a ser no sentido de sustentar o prisma dos destinos. Conquanto por demais
signifiquem existências, reveem no mais íntimo das heranças antepostas no mesmo
deserto dali afora, minúsculos disfarces das propostas lá dos inícios. Estampas
claras daquilo que se foi, agora guardadas no senso de tudo, através das
testemunhas só agora conscientes do sempre representaram nessa busca de
conhecimento.
Os frutos são esses que aí estão superpostos aos ombros de
um aparente mistério, dias ensolarados, traços de inscrições gravadas no crivo
da procura, sobem e descem o declive dos céus e seguram nas mãos segmentos
inteiros de toda a Verdade, pois.
No quanto de langor do instinto dos tais seres, Ao
perpassar, por isso, as barreiras dos quais desígnios, contemplam a sequência
das horas no calor das dúvidas e oferecem de si a essência de tudo, sacudida no
solo das memórias esquecidas. Sabem, sim, do real valor de existir, todavia
restritos de corpo e alma ao furor das condições que lhes trouxeram, cientes da
certeza dos tempos novos que hão de vier a todo instante.
(Ilustração: Metrópolis, de Fritz Lang).