segunda-feira, 1 de junho de 2026

O vigor que as palavras têm


Enquanto, logo atrás, existem os protagonistas. São criaturas ainda em formação. Conhecem pouco de onde podem chegar. Carregam fardos enormes de palavras, pensamentos, sentimentos. Desmancham, ao menos esperar, pelas crateras das presenças, a meio de outros. Figuras assim talvez esquisitas até a eles mesmos. Conquanto espalhem lembranças através das palavras, nem de longe veem os frutos daquilo deixado. Mesmo que tanto, insistem continuar. Acreditam nalguns segmentos das próprias expectativas, porém olham quase sempre pelo outro lado. Tal trabalhem ilusões, dormem afeitos sobre elas. Refletem ao furor dos momentos e as delimitam nas teorias deles mesmos criadas. Com isso, tantos e quantos persistem guarda-las no mais íntimo. Denominam isso de lembranças, desejos escondidos e esperança. Nisso, semblantes indiferentes ao que possa ocorrer, na medida das sortes, sustentam edifícios enormes, de cores variadas, formatos, quem saber?, esquivos, sorrateiros. O resultados, grupos e grupos dos que pensam semelhante, alimentam iguais intenções. Motivos sobram de prosseguir nos caminhos dessa jornada. Isto a ponto de, certas vezes, virem à tona perguntas de quem sejam as palavras, se elas ou as pessoas que as utilizam e usufruem. Nos mergulhos vorazes por demais, dali renascem sonhos, amizades, encontros. Formas inesperadas preenchem de toques o semblante dos céus a transitar entre as mãos de todos. Frutos, pois, das infinitas legendas a penetrar as crostas deste chão das almas, dão vida às árvores e plantas, nutrem pássaros e canções. Viagem precursoras de tantos outros mundos, transportam nos ombros a razão de tudo, enfim. Dali, passados que foram os instantes originais, vieram os sóis noutras consciências, e aqui permanecem. Contos intermináveis de tudo, decerto, tocam o coração das gentes e dos bichos, modo sem igual de reunir para novas eternidades o gosto de formar gerações inteiras. Falam, riem, escrevem, publicam, multiplicam, crescendo definitivo dos víeis e das verdades inesquecíveis.

domingo, 31 de maio de 2026

Tudo em ti


Desde o movimento dos astros na forma do Tempo até o mudar das cores no fervor das manhãs. Transcorrem infinitos no decorrer das pessoas, durante o qual ali permanecem reunidas histórias jamais contadas, no entanto vividas no auge das intensidades. Surpresas aos carrilhões, verdades inevitáveis de viver, insistências de outros, bem de junto. Quantas palavras a descrever, contar, narrar epopeias, e o Sol no alto a testemunhar tudo. Vertentes de um absoluto estonteante, minúsculos seres preenchem de consciência as tantas versões das quantas individualidades. Vozes assim distantes encobrem o silêncio das madrugadas, dotando-as de imagens inesquecíveis aquilo de poder estar aqui, substituir o silêncio da alma de ruídos remotos, tais trens em movimento no correr de cada biografia.

Logo adiante, os pássaros no nascer do dia. Caprichos das muitas façanhas desses acontecimentos antes feitos de pura solidão, agora contém paragens iluminadas, imensidões inatingíveis e meros figurantes das horas que sumiram, pois. Mais houvesse de ser, monumentos supremos enchem de paz os corações. Pela vontade das falas escutadas nas noites, um a um regressam ao império lá de dentro, numa faina constante dos viventes humanos. Nalgumas chances, repassam de pronto o que trazem consigo, desejo imenso de continuar. Retratos ovalados de espetáculos inolvidáveis, disto se ler o todo através de seus habitantes.

Conquanto deixemos de traçar o prisma das alturas, cá nos subsolos de quantos persiste o senso do eterno, toques mágicos das cenas vividas, realimentas de sonhos e criação. Instante tal ora significa, porém, o enigma das existências em crescimento. Saber de ouvir as falas dos séculos e poder aceitar de bom grado o princípio de todas razões, do instinto dos desejos, das cores da persistência. Credos mil, eis o segmento de todos os passos e pessoas, lugares, infinitos. Olhares atônitos falam disso aos mesmos seres por meio dos próprios sentimentos.

sábado, 30 de maio de 2026

A noite e a imaginação


Nesses momentos quando a escuridão toma de conta do mundo em volta, dali nascem as histórias, os sonhos, viagens siderais nunca vistas, pedaços de compreensão em movimento. Quais que na busca de iluminar a consciência lá dentro dos corredores, vêm vagões imensos de acontecidos, sinais precisos das presenças de junto permanecem. Tocam de perto nas lembranças. Revivem aventuras desfeitas nas cinzas do passado, trâmites de verdades eternas tocam o sentimento e trazem de volta resquícios jamais desaparecidos, a permanecer guardados nas tantas camadas do Inconsciente.

Dali nascem os argumentos de livros e filmes, reunidos pelas malhas do pensamento, resquícios distantes, talvez, daquilo inextinguível dos instantes de sermos. Seleção rigorosas disso, das flores mais distintas e perfumadas de canções, companhias, saudades, tocam nos ramos das tantas árvores da floresta de criaturas distintas, vontade poderosa dos céus pelas visões.

No correr dos séculos, quantas chances de se reencontrar e traz ao presente os sucessos de antigamente. Tratos valiosos. Personagens. Roteiros fabulosos. Civilizações quiçá desaparecidas, então isto donde observar o Universo. Distintos autores colhem desse mesmo cosmos as inscrições das quantas verdades. Aonde olhar, minúsculas frações das existências retornam a preencher as extensões das criaturas e as fazem transitar nesse mar de todas luzes a meio das sombras de noites infindas.

Gradações irreparáveis nisto sustentam as emoções das muitas horas ali sobrevivendo no meio das ondas, vozes afeitas ao inesquecível e senhores das compreensões. Painel multicolorido assim reacendem vezes mil o império de nossas próprias vivências, agora unidas a um único ser que o somos passo a passo, sempre. Albergues das infinitas legendas nesse conteúdo domina a sanha do Tempo e trazem de tudo ao continente dos destinos. Já quietos em si, certezas plenas das buscas de centenas de noites, perpassam significados e deles recolhem o melhor, esteios das habitações dos seres.

(Ilustração: Pieter Brueguel, o Velho).

Objetos de poder


Instintos transformados em formas de dominação, mecanismos de controle do comportamento social, cara lavada dos tempos atuais. Aonde ir, ali permanecer, numa espécie de fome dos brejos que loteia horizontes inteiros, dentro e fora do conhecimento. Nisto, formas de atender desejos, impulsos de revelar aspectos ainda mantidos sob o silêncio das almas.

No entanto que assim não seja sempre, pois. Vez haver meios, raízes em formação, à raça urge desenvolver outras ciências quais signifiquem desvendar as razões de andar aqui. Superpor normas de puro animalismo através dos mesmos órgãos de sentido e pensamento que faça presença em práticas conscientes. Daí os limites arcaicos viram processo contínuo doutras alternativas.

Panoramas quase gravados lá dentro do inesquecível, lembro dalgum filme a trazer seres montados a pensar que depois se afeiçoam tanto aos humanos a ponto de adquirir, quiçá, algo assemelhado a sentimentos. Isso ocasiona causa de dor que os faz amargurar diante de separações inevitáveis. Noutra imagem de ficção, das vezes quando civilizações inteiras houveram de mudar de território e padecem das ausências, das distâncias, do passado deixado.

Ser-se-ia, a bem dizer, ficção noutra ficção. De sair de um planeta a outro, e deixar ao longe tudo aquilo que antes fora, criação fantasiosa da própria função do Tempo pelas dobras dos firmamentos. Aqueles tais valores aonde foram que agora somem tais nunca houvessem sido. Isso ao sabor dos ventos da sorte, velocidade dos acontecimentos, tradições, urgências. Conquanto o querer dos humanos, transes seguem acontecendo, força viva doutro querer, imposição de novos senhores, novos métodos.

Perante o furor das palavras e seus significados, nascem as proposições, as ideias, atitudes líquidas do deslizar das existências aos olhos de tantos de nós, quereres distribuídos em forma de técnicas, submetidos aos caprichos do Destino. Talvez qual a tanto, essa intenção de guardar no coração a vontade de ser perene, inesquecível, sobrevivente das histórias vividas, sonhadas, acesas nalgum lugar desse universo.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Confins do Unverso


Olhares em volta e o Tempo, mares abertos do que a verdade seja existir. Um panteão de sensações espalhado pelo vento das horas, a perlustrar anos a fio nesse quadrilátero dos céus, no aguardo de algo que virá certa feita, de onde ou quando. Tais paisagens vistas de dentro, eis o resumo dos infinitos aqui guardados no íntimo de tantos. Isso que querer saber, porém circunscrito a determinações outras vindas numa graduação estonteante de luzes, sombras, cores, formas, a circular em torno do mesmo sentido único e indivisível. Pequeninos vislumbres em movimento na superfície das existências, talvez em fuga, talvez à busca de objetivos desde sempre antepostos aos destinos.

Langores, litanias, pedidos vagos de ciência; enxames continuados de seres ao sabor dos firmamentos em constante transformação.

Assim, qual o quê, os caminhos se clareiam diante do inesperado. Largas possibilidades face a tanto, espaço transcendental dos pensamentos, nessa busca de trilênios, sopesam valores maiores, portais abertos do desconhecido às nossas mãos. Jamais houvesse quer intocável. Vastidões poderosos no âmbito das criaturas agora permitem rever a imaginação e sustentar em definitivo a verdade dos dias que corriam ao nosso lado. Eram tais sombras de nós próprios. Detalhes indefinidos, beleza sem par nos momentos da história individual depois transpostos no coração em provas incontestes de um Criador absoluto a gerir sua criação.

Apenas isto, detalhes de um grande todo aceito de bom grado na medida do crescimento pessoal, ao largo das consciências. Isto falavam as artes, retratos dessa grandeza propiciatória que já habitam o senso da Razão. Contudo houve de ser destarte, passos cadenciados do princípio universal que poreja os vivos na Era Cósmica na que falavam os místicos nos finais do século anterior. Ao ritmo dessas palavras que falam em si ao seu querer, toquemos adiante o perfil dos acontecimentos.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Esse ser que o somos


Aqui nalgum lugar, cercado de silêncio... Através das tantas dimensões, essa necessidade perene de continuar. Vagas lembranças das horas boas, luta incessante de persistir enquanto seres, nuvens a encobrir o céu da consciência. Nisto, as marcas deixadas pelas vidas de interpretar, porém só parcialmente, o transe de haver já presenciado tantas vezes as tantas interrogações acumuladas no íntimo. Seres, afinal. No espaço das vivências, os demais e suas histórias ali depositadas, carentes, vezes sórdidas.

Quais dotados de filamentos que os ligam o Infinito, transitam sintomas e métodos no meio de si, constantes buscadores de desejos e visões, astutos, no entanto cientes dos próprios limites. Espécie de alienígenas do Universo, contemplam a vastidão numa vontade inevitável de querer sustentar-se nas faces dos destinos em volta. Parceiros, pois desta solidão contagiante, apenas reveem apontamentos daquilo esquecido nas viagens mais distantes, na mesma sanha de lá certo momento desvendar as linhas do Cosmos.

Nesse meio tempo, lhes alimentam igual fome de permanecer, contudo cientes de nem outra chance haverá de inexistir. Minúsculos exemplares do que restou de tudo nas encostas da alma, fixam os corredores da grande mansão e, vez em quando, some nas suas dependências, regressando logo em seguida noutras histórias daqui mesmo. Destarte, silenciosos, procuram a luz a qualquer dia.

Noutras chances, dividem objetos abandonados descobertos de antigas civilizações. Partilham conhecimentos técnicos a suprir urgências dos instantes, por isso algo cresce de dentro deles em forma de oportunidade, aprimoramento, a ponto de haverem aceito viver em grupos, ora cidades, tribos; viajam nas profundidas do firmamento à cata de novas estrelas. Nem de longe que o fosse, sabem aonde chegar quando isto acontecer. Querem paz, virtudes mil, amabilidades... Isto trazido desde sempre, voz que há de preencher de novas luzes este clarão visto nos céus.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

E se tudo ficou lá atrás?


Há momento assim, vistos em filmes, lidos em livros, ouvido nas canções. Trâmite avassalador das distâncias, cores novas hão de surgir a todo instante de saudade, nos contos leves dos autores surreais. Narrativas por demais daquilo antes perdido pelas folhas do Tempo. Enquanto que longas filas se formavam ao relento de noites sucessivas, logo depois nasceram as lembranças boas, os credos e as luas envoltas de lindas cores. Buscar que seja no imo do coração. Outra vez aceitar os véus desse mistério, na certeza do Sol.

Ali ouvíamos leves sussurros de silêncio através do vento, a rever suavemente o quanto deixamos, cientes, pois, de encontrar em seguida antigos heróis, conquistar a paz e conhecer sempre verdades inegáveis. Aonde foram todos que nos esqueceram aqui?! Qual das estrelas hoje lhes servem de lenitivo, criaturas ensimesmadas e livres? Estantes cheias de preciosidades, revistas do século XX, jornais amarelecidos e botons doutros valores, nas asas da esperança. Na verdade, quase isto de não querer sumir através dos fossos e dos destinos. Olhares vagos em maio às luzes da madrugada. Debates, interrogações, fotografias, persistências, viagens a longas distâncias, signos dos que ficaram e imagens vagas daquilo largados no bolso das aventuras.

Gerações inteiras acantonadas nesse painel dos corações, gravados firmemente nas horas e dos dias. Os trajes, os haveres, relíquias postas na parede entre os santos da devoção. Conquanto patrimônio inarredável, circulam pelos túneis de quantas vidas vividas em todas e numa única, talvez. Um relicário de recordações imorredouras que hoje falam conosco nas dobras dos blusões já desbotados. Nisto, poder absoluto de persistir ilimitadamente nos sonhos, nas frestas da presença dagora e livres pelos penhores do ora somos. Contidos nesse universo entranhado no peito, os que aqui estiveram permanecem de raízes do indefinido, porém coberto das glórias da perene felicidade individual.