sexta-feira, 8 de maio de 2026

O lado de lá do firmamento


Vez em quando me pego a olhar a profundidade dos céus. Nesses finais de tarde, quiçá um azul sem nuvens, daí merlhar a imaginação. Longe, muito longe, retalhos de sonhos, memórias vagas, viajam soltos pelas cores da imensidão. De tudo lá esteja. Talvez sombras do que foram antes. Resquícios de lembranças agora feitos fiapos de sóis e significados. Estradas molhadas, poeira, bichos de várzeas, objetos inexistentes e símbolos do imaginário. Ali pelas encostas dos poentes as cores doutras visões desde sempre desfeitas em letras e palavras, relíquias e sons abafados nas impressões deixadas pelo Tempo. Vontades assim de querer narrar o passado, no entanto meros significados de sentimentos somados ao léu.

Lembro aos poucos a busca das existências desde então reunidas pelas mãos calejadas de formas e abstratos trazidos no vento daquelas ocasiões, ditos da verdade em volta dos seres. Nadas, poréns, substantivos concretos, haustos de alguém a respirar aqui dentro, nas margens de um silêncio a bem dizer absoluto, no entanto por demais, surpresa das vezes quando isto percorria as distâncias lá adiante, por certo circunstâncias livres só depois reveladas. Sabores inigualáveis dos instantes, vejo com clareza o infinito das ausências, mesmo que tal pedaços de mim próprio.

Sobre essa superfície amorfa de rápidos traços dalgum artista perfeito, ali me detenho diante disso e pego a orar pela paz das criaturas, pelos tempos novos que vêm suavemente na noite dali a pouco. Trago de volta trechos percorridos na infância e os observo cobertos de infinitos falado comigo lá no íntimo das vastidões mantidas a ferro e fogo nas malhas do desejo de harmonia, e acalmo pensamentos e indagações. Esqueço dalgum modo o ruído insistente da atualidade. Transito, suavemente, pelas palavras já destarte pequeninos seres quais partículas de um todo em movimento.

Palavras soltas


Painéis abertos ao longe numa vontade incontida de interpretar os mundos em volta. Ali perpassam histórias mil e pessoas sem conta. Todos no mesmo mergulho das cores e formas, movimento incessante de tempos e valores. Nisto, películas antigas, lembranças vagas espalhadas pelo chão, florestas e sonhos. Uma circunstância de verdades eternas invade o desejo das vezes anteriores de conhecer cada vez pouco mais daquilo antes visto sem a resposta suficiente. Anda-se pelos rincões de quantas viagens ao íntimo, restos deixados às portas do Infinito. E os personagens sobrevivem a tudo, portanto, sempre contidos em si e senhores doutras eternidades.

Corredores de individualidade assim preenchem das existências sua figuração e apenas divisam pequeninos indícios do que buscam, porém. Universos contidos. Guardados sob as sete capas do Destino. Grutas de sobrevivência destarte conduzem a História seja lá onde for. As estações que se superpõem acontecem na mesmo velocidade do quanto até então, e compõem o quadro efetivo das certezas trazidas no peito. Respostas vagas, pois, daquilo buscado nas entranhas do mistério só desse jeito define de tudo o penhor das gerações. Aos milhares, milhões, infinitos seres atravessam esse deserto das horas e fixam os olhos no espelho de uma aparente realidade.

Quais meros protagonistas da fama de estar aqui, pisam dalgum modo o sequenciar das estruturas e aceitam de bom grado que seja tal e qual. Sei que sorriem, nalgum momento. Recordam velhos ideais. Alimentam de visões as nuvens lá distantes, na virtude dos místicos, mágicos e autores, voragem jamais vista do Sol das criaturas. Constroem nesse nada em ação os motivos de continuar vidas a fio, cruzar as pontes das vastidões e adormecer ao sabor de suportar e ser feliz. Face a tanto, descem e sobem as veias da solidão e trazem consigo o véu da Verdade de que sejam artesões.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Luzes na imensidão


Vontade voraz de conhecer chega a tanto. Aparentemente imaginar resultaria nisso, numa superfície plana por demais e diferente de tudo quanto existe. São essas as primeiras impressões ali deixadas pelos seres que circulam o Universo à busca de conhecer a si próprios. Mergulham no senso das oportunidades e abrem as vistas aos sóis. Desfazem e refazem tantas os farnéis da consciência que, talvez, se parecem mais com meros aventureiros dos destinos sempre desconhecidos. Ainda que tanto, cobertos que foram de andrajos dos passados, transportam lá dentro da memória todo o sonho do mundo.

Esses tais persistam, no entanto. Constituem o de que pouco conhecemos daqueles primeiros habitantes das colônias espalhadas pelo espaço dali de fora. Que existe, nem de longe há que duvidar. Fagulhas das histórias siderais, vêm e vão ao sabor das circunstâncias em volta. Perlustram, reconstituem planos, imaginam viver outras luas, noutras pequenas cidades do interior onde habitam o silêncio e as melodias. Depois, bem depois, lembram de haverem constituído família e regressam afeitos aos amores definitivos. Por vezes, silenciosos, calmos, cautelosos; doutras, criaturas exóticas, dadas a lutas, agressões, pecados. Ainda assim, herdeiros universais da Criação.

De um a outro, uma gama infinita de longas jornadas vindas nem se sabe de onde, a chegar sem saber aonde. Poder-se-ia compreender com facilidade serem parcelas de mar imenso em que circulam tangidos pelo vento da sorte. Porém sempre será de pouca monta interpretar soberanas verdades, conquanto só aos poucos as portas do mistério ali desvendam o coração do quanto houve e haverá. Daí as artes daquilo jamais visto, todavia sonhado quando em vez. Nisso, surgem do inesperado as fórmulas, os reinos monumentais e as tradições, logo adiante desmanchados em mitos e lendas, em torno das fogueiras acesas do Destino. Cientes, presentes no íntimo do Ser, partilham entre eles as surpresas de continuar e obter o visto de plena transformação.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

O preço da existência

 


A liberdade do Ser lá um tempo carece disto, transformação. Após milênios das reencarnações, certa feita certo dia haverá de desvendar esse enigma (Decifra-me ou te devoro!) da lenda do Egito. Nisso, de olhos bem abertos, ponteia crescer noutra direção que não só aquele de existir e repetir a dose, até mergulhar no oceano do Destino, e distinguir dentro de si a consciência desde sempre aguardada diante da Eternidade. Qual quem notou apenas sombras nas paredes da Caverna (Platão), decidi reverter o quadro das horas e considerar que, não mais de sombras, ilusões e vaidades, persistirá no Tempo. Um achado sem conta, razão de tudo aqui, providencia o exercício da real liberdade e desfaz aquilo de antes, apenas de imagens fugidia. Transcorreram, conquanto eras sem fim da individualidade pelos pagos do mistério.

Sai dali na feliz satisfação de haver, finalmente, interpretar o código do que existe perante todas as razões de possuir o senso e transformar a paisagem de quantas vidas, ele, um a um, se superpõe à rotina. Transitará de todo o patamar das histórias individuais e coletivas, dotado de outros instrumentos de percepção, ao tempo do sentimento da excelência, do Amor, na simplicidade do gesto mais simples e verdadeiro.

Tal que eis o resumo a gama aparentemente ocasional dos sóis e das luas vividos ao sabor das contingências fortuitas. Face a tanto, afeito neste encargo do novo consistir, terá, no entanto, de custear o preço da tão sonhada vitória aos infinitos da alma e admitir, todavia, o valor de qual conquista. Resultantes, a solidão pessoal, o confronto daqueles outros que, até então, nem de longe supunha ser possível essa revelação transcendente, causa primeira e única justificativa das incontáveis vidas em transformação. Já agora, vivente de indizível imortalidade, enfim o fator primordial das ponderações universais deste Chão far-se-á, justa interpretação e exercício da Verdade absoluta.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Entrremeios


Dalgum momento nasce isto, de rever os sonhos e esquecê-los aos primeiros pensamentos. Quiséssemos, mesmo assim aconteceria – porquanto o lastro dos destinos determina, e só. Resultado, a sequência de tudo quanto existe face ao definitivo. Porções as mais variadas ali preenchem o prato das alturas e derivam a seu modo o andar das pequenas ocorrências, sintomas de existir do tanto em volta. Creio que se perlustra encontra novos instrumentos os quais pudessem desfazer as histórias. Porém, qual que seja, essa fluência do Cosmos preenche de verdades amplas o crivo das certezas.

Vezes sem conta, ver-se-á face a face consigo próprio a indagar virtudes, essências, definições, logo constante do catálogo do Tempo. Trabalha-se o instinto, superpõe criatura outras, satisfaz os desejos, outrossim aos olhos de busca incessante através do que passou e jamais regressa. Nisto, o barco da úsolidão perante as vagas do inexiste que bem ali repetirá a perder de vista. A meio tempo de tais superfícies, transitam, pois, esses pequeninos seres, fragmentos vorazes do mistério. Talvez, muitas horas, encapuzados sob a escuridão, tendem a regressar e trazer de junto aquelas nuances guardadas no âmbito da procura, numa lição permanente de sentido ainda não gravada na consciência.

E, pouco a pouco, letras e palavras desvendam as camadas internas dos sentimentos e iluminam o painel de frases venturosas, ricas de qualidades até então desconhecidas. Vórtices dessa intuição dão notícias do que virá. Eles, os vultos da imensidade, sobrevivem a qualquer aventura de pensamentos ou tradições. Oferecem o suficiente a contornar esse impulso de desaparecimento de entes e objetos, e redesenham a condição humana em moldes jamais vistos, fazendo disto o motivo das existências durante o que houve lá antes e haverá lá na distância mais íntima. Aos primeiros raios de sol de cada manhã, despontam para sempre o princípio da eterna felicidade..

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mundo das palavras


Há disso um poder soberano de preencher as visões e adormecer sobre os arredores das quantas experiências. Os humanos, mais que outros seres, conhecem disso, dessas possibilidades indizíveis de anotar no Tempo o fluir das gerações. Vive-se qual o que isto, pequeninos gestos de sons trazidos cá fora e depois refeitos doutras imagens, ilustração constante dos gestos e das histórias. Dúzias imensas de tais possibilidades inscrevem nos céus das consciências quais valores, refeitos das participações pessoais, das lembranças e de outros motivos trazidos cá fora, distantes só adiante daqueles que os deixam às portas doutras compreensões.

São elas, palavras sem conta, fatores multiformes do quanto existe desde sempre nos braços da História. Imagens excepcionais daqueles viventes que aqui transitaram. Caravanas incontáveis de peregrinos das estrelas, passam, observam até não poder e somem nas curvas de estrada infinita, impondo as condições de haver estado e ponderado o que viveram no crivo das palavras, talvez as mesmas, nunca, porém, iguais, porquanto trazem dois lados e pedem determinação de quem as usar. Nem de longe, por certo, haverá de tudo significação absoluta desses acontecimentos gravado na crosta desses enigmas.

Dado isto, inúmeros calendários vagam nesse vazio a sumir de vista, contudo cientes das certezas que guardam consigo no íntimo coração. Em razão, logo adiante vêm seus protagonistas, espécie de causa primeira dos universos em torno. Um a um, criaturas individuais, intangíveis, misteriosas e superpostas nas dobras do Infinito. Em vista do inesperado de ocorrências, a cada momento novas contrições, oportunidades e determinações de onde, aonde, quiçá, vales de sombras, réstias de luzes numa civilização ainda incógnita de si. Prudentes, vezes outras, uns buscam desvendar esse vão das sortes e construir mundos suficientes à Paz, nítido retrato dos dias agora espalhados aos ventos da Esperança.

domingo, 3 de maio de 2026

As ruas da Eternidade


Tais e tão semelhantes às daqui, no entanto com mais árvores e flores, pássaros e borboletas, num afã de causar espécie. Sobem e descem multidão de seres os mais semelhantes ao que significar viver para sempre diante do Infinito. Pequenos instrumentos musicais ali deixados pelos cantos, ao sabor de todo momento, identificam o quanto ao sabor da inspiração o mundo em volta vive coberto de imagens e cores diversas.

Nisto, algo insiste narrar os momentos em forma de fixação definitiva na alma dos quantos perduram aos olhos das luzes que acedem nos primeiros raios dos sonhos. Uma paz circula nos olhos daqueles mesmo autores de si próprios, trazidos de tudo quanto é canto, no sentido de somar o tanto que há de bom em todas as horas e calendários. Vez em quando se superpõem aos riscos do horizonte e trazem de volta sentimentos guardados de lembranças boas que jamais irão sumir.  O Noutras palavras, o coro do contentes num domínio absoluto da Perfeição.

As pessoas observam aos poucos o espaço donde, desde antes, haviam imaginado continuar pelos infinitos a fora. Traços, por isso, doutras vezes o vazio das mentes permite que sonhemos ao sol das consciências e ofereçamos espaço por demais suficiente nascido no poder da imaginação. Quais que sejam projeções da certeza plena do quanto existe, assim as paisagens, os habitantes desses lugares. Trazidos das nuvens do ouvi dizer, sustentam o barco da presença e oferecem os meios de impressões constantes.

Suaves sentimentos destarte desvendam a calma dessas tardes mornas, enquanto nisso as imagens das gentes revivem essas pequenas vilas dos interiores, aonde o mistério fez morada numa forma inigualável, iluminando de verdades o coração da gente.