Essa vontade de que são feitas as ideias em transformar sons
em nuances, sementes em florestas, bem caracteriza o instinto das noites de
habitar o colo das distâncias. Pergaminhos que signifiquem de descrever a
imensidão dos valores por meio de acordes e melodias, sinos na escuridão,
sacodem pelos astros a força viva do sonho. Alimentam de cores o final dos
dias. Trazem subscritas das lembranças os melhores momentos, as tranças da
felicidade e dolentes enlevos do quanto significa conhecer. Trouxessem
respostas definitivas, dali nasceriam verdades na brisa, no canto dos pássaros
e o claro intenso do luar. Quantos rios de certezas correm soltos ao sabor do
vento. Horas vivas no lastro do Tempo e nisso regressam tantos amores, amizades
sem conta, madrugadas e palavras cadentes do coração das criaturas.
...
A gente é a matéria-prima de nós mesmos. Rastros de
intuições, sinais de toda Eternidade. Sob o prisma desse tudo que ora somos
germinam as infinitudes, os segredos presentes nas histórias trazidas ao lombo
dos séculos, das antiguidades afeitas de filosofia e furor. As buscas incessantes
dos quantos aqui estejam durante o que seja resistir às amarras e ao
inesperado. Também assim cada fração deste todo que circunscreve matéria e
espírito. O susto das incoerências, portanto, virá de encontro a seus autores.
Nem de longe, contudo, cruzarão o rio da realidade antes do advento das
próprias atitudes. Isso desde sempre tranquiliza o ritmo da Criação, valores
por demais o poder dos sóis.
Passadas que se foram quantas epopeias, agora o alvorecer
determina o presente e ilumina as possibilidades, enfim. Dos inícios,
percepções inigualáveis regressam a revelar o princípio e fazem das existências
o crivo dos dias melhores de que tanto esperavam, pois. Dentre, portanto, as
cercas do absurdo, a harmonia infindável das espécies em uma só caligrafia.