De tudo quanto já aconteceu ainda resta o Infinito. Espécie de solidão avançada no Tempo, seres invadem o teto das horas e, de novo, preenchem o inexistente de outros meios destinados a conter esse avanço incontido. Eles, esses atores, tocam as paredes dos momentos e rasgam meios de continuar vidas e vidas. Isto toca com força o senso de compreender e sustentar o inevitável, fazendo-o sequências de formas, cores, objetos e criaturas. Bem isto o fluir das consciências na medida em que aguardam lá adiante o princípio de uma compreensão absoluta.
Nesse meio tempo, as dúvidas, os descompassos, transes de
lastros humanos se desfazem na própria História. A tais protagonistas de jornadas
a bem dizer fantasiosas, resta agora nas memórias o estio daqueles dias
guardados lá dentro, resquícios desse furor determinante que ocupam. Nós, contudo,
quais meras testemunhas de nós mesmos, a vagar nos intervalos dos destinos,
olhos fixos no depois. Sabe-se, sim, de quantos episódios narradas dessas
criaturas audazes viram meros pedaços conscientes do grande todo de então.
Nisto, a frequência das vezes trazidas de volta no colo dos
contentes, das artes, dos mistérios. Luzes acesas ao sol da realidade,
transmitem pensamentos, longos trechos de antigas epopeias e sustentam o poder
de tocar em frente a ânsia das palavras. Dalgo ninguém há de duvidar, do
transcurso de fragmentos em choque nas madrugadas de estio. São muitos, são tantos
tais os segredos em movimento ao sabor dos lugares, das histórias sem final,
dos jogos e expectativas. A sonhar naquele instante dalgum paraíso, ali perdura
o instinto de sobreviver e poder contar o desfecho que lhes aguarda.
No auge disso, das jornadas informes, transitam os séculos
gerações a fio. Retrato sistemático doutras virtudes vindas consigo nas relíquias
incontáveis das vezes em que resistiram e adormecem tranquilos pela essência do
quanto houve ao chegar.