terça-feira, 9 de junho de 2026

O silêncio e as cores


São tais vozes a contar dos instantes. Numa comunicação ininterrupta, dali nascem tudo em volta qual cenário de preencher o mundo. Noites a fio, superfície imensa envolve de luzes a escuridão e descrevem as horas, espécie de artesão das ausências a construir sempre e pela primeira vez o quando há de existências. Isto em gama constante de preenchimento, a denotar vidas e vidas lançadas em todo átimo de segundo. Perfeição a demonstrar profundidade, ciência absoluta, confecciona, pois, todas as qualidades aqui trazidas, logo em seguida guardadas nesse lastro enorme das presenças em tanto das pedras, das distâncias e na alma dos personagens a observar o cenário transcendental dos infinitos.

Dali foram muitas as vezes de sobreviver aos séculos. Quantas virtudes distintas ao final dos dias, agora marcas indeléveis daquilo a ser contado anos a fora. Nunca há de não ser assim. Ainda que palavras e pensamentos insistam ver além do firmamento, lá, então, renascem as flores, as canções, as narrativas incontáveis feitas de consciências. Nisto, nas viagens mais distantes, chegam as formas, agora criaturas harmoniosas superpostas nas pedras e nos rios. Gosto antes jamais imaginado, transcrevem mensagens doutros sidéreos. Às vezes até falam, a desvendar pedaços do próprio ser, todavia à esperar dos primeiros artesões. Formam as lendas, os mitos, arquétipos, visões depositadas nas lembranças donde já sairão, contudo.

Heróis, nisso, das definições em observação, em torno de si transportam este cenário inigualável das virtudes eternas, rastros de verdades, exatidão e permanência. Muitos do agora a isto significam. Os humanos também sonharam nos iguais universos da paz, de sentimentos puros enquanto indício das certezas definitivas. E tocam em frente o valor dos significados, daquelas percepções pousadas no coração e sabem, tempo destes, abertas as portas da compreensão e sorrir com felicidade.

Carma e Destino


Estes dois temas vêm circulando nossos pensamentos, subindo na espiral das ideias, no meio de consoantes e vogais, quase a pedir para chegar ao papel, 
que terminamos por fazer-lhes a vontade, numa tarde de sábado, segunda quinzena de qualquer mês de abril.

Falar de Carma e Destino, sem lembrar os povos do Oriente, equivale a esquecer das ciganas quando se fala em ledores de sorte. Mas queremos ir além, aonde nascem as interrogações largas e os mais profundos conceitos, imensidão das cordilheiras, desertos sombrios, viagens misteriosas: à pátria do coração.

Por vezes, recolhidos para dormir, lembramos de quantos, naquela mesma hora, vivem situações adversas. Quão poucos, no meio de tantos nesta vida, dispõem de família feliz, de seres amigos ao seu lado? De um teto, do alimento, da saúde, da paz? E que nem sabem como e nem onde podem adquirir? Vagam no tempo quais fossem cisco de correnteza, frágeis borboletas no fio do horizonte. E os que desfrutam de melhores oportunidades até esquecem disso tantas vezes, numa das curvas da jornada pondo em risco a felicidade.

Existe um livro que bem pode ampliar tais considerações. Trata-se de Cândido, ou O Otimismo, de Voltaire, que conta a história de personagem aventureiro a se desgarrar pelo mundo, na procura do sonho. Atravessa as mais inesperadas e cruéis conjunturas sem, no entanto, perder o ânimo, insistindo no trilho do Eldorado, terra da bendita fartura. Cada encontro redundando em desencontro, que por sua vez produz novo encontro, numa sucessão intermitente. As peripécias irão levá-lo ao infalível êxito da boa luta.

Assim também na existência humana na Terra, quando cada um conta sua própria história, entre lágrimas e sorrisos.

Carma é o que nos cabe elaborar em cada passo, seja negativo ou positivo. Do mal ou do bem que façamos ou deixemos de fazer, com relação aos outros e a nós mesmo, na decorrência dos dias que seguem no ritmo infatigável do Destino.

Nisto se percebe que Destino é determinação superior; aquilo que não se pode derrogar. Lei acima das leis dos homens, promulgada em níveis inalcançáveis pelos poderes terrenos, instâncias tão elevadas que muitos preferem agir como não sendo assim.

Os poderosos daqui do Chão fazem seus planos quais soberanos senhores. E os jornais a divulgar tais atitudes de força, a falar no projeto do fim do mundo, com a mais singela naturalidade, para combater o antigo poder nuclear soviético, em caso de ataque.

Todavia avaliamos que, no confronto das superpotências com despropositadas armas, o abalo seria tão nefasto que de nada adiantariam quaisquer estratégias militares. Escombros é o que resultaria, de ambos os lados.

Em sendo desta forma, onde encaixar o assunto - Carma e Destino?

Seria carma coletivo de toda a Humanidade a conflagração generalizada. E destino a transmissão do Planeta a um outro estágio, por certo do conhecimento da lei acima das leis dos homens, onde cada ser, de per si, responderá por seu carma individual, face a face com o Poder Maior, submetido ao novo destino que lhe seja reservado por via de conseqüência. Noutras palavras, enquanto o materialismo impenitente se propõe, com seus feitos arrevesados, a desobedecer ao equilíbrio harmônico do Universo, avaliando que, no mínimo, vai gerar uma fogueira de vaidades, nada mais conseguirá do que servir à correspondência matemática dos valores eternos e seus projetos insofismáveis.

Concluímos, por dedução:

Este silêncio suspeito que se fez após o término da indigitada Guerra Fria prontifica-nos a servir de momento de reflexão para o que iremos aprontar agora, nas linhas claras do Tempo Infinito.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

O anjo libertador


Clima de extrema repressão dominava a Palestina após o sacrifício de Jesus. O capítulo 12, de Atos dos Apóstolos, bem retrata, num episódio marcante da vida de São Pedro, essa época encarniçada, quando os primeiros cristãos padeceram sob as garras cruéis de Herodes, filho do outro rei de igual nome que perseguira o Mestre nos primeiros tempos de sua presença na Terra.

Após haver morto Tiago, irmão de João, Herodes se voltava contra Pedro, mantendo-o no cárcere para quando viesse a Páscoa então apresentá-lo ao povo, desse modo pretendendo conquistar-lhe a confiança.

Grupos de quatro soldados se revezava na guarda ao apóstolo mantido a ferros em cárcere de estrita vigilância. Enquanto isso, na igreja, sob o império do medo, os seguidores de Jesus se mantinham em prece, pedindo a Deus pelo preso.

Na noite de sua apresentação à turba, como previsto pelo monarca, acorrentado, no meio de dois dos soldados que lhe montavam guarda, dormia Pedro. À porta, as outras duas sentinelas reforçavam a prisão.

No meio de intensa luminosidade, adentrou o recinto escurecido da cela um anjo, emissário da glória divina, e, silencioso, aproximou-se de Pedro a tocar-lhe o corpo, e disse:

- Ergue-te! Vamos embora! Recompõe as vestes, que agora sairemos deste lugar.

Surpreso, livre das cadeias que caíram das suas mãos, o apóstolo aprestou-se com providências imediatas, o quanto antes, tratando de obedecer ao inesperado e sublime visitante.

A propósito o episódio, lido na Bíblia, registra: Pedro, saindo, o seguia, mesmo sem compreender que era real o que se fazia por intermédio de um anjo, julgando que era uma visão.

Juntos, passaram pelas duas sentinelas que guarneciam a porta da masmorra, aberta de sem esforço, qual em passe mágico, sem precisar de ninguém nela tocar.

Saíram para logo se verem a andar do lado de fora, na luz fosca das ruas desertas da cidade.

Ainda sob o impacto da ocorrência inusitada, Pedro apenas se deu conta de ver o anjo a deixá-lo e seguir noutra direção.

Assustando em face de tamanho prodígio, falando de si para consigo, constatou a providencial circunstância de sair ileso das malhas do perverso soberano, graças ao poder inigualável do Senhor, livre de propósitos inconfessáveis e destruidores.

Algum instante mais além, parou na sombra das casas e considerou os meios de que dispunha para fugir. Lembrou, então, da casa de Maria, onde os irmãos de fé tantas vezes congregavam nos primeiros tempos, ali guiando seus passos. Ao chegar e bater no portão do pátio, causou espanto inavaliável, pois.  

Conta o texto bíblico que, aos primeiros raios do amanhecer, pânico descomunal estabeleceu-se entre os soldados, tomados de pânico, temerosos das reações que o desaparecimento do prisioneiro ocasionaria. Interpelados e não justificando a ocorrência extraordinária, viram-se de imediato executados sem a mínima piedade.

Os adoradores do Sol


A que se estar aqui? E andar, e conhecer, a meio de tantos outros gestos? Longas jornadas bem que falam disso e deixam margem a outras e mais extensas planícies de consciência. As falas, conquanto inextinguível, preenchem instantes sucessivos, sendo o isto a razão continuar. Houvesse motivos e consequências, logo além vêm indagações posteriores, sons distantes das falas e dos objetos...

E mesmos diante de tais circunstâncias, uma vontade maior há de sempre prevalecer. Narrativas ainda sem grandes definições. Nisto as pessoas se batem à cata de tantos sonhos, abandonando passados insistentes, viagens transcendentais, tudo cercado das lonjuras de estar aqui, Palavras trazem surpresas, definições, arquivos guardados nas erar e, lá depois, pequeninos sinais daquilo de anter e jamais. A supor compreender, pois, novas dimensões vêm à tona, esquadrinhando as suposições posteriores.

Assim, neste fluir de pensamentos e sentimentos, escorregam ao leito do abismo, forcejando verdades eternas contidas. Eles, esses quais seres, alimentam de sonhos noites e dias, horas a fio. Querem ser ao seu modo, no entanto cercados das contrições advindas nos formatos mais diversos. Numa materialidade corrente, daí a beleza em volta, nas árvores, na luz, nos momentos, no som, nas histórias, sequência natural que seja, cada termo tem cor e forma. De certeza, são infinitos os limites da realidade em volta. Mares incontáveis a isto significam por meio das individualidades. Transcrevem quantos instantes em igual diapasão.

Bem a existência e as criaturas, fagulhas espalhadas ao vento nos trilhos da felicidade. Aqueles dias, aqueles sóis na jornada do Tempo de um a um. Submersos na superfície do Chão, avaliam o inesperado qual fator de sobrevivência, outrossim. Todos, tudo, tanto, a par dos acontecimentos. Refazem em si o senso da posteridade a adormecem de contentes.

sábado, 6 de junho de 2026

Um resumo de si


Bem isto de contemplar a natureza em volta. Caminhar através dos corredores do labirinto de aonde chegar e ver constantemente os moldes e as cores de novos cenários. Ali tantos credos, quantos pensamentos guardados e as paisagens do que antes foi. Situar o trilho dos próprios pés nesse chão de indagações, de respostas vagas. Vez por outra, identificações com novas palavras, seguimentos variados a percorrer a pé. Distintas visões de possíveis encontros consigo e com os demais. Nisto, as histórias a lhes percorrer as entranhas. Tradições, narrativas e enredos, num jogo de substituição e de dúvidas a perder de vista. Às vezes cenas lá da infância mais distantes. Depois recentes traçados de acontecimentos ali deixados aos pés, no fustigar de lembranças talvez agradáveis.

Nesse percorrer das atitudes, quase tão só certezas vividas e em fase de processamento eletrônico na alma das criaturas. Filmes sem conta destarte invadem a memória e revelam lembranças inevitáveis, luzes a piscar nas consciências. Trâmites de céus imensos qual o quê transitam pelos séculos das criaturas num formato portanto benfazejos. Dali revivem trastes arcaicos derivados em tantas salas de aula, a solicitar interpretações. Vistos assaz tais instantes, é-se atores das lendas trazidas do espaço. E em consequência precisam decodificar aqueles sentimentos postos à prova. Com isso, tocam as barras das paredes e estudam o modo ideal de sair desse princípio aberto e tocar o firmamento.

Numa espécie de cápsula a vagar pelos hostes do Tempo, a uma só direção continua. Quer-se acreditar existir entre objetos e pessoas, no entanto a carecer de ciência do que sejam realmente. Agora, nesses mundos digitais, tudo revolve no íntimo de pessoas e lugares, no afã de conhecer donde vêm e a que mundo chegar. Notas soltas, pois, do Universo, insistem certa feita de achar o pomo da iluminação e veem com clareza outros ao lado no mesmo segmento.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Estradas do coração


Esse o mistério das palavras, de querer dizer aquilo lá longe que vive solto nas lembranças. São vozes incontidas a sussurrar junto do vento e resumir tudo desse passado que ora somos. Tal assim, sinais, pequenas ocasiões nascidas dos momentos. De certeza, formam as pessoas. Arrastam as multidões, caravanas da sorte pelos mares bravios. Busca incessante, abrem portas ao mistério de encontrar a si mesmo pelos corredores da alma. Estertores silenciosos, viajam no Tempo quais fragmentos de vontade. Nisto esse percorrer sem fim, detalhes das horas em formado de espetáculos eternos.

De comum, me vejo noutras histórias. Relembro situações maiores do que o desejo de apenas lembrar. Trazem consigo vestígios dessas variáveis soltas nos brejos da consciência. Uma infinidade na forma de revivescências a bem dizer esquecidas dalguns momentos, no entanto acesas, brasas ativas de mim a clarear noites e dias, festa inigualável de ser. Perduram. Dali insistem as sensações desses rebentos em formados até então desconhecidos, mas persistentes. Vorazes criaturas perenes, estabelecem definições presentes em tudo. Nalgumas oportunidades, peças teatrais, diálogos consigo e com os demais, filmes, contos, romances, canções, lugares recônditos de inúmeras tradições das outras pessoas. Viventes, contudo, do ente que ora somos, lampejos de tempos outros preservados nalguma prática lá interna a mexer dentro da gente. Bem isto, a natureza humana e sua faina incessante de tocar adiante o barco dos sentimentos. Fossem advir a quantos seguimos nesse painel contínuo, ver-nos-íamos face a face com a real sobrevivência da própria espécie.

Conquanto, pois sustentar as bases e os segmentos, há percurso inevitável de conter na essência o crivo do quanto existe nos conceitos e nas luas. Nessa hora, resta conter na gente o dever de aceitar e escolher a emoção que sempre haverá de haver. Isto, luzes da individualidade no sentido de todas elas.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Código secreto


Circunscrito, pois, a detalhes a bem dizer impossíveis, dali nasce o emaranhado disso tudo aqui em volta. Talvez tão ínfimo a parecer, lá de longe, miragem, deslumbramento. Porém há de se rever os conceitos e trazer de volta aquilo de tantos a falar de espiritualidade. Isso quando em volta persistem as ideias doutra dimensão além desta. De imediato, o que virá depois do veio antes neste plano. Muitos do místico dizem de céus a trazer felicidade, dalgo modo a qualquer tempo e a todos, no entanto. O favo das religiões e seus segredos, quando, à medida de sortes transcendentais revelam mistérios profundos da alma. Nas tantas civilizações ai está, livros reveladores, conteúdos exóticos referenciados nos outros momentos, à sequência de sucessivas transformações que haverá de acontecer.

Nessas horas, ao peso das visões e dos povos, chegar-se-á nisso, ao furor das necessidades humanas. Porquanto estar neste chão tão jsó em contemplar os infinitos deixar margem a profundas interrogações, dentre elas a vida que vem depois desta. Agora já muito se falou dessas planícies ilimitadas da mente, num acordar constante de verdades imperecíveis. Transpostas as inúmeras necessidades, desponta inigualável o princípio da Reencarnação, a sobrevivência depois daqui, isto de novos dias, quais mares profundos de uma outra vida.

Prudentes, sagazes, inteligentes, seguem as caravanas rumo a esse sequenciar de intenções. Transpostas as aventuras terrestres, abrem-se percepções incontáveis, ao sabor das consciências em evolução. E mesmo daqui, diante da cultura, da arte, da mística... Transeuntes dos destinos, seres distinguem condições de achar o véu doutras lembranças e alimentar a perspectiva de reais compreensões a esse nível. Sem exceção, um a um definem seus próprios sentimentos a propósito e identificam meios de sobreviver a uma fatalidade inexistente. Haja tempo e lista incontável de visões espiritualistas perfaz o senso do absoluto que carregam em si desde então.