quinta-feira, 4 de junho de 2026

O ritmo das falas


O espírito da busca é o que nos liberta.
Kabir

Até chegar aqui milênios escoaram pelos céus. De tudo quanto possível fosse, viagem sem conta desfizeram expectativas. A mais que pudessem, resultou nisso com que se deparam. Castelos de reino encantados, vales profundos de sombra, esperas feitas de mergulhos por vezes insanos. Bem isto, lembrança e relembranças. Espécie de sina dadivosa, Códigos nasceram e permanecem ocultos das grandes multidões. Há, qual o quê, longas noites de mistério a cercar vivências, estas formadoras doutras histórias. Cadentes setores da consciência coletiva nisto permanecem tal e qual nas origens de quando, na distância dos infinitos.

Nesse percorrer através dos silêncios vêm os nomes. Logo adiante, resquícios daquilo que se foi atônito de inesperados. Bem ali o Tempo e sua cadência. Na sequência, chegam as músicas, detalhes de tantos o sabor dos sentimentos. Transes a fio enquanto isto. São seres os que descrevem os argumentos, transitam nos córregos da inexistência e aceitam de bom grado que assim seja. Aos olhos disso, as folhas, as flores, o vento; surpresas ocasionam esse lenitivo das verdades e preenchem o solo dos dias.

Dalguns detalhes, chegam as narrativas. As recordações de quantas cenas revistas, desmanchadas em sinais gráficos, sonos, virtuais. E nisto o conhecimento. Horas aquelas deixaram, pois, aspectos de outras épocas a que o espírito ascendeu e só então presencia o valor do que existe pelos rincões e movimentos. Trazer em si aquelas relíquias retidas no âmago a querer falar a todo custo. Destarte pedem palavras e silêncios, adiante também inscritos na distância.

Perante a estrada dos firmamentos, estirão de todas as verdades e suor de intensas jornadas rios a fora. Saber deste tudo e permanecer fiel ao fluir das chamas. Ao que consta, sustentar perene o sol das criaturas.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Várias versões de si espalhadas pelo mundo


Muitas, por demais, nuvens e nuvens sucessivas no momento do quanto existe. Horas de inesperado, outras considerações revistas e ampliadas, ao supor da criação. Sapientes seres sobrevivem a quase tudo, porém desfeitos em fiapos de largas tendas. Doutras vezes, apenas meras definições das alturas em espasmos e dúvidas. Eles, os tais instrumentos dos destinos, padecem, contudo, dessa síndrome das alturas enquanto mergulham nos despenhadeiros e ainda sobrevivem demasiadamente. Houvesse meios e perpetuariam a espécie através dos próprios sonhos. Cavaleiros andantes de muitos contos dali distantes, então contornam os setores do anonimato em forma de visões.  

Nisto, ao menor empenho, reconhecem aspectos desencontrados daquilo que foram e nem face a tanto alimentam ganhos doutros gerações, doutros caminhos. Sabem ser, quiçá ao penhor das espécies em volta. Persistem sustentar o teto das certezas e suprem de luz as consciências em torno. Transitam, contudo, pelos setores das cidades cobertos de glórias parciais, séculos e padecimentos. Admitem imaginar em longas plantações de estio. Deixam relíquias daquilo em paisagens belíssimas. Refazem transes. Escutam das palavras seus préstimos em forma de brisa suave, ao tempo dos dias escondidos no íntimo, atores dos dramas e das comédias abandonadas nos quarteirões de cidades inteiras.

Nessas pelejas de acreditar no painel ora fixado nas montanhas do Infinito, são muitos, detalhes gravados no esteio da compreensão possibilitam tanger os rebanhos de cores e formas nas estradas da alma. Contêm sobremodo resquícios de pensamentos, lembranças firmadas durante o espetáculo de existir. Tramam descobrir modos outros de permanecem vagando na superfície do Planeta, todavia jamais despreza o desejo das viagens lá misteriosas, mágicas. Esses quais heróis da Eternidade pousam aqui próximo, decodificando tudo face aos sóis, durante o intervalo entre antes e depois. Retratos fieis da imensidão, habitam o paraíso do inevitável e subsistem aos vendavais da mesma sorte.

Sons do coração


Algo assim semelhante a ecos secos vindo lá de longe, das encostas dos destinos. Longos itinerários das distâncias a bem dizer infinitas. Minúsculos passos de aves em movimento nesse véu da imaginação. Foram, nisso, estradas mil, percorridas e preenchidas de histórias as mais acesas ainda agora, no crivo de palavras soltas. Sem serem meros artesões de outras sortes, desde antes fixadas no íntimos quais peças indispensáveis desse carreirão feitos, no início, de madrugadas infindas, ausência contida daquilo. Músicas de gerações sucessivas grudadas nas veias. Luzes. Painéis imensos talvez doutras civilizações. Frutos, pois, disso, das pedras e dos caminhos, seguem todos, olhos fixos através de vontade e leveza. Dispostos ao fervor das tantas luas, vultos incontidos seguem adiante, face a face com o inesperado.

De tudo, os instantes, formas feitas, às vezes, de objetos e sentimentos. Noutras, de lembranças várias trazidas no peito. Destarte, pessoas, calendários, instrumentos musicais. Em todos, o crivo de profundidade em forma de letras, frases, movimento. Devessem conter sempre a força das primeiras aventuras e só então trariam de volta jornadas inteiras. Eles, semelhantes nunca tempo constante, abissal. Olham-se e calam de quanta imaginação a lhes percorrer as entranhas. Vidas e vidas. Suspensos no ar dos mistérios, alimentam de sensações esses ninhos donde nascem os pássaros. Bem adiante, transcritas páginas e páginas das mesmas citações, narrativas inigualáveis de verdades eterna, de um a outro momento descrevem nos céus o traço inesquecível de tudo de bom e voraz.

Regressam, contudo, nas antigas lendas fruto nisto advinda no sono dos justos. Sintomas, raízes inevitáveis de transcendência contida até esses dias, invadem os pensamentos e desvendam segredos a bem dizer definitivos. Que restam dos seres e dos espaços dali estabelecidos, portas imensas de verdades que se sejam, decerto.

terça-feira, 2 de junho de 2026

O segredo das árvores


Lá em certo sonho, certa feita, encontrava no meio de uma floresta árvore diferente, de tronco aprofundado entre a casca, onde havia santuário de tempos outros. Entre ramagens e restos de caule a imagem é de que habitava aquele interior espécie preciosidade rara, semelhante a segredos e mistérios. Nunca esqueci. Algo assim deixado nas eras a permanecer ao infinito. Isso a meio de tantas outras árvores enquanto somente essa trazia sacralidade.

Hoje relembro daquela visão onírica, pois quis permanecer a meio das lembranças a fazer espécie do quanto persiste no decorrer das contingências, vidas e vidas. Isso das florestas do chão espalhadas nos momentos, de pessoas continuarem neste mar de existências, suas ideias, construções, histórias. Menos se espera e se nos deparam verdades eterna no seio das criaturas, impérios de silêncios a vagar pelos firmamentos. O sagrado em tudo. Busca incessante de respostas definitivas que ofereçam virtude, paciência, consciência, durante o largo transe da aparente realidade que se lhes desmancha todo tempo, aos próprios pés.

Seres, esses desejos sem conta de revelar os sonhos a si e aos demais, percorrem os vales das sombras, transitam pelos córregos do inesperado e sustentam as visões de que são feitos. Das dores vêm dias sucessivos nas ondas desse mar constante. Conhecem o tanto de encontrar lugares diferentes, outrossim dotados de ânsias intangíveis, seculares, segundo a segundo sujeito à fúria do esquecimento. Guardados que fosse nos cuidados da solidão e ainda assim vistos cercados de verdades ocultas.

No me deparar outra vez com a lembrança daquele sonho, algo diz das cores e das imagens ali presente em que pouco, que universo, sempre a oferecer luzes doutras ciências, outras certezas da memória. E aquela árvore falava disso, dalgum pouso oculto nas malhas da presença e de alguma inocência original de que seremos parte.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A ficção científica


Isto ali pelos idos das décadas de 70/80 do século passado. Percorriam os cinemas filmes quais 2001, uma odisseia no espaço, Larja mecânica, 1984, Contatos imediatos do terceiro grau, Brazil, o filme, etc. Enquanto na literatura, os contos de Ray Bradbury dominavam as cenas. Dentre eles, o de maior sucesso seria As crônicas marcianas, secundado por valiosos outros autores. No mundo, ainda a Guerra do Vietnã, as primeiras movimentações libertárias na Europa Oriental e a Primavera de Paris, ao tempo dos festivais de rock, dos hippies e do surgimento de novos estilos musicais que arrebatavam com intensidade, sobretudo no Ocidente. Com aquilo tudo, houve sensação de transformações intensas no seio da Humanidade.

Depois, então, que é hoje, os tempos seguem soltos. Histórias mil sendo contadas a qualquer custo. As contradições, os lances de mercado, as hordas bárbaras em andamento. Aqueles primeiros sinais doutras transformações continuam. Algo assim de se chegar a época de vislumbres a outro nível, outro senso.

Dali vieram as evoluções da ciência e seus novos instrumentos de comunicação, de pesquisa. Aquelas principais cogitações daquelas películas, daqueles livros, delas restam, talvez, possíveis acertos, tanto do ponto de vista filosófico quanto psicológico. Espécies de profecias em reavaliação, permanece um meio termo lá entre pessimismos e otimismos. Algo, no entanto, quer-se admitir, nada está como antes foi. Uma superpopulação circunda o globo, as movimentações econômicas multiplicaram seus meios de ganhos, as cidades nem de longe parecem com as décadas mais recentes.

As lições significam resultados intermediários de atraso e progresso, inclusive quanto à diplomacia, ao trato dos seres humanos; as discriminações, a violência se acentuaram a níveis extremos. Tais resultados desde nunca parecem trazem de volta patamares de expectativas extremas de toda e qualquer ficção. Porquanto caminhos inarredáveis do que devesse ter ocorrido, há uma dominação jamais imaginada dos países, diante de povos inteiros à margem das reais oportunidades. Persiste ouvidos acesos ao que de melhor possam trazer os dias perante a importância de plenas realizações, já agora face à importância sem igual de existir à luz de uma nova consciência.

(Ilustração: Contatos imediatos do terceiro grau, de Steven Spielberg).

O vigor que as palavras têm


Enquanto, logo atrás, existem os protagonistas. São criaturas ainda em formação. Conhecem pouco de onde podem chegar. Carregam fardos enormes de palavras, pensamentos, sentimentos. Desmancham, ao menos esperar, pelas crateras das presenças, a meio de outros. Figuras assim talvez esquisitas até a eles mesmos. Conquanto espalhem lembranças através das palavras, nem de longe veem os frutos daquilo deixado. Mesmo que tanto, insistem continuar. Acreditam nalguns segmentos das próprias expectativas, porém olham quase sempre pelo outro lado. Tal trabalhem ilusões, dormem afeitos sobre elas. Refletem ao furor dos momentos e as delimitam nas teorias deles mesmos criadas. Com isso, tantos e quantos persistem guarda-las no mais íntimo. Denominam isso de lembranças, desejos escondidos e esperança. Nisso, semblantes indiferentes ao que possa ocorrer, na medida das sortes, sustentam edifícios enormes, de cores variadas, formatos, quem saber?, esquivos, sorrateiros. O resultados, grupos e grupos dos que pensam semelhante, alimentam iguais intenções. Motivos sobram de prosseguir nos caminhos dessa jornada. Isto a ponto de, certas vezes, virem à tona perguntas de quem sejam as palavras, se elas ou as pessoas que as utilizam e usufruem. Nos mergulhos vorazes por demais, dali renascem sonhos, amizades, encontros. Formas inesperadas preenchem de toques o semblante dos céus a transitar entre as mãos de todos. Frutos, pois, das infinitas legendas a penetrar as crostas deste chão das almas, dão vida às árvores e plantas, nutrem pássaros e canções. Viagem precursoras de tantos outros mundos, transportam nos ombros a razão de tudo, enfim. Dali, passados que foram os instantes originais, vieram os sóis noutras consciências, e aqui permanecem. Contos intermináveis de tudo, decerto, tocam o coração das gentes e dos bichos, modo sem igual de reunir para novas eternidades o gosto de formar gerações inteiras. Falam, riem, escrevem, publicam, multiplicam, crescendo definitivo dos víeis e das verdades inesquecíveis.

domingo, 31 de maio de 2026

Tudo em ti


Desde o movimento dos astros na forma do Tempo até o mudar das cores no fervor das manhãs. Transcorrem infinitos no decorrer das pessoas, durante o qual ali permanecem reunidas histórias jamais contadas, no entanto vividas no auge das intensidades. Surpresas aos carrilhões, verdades inevitáveis de viver, insistências de outros, bem de junto. Quantas palavras a descrever, contar, narrar epopeias, e o Sol no alto a testemunhar tudo. Vertentes de um absoluto estonteante, minúsculos seres preenchem de consciência as tantas versões das quantas individualidades. Vozes assim distantes encobrem o silêncio das madrugadas, dotando-as de imagens inesquecíveis aquilo de poder estar aqui, substituir o silêncio da alma de ruídos remotos, tais trens em movimento no correr de cada biografia.

Logo adiante, os pássaros no nascer do dia. Caprichos das muitas façanhas desses acontecimentos antes feitos de pura solidão, agora contém paragens iluminadas, imensidões inatingíveis e meros figurantes das horas que sumiram, pois. Mais houvesse de ser, monumentos supremos enchem de paz os corações. Pela vontade das falas escutadas nas noites, um a um regressam ao império lá de dentro, numa faina constante dos viventes humanos. Nalgumas chances, repassam de pronto o que trazem consigo, desejo imenso de continuar. Retratos ovalados de espetáculos inolvidáveis, disto se ler o todo através de seus habitantes.

Conquanto deixemos de traçar o prisma das alturas, cá nos subsolos de quantos persiste o senso do eterno, toques mágicos das cenas vividas, realimentas de sonhos e criação. Instante tal ora significa, porém, o enigma das existências em crescimento. Saber de ouvir as falas dos séculos e poder aceitar de bom grado o princípio de todas razões, do instinto dos desejos, das cores da persistência. Credos mil, eis o segmento de todos os passos e pessoas, lugares, infinitos. Olhares atônitos falam disso aos mesmos seres por meio dos próprios sentimentos.