domingo, 15 de fevereiro de 2026

As várias ruas da História


Mesmo porque de nada adiantaria permanecer num só lugar enquanto tudo gira a não acabar mais. São tantas as facetes dos ditos acontecimentos vividos, percorrer as pessoas, deixando de lado qualquer versão definitiva. As trilhas, os muafos do quanto existiu em profusão pelos universos cá de dentro. Seres amorfos, espécie de transcurso de gerações sucessivas numa única criatura, a descrever paisagens e narrar momentos, obstinação por demais esquisita.

Daí nascem as películas, tentativas vãs de uns chegar aos outros dalguma forma, na intenção de quebrar esse gelo que os envolve. A todo instante, muitos e muitos artefatos de novo norteiam o tal sentido dessa busca informe. Desfazem seus dramas a contar detalhes daquilo talvez pouco significativo, no entanto necessário de satisfazer princípios neles próprios criados. Transitam, pois, essa longa cratera onde habitam multidões inteiras por si só, contudo perdidas em mares até então ignorados. Outrossim, o Tempo trabalha solto perenes desempenhos dos moradores desses bairros afastados das tantas cidades. Espalhadas num longo território de uma só direção, farejam do Destino suas pequenas marcas, trabalhado o instinto de prosseguir a todo preço através do Cosmos silencioso.

Nisto, cotejam aqueles lugares transitados nos dias lá de antes. Reveem com relativa clareza as pessoas dali, parceiros daquelas aventuras, diversos tipos, diversas categorias de gente. Talvez tenham seguido outras conotações, quem sabe já desaparecidos desse chão, todavia sobreviventes efetivos no universo das individualidades. E vem, sorriem, conversam; deixam marcas, e mergulham naqueles pensamentos daqueles estrados tão antigos.

Conquanto permanecem acesas as paisagens dessas histórias internas, séculos intactos doutros roteiros ainda persistem fincados no solo das lembranças. Nesse diapasão inevitável, as palavras ressurgem soltas, cobertas dos sentimentos entranhados nos mistérios das horas que se foram, fazendo-nos protagonistas das cenas que resistem nos menores detalhes, objetos esquecidos pelas encostas da compreensão. Luzes que piscam intermitentes na memória. Ânsias sem par de saber o tanto de tudo aquilo  regressa com tamanha grandeza, dono poderoso de toda existência de que jamais se libertarão.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mistérios do inesquecível


Invés de sumir no vácuo definitivo, vez em quando refaz o percurso e traz de volta tempos inteiros, de certeza nunca desaparecida. Das quantas qualidades, a memória reveste os humanos das tais armaduras metálicas daqueles guerreiros de antigamente. Nisto são as palavras, os códigos e as crenças. Sustentam estruturas profundas no âmbito da consciência, regressando quando menos esperar. Não fosse tanto, perder-se-iam heranças inteiras de averiguações deixadas no campo do passado inevitável. Face a face consigo, indivíduos observam aonde seguir o ritmo dessas lembranças, lastro de percorrer a busca do que tornará qualquer tempo.

Nem de longe haverá de inexistir aquilo que antes foi. Espécie de fisionomia das pessoas, transita fácil nos dramas acumulados pelas histórias deixadas. O que tem de sobreviver já agora envolve de verdades e soluções provisórias até, quem sabe?, esquecidas. Noutros dizeres, ninguém foge de si. Superpõem mil visões, porém à espera do que virá logo após. Conquanto o exercício das falas, nasce do restante do que ficou nas consciências, tantos que padecem de negligenciar as consequências desse acervo de gestos e posições em movimento.   

E saber que tudo é vivo na memória, desde os séculos menos arcaicos. Números. Letras. Formas. Cores. Ali circulam vorazes os trastes do que fora e repercutiu nalguma certeza. A vontade do querer, a fome de permanecer, os ritos, as negociações entre ficar e desaparecer nas garras do imediato. Suaves recordações insistem continuar, sobremodo agora, prenhes doutras verdades desde então adquiridas nos impasses ou superpostos perante o travo do que se foi nesse nunca mais. Daí, emerge sorrateiro o sentimento da solidão, que alimenta o instinto de construir algo real, lúcido, do acervo das quantas histórias.

A seguir assim, que outro meio inexiste, perdura que denominemos cultura o que foi a sombra e inundou os céus de expectativas do que virá certa feita logo adiante.  

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Qualquer quando


Sair de, ou entrar em cena, que diferença faria perante o furor das eternidades e dos momentos em profusão. Hábitos que sobrevivem a isso, numa perfeição por demais, desde sempre tornada clara, no entanto. Olhares em volta e percorrer as cenas insistentes de fazer de conta e sumir logo ali, sobre as folhas secas dos outonos. Postais de quantas vezes, ilhas de solares imensos largados ao relento dessas antigas memórias. Deixam, portanto, leves lembranças daquilo antes feito de imagens soltas pelo correr dos próprios pés. Sequências desacabadas de tudo quanto existiu. Nascem dali rios imenso que somem estradas afora sob os ritos das histórias espalhadas nas cidades em volta. Lugares lá de dentro das criaturas que sobrevivem sós a si mesmas, nas idades e nos infinitos famintos.

Desses ancestrais doutros firmamentos, aqui tocam além os séculos nas almas, no coração. Duras penas de viver a meio do desaparecimento sucessivo que alimentam. Quais meros artefatos, pois, de outras compreensões, ficam estatelados nos corredores estreitos de quantos desejos desfeitos de uma a outra hora. Nem de longe haver-se-ia de sustentar os princípios trazidos dos inícios das gerações, agora folhas soltas ao vento da tarde. Gorjeios imaginários que percorrer o instante. Nuvens, as mais distantes tais sejam. Pensamentos. Reflexões de palavras a percorrer as entranhas dos brejos.

De lugares assim vêm as ditas virtudes, os esteios e as sortes inesperadas. Trespassam luas, a vastidão das estrelas, os firmamentos, pelas vastidões de súplicas ainda antes despejadas no mistério do ser. Entes esses delimitam espaços e os desmontam na medida inútil de quantos passados restarem de depois abandonados. Eles, seres afeitos aos percalços das muitas aventuras. Só em querer contar, ficam, destarte, abismados da perfeição espalhada no clarão das alvoradas.   

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As cores doutro universo


Isso de hoje ser assim, procura que procura, e iniciam-se filmes e filmes, no entanto sob os temas que repetem iguais dilemas, surpresas, agressividade. São impasses mil diante do inesperado. Incorreções sentimentais. Frustrações. Desencanto. Num arcadismo exagerado de tramas e delírios, a causar espécie. Conquanto repetir as mesmas buscas e desencontros, dali ressurgindo semelhantes descompassos, isto num tempo espalhado nas esferas de vezes sem conta. Ali os dramas antigos, familiares, desamores, dúvidas. De certeza, algo parece insistir na sede invasora dos dias atuais. Uma humanidade que somos em expectativas e repetições.

No íntimo, um lastro do que aconteceu nos passados e que agora permanece em versões continuadas dos conflitos de si para consigo. Irmãos contra irmãos. Gerações antônimas. Do quanto até aqui, são enigmas ambulantes perdidos em florestas escuras. Superpõem ideais submersos nas noites de antigamente, trazidos no bojo das vilas e cidades, suores e fastio. Há que ser, no entanto, frutos de uma ansiedade colhida desde quando chegaram. Quais espectadores dos circos fantasmagóricos lá de dentro de protagonistas afeitos ao desencanto, quer-se, vez por outra, escrever novos enredos, contudo.

Daí o quanto circula no transe dessas histórias. Ficções talvez de esperança. Desejos enormes de canções felizes. Nisso, a trilha de realizações dos sonhos benfazejos esquecidos de véspera. Contar das alegrias reais num céu de harmonia, porém cabe aos indivíduos que compõem esse quadro que circula pelas redes de então. Sustentar perspectivas transcendentes nascidas nas imediações do coração. Sussurrar laivos de equidistância dos fatores que poluem o mistério e escondem a paz.

Na clareza dos dias bem isto significa, existir a caminho desse teor transfigurado naquilo de antes imaginado, de construir mundos outros aonde impere o signo da Verdade. Harmonizar os acordes dessa procura de milênios qual seja.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Devaneios


Neste mundo de ficção onde se parece viver o reino dos imaginários, regido pela geometria euclidiana, duas paralelas jamais ver-se-iam juntas no Infinito, porém na geometria projetiva dúvidas não haverá de que tal aconteça nalgum momento, pois. Durante o desenrolar desse fio do Tempo a que estar-se sujeito, muito permite enganar a si mesmo, numa formação de nuvens e céus a bem dizer constante diante da visão e dos dias. Daí vêm os sons, as florestas, os ritos, outros animais, os argumentos, numa fúria sem conta, a preencher tetos imensos de expectativas o rio das civilizações. 

Nalgum sentido, entretanto, as palavras reduzem o instinto a um mero artefato de compreensão imediata de seres e objetos. Contam das sensações o empreendimento nascido de algum da imensidão, e desfazem nos próprios pés a fome de sobreviver a qual custo. Face a tanto, despejam no vácuo continentes inteiros de verdades absolutas até então desconhecidas e, nisso, totalizam multidões de histórias aparentemente simples, no entanto dotadas dos sinais inevitáveis do que virá certa feita daquilo plantado na pele em que habitam de certezas.

Uns se acham realizados, porém afeitos aos grilhões de sorte inesperada. Outros, anônimos do Universo, padecem ausências sem tamanho de cores e sensações. Noutros termos, gigantes abismados consigo, porejam vertentes adormecidas e constroem nas areias movediças suas possíveis sombras. Espécie de consideração aberta aos olhos de alguns que andam livres no além, participam dessa longa epopeia do firmamento e deixam margem às descobertas imprevisíveis do que ainda virá pela frente.

Leves espelhos dotados de vida, transmitem confiança em resistir aos parâmetros desta solidão que lhes acompanha inseparavelmente. Percorrem desertos, sobrevoam oceanos, escarcaviam mistérios indizíveis, isso transcritos que foram pela caligrafia de viagens e sonhos, na antiga certeza de iniciar, toda vez, novas aventuras que jamais irão chegar ao fim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Um sexto sentido


Isso que hoje acontece, de tempos outros quais sempre sejam os tempos. Mas de inteira transformação face ao que ficara lá atrás. Diante das máquinas aprimoradas pela inteligência, agora existe qual domínio das mentalidades coletivas, e pessoas aceitam, indiferentes, ser rendidas a outras caricaturas, dos filmes de ficção, das histórias imaginativas e surreais. Quase não pretendessem nem revelar a si próprios, os tais seres pensantes abrem mão continuada de tocar o barco dos sentidos e deixam destinos inteiros entregues às ordens de absolutos enigmáticos.

Há um desfile continuado dessas criaturas, montadas em equipamentos ilustrados, fantasmagóricos, brilhosos, espalhados pelas ruas das cidades, no movimento constante das ações mecânicas. Enquanto isso, sorrateiramente, vagam soltas nos ares de sons esquisitos e tufões alucinados, deixando margem suficiente a pensar naquelas ficções de eras seguintes, quando atravessar-se-ia largos desafios desde sempre avisados nas escrituras e nos sonhos.

Mesmo assim, conquanto aves quiçá já dominadas em gaiolas, porém dotadas de nexos ainda desconhecidos, a serem revelados no transcorrer das gerações porvindouras. Hordas de místicos percorreram livros demasiados, nisto viam a busca de transcorrer essas travessias insólitas por dentro da consciência e descobrir dali meios de responder aos ditames de tempos quais estes. São exercício sem conta, práticas por vezes insensatas, contudo perspicazes, de aprimorar o mistério e tocar as bordas de outra margem.

Por centro que virão novos dias, lei inevitável das circunstâncias. Aos mínimos detalhes, permitiram chegar até então e perfazer das lendas suas possibilidades reais. Isto numa era definidora de princípios e consequências ao dispor das criaturas atuais. Sustentar o trilho das visões e fazer do imaginário o tanto de percepção por demais consequente, essencial que seja. Um vigor sem par domina, pois, o senso dagora dessas esperanças, a demonstrar dos estudos e pesquisas, o ímpeto da sobrevivência da espécie, no sentido de nova revelação; dalgum lugar virá, quem sabe?!, tal seja visão recente de perenidade além dessa rotina voraz que parecia devorar tudo, de determinações a perenizar o aparecimento em novas formações.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Outros semblantes


Dalgum lugar há de virem frases inteiras a dizer das atividades lá de fora. São entes na justa de viver e depois contar a si mesmos o espetáculo onde habitaram, encenando as peças sucessivas deste chão das almas. Bem assim, tais visões do inesperado a percorrer o mesmo carrossel de tantas histórias, ferrenhos propulsores do Inconsciente face às dúvidas dos outros milhões em queda livre pelo Infinito. Nisso, chegam ao fojo das individualidades, insistem habitar as curvas do firmamento e adormecem logo ali, passados que seja de sustentar o mastro das antigas embarcações rumo dos mistérios.

Cotejam-se demasiados sonhos e terminam exangues nas malhas dessas possibilidades. Conviver consigo próprio perante a sorte dos dias que dissolvem o senso de tais criaturas humanas, nesses instantes, lhes surgem lastros sem final de mil e muitas contrições lá de onde nascem os dias. Farejam quais outros animais, no entanto perplexos de alternativas espraiadas noites adentro, morada dos espíritos.

Ocasiões outras semelhantes trazem de volta aquelas visagens adormecidas no vácuo do esquecimento e transtornam populações inteiras. Qual sentido leva a tanto, o instinto de posse, de poder e fama? Houvesse que suficiência dentro dos vultos e saber-se-ia o nexo arrevesado nesses espelhos jogados ao léu. Porém desconhecem o essencial e ainda porejam dominar as estruturas inúteis de quantos ali estejam, num avanço atroz de muitos perdidos séculos.

Pelas postagens que circulam as redes, raros afetos hão de produzir os desejos que imperam trastes a fio. Olhares de lince feroz prescrutam distâncias inatingíveis nesse mar de interrogações. Com isto, retornam velhas lembranças doutras vezes, doutros delírios. O som de harpas nas alturas parece contar tudo de antes em frases curtas, ferindo de sentimentos corações que tão-só alimentam viver e ser feliz.

Vozes adiante e se escuta, de novo, o enredo de uma sorte em movimento de paz e realização.