Vontade voraz de conhecer chega a tanto. Aparentemente imaginar resultaria nisso, numa superfície plana por demais e diferente de tudo quanto existe. São essas as primeiras impressões ali deixadas pelos seres que circulam o Universo à busca de conhecer a si próprios. Mergulham no senso das oportunidades e abrem as vistas aos sóis. Desfazem e refazem tantas os farnéis da consciência que, talvez, se parecem mais com meros aventureiros dos destinos sempre desconhecidos. Ainda que tanto, cobertos que foram de andrajos dos passados, transportam lá dentro da memória todo o sonho do mundo.
Esses tais persistam, no entanto. Constituem o de que pouco
conhecemos daqueles primeiros habitantes das colônias espalhadas pelo espaço
dali de fora. Que existe, nem de longe há que duvidar. Fagulhas das histórias
siderais, vêm e vão ao sabor das circunstâncias em volta. Perlustram,
reconstituem planos, imaginam viver outras luas, noutras pequenas cidades do
interior onde habitam o silêncio e as melodias. Depois, bem depois, lembram de
haverem constituído família e regressam afeitos aos amores definitivos. Por vezes,
silenciosos, calmos, cautelosos; doutras, criaturas exóticas, dadas a lutas,
agressões, pecados. Ainda assim, herdeiros universais da Criação.
De um a outro, uma gama infinita de longas jornadas vindas
nem se sabe de onde, a chegar sem saber aonde. Poder-se-ia compreender com
facilidade serem parcelas de mar imenso em que circulam tangidos pelo vento da
sorte. Porém sempre será de pouca monta interpretar soberanas verdades,
conquanto só aos poucos as portas do mistério ali desvendam o coração do quanto
houve e haverá. Daí as artes daquilo jamais visto, todavia sonhado quando em
vez. Nisso, surgem do inesperado as fórmulas, os reinos monumentais e as
tradições, logo adiante desmanchados em mitos e lendas, em torno das fogueiras
acesas do Destino. Cientes, presentes no íntimo do Ser, partilham entre eles as
surpresas de continuar e obter o visto de plena transformação.