domingo, 10 de maio de 2026

A que existir


Os tempos, vastidões continentais, momentos que ocorrem sem parar, enquanto aqui, seres e objetos. Em tudo o silêncio debaixo das luas. Horas a fio circulando pelas paragens imensas, lugares e distâncias, numa suavidade a toda prova. Assim a verdade impera. Mistérios inigualáveis preenchem a realidade, numa aparência tão só de surpresas e sonho. Enquanto isto, esse movimento de causar espécie, ditas histórias, civilizações inteiras a transportar pelos o turno constante dessa aparente contradição de sentido. E esses tais seres, circunspectos, às vezes imprudentes, inesperados, habitantes da dúvida e senhor da esperança.

Nisto, o toque das noites cheias de visões, de aventuras pela estrada desses depois que nunca deixam de ser. Um furor de respostas, porém pouco ou nada lidas, contudo. Comboios inteiros de individualidades silentes destarte inscrevem nas circunstâncias tudo aquilo transportado no lombo das criaturas. São intermináveis os rastros postos na poeira desses caminhos disformes. Trânsito sem par, acontecimentos fortuitos, certezas eternas, fervilhar de compreensões e pessoas num único penhor de respostas e perguntas jamais esquecidas.

Meras palavras, talvez, todavia vivos agentes do Sol a conversar consigo e com as outras estrelas nesse panteão de quantas variáveis à mercê das mesmas criaturas que fazem e respondem em consequência. Uma vastidão sem fim, pois. Olhos fixos nas profundezas deste mar de luzes, aquilo conduzem o barco da realização, autores que o somos do que houve e haverá sempre. Instrumentos da Eternidade às nossas mãos, realizamos o sentido pleno desde longe a seguir conosco sem final.

Outras respostas decerto veem a todo passo, ao sabor do relevo e das cores, nessas condições das oportunidades, habitantes do Infinito e testemunha valiosa da Criação. Eles, nós, um só Ser, razão das existências e do Tempo. Palavras que tais inundam de coerência o vale de consciências e da Paz que buscamos a cada dia.

O que quer que seja


A mesma ânsia de continuar ali persiste no coração das criaturas humanas. Com isto, as produções imensas espalhadas pela face disso tudo que está onde esteja. Portentosos resultados, quem sabe?, porém. Folhas soltas nesse quarteirão inigualável dos místicos, das culturas, estruturas, temas vagos que circulam os céus, dentro e fora dos que vivem aqui em volta dos sóis.

Bem isto, nessa vontade insistente de observar e repetir quiçá velhas contradições esquecidas nos balcões da Eternidade. Muitas falas, discursos aparentemente simples, no entanto dotados de limitações, o que nem de longe admitem os autores, os arquivos, as crostas superpostas nas tantas civilizações. Entre esses fragmentos, personagens insólitos, belas aventuras, criações inolvidáveis, blocos inteiros de genialidade frutos de um Cosmos de profundidade até então inatingível, olhos das cores e das formas. Quer-se, nisto, conhecer, no entanto. Sabem-se seres definitivos em busca do Sol. Preenchem de verdade o quanto aqui vieram e sonham, e viajam, sorriem, revelam, impondo traços de sabedoria em páginas surreais.

Assim, as visões acontecem, marcas perfeitas do que tivesse de ser, linhos doces de praias inesquecíveis, amigos verdadeiros, amores, lembranças integradas a entes essenciais nisso em forma de realização.

E tais marcas significam, pois, o sentido do quanto existe, oferecendo uma calma aos protagonistas de todas histórias. Vez por outro, novas esperanças, curas, felicidade em forma de canções, quadros, livros, rio constante das alegrias e surpresas boas que a vida reserva em caráter constante, serviente.

Manhãs intactas de realidade plena a envolver noites escuras, nesse carinho que a Natureza oferece, abrem as possibilidades daquilo de há infinitos aguardado nos sentimentos humanos, nítidos sinais das luzes de clarear os caminhos do que haverá de acontecer na medida das sortes felizes. Os circuitos persistirão, pois, ao sabor dos pensamentos. Restam, por isso, poderes e atitudes face a face consigo próprio, motivo e causa das existências...

sexta-feira, 8 de maio de 2026

O lado de lá do firmamento


Vez em quando me pego a olhar a profundidade dos céus. Nesses finais de tarde, quiçá um azul sem nuvens, daí merlhar a imaginação. Longe, muito longe, retalhos de sonhos, memórias vagas, viajam soltos pelas cores da imensidão. De tudo lá esteja. Talvez sombras do que foram antes. Resquícios de lembranças agora feitos fiapos de sóis e significados. Estradas molhadas, poeira, bichos de várzeas, objetos inexistentes e símbolos do imaginário. Ali pelas encostas dos poentes as cores doutras visões desde sempre desfeitas em letras e palavras, relíquias e sons abafados nas impressões deixadas pelo Tempo. Vontades assim de querer narrar o passado, no entanto meros significados de sentimentos somados ao léu.

Lembro aos poucos a busca das existências desde então reunidas pelas mãos calejadas de formas e abstratos trazidos no vento daquelas ocasiões, ditos da verdade em volta dos seres. Nadas, poréns, substantivos concretos, haustos de alguém a respirar aqui dentro, nas margens de um silêncio a bem dizer absoluto, no entanto por demais, surpresa das vezes quando isto percorria as distâncias lá adiante, por certo circunstâncias livres só depois reveladas. Sabores inigualáveis dos instantes, vejo com clareza o infinito das ausências, mesmo que tal pedaços de mim próprio.

Sobre essa superfície amorfa de rápidos traços dalgum artista perfeito, ali me detenho diante disso e pego a orar pela paz das criaturas, pelos tempos novos que vêm suavemente na noite dali a pouco. Trago de volta trechos percorridos na infância e os observo cobertos de infinitos falado comigo lá no íntimo das vastidões mantidas a ferro e fogo nas malhas do desejo de harmonia, e acalmo pensamentos e indagações. Esqueço dalgum modo o ruído insistente da atualidade. Transito, suavemente, pelas palavras já destarte pequeninos seres quais partículas de um todo em movimento.

Palavras soltas


Painéis abertos ao longe numa vontade incontida de interpretar os mundos em volta. Ali perpassam histórias mil e pessoas sem conta. Todos no mesmo mergulho das cores e formas, movimento incessante de tempos e valores. Nisto, películas antigas, lembranças vagas espalhadas pelo chão, florestas e sonhos. Uma circunstância de verdades eternas invade o desejo das vezes anteriores de conhecer cada vez pouco mais daquilo antes visto sem a resposta suficiente. Anda-se pelos rincões de quantas viagens ao íntimo, restos deixados às portas do Infinito. E os personagens sobrevivem a tudo, portanto, sempre contidos em si e senhores doutras eternidades.

Corredores de individualidade assim preenchem das existências sua figuração e apenas divisam pequeninos indícios do que buscam, porém. Universos contidos. Guardados sob as sete capas do Destino. Grutas de sobrevivência destarte conduzem a História seja lá onde for. As estações que se superpõem acontecem na mesmo velocidade do quanto até então, e compõem o quadro efetivo das certezas trazidas no peito. Respostas vagas, pois, daquilo buscado nas entranhas do mistério só desse jeito define de tudo o penhor das gerações. Aos milhares, milhões, infinitos seres atravessam esse deserto das horas e fixam os olhos no espelho de uma aparente realidade.

Quais meros protagonistas da fama de estar aqui, pisam dalgum modo o sequenciar das estruturas e aceitam de bom grado que seja tal e qual. Sei que sorriem, nalgum momento. Recordam velhos ideais. Alimentam de visões as nuvens lá distantes, na virtude dos místicos, mágicos e autores, voragem jamais vista do Sol das criaturas. Constroem nesse nada em ação os motivos de continuar vidas a fio, cruzar as pontes das vastidões e adormecer ao sabor de suportar e ser feliz. Face a tanto, descem e sobem as veias da solidão e trazem consigo o véu da Verdade de que sejam artesões.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Luzes na imensidão


Vontade voraz de conhecer chega a tanto. Aparentemente imaginar resultaria nisso, numa superfície plana por demais e diferente de tudo quanto existe. São essas as primeiras impressões ali deixadas pelos seres que circulam o Universo à busca de conhecer a si próprios. Mergulham no senso das oportunidades e abrem as vistas aos sóis. Desfazem e refazem tantas os farnéis da consciência que, talvez, se parecem mais com meros aventureiros dos destinos sempre desconhecidos. Ainda que tanto, cobertos que foram de andrajos dos passados, transportam lá dentro da memória todo o sonho do mundo.

Esses tais persistam, no entanto. Constituem o de que pouco conhecemos daqueles primeiros habitantes das colônias espalhadas pelo espaço dali de fora. Que existe, nem de longe há que duvidar. Fagulhas das histórias siderais, vêm e vão ao sabor das circunstâncias em volta. Perlustram, reconstituem planos, imaginam viver outras luas, noutras pequenas cidades do interior onde habitam o silêncio e as melodias. Depois, bem depois, lembram de haverem constituído família e regressam afeitos aos amores definitivos. Por vezes, silenciosos, calmos, cautelosos; doutras, criaturas exóticas, dadas a lutas, agressões, pecados. Ainda assim, herdeiros universais da Criação.

De um a outro, uma gama infinita de longas jornadas vindas nem se sabe de onde, a chegar sem saber aonde. Poder-se-ia compreender com facilidade serem parcelas de mar imenso em que circulam tangidos pelo vento da sorte. Porém sempre será de pouca monta interpretar soberanas verdades, conquanto só aos poucos as portas do mistério ali desvendam o coração do quanto houve e haverá. Daí as artes daquilo jamais visto, todavia sonhado quando em vez. Nisso, surgem do inesperado as fórmulas, os reinos monumentais e as tradições, logo adiante desmanchados em mitos e lendas, em torno das fogueiras acesas do Destino. Cientes, presentes no íntimo do Ser, partilham entre eles as surpresas de continuar e obter o visto de plena transformação.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

O preço da existência

 


A liberdade do Ser lá um tempo carece disto, transformação. Após milênios das reencarnações, certa feita certo dia haverá de desvendar esse enigma (Decifra-me ou te devoro!) da lenda do Egito. Nisso, de olhos bem abertos, ponteia crescer noutra direção que não só aquele de existir e repetir a dose, até mergulhar no oceano do Destino, e distinguir dentro de si a consciência desde sempre aguardada diante da Eternidade. Qual quem notou apenas sombras nas paredes da Caverna (Platão), decidi reverter o quadro das horas e considerar que, não mais de sombras, ilusões e vaidades, persistirá no Tempo. Um achado sem conta, razão de tudo aqui, providencia o exercício da real liberdade e desfaz aquilo de antes, apenas de imagens fugidia. Transcorreram, conquanto eras sem fim da individualidade pelos pagos do mistério.

Sai dali na feliz satisfação de haver, finalmente, interpretar o código do que existe perante todas as razões de possuir o senso e transformar a paisagem de quantas vidas, ele, um a um, se superpõe à rotina. Transitará de todo o patamar das histórias individuais e coletivas, dotado de outros instrumentos de percepção, ao tempo do sentimento da excelência, do Amor, na simplicidade do gesto mais simples e verdadeiro.

Tal que eis o resumo a gama aparentemente ocasional dos sóis e das luas vividos ao sabor das contingências fortuitas. Face a tanto, afeito neste encargo do novo consistir, terá, no entanto, de custear o preço da tão sonhada vitória aos infinitos da alma e admitir, todavia, o valor de qual conquista. Resultantes, a solidão pessoal, o confronto daqueles outros que, até então, nem de longe supunha ser possível essa revelação transcendente, causa primeira e única justificativa das incontáveis vidas em transformação. Já agora, vivente de indizível imortalidade, enfim o fator primordial das ponderações universais deste Chão far-se-á, justa interpretação e exercício da Verdade absoluta.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Entrremeios


Dalgum momento nasce isto, de rever os sonhos e esquecê-los aos primeiros pensamentos. Quiséssemos, mesmo assim aconteceria – porquanto o lastro dos destinos determina, e só. Resultado, a sequência de tudo quanto existe face ao definitivo. Porções as mais variadas ali preenchem o prato das alturas e derivam a seu modo o andar das pequenas ocorrências, sintomas de existir do tanto em volta. Creio que se perlustra encontra novos instrumentos os quais pudessem desfazer as histórias. Porém, qual que seja, essa fluência do Cosmos preenche de verdades amplas o crivo das certezas.

Vezes sem conta, ver-se-á face a face consigo próprio a indagar virtudes, essências, definições, logo constante do catálogo do Tempo. Trabalha-se o instinto, superpõe criatura outras, satisfaz os desejos, outrossim aos olhos de busca incessante através do que passou e jamais regressa. Nisto, o barco da úsolidão perante as vagas do inexiste que bem ali repetirá a perder de vista. A meio tempo de tais superfícies, transitam, pois, esses pequeninos seres, fragmentos vorazes do mistério. Talvez, muitas horas, encapuzados sob a escuridão, tendem a regressar e trazer de junto aquelas nuances guardadas no âmbito da procura, numa lição permanente de sentido ainda não gravada na consciência.

E, pouco a pouco, letras e palavras desvendam as camadas internas dos sentimentos e iluminam o painel de frases venturosas, ricas de qualidades até então desconhecidas. Vórtices dessa intuição dão notícias do que virá. Eles, os vultos da imensidade, sobrevivem a qualquer aventura de pensamentos ou tradições. Oferecem o suficiente a contornar esse impulso de desaparecimento de entes e objetos, e redesenham a condição humana em moldes jamais vistos, fazendo disto o motivo das existências durante o que houve lá antes e haverá lá na distância mais íntima. Aos primeiros raios de sol de cada manhã, despontam para sempre o princípio da eterna felicidade..