sábado, 30 de maio de 2026

Objetos de poder


Instintos transformados em formas de dominação, mecanismos de controle do comportamento social, cara lavada dos tempos atuais. Aonde ir, ali permanecer, numa espécie de fome dos brejos que loteia horizontes inteiros, dentro e fora do conhecimento. Nisto, formas de atender desejos, impulsos de revelar aspectos ainda mantidos sob o silêncio das almas.

No entanto que assim não seja sempre, pois. Vez haver meios, raízes em formação, à raça urge desenvolver outras ciências quais signifiquem desvendar as razões de andar aqui. Superpor normas de puro animalismo através dos mesmos órgãos de sentido e pensamento que faça presença em práticas conscientes. Daí os limites arcaicos viram processo contínuo doutras alternativas.

Panoramas quase gravados lá dentro do inesquecível, lembro dalgum filme a trazer seres montados a pensar que depois se afeiçoam tanto aos humanos a ponto de adquirir, quiçá, algo assemelhado a sentimentos. Isso ocasiona causa de dor que os faz amargurar diante de separações inevitáveis. Noutra imagem de ficção, das vezes quando civilizações inteiras houveram de mudar de território e padecem das ausências, das distâncias, do passado deixado.

Ser-se-ia, a bem dizer, ficção noutra ficção. De sair de um planeta a outro, e deixar ao longe tudo aquilo que antes fora, criação fantasiosa da própria função do Tempo pelas dobras dos firmamentos. Aqueles tais valores aonde foram que agora somem tais nunca houvessem sido. Isso ao sabor dos ventos da sorte, velocidade dos acontecimentos, tradições, urgências. Conquanto o querer dos humanos, transes seguem acontecendo, força viva doutro querer, imposição de novos senhores, novos métodos.

Perante o furor das palavras e seus significados, nascem as proposições, as ideias, atitudes líquidas do deslizar das existências aos olhos de tantos de nós, quereres distribuídos em forma de técnicas, submetidos aos caprichos do Destino. Talvez qual a tanto, essa intenção de guardar no coração a vontade de ser perene, inesquecível, sobrevivente das histórias vividas, sonhadas, acesas nalgum lugar desse universo.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Confins do Unverso


Olhares em volta e o Tempo, mares abertos do que a verdade seja existir. Um panteão de sensações espalhado pelo vento das horas, a perlustrar anos a fio nesse quadrilátero dos céus, no aguardo de algo que virá certa feita, de onde ou quando. Tais paisagens vistas de dentro, eis o resumo dos infinitos aqui guardados no íntimo de tantos. Isso que querer saber, porém circunscrito a determinações outras vindas numa graduação estonteante de luzes, sombras, cores, formas, a circular em torno do mesmo sentido único e indivisível. Pequeninos vislumbres em movimento na superfície das existências, talvez em fuga, talvez à busca de objetivos desde sempre antepostos aos destinos.

Langores, litanias, pedidos vagos de ciência; enxames continuados de seres ao sabor dos firmamentos em constante transformação.

Assim, qual o quê, os caminhos se clareiam diante do inesperado. Largas possibilidades face a tanto, espaço transcendental dos pensamentos, nessa busca de trilênios, sopesam valores maiores, portais abertos do desconhecido às nossas mãos. Jamais houvesse quer intocável. Vastidões poderosos no âmbito das criaturas agora permitem rever a imaginação e sustentar em definitivo a verdade dos dias que corriam ao nosso lado. Eram tais sombras de nós próprios. Detalhes indefinidos, beleza sem par nos momentos da história individual depois transpostos no coração em provas incontestes de um Criador absoluto a gerir sua criação.

Apenas isto, detalhes de um grande todo aceito de bom grado na medida do crescimento pessoal, ao largo das consciências. Isto falavam as artes, retratos dessa grandeza propiciatória que já habitam o senso da Razão. Contudo houve de ser destarte, passos cadenciados do princípio universal que poreja os vivos na Era Cósmica na que falavam os místicos nos finais do século anterior. Ao ritmo dessas palavras que falam em si ao seu querer, toquemos adiante o perfil dos acontecimentos.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Esse ser que o somos


Aqui nalgum lugar, cercado de silêncio... Através das tantas dimensões, essa necessidade perene de continuar. Vagas lembranças das horas boas, luta incessante de persistir enquanto seres, nuvens a encobrir o céu da consciência. Nisto, as marcas deixadas pelas vidas de interpretar, porém só parcialmente, o transe de haver já presenciado tantas vezes as tantas interrogações acumuladas no íntimo. Seres, afinal. No espaço das vivências, os demais e suas histórias ali depositadas, carentes, vezes sórdidas.

Quais dotados de filamentos que os ligam o Infinito, transitam sintomas e métodos no meio de si, constantes buscadores de desejos e visões, astutos, no entanto cientes dos próprios limites. Espécie de alienígenas do Universo, contemplam a vastidão numa vontade inevitável de querer sustentar-se nas faces dos destinos em volta. Parceiros, pois desta solidão contagiante, apenas reveem apontamentos daquilo esquecido nas viagens mais distantes, na mesma sanha de lá certo momento desvendar as linhas do Cosmos.

Nesse meio tempo, lhes alimentam igual fome de permanecer, contudo cientes de nem outra chance haverá de inexistir. Minúsculos exemplares do que restou de tudo nas encostas da alma, fixam os corredores da grande mansão e, vez em quando, some nas suas dependências, regressando logo em seguida noutras histórias daqui mesmo. Destarte, silenciosos, procuram a luz a qualquer dia.

Noutras chances, dividem objetos abandonados descobertos de antigas civilizações. Partilham conhecimentos técnicos a suprir urgências dos instantes, por isso algo cresce de dentro deles em forma de oportunidade, aprimoramento, a ponto de haverem aceito viver em grupos, ora cidades, tribos; viajam nas profundidas do firmamento à cata de novas estrelas. Nem de longe que o fosse, sabem aonde chegar quando isto acontecer. Querem paz, virtudes mil, amabilidades... Isto trazido desde sempre, voz que há de preencher de novas luzes este clarão visto nos céus.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

E se tudo ficou lá atrás?


Há momento assim, vistos em filmes, lidos em livros, ouvido nas canções. Trâmite avassalador das distâncias, cores novas hão de surgir a todo instante de saudade, nos contos leves dos autores surreais. Narrativas por demais daquilo antes perdido pelas folhas do Tempo. Enquanto que longas filas se formavam ao relento de noites sucessivas, logo depois nasceram as lembranças boas, os credos e as luas envoltas de lindas cores. Buscar que seja no imo do coração. Outra vez aceitar os véus desse mistério, na certeza do Sol.

Ali ouvíamos leves sussurros de silêncio através do vento, a rever suavemente o quanto deixamos, cientes, pois, de encontrar em seguida antigos heróis, conquistar a paz e conhecer sempre verdades inegáveis. Aonde foram todos que nos esqueceram aqui?! Qual das estrelas hoje lhes servem de lenitivo, criaturas ensimesmadas e livres? Estantes cheias de preciosidades, revistas do século XX, jornais amarelecidos e botons doutros valores, nas asas da esperança. Na verdade, quase isto de não querer sumir através dos fossos e dos destinos. Olhares vagos em maio às luzes da madrugada. Debates, interrogações, fotografias, persistências, viagens a longas distâncias, signos dos que ficaram e imagens vagas daquilo largados no bolso das aventuras.

Gerações inteiras acantonadas nesse painel dos corações, gravados firmemente nas horas e dos dias. Os trajes, os haveres, relíquias postas na parede entre os santos da devoção. Conquanto patrimônio inarredável, circulam pelos túneis de quantas vidas vividas em todas e numa única, talvez. Um relicário de recordações imorredouras que hoje falam conosco nas dobras dos blusões já desbotados. Nisto, poder absoluto de persistir ilimitadamente nos sonhos, nas frestas da presença dagora e livres pelos penhores do ora somos. Contidos nesse universo entranhado no peito, os que aqui estiveram permanecem de raízes do indefinido, porém coberto das glórias da perene felicidade individual.

Pelas eternidades a fio


Num transe a bem dizer único e inevitável de ser assim, perduram os seres e objetos, a circular em volta e imperceptivelmente, pela crosta suave do que haveria de ser. Quer-se criar versões, estabelecer diálogos, a punção de consciência distantes. Olhares em volta a considerar o trilho das alturas e viver. Tomar a pulso crer na própria gana, sustentar o nível das percepções, e contornar o impossível, afã alimentado de pensamentos e palavras, seguidos de perto pelas lembranças e sentimentos. Bem isto de ser assim. Tamborilar destreza nunca notada. Vislumbrar o espetáculo das essências, e sobreviver a qualquer custo.

Quanta virtude, pois, rever as mudanças que ocorrem ao furor das consequências, e manter o estado da presença diante desse tudo arrebatador, consistente. Nisto, as culturas, civilizações esplendorosas ali submersas pelas areias do Tempo, justo motivo de continuar nessa viagem enigmática. Perdurar. Fazer-se fruto das existências, raciocinar, interpretar, criar, construir. Normas soberanas de liberdade relativa são mantidas ao custo de sentir e avistar dos novos momentos que virão. Espécie de prazer inarredável, tal tocar o barco das horas neste mar das quantas virtudes, habitar a vida antes de tudo.

O fascínio sorrateiramente preenche de verdades os horizontes. Traz nas entranhas clarezas arrebatadoras, belezas infindas, contrições jamais imaginadas. A desvendar quais mistérios, enquanto isto essa caravana imensa de tantos e quantos senhores dos pagos lá escondidos pelas conotações da História, guardam no íntimo pessoas e lugares. As estradas carregam, enfim, nas margens tudo desde o princípio, elas e as almas em movimento. Transbordam, a inundar de frestas luminosas os mesmos mares da continuação absoluta.

Das profundezas desse abismo vêm ecos por demais, marcas fixadas naquelas hastes da matéria-prima do que existirá sempre, logo em seguida transcritas nas luas hão de vir, que lhes puseram de retalhos foscos na finalidades dos sonhos.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Imagens do Inconsciente


Nessa missão estonteante de revelar a si o caminho, criaturas habitam o pórtico do invisível enquanto apenas observam de longe as primeiras jogadas. Isto o itinerário das existências a par da compreensão de todos. Busca de luzes, desejos de revelação e uma fome religiosa de notar o mínimo que seja de verdades, amor e paz no coração. Dali, o ritmo frenético dos dias. Quais que protagonistas de peças jamais vistas, distinguem monumentos nas praias, inscrições pelas encostas de montanhas distantes, dunas faiscantes dalgum deserto a lhes percorrer entranhas e sentimentos. A vontade bem que admite, lá um tempo, dar de cara consigo e reviver tudo aquilo espalhado nas lembranças. Eles, minúsculos habitantes desses reinados santos, perscrutam qual tal jamais os mesmos mistérios trazidos do Infinito.

Em considerar, portanto, a trilha deixada pelos ancestrais, decidiram construir sonhos sucessivos nas cidades e vilas, agora cruzadas pelos mais diversos transeuntes. Admitem, contudo, viver o senso eterno de visões avistadas de antes e reúnem, passo a passo, os traços de roteiro encantado. Juntam milhões de falas numa só, sabem, de tanto avistar, que persiste no alto o poder de tantas realizações até aqui palmilhadas a ferro e fogo. E no silêncio do íntimo transmitem, um a um, o conceito da felicidade. Lastro monumental de verdades e imaginação, superpõem legendas inigualáveis a todo instante.

Perante os demais seres também inesperados, transitam vidas e vidas nessa reunião de belas histórias incrustradas nos céus. Formam filas enormes dos viandantes ora cientes desta procura, isto feitos de fé, amáveis criaturas criadas na renovação e nos becos. Trabalham de sol a sol nas visões do encantamento que os compõe. Certa feita, todavia, portas se abrirão e verão chegar quem quantas horas conteve nesses delírios de felicidade em forma de lindas cores, tradições, sobrevivência crucial daquilo de que foram elaborados pelo Destino.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O preço de ser livre


A fé é a mais elevada paixão de todos os homens.
Kierkegaard

Todo esse tempo e que passou hoje se resume imaginar que nunca houve, talvez as vivências contidas em si. E nisto, chegar até então, olhos postos em lugar algum. Uma gama a bem dizer quase infinita de histórias que nos atravessaram ao momento em que preenchiam o sol da consciência e nestante pulsa tanto só ao sabor de haver sido, contudo noutros universos também abstratos. Ali, porém, vivem pessoas nas lembranças fortes das emoções, dos sentimentos encantados em lugares inarredáveis, porquanto saguem junto ao que ora somos. Valores dessas épocas de outros sonhos, estruturas em movimento no mesmo lastro de agora. Há qual o que naquilo eco solto de inexistência, pedaços de um todo indivisível, estranhos abismos cá dentro da alma, a contar das suas angústias, seus temores, numa intensidade jamais consideradas ao instante do que aconteciam. Longas essas tais vastidões descritas em iguais roteiros naqueles filmes a percorrer entranhas do desconhecido transportado anos a fio. Transes, shows, diálogos persistentes ao silêncio das antigas recordações assim habitam ricamente os pensamentos acesos de verdades eterna, onde estivemos, nas dobras do Tempo por demais enigmático, fortuito, amoroso, de persistentes madrugadas, fiapos do que se seja neste para sempre.

Consistentes criaturas vagam destarte pelos rincões das permanências e observam cautelosas essa correnteza de mil cenas a lhes envolver os sentimentos. Trazem na essência o motivo de estar aqui, de reconhecer pouco a pouco as realidades que os compõem. Talvez até possam traduzir em novos sonhos aqueles antes escondidos que persistam continuar um dia qualquer. Nesse traço de eternidades que se move e nos move resta, quiçá, mínima a distância do panteão dos deuses, donde vieram e carecem regressar de quando em vez, aventureiros do destino e das luas, escrituras abertas ao querer mais absoluto existindo na alma da gente.