domingo, 8 de março de 2026

Em meio a tantas luas


Decerto quantos habitantes desse universo ainda distante, porém já afeitos a novas interpretações. Ser-se-á um dentre inúmeros a testemunhar enigmas sem conta. Nisto, espécies de fome a imperar no vazio, vidas e vidas, que indagam o cerne do quanto existe. Sei, são fieis da resistência de continuar, feiticeiros de si, autores das ficções e os arautos das partículas infinitesimais de histórias sem fim, e preenchem de sortilégios o campo das visões em volta. Esperam desde longe ali chegar, pois.

A meio dos valores humanos, criaturas perfazem o intervalo das noites submersas nas ondas do inesperado. Enquanto isso, nada pode estagnar, que fosse, diante do mistério. As próprias palavras decidem o impacto desse reencontrar consigo, no íntimo dessas alimárias sob o peso de caravanas inteiras pelo deserto das compreensões até então adormecidas. Pórticos de novos ensinos, contudo revelados gradualmente através das consciências.

Observar dessas distâncias, a bem dizer intransponíveis, guardam no senso a luz dalguma revelação em andamento. Sustentam marcas, elevam pensamentos, contradizem a imaginação, o sabor dos mares e das cores. Tocam que signifiquem o vasto cotidiano desses tantos, deixados aqui na busca de perceber com o roteiro de gerações inteiras. Eles se veem, percebem pouco a pouco o limite de ontem no penhor dos dias seguintes; perduram nas manhãs sofisticadas, iluminadas de tudo e livres de viver.

Em volta, astros, imensidão, movimentos, sons inigualáveis, pessoas e objetos largados assim no teto das alturas. Conhecem, quiçá, o suficiente de suportar tamanhas interrogações, no entanto. Narram sonhos transcendentais na forma de suas epopeias e lendas, depois refeitas na lama dos outros padeceres. Alguns jogam xadrez nos vendavais da sorte e despejam ilusões aos deuses recém criados lá de dentro dos abismos mais profundos.

Nesse correr das inatingíveis aventuras, sofrem de lembranças escondidas a meio das ânsias trazidas no coração, cientes que estejam, nestante, da certeza dos melhores dias nalguma das estradas do Infinito.

sábado, 7 de março de 2026

As luzes da credibilidade


Estirões sem limite resumem continuar durante essas gerações. Trâmites por demais inesperados fazem disso, a bem dizer, a justificativa de tudo. Senão, que mais fora das horas? Isso de um tempo poderoso no domínio de quem esteja além das meras cogitações. Em volta disso, os monturos e a fria imaginação. Transes do inesperado, pois, somados aos pretensos autores, definem, pouco a pouco, o justo motivo do quanto existirá sempre.

Ao ver assim, circunstâncias e figurantes já perfazem todos os lances desse tabuleiro em que persistem as criaturas de qualquer natureza. Umas, maiores; outras, fruto das próprias dimensões arrevesadas no tacho da ilusão. Nesse sequenciar das palavras, hostes intermináveis de mistérios os conduzem pelo campo. Disto, as filosofias e crenças sob as quais constroem palácios e subúrbios. A se pensar nas multidões, quanto furor de compreensão desfilam pelos ares. Em cada cabeça, uma sentença. Descrito esse universo de microrganismos e movimento, tem-se o Infinito em pequenas doses e conceitos inevitáveis.

Passadas fossem tantas histórias, restariam tão só os abismos em formação, dias e dias. Impressões, emoções, crostas acumuladas nos ombros do firmamento. Com isto, escutam vozes. Nascem novas sementes. Sobrevivem aqueles mesmos que antes preencheram no vácuo os destinos. Alguns ainda escolhem dizer daquelas vozes ouvidas de não se sabe onde. Parcelas e dúvidas multiplicam esperanças, sustentam as encostas de longas travessias e logo depois aceitam também desaparecer pelo corredor dos pensamentos.

Contadas tamanhas atitudes, resta, pois, a tela do silêncio no coração de todos, presente o eito dos sentimentos. Serem eles, a qualquer custo. Segurar as hastes do Sol e prosseguir nalgum instante lá que estejam noutras invenções e certezas guardadas em si próprio. No tal diapasão, dali significam o clímax dalgum desejo, sobremodo inscrito nas gradas da real compreensão.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Animais do Paraíso


Garças, muitas garças, rinocerontes, cochonilhas, avoantes, sequência interminável de seres os mais diversos, transcritos em códigos, no princípio, depois feitos de peles, penas, carne, osso, medulas, que tudo o que a natureza de então orientava. E entre eles, afeitos a longos percursos no lombo uns dos outros, o bicho dos humanos. À época quase nem existiam as tais reuniões periódicas de tribos e clãs, logo adiante feitas de costume, a decidir a sorte dos outros e a sua, também.

Passados o que restou, hoje traduzem a valer o instinto guardado lá de antes, aprendido nas horas dos interesses. Agora bem isto que anda pelos ares, figuras abismadas em volta de capítulos inteiros daquilo dos inícios, restos quiçá largados pelas estradas do Infinito. São muitos deles vestidos de armaduras medievais, munidos com peças destrutivas e descritos nas lendas esquecidas nas matas. Há que se pensar nalguns destes submersos nas nuvens de antigamente. Isso porque insistem carregar consigo os perjúrios que lhes fizeram contrariedade e lamúria.

Ainda que tanto, narram fábulas enigmáticas de vidas afora, por certo alimentando aqueles velhos augúrios das raças agressivas de espécies daqueles princípios enigmáticos. Recurvados sob o peso de ferragens sofisticadas e do padecimento dos outros ali em torno deles, nisso vêm de perguntar quando irão esquecer de vez quanta estultice e exercer de tudo a paz nas consciências. Afeitos por isso ao nexo do padecimento, reúnem de si o fruto que haverão de colher logo ali nas cercanias.

Em face de tais resultados dessas memórias arcáicas, circunscrevem distâncias a imaginar inatingíveis, produto sórdido em movimento. Quadro espesso dessas tintas ancestrais, relembram aqueles primeiros séculos da história de gerações inteiras, sempre senhoras de feitos memoráveis, conquanto vistas naquelas paisagens originais do transcorrer das inconsciências, e revivem o sonho das sequências e dos instantes de Amor que ocasionou tudo, porém.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Palavras acesas


Lado a lado consigo mesmas, tocam o significado e do quanto existe. Dom de supremas verdades, espraiam sentimentos a torto e a direito pelas encostas deste Chão. Salvaguarda de tantos, mesmo assim sobrevivem às duras penas. Circunstanciais, irreverentes vezes outras, reúnem letras e formam sons nas consciências. A bem dizer, livres, suaves, constantes, andam pelos desertos, pelas cidades, aversas a tudo que seja de permanecer em único lugar. Nascem dos pensamentos, porém dotadas daquele afã de tantas luas e que narram do passado e o futuro o que virá numa maior sem cerimônia. Lustres, pois, dos palácios em festa, das cargas no lombo das criaturas, segmentos do que antes imaginaram, constroem o sentido das alturas nos abismos mais profundos. Um atributo a mais do quanto existe e permanência inevitável diante dos afagos e desesperos. Frações de tudo e resumo do quanto haverá lá um tempo a qualquer dia.

Depois das gerações, ali estarão, afeitas aos destinos que, de novo, haverá de vir dalgum hemisfério qual seja, circunspectas dos orgulhos, das pretensões dessas vacuidades que se arrastam nos mangues e nas noites. Risos, músicas, caprichos, vontades soltas e vagas, resquícios de antigos verões, de sentidos espalhados pelo vento aonde houve de chegar dalgum jeito. Ostras adormecidas pelos dicionários, nos grandes romances universais, nas notas das caligrafias deixadas pelas calçadas. Seres assim, por demais independentes de quem quer que as utilize; ardentes, fieis, circunspectas; dotadas desses todos pressupostos até então escondidos nos saguões desses hotéis de lixo, adormecidas e sagazes, a invadir os sonhos do inesperado.

Nisto, espécies de devotas credoras das maravilhas que tangem a humana presença nesses universos desconhecidos, fazem enxergar, de visão aberta; ver-nos-íamos, quem sabe?, delas os instrumentos, artesões da luz que lhes transportam o segredo lá desde quando... Arautos das verdades puras, alimentam e digerem as estultices siderais dos que viajam pelos céus da paciência. Nós, esse caudal prenhe de ampla felicidade, a todo instante presente e talvez sob o mistério maior do próprio Ser.

terça-feira, 3 de março de 2026

Compreender a si mesmo


Somos uma alma dentro do corpo. O tempo passa, o espírito permanece. George Harisson

Início e fim de tudo. Desvendar. Abrir as portas do mistério que hoje conta pelas narrativas. Encontrar o princípio da lucidez e vivê-lo o mais intensamente. Razão de ser de toda filosofia, toda religião, causa e origem das entrelinhas do Destino, dele, consigo próprio, desde sempre. Antes disso, os longos intervalos da sorte no movimento dos astros.

As civilizações daí buscaram isto, no entanto cercadas dos interesses imediatos. Valores ilusórios das outras interpretações. Ainda que tanto, alimento de quantos. A ânsia de continuar a qualquer custo face a face com as ilusões febris dos apegos, frutos do ego em ação, além desfeitas que sejam tais excursões aos mundos aparentes, certo dia, certa feita, haverá de haver o quanto lá de longe alguns imaginaram.  

Nisso, os motivos sociais dos interesses em jogo. A criação irreverente de posses e ganhos, fome descomunal de largas eras. Existissem, por isso, causas de tocar adiante o que traz até então, de novo redundariam no desfecho só imediato das quantas e tantas vezes.

Bom, diante das circunstâncias dessas quantas histórias, eis que se defrontam as noites dos séculos, das perdidas aventuras pelos corredores do Tempo. Numa continuação de todos, quais entrar no ser de dentro, nas florestas da consciência, tornam-se espécie de intérpretes da jornada humana, um a um. Indagam do silêncio, das visões e aparências, dos sonhos, doutras confissões, num constante aguardar dalgum lugar alguma revelação.

Esses personagens perscrutam em volta as demais criaturas, os objetos, as luzes que cintilam na distância, os credos, as publicações. Em painel descomunal de inúmeras possibilidades, há que voltar ao Eu por demais interior e dialogar com o passado, os aprendizados, as muitas reservas acumuladas no decorrer das lendas de si e dos semelhantes. Fossos de pedras raras, carregam na alma seu objetivo e sentido universal do uma realidade, logo após, definitiva.

(Ilustração: Castelo de Brennand, Recife PE).

segunda-feira, 2 de março de 2026

O acaso e a necessidade

 

Algo semelhante a destino e liberdade, porquanto ambos se tocam e se diluem no tempo e no espaço. E entre ambos, um ser que atravessa o Infinito na busca do Sol. Em um dos extremos, a imaginação. No outro, a determinação do que haja de ocorrer a qualquer custo. Assim, são as existências. Enquanto isso, na esteira dos dias que descrevem a noite do Tempo, frases inteiras dizem disto, pespontam o que haveria de estar nas consciências. Insistem, descrevem, contêm. Na imensidão desse vazio composto de ilusões, tudo tende a acontecer. Todos protagonistas do que resume o mistério.

Detalhes mínimos detêm a sorte de quantos, ao furor das consequências. Transes diversos preenchem a pauta dessa canção inigualável nos corações. Férteis horizontes formam, nisso, abismos intactos de sonhos e desejos, nuvens dos céus que os encobrem todo momento. A quem dizer tais pensamentos, quiçá verdes ramas doutras cogitações, deslizam aqui por entre os dedos de quais entes imaginários feitos só de aventuras e sofreguidão.

Pouco a pouco, das palavras nascem ideações, depois transpostas, ao correr de dúvidas, em suores e dramas. Ninguém mais que possa ouvir, contudo. No empenho desses acontecimentos, correm as rotinas. Logo em seguida transpostas nas falas, notícias, pelo inesperado de cada instante. Daí, os desmandos impostos às coletividades silentes.

O que antes fora somente vozes perdidas pela solidão afora, dentro em breve vira descaminhos e avisos de novos séculos, ruínas daquilo que foi e súplica de uma coerência até então desconhecida. Retrato fiel das sequidões impostas à multidão, esta, de olhos extáticos, desvenda, quem sabe?, nas crateras de si mesma, o lenitivo desde sempre sonhado. Longos desvios, pois, de vontades outras, agora calculam o que haveria de ter sido, porém impossível de reviver, se não nas horas do que virá adiante.

domingo, 1 de março de 2026

Mundos individuais


São estrelas, umas ao lado das outras; umas ainda apagadas, mesmo assim existentes, que percorrem trilhas sem final, rumo ao desconhecido. Houvesse, contudo, certezas desde então, ainda que tanto tocariam em frente passos e dúvidas, porém cientes de nenhuma chance das inexistências. Submissos das contingências, passam aos milhões ali diante do Eterno, a sonhar consigo noutras histórias.

As antigas contradições lá dos inícios ferem por dentro as tais criaturas, vezes e vezes restritas ao código que as transportam vidas a fora. Transitam no espaço das alturas, serviçais da incompreensão, no entanto afeitas ao desejo de se auto revelar qualquer tempo, madrugada destas, espécies de números vagando nos céus, horas contadas daquilo que antes foram. Forçados, imaginam, contudo, encontrar a resposta desse enigma milenar que guardam no íntimo.

Dias feitos de carne e ossos, metais e contrições, percorrem a imensidão qual disto fossem único motivo. Sorriem vez em quando, de olhos fixos nessa condição inevitável dagora, rescaldo imenso das tantas verdades escondidas na ânsia dalguma ocasião as distinguir no claro da consciência. Um perfil por demais estonteante desses tais seres que preenchem lendas e mitos; seriam filhos diletos que sejam do imaginário e dos dramas deixados no vácuo do Infinito.

Quando as palavras oferecem, pois, o sentido próprio das interpretações, outrossim restritas ao signo da visão imediata, entes desta sinfonia supõem possibilidades de perdurar. Em consequência, daí os frutos lançados ao chão pelas sementes, as árvores, lances restritos de intensas caminhadas através de florestas sombrias, reservadas aos ditos autores. Visagens dos contos surreais, cenas absortas de roteiros em andamento, sabem-se dotados em forma de imagens ora assustadoras, vilões astutos da indecisão de estar aqui.

Portanto, perfis entre animais e arcanjos, estabelecem de detalhes esse território imenso das verdades profundas, durante percursos trazidos pelos traços de uma longa jornada, a meio das marés e dos sóis em movimento. Bem isto, ser-se-iam fagulhas da fogueira descomunal do silêncio, logo em seguida transpostos à mais pura das perfeições.