Entre letras e números, são eles, os mesmos heróis de
antigamente. Dotados das razões parciais, descortinam incontáveis as paisagens,
no transcorrer do inextinguível. Fragmentos desses tempos, remoem as estruturas
onde vivem, numa condição no entanto enigmática, perdida pela imensidão das
horas. Daí, sede insaciável de novos mistérios lhes irrompe no fervor das
sortes e os compõem nos quadros espalhados nesse chão em movimento.
Conquanto por vezes silenciosos, só reconhecem, sem fim, o
sabor devastador dos firmamentos, resquícios daquilo que antes parecia ter
sido. Assim, os verbos tornam-se exíguos, na ânsia de continuar sobrevivendo.
Descrevem a si próprios de mil nuances, nas vezes largadas pela História e logo
depois feitas de pó, minúsculas partículas de um infinito que aguarda os quantos
estiveram nos sonhos.
Dos roteiros inéditos, as lendas deixadas no eito perene de
tudo, sinais de pedra dos que chegavam e, lá um dia, viraram pequeninos seres,
noutras aventuras rumo ao desconhecido. Vez por outra se reencontram, no correr
das gerações; abraçam ideais inesquecíveis, rápido inscritos nas estrelas,
singulares certezas que poucos já sabem, artífices de toda jornada, aves de
todos os voos.
Disso que hoje se pode ser há de haver, no correr das
escolhas e dos amores, o quanto existe. Pendores submissos, contudo, desejos
inefáveis, percorrem de inumeráveis saudades feitas de viagens e lassidão,
resquícios dos seres trazidos pelas naus do insondável. Astutos habitantes,
pois, dos lugares recônditos da alma, dali espalham suas bênçãos aos céus e
sóis. Nisto, pouco ou nada ilustram de falas os objetos e as sequências,
retratos perfeitos de visões que ora contêm os segredos de que foram
elaborados. Passos silenciosos, apenas, e deles constroem as muitas moradas
aonde viverão certa feita.