sábado, 18 de abril de 2026

Diante do inesperado


De tudo quanto já aconteceu ainda resta o Infinito. Espécie de solidão avançada no Tempo, seres invadem o teto das horas e, de novo, preenchem o inexistente de outros meios destinados a conter esse avanço incontido. Eles, esses atores, tocam as paredes dos momentos e rasgam meios de continuar vidas e vidas. Isto toca com força o senso de compreender e sustentar o inevitável, fazendo-o sequências de formas, cores, objetos e criaturas. Bem isto o fluir das consciências na medida em que aguardam lá adiante o princípio de uma compreensão absoluta.

Nesse meio tempo, as dúvidas, os descompassos, transes de lastros humanos se desfazem na própria História. A tais protagonistas de jornadas a bem dizer fantasiosas, resta agora nas memórias o estio daqueles dias guardados lá dentro, resquícios desse furor determinante que ocupam. Nós, contudo, quais meras testemunhas de nós mesmos, a vagar nos intervalos dos destinos, olhos fixos no depois. Sabe-se, sim, de quantos episódios narradas dessas criaturas audazes viram meros pedaços conscientes do grande todo de então.

Nisto, a frequência das vezes trazidas de volta no colo dos contentes, das artes, dos mistérios. Luzes acesas ao sol da realidade, transmitem pensamentos, longos trechos de antigas epopeias e sustentam o poder de tocar em frente a ânsia das palavras. Dalgo ninguém há de duvidar, do transcurso de fragmentos em choque nas madrugadas de estio. São muitos, são tantos tais os segredos em movimento ao sabor dos lugares, das histórias sem final, dos jogos e expectativas. A sonhar naquele instante dalgum paraíso, ali perdura o instinto de sobreviver e poder contar o desfecho que lhes aguarda.

No auge disso, das jornadas informes, transitam os séculos gerações a fio. Retrato sistemático doutras virtudes vindas consigo nas relíquias incontáveis das vezes em que resistiram e adormecem tranquilos pela essência do quanto houve ao chegar.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Limites humanos



Aceitar, pois, as contingências e tocar adiante, eis em que se resume o quanto existe. Por demais que seja assim, no entanto persistirão as expectativas de respostas talvez consentâneas aos valores originais, até então desconhecidos. Por demais...

Sabe-se, no entanto, da ânsia que insiste dizer, no uso de palavras e conceitos. Desde antes que insistem de conhecer o desconhecido. Até quando nos habitará essa vontade estrutural de responder ao silêncio, quem sabe? Nuances sem falta consistem nisso, de contar de onde e aonde foram, mesmo face ao inevitável em andamento. E nisto habita a presença dos seres que aqui pensam, juntam interpretações quiçá sistemáticas e dizem daquilo em que desejam explicar os nuances da sorte.

Isso, contudo, fronteiras desse anonimato, bem caracteriza os humanos desde longe. Mesmo porque as palavras pedem o façamos, pois. Daí mil interpretações jogadas ao vento. Lá nos patamares da servidão, porquanto uma vontade prevalece, às malhas do mais profundo silêncio. Rastros de passadas distantes do que seja contar daqui marcam profundamente os universos em volta. São multidões do que disseram, então, trazidas aos vagões de uma atualidade informe, só parcial. Os que desejariam deter dos princípios ali estão assustados consigo próprios, pequeninos instrumentos do maior desejo, qual seja dalguém, dalgum ente a lhes observar os caminhos e sustentar outros aspectos em voga que não apenas esses.

Bem isto resume o trâmite dos pensamentos, as buscas incessantes, forças a se dizer imaginárias dos valores daqui do Chão. Horas a fio suportam essa definição dos raciocínios e lhes anotam a realidade definitiva. Senhores de si, que o fossem, aceitam de bom grado o espaço entre agora e sempre quais meros senhores doutras vagas, doutros penhores, e dormem contentes sobre o crivo do inesperado.

Vemos, que tanto, sonhos serem trazidos de longe e inundarem as luas de todos feitos pequeninos entes a isso finalizar.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Universos


As tantas variações individuais, os caminhos de percorrer; as vontades, os gostos e quereres. Tempos seculares em movimento diante do desconhecido das horas já foram tantos e mais virão, diante da jornada. Símbolos. Fragmentos doutras eternidades, doutros sonhos. Enquanto isto, as façanhas dos protagonistas desses espaços em tudo. Daí o senso da procura, superfícies abertas do Infinito.

Doutras vezes, portas são abertas ao Sol em modo contínuo, nas lembranças, nos desejos incontidos, bem ao salvo desses autores anônimos de si mesmos; juízos sem conta espalhados pelo chão, surpresas de compreender até hoje o tanto que nos traz aqui. Superposições e gerações transitam nesse painel de resultados, a dizer das dúvidas, indagações repetitivas e propostas por vezes prenhes de histórias de palavras e pensamentos, atiradas ao palco do inevitável. Quantos símbolos a mover pessoas!

Dias a fio e os acervos repetem aventuras na face de manhãs feitas de valores, todavia meras suposições quais sejam até aqui; um fardo a mais sobre o lombo dos destinos. Querer que assim não fosse, nos existires, ficaria na casa do querer e do sem jeito. Os depois, no entanto, falam outra linguagem, descrevem e narram outros argumentos. Talvez feitos de pó, transitam nos oceanos e nas noites a meros objetos de paixão. Contudo há de haver poderes às mãos de muitos que insistem dizer o que nem de longe pudessem imaginar de verdade, pois.

Esse retrato inscrito nas estrelas pereniza as tradições do quanto perduram ao passar do Tempo. Teses vêm à tona de modificar a Natureza real através de vontades particulares, outrossim elaboradas a título de consolação. Estes proponentes até inventam atitudes, e as trazem à tona, resultados disso que ora prevalecer em volta. Acalmar o firmamento pessoal, vez por outra quer significar, portanto, deter o lume das intenções e fazê-las passo a passo junto à realidade definitiva.


sábado, 11 de abril de 2026

Sentido único das existências


Jamais haver-se-ia de contar das tantas e quantas luas fôssemos de antecipar a trilha do Infinito. Determinação inevitável ali impera ao longo do Ser. Sentido único, exclusivo. Então, daí toda a verdade do Tempo. As palavras sabem disso em andar a favor dessa lei que a tudo determina. No mínimo isso a favor do vento. Algo inquestionável, porém conclusivo.

Dali, toda ciência, as cores, o frêmito em torno. Nisto, prudentes seguem os seres. Esforço de prosseguir impõe sua função às vidas, às histórias. Rebanhos na imensidão, assim os astros, o vazio, as águas. No mais íntimo das criaturas, seus traços de aceitação por vezes feitos de revolta, indagações. Grosso modo, uma determinação plena dalgum fator universal indiscutível.

...

Se há solidez em algo, o Tempo, seu Senhor, portanto. Soalheiras sem final, riscos pelo céu se superpõem aos demais fatores. Aquietam, então; deixam fluir as razões, os momentos, as virtudes. Mínimos resquícios do que foi embora viram marcas esquecidas dalgum ente que aqui passou.

Vorazes, infindos pergaminhos de uma mesma epopeia. Essa tanta herança sobrevive, pois, às costas das criaturas e fala disso com absoluta sobriedade. Este penhor tão poderoso perfaz o quanto houver desde eternamente. Enquanto isso, fagulhas pensantes preenchem e anotam o que existe. Elas, objetos e figurantes da grande história, narram consigo as tantas vozes do código e das ausências. Saber de tanto, que diferença faz?!

Artesões de solidão, trazem no íntimo a certeza e esperam diante dos sóis. Sonhar fala, revela, satisfaz quantas vezes. Sobretudo nas sombras do mistério, onde revivem partituras inteiras de sabor inigualável. Passadas que fossem todas as existências, rastros profundos fincariam os instantes das suas longas jornadas em caravanas de heróis, a permanecer em todo coração.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Silêncio das escolhas


Enquanto que descrevem parábolas pelos céus do Infinito, nas luas e nos rios, são faces ardentes dos dias, no coração das criaturas. Vivem a estrutura enorme de longos trechos e mistérios na lama da solidão. Nisto, os que ficaram atrás insistem continuar no escorregadio das palavras soltas. Suadas. Quietas. Olhos absortos no escuro das indagações, nos estilos e dúvidas que sacodem o teto dos circos e deixam sucessivas observações nos espaços, nos objetos, nas lembranças. Por isso, a razão do quanto aqui, até onde significa alimentar sonhos de reinos e visões. Assim, fervuras intensas dentro dos seres os revolvem à busca de conhecer o sentido das instâncias, nas letras das histórias e nos fios elétricos da distância.

Vontade não falta, contudo, nessas jornadas pelo chão do Paraíso. Sempre vastos campos, os dias em forma das novas experiências dão traços que jamais serão esquecidos. Ausências, talvez, porém quereres desfeitos na pressa de encontrar o limite dos versos, contos e romances. Em ritmo audaz, contorcem o trilho das estrelas, na forma de pequenos gestos de personagens escondidos pelos oceanos, sujeitos das oportunidades logo então deixadas na forma de suores, tratados e agressões, descompasso infiel das guerras, dos dramas feitos de ingratidão, necessidade e apegos devoradores do Tempo.

Bem isto que seja o início das indefinidas histórias armazenadas a meio de emoções e saudades. Espécie de biografia do futuro, as ideias acompanham esse espaço entre as flores, nos jardins da consciência. Saber, contudo, o quanto representam a si os trinos das madrugadas em festa e das profecias repetidas ao correr dos séculos. Refazem o labirinto das aventuras e certezas; observam de perto o fervor de máquinas e tradições decididas, a qualquer custo, a transitar pelos céus, na ânsia de revelar o próprio Ser.  

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Constatações


E lá, certa feita, face a face conosco próprios, se distingue a imensidão de um princípio original. São olhos de enxergar o quanto de inesperado percorre as tangentes de quando existe e, decerto, contém muito no aguardo das certezas superpostas nas tantas camadas, dentro dos acontecimentos e nos seus protagonistas. A princípio, o auge de tudo, bem face as horas, propaga o Tempo e demonstra o inefável de tudo que sempre houve no coração das pessoas. Algo soberano, fator de todas as lendas e todos os sonhos, conta a conta que ilumina o Infinito das eras. Disso, o que ocupa os universos e alimenta a persistência e o senso da sorte vivem os sóis.

Essa leveza tão plena, a tocar o suor das criaturas e dos objetos, merece tantas denominações além só de palavras e gestos, essência do mistério de estar aqui ao léu de instantes e visões. Há um fundamento, pois, da mais perene imaginação. Qual silêncio supremo, transes ilimitados hão de sustentar o crivo do Destino. De início, na virtude e na solidão. Depois, multidão incontável de circunstâncias trazidas ao momento em forma de criação e poder. Conquanto haja luzes nessa viagem sem princípio ou final, ser-se-á o Autor das infinitas formas e das histórias perfeitas de amor e paz.

Nesse mister, o correr das gerações trazem de novo o íntimo da contrição e buscas e constatações, sombras de floresta a viver no firmamento das incontáveis determinações, leves impressões donde ora pisam os seres à busca de realização. Isso descrevem os autores, tratados definitivos de uma ocorrência ilimitada. Ciências, filosofias, canções, películas; cores e formas se revelam nessa transcendência até então adormecida.

Pulsar constante, as existências perfazem o sentido e realização desde longe considerada na essência dos dias consecutivos e existências sem par, justeza e inevitabilidade consciente ao sabor das conquistas humanas...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Uma fábula


Segundo o naturalista romano Plínio, o Velho (23-79 de nossa era), na sua obra História Natural, certa feita, um alforriado se vira a braços com sérias acusações de outros lavradores vizinhos seus de que utilizava meios mágicos, escusos diante das normas, para obter boas safras na lavoura. Nisto, seria levado ao tribunal de Roma, aonde o agricultor teve de comparecer e prestar suas justificativas de defesa.

Daí o alforriado reuniu os meios que utilizava para obter as tais melhores safras do que os vizinhos, estes donos de áreas bem maiores e melhores do que as que cultivava.

Naquele dia, temendo vir a ser condenado face às sérias acusações, compareceu ao fórum munido de arado e bois e outros equipamentos que adotava no seu ofício diário.  

- Romanos – disse ele, - estes são os meus feitiços... pois não posso mostrar a vocês nem trazer até aqui meus cansaços, minhas noites não dormidas e meus suores. Fábulas Fabulosas, de Michel Piquemal e Philippe Lagautrière

Com isto, de pronto seria absolvido por unanimidade perante os juízes, e regressou com tranquilidade aos seus afazeres no campo.

(Ilustração: Abstrato, de Janaína Lacerda).