Perto do palácio vivia uma tartaruga por demais intrometida na vida alheia e também tagarela contumaz, desgosto da bicharada que morava nas proximidades da lagoa em que ela habitava.

Lançaram mão de uma vareta que, presa ao bico de cada um dos patos, nela a tartaruga prendeu a boca, assim se fixando com segurança na experiência.
Nem demorou tanto tempo no passeio quando, avistados pelos súditos lá embaixo, este exclamaram admirados:
- Vejam que proeza. Dois patos transportando uma tartaruga com o próprio bico.
Bem na hora, quando passavam sobre os jardins reais, dona tartaruga, sem controlar o instinto de falar, não se conteve, aborrecida pelas observações que ouvia, lá de cima gritou abrindo a guarda:
- Que é que vocês têm com isso. Vão cuidar da vida, magote desocupado.
Em consequência, soltou o suporte onde vinha pendurada, indo se espatifar no chão quase aos pés do rei, que dali presenciava tudo aquilo.
O Buda ainda acrescentaria alguns detalhes do incidente à alteza real, que deixara de observar melhor por conta do quanto tagarelava naquele instante junto de um grupo de pessoas em torno dele. Assustado sob o impacto do acontecido, o monarca acalmou um pouco os pensamentos e fez ligeira reflexão. Depois, pouco a pouco reuniria os frutos da lição da tartaruga tagarela, disso adotando outro comportamento de só falar o necessário e nas horas convenientes, reunindo de tal modo as energias que usava nos cuidados com seu povo.
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