Cada um que tenha a sua realidade. Cercados doutros seres, objetos e circunstâncias, criam em demasia previsões e plantam flores. Superpõem motivos e neles montam quais beduínos nesse deserto de fantasias constantes. Vagam. Suspiram. Viajam pelo mar sem fim das próprias dúvidas. Daí refazem noutras cores o que lhes resta e avaliam cumprir determinações desses outros territórios imensos das horas. A grosso modo, não vivem, encenam que vivem.
Bom, disto já se sabe a valer, conquanto parceiros, e assistem
as mesmas montagens deles nascidas e projetadas nas telas de um suposto
infinito. Além de que, nem sempre satisfeitos e querendo mais e mais dos
trastes do Destino. Reclamam. Perduram. Insistem. Artesões dessas estruturas
metálicas dos pensamentos, percorrem dias inteiros à sombra do anonimato
refeito a cada gesto. Filmes sucessivos, incontáveis, despejados nas valas dos
instrumentos que manipulam, que logo ali somem ao clarão dos sóis inesperados.
Quer-se dizer, no entanto, ser assim, no entanto ao sabor da
perfeição do imediato, porquanto bem aceito no correr das gerações,
transformado em narrativas inigualáveis, ao gosto em voga. Um retrato do que
seja, a cara de um mundo de festa, descem e sobem os estrados do teatro monumental
das residências de fadas e duendes, olhos fixos nas próximas cenas. Pouco, ou
quase nada, satisfazem público feérico, passageiros das velhas histórias
trazidas e dos gestos deles mesmos, senhores das quantas luas, autores admiráveis
de tanta aceitação. Transitam a meio de tudo nos limites do lugar onde moram,
nem sempre fieis aos princípios da certeza, porém dotados de prazeres a todo
instante.
As palavras são suficientes de contar suas epopeias deixadas
no itinerário até então percorrido pelos corredores das existências. E quantas
vezes refazem os dias, surge dali a atividade intensa desse movimento iluminado
da criação de si mesmo.
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