Tal os animais, imagino que as árvores também sentem saudade. Soberanas vezes a gente pode comprovar isto. Dos animais, ninguém duvida, basta criar e acompanhar algum tempo. Vezes sem conta, após longos itinerários, lá de novo conosco se encontram e fazem festa de causar espanto. Alguns até, dizem ser mais sinceros do que os racionais, apesar destes também serem do mesmo reinado. Quis usar, no título, uma interrogação. Mas a escrita se propõe responder e não querer resposta.
Mesmo assim, face aos desmatamentos generalizados da
atualidade, isto pelo mundo inteiro, mormente nos países onde ainda existem
florestas, creio existir algum apego das árvores com as pessoas. Nisso me veio
à lembrança um tempo em que vivi com meus irmãos e meus pais numa casa de área
espaçosa em volta, no Bairro Pinto Madeira, em Crato. Nesse terreno existiam
nove mangueiras, de famílias diferentes, a maioria manga espada. Moramos ali
durante aproximados dez anos. Juntamente com os meninos da vizinhança,
desfrutávamos a valer daquelas sombras em brincadeiras, longas conversas e descanso
do meio-dia. A safra era o melhor tempo. Frutas a valer. Abusávamos de tanto chupar
as mangas doces e deliciosas.
Lá adiante, meu pai construiria nossa casa própria nas
imediações, inícios dos anos 60. Não posso assegurar, porém avalio que eu e a
meninada da redondeza sofremos com a distância imposta às mangueiras, só que me
vejo sem instrumentos de calcular o sofrimento das árvores no sentido
contrário, elas a nós. Testemunho, no entanto, que duraram pouco tempo vivas.
Secaram quase na mesma época, poucos anos depois. Foram murchando a folhagem.
Ressecavam, deixando à mostra as galhas vazias ao Sol.
Bom, na verdade, são meras cogitações literárias de que haja
sentimento fora dos seres humanos, isto noutros seres vivos, das árvores aos animais
irracionais. Doutro jeito, eles têm quase tudo o que temos, apesar de menos
drásticos nas suas atitudes.
(Ilustração: A árvore solitária, de Caspar David Friedrich).
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