domingo, 21 de maio de 2017

Além do infinito


A maior frustração dos romanos e fariseus foi não ter enquadrado Jesus em nenhuma das limitações conhecidas de vícios ou interesses pessoais. Cercaram de tudo quanto era lado, mas o trauma persiste no vazar dos séculos, inclusive até de querer eliminá-lo numa cruz infamante e sabê-lo vencedor da própria morte nas aflições do Calvário.

Viveu vida exemplar de prodígios e bondade, ente imaculado e perfeição absoluta neste chão de histórias que terminam em pouco mais ou quase nada. Pregou de um reino fora daqui, o reino dos Céus, onde a Verdade predomina e rege, sobretudo, o teto da feliz imortalidade. Demonstrou o quanto o Amor realiza em termos de paz nos corações, estrada de felicidade e crescimento eternos.

Os seres humanos até hoje ainda batem cabeça querendo seguir Jesus, sem galgar resultados definitivos. Mas preciso seja vivê-lo quem quiser encontrar a resposta do dilema das gerações. Ninguém dá traço em Deus. Ou aceita evoluir ou volta a reencarnar, até um dia quando desvendar o mistério da morte e vencer a história que passa dentro de ética incorrigível. 

E insistem no querer inventar maquinações e resistências, escondendo a coerência debaixo dos tapetes dos palácios da vaidade, parceiros da derrota e do tédio. É aceitar, ou deitar na lama do pecado e beber a taça de fel do infortúnio os que desejarem vencer o mundo na marra, no furor.

Todo tempo isso apresenta a face dos fariseus de si mesmos alimentam o pesadelo de trair os ideais cristãos, doutores perdidos nas falsidades. A vitória do Bem já vem a caminho, a passos largos todo momento em que caem os velhos propósitos da covardia deslavada. E o Mestre divino persiste a guiar os eleitos no prumo da realização do Ser, plena luz da condição em que existem no sentido da correção. Porquanto somos projeto da certeza nos dias da Salvação eterna. 

(Ilustração: Centro de Cultura Popular Mestre Noza - Juazeiro do Norte CE). 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Olhos do destino

São largas, bem largas, essas ondas que a tudo dominam, revelações constantes dos acontecimentos. Sementes que nascem, dias crescem por entre os dedos das horas e os momentos vêm e vão feitos fragmentos que, unidos a único feixe, ponteiam o caminhar de todos os seres. Alguns, os humanos, demonstram quase saber que vivem assim pouco caso fazendo diante dos impasses do Senhor do destino. Deixam fluir as atitudes que produzem quase largando ao léu da sorte o direito de viver e a sabedoria imensa que organiza e equilibra.

Raras pessoas notam que desempenham papéis de valia e abandonam o gosto de querer com amor os ditames e as oportunidades. Gostam de render homenagem ao pouco caso e ferem de morte a existência livre. Vivem jogados às roletas dos perdidos. Bem que, no entanto, será diferente à medida que aceitar o prazer da liberdade. Entregar aos sopros dos ventos e marés viver a vertigem dos resultados em movimento. Querem, outrossim, achar que sobram nas curvas do acaso, quando nem isso existe, o acaso, mera insuficiência da imaginação, cobre o sonho.

A perfeição absoluta, segundo Platão, existe tão só no mundo das ideias, lá contudo existem, nesse mundo necessário dos sonhos em carne viva, o padrão universal do absoluto perfeito, reino de luz e perfeição. Guardá-lo consigo cabe a nós seres meio pensantes. Trazer a dentro, permitir mergulhos siderais nas nuvens suaves do coração do poder e da felicidade. Permitir, enfim, despertar o íntimo nas possibilidades infinitas.

E fugir de ficar preso aos caprichos da mediocridade sem cair na solidão fantasmagórica dos medos ocultos e das culpas que carrega. Alimentar o valor supremo da glória e dos amores imortais, e vivê-los intensamente. Bem nessas horas vazias, em luzes multicoloridas brilha o Sol das almas no seio de Si próprio. Acorda, então!...  

(Ilustração: Camille Pissarro).

terça-feira, 16 de maio de 2017

E tudo se transforma

Das boas conversas que mantenho com Padre Teodósio, nas oportunidades em que o visito, ficam histórias prosaicas, agradáveis, ricas de ensinamentos. Ainda que sejam leves, simples, por vezes, deixam boas notícias e lições valiosas, o que evidencia o tanto de sabedoria que detém fruto da existência que conduz vida afora. Outro dia contou episódio de uma tarde quando observava, na calçada de casa, moradora das imediações trazendo lixeira até onde logo passaria o caminhão do recolhimento.  


Ao largar o embrulho do lixo, na proximidade entre as pessoas um garotinho observou que dentro algo se mexia, objeto diferente do comum dos restos domésticos. Chegou mais perto a fim de identificar o que fosse. Era um minguado filhote de gato envolto no meio dos trastes abandonados. O menino se aproximou do invólucro, afastou os sobejos da superfície e descobriu lá mais embaixo o animal que fora descartado pela dona. Com jeito, veio puxando até fora o bichano e soprou-lhe com força a barriga.

Nessa hora o rejeitado ganhou alma nova, suspenso pelas mãos da criança, e esboçou reação favorável de querer viver ainda mais.

Nisso o garoto juntou a si o pequeno ser e, antes de levá-lo para sua casa, afirmou triunfante:

- Esse ainda presta.

...

Ao concluir a história, o sacerdote considerou:

- Deus não usa lata de lixo.

E rindo, vi que há lugar suficiente a tudo e todos neste mundo.

(Ilustração: Aldemir Martins).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Uma nova linguagem

Isso já depois de muitas experiências que deram naquilo que está aí no mercado da carne humana, e só agora os habitantes do Planeta resolvem que será necessária a linguagem da sinceridade. O que falar, execute. Deixar de frioleiras e aceitar ser verdadeiro, sob pena de ameaçar a continuidade geral do sistema de sobrevivência na Terra. Hoje a grande ameaça que domina os balcões de negócios dos armamentos mundiais significa destruir parte da raça a fim de alimentar com rações diárias o resto que sobrar. E mais que nunca isto nada de certo tem. Há que se desenvolver uma nova consciência por meio de linguagem honesta; aquilo que se disser que se ponha em prática, e o inverso disto representaria forte tendência à perversidade, falsidade que não interessa aos selvagens do egoísmo em que se transformaram os zumbis das avenidas escuras e seus carrões envernizados da indiferença. 

Esse alvorecer de uma nova consciência, nascida do desejo forte das novas gerações de sobreviver diante das incapacidades dos antigos viventes das cavernas, agora especializa os que sobraram a promover essa mudança de linguagem o quanto antes, de se relocalizar os hemisférios cerebrais de modo a esquecer o que fora no passado a linguagem antiga que gerou tudo isso de imperfeito, que gerou a demagogia de poder que praticamente destruiu a possibilidade de levar em frente a narrativa da História abandonada por ineficaz nos moldes presentes. Os conceitos envelheceram com a continuidade dos movimentos sociais, no decorrer do tempo.

As cidades, o esforço de sobreviver em grupo, ocasionou a dificuldade atual de vencer as enganações dos enganadores profissionais, os tais políticos, que prevalecem nas urnas da falsa escolha dos grupos alienados em que se transformaram as hostes dos animais que se achavam pensantes, inteligentes... Porém longe estava disso, porquanto deveriam utilizar todo o panorama da mente, o que terá de fazer nas horas do momento.  

(Ilustração: Bruegel).

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Priorizar o tempo

Bem unido à vida e à saúde, o tempo nos é essencial. No entanto a maioria das pessoas vê com indiferença este fator primordial e o esbanja, dilapida, quais donatários do resto de toda a Eternidade. Espécie de uma vaidade antecipada, acredita no comum que viverá para sempre. Larga pedaços dos dias em tudo quanto acha de mania, qual fosse ele propriedade privada. Isso porém, demonstra contradição séria aos valores da sorte boa. 

A vida, que ainda hoje da humanidade peleja no sentido de responder às questões principais da Filosofia: Donde a gente vem; aonde vai; e o que faz aqui? nisso, queiramos ou não, dependemos um tanto da opinião dos pesquisadores da moda, e permanecemos quase na estaca zero em responder ao enigma fundamental da existência: O que é a vida?... 

Saúde, esta depende diretamente dos segredos da mãe Natureza, dos quais somos meros aprendizes por vezes incompetentes, preguiçosos. De tanto ouvir falar que o alimento significa fonte de saúde, as gerações calejaram e jogam o que bem entendem no aparelho digestivo, indiferentes parceiros da indústria química. Outra valiosa questão a ser respondida, saúde e alimentação, o binômio do bem estar físico, mental e espiritual. 

Quanto à boa utilização do fator tempo isto também precisar ser visto de frente. Quanta dilapidação das horas, quanta desfaçatez na utilização do bem tão precioso das idades. A própria demonstração de pouco ou nenhum conhecimento. Desde os primeiros instantes de vida fora do útero materno, daí inicia a contagem regressiva na devolução dos dias à matriz original.  Queiramos ou não, pouco importa nosso querer. O decreto vem assinado dentro das próprias células. E nessa hora aumenta a responsabilidade em face do que faremos das atitudes, das opiniões, dos desejos e opções individuais. Nada significa imaginar diferente. O bom senso pesa muito mais. Vamos, pois, exercitar a concentração das ideias, do pensamento, em fins úteis, porquanto chegará esse tempo da prestação de contas. E lá não tem caixa dois. Toda conversa será somada e considerada sob o crivo da justa razão.

(Ilustração: Centro de Cultura Popular Mestre Noza - Juazeiro do Norte CE).

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Sintomas de democracia

Ainda que doa o quanto de fragilidade moral vem sendo revelado em demasiados setores da vida nacional, tantas movimentações e continuidade que cheiram a fortalecimento democrático. Que prisões de políticos famosos e aparentemente poderosos do ponto de vista financeiro, inclusive imposições jurídicas a ex-presidentes, nada representa em termos da quebra da estabilidade do estado de direito e as possibilidades de uma maior apuração do que de errado existe por baixo da mesa do poder reservam novas notícias.

A gente, que atravessou regime de exceção ainda marcante na memória recente brasileira, hoje presencia a expansão das consequências dos desmandos de governos, e de certeza admite sinais de mudança que já existem em forma de atitudes e determinações, isto que sem gerar o imprevisível. Ao exemplo do que aconteceu à época da renúncia de Jânio Quadros, o desequilíbrio tônico daquela fase nem de longe parece denotar nos dias atuais. Há sérios efeitos de transformações coerentes, no sentido de virmos a trazer aos novos tempos o que pode vir em futuro próximo com maior intensidade.

Sabemos do valor, agora, dos meios de comunicações e da velocidade da informação, somados aos contatos alternativos da grande população, tudo sob a égide do progresso humano em ventos contemporâneos. A tecnologia ajuda a propagação e os instrumentos eletrônicos aprimorados revelam o desenvolvimento da Civilização.

Apesar da injustiça generalizada pela má distribuição dos recursos originais da Terra, onde grupos reduzidos de colonizadores detêm os poderes da força, equipamentos pessoais apresentam leves perspectivas de chegar ao que o idealismo científico classifica de Democracia, regime do povo pelo povo.

Cabem esperanças acesas e trabalhos coletivos de preservação dessas conquistas que sobrevivem todo momento, sob os riscos da imbecilidade das potências materialistas mundiais porem em xeque a ordem mundial. Aos indivíduos por isso reserva o futuro a tonalidade da Paz que precisamos preservar a custo de coragem e muito amor de todos nós. 

(Ilustração: Site de O Globo).

Aonde foi parar o silêncio original

Quem gosta de ouvir o canto dos pássaros e suas harmonias perfeitas, isto sem precisar de afinação ou escola, bem pode avaliar o nível atual da música popular brasileira. Longe de criticar cantores e compositores da atualidade, ainda bem que a ciência desenvolveu a preservação da espécie através das tecnologias e gravações, que eternizam o fugidio. Porém, meu amigo, a que ponto se chegou no ramo da indústria fonográfica?!. Um desastre, uma hecatombe da qualidade na produção de fracassos virou o mundo artístico dessa época. 


Conquanto haja necessidade urgente de preencher os espaços da mídia, nada justifica o que o desmantelo do desejo de cantar e compor fez dos daqui. Os pardais, chegados nos navios mercantes dos europeus, na época da colonização, passaram a imitar inimitáveis passarinhos do novo mundo. Nunca, jamais, no entanto, chegariam aos pés dos tais gênios da melodia. Aliás, os pardais apenas gritam, piam desordenados, soluçam de vontade no esforço de cantar, ficando fora de quaisquer considerações.

Assim também os nossos políticos forjados na têmpera dos vulcões da ambição. Esqueceram a ética, a moral e os bons costumes. Acharam por longa data que administrariam a sociedade ao toque dos caixas dois; venderam o que não possuíam e restam no molho dos noticiários repetitivos e processos infindáveis. Onde aprenderam a exercer mandatos desnorteados nem os marinheiros mercantes da colonização fraudulenta imaginaram isso. Largavam aqui os degredados e levavam pau-brasil, sem notar que plantavam desenganos e impurezas nas terras tupiniquins. Pardais, vindos nas caravelas, hoje estrilam nas rádios e televisões seus desenganos, e os políticos de pouca honestidade dominam o destino de populações inteiras, mais que nunca necessitadas de grandes estadistas que lhes conduzam às planícies da ordem social. Nesse tempo, acordes renovados da justiça indicariam os dias novos que virão a todos felicitar através do plantio feliz que há de vir.