quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Em Si há consciência

Isso de projetar lá fora a superação da condição humana deixou de ter prioridade, conquanto existem suficientes testemunhos dos meios de revelar à consciência pelos caminhos de libertar o ser em Si. Através dos instrumentos de que dispomos, a resposta indica outra dimensão além da matéria aonde seguimos habitando. Que daqui nada se leva resta claro por demais. Os insistentes tendem a entrar em pânico diante da realidade do tempo infalível. 

Porém a inteligência reclama alternativa. Tão sábios, bonitos, ricos, poderosos, trabalhadores, importantes, e simplesmente morrer ao término da jornada horroriza sobremodo aos audazes das estrelas, deste mundo farto de tudo e quase nada. A quem aguentar possa, o mistério indica esse portal de libertação através da ciência espiritual. Há um Poder maior, há imortalidade nas almas, há seguimento desta vida...

Vem de dentro da alma a Salvação. A Humanidade dispõe desse conhecimento. Insistir na desistência de superar a materialidade significa regressar tantas vezes quantas necessárias sejam de achar a porta que liberta. A isto chamamos Reencarnação. Apenas negar conhecer representa unicamente perder as oportunidades do encontro consigo mesmo neste corpo. São respostas inevitáveis. 

A prática do que aprende representam as virtudes morais que sustentam a limpeza do coração. Renunciar ao desespero e exercitar o ânimo de viver com sabedoria, eis a equação definitiva de equilibrar as funções do raciocínio com as normas do sentimento. Escolas falam disto a quantos buscarem. 

O transcorrer das civilizações revelou possibilidades espirituais aos humanos, que agora investem na autopreservação largando os apegos materiais e desenvolvendo o aspecto místico da personalidade, nos propalados sinais do fim dos tempos conhecidos. Haveria de chegar a isso as múltiplas experiências vividas no transcorrer das muitas eras.

O esforço dos grupamentos nos trouxe a tais compreensões. A saída, pois, virá de dentro do indivíduo, no salto da quantidade material à qualidade espiritual, jeito único de sobreviver ao desaparecimento. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sempre servir

O Cristianismo, dentre outras escolas religiosas, ensina a importância do serviço aos semelhantes qual disposição principal do crescimento dos seres. Já agora, deste modo, há um céu aqui no chão. O gosto de ser útil aos demais, e a si mesmo, eis razão fundamental de trabalhar as consciências. Trabalhar em prol de mitigar dores, evitar o mal e construir o bem nos corações. Isto em todo lugar, em qualquer ocasião. Descobrir a forma de utilizar a força vital em favor dos necessitados.

São Paulo deixa claro o propósito de que a vida se reveste dessa finalidade essencial. Serve e passa, quando ao final seremos só servos inúteis. Criar as mínimas condições de erguer da terra os ideais da evolução dos humanos através da fraternidade. Oferecer de si aos outros, meios inquestionáveis de encontrar o crescimento espiritual, o que mais representa cultura e desenvolvimento.

Isso por vezes indagamos diante das atrocidades e crises das sociedades: O que resta fazer que possa equilibrar os acontecimentos?  Aonde foram aqueles que ocupam o lugar da autoridade, que detêm a delegação de mostrar as bases às comunidades e comandar os pelotões de pessoas no afã de sobreviver com dignidade? Nada justifica atingir níveis altos de qualidade dos instrumentos sociais sem oferecer aos iguais a oportunidade idêntica, porquanto muito se aprendeu de fórmulas para ordenar os grupamentos e permitir vidas em harmonia, em que fortes possam auxiliar fracos através dos campos de ideias e trabalho; oportunidades aos jovens; estudo, educação, saúde, moradia, segurança, transporte, lazer, felicidade...


O que esperar dos que têm mais senão alternativas aos que pouco possuem, numa perspectiva de bem-estar livre de competição, concorrência deslavada e guerras de conquistas? Jesus ensina assim, amar qual se ama e servir incondicionalmente. Jamais sermos felizes mediante a infelicidade alheia, pois todos somos um único ser da Natureza. Chega, por isso, de ignorar esta verdade primordial de uma paz coletiva e justa. 

Choque de realidade

Ontem inventei de caminhar pela cidade dos homens. Eu de todos os sonhos reunidos, e isso que está ali fora, milhares de automóveis invadindo o chão que antes só pertencia às árvores e aos pássaros, à natureza. Carros, bólides, meteoritos, asteroides apressados nos mais diversos destinos e formatos, a velha indústria do ferro temperado que tomaria de conta do universo. Ruas dos seres esquisitos que vezes trafegam indiferentes, velocidades barulhentas, exóticas, quais solos estridentes das guitarras amarelas dos anos 60. Focos perdidos pelas distâncias do impossível suspenso no ar; quadros surreais doutras cinzentas galáxias. Casais alucinados em cenas eróticas. Ruídos raspados de animais desconhecidos, que arrastam no pescoço os sinais dos tempos. Revistas largadas no chão dos corredores sujos. Clima de festas que chegaram ao fim, nas torpes madrugadas suarentas.

No entanto ela corre nua de olhos acesos e deixa vontade imensa que exista nalgum lugar, logo adiante, os encontros fortuitos. As marcas deixadas no coração pelas inesquecíveis paixões. Outros que insistem buscar saídas na esperança das preces. A certeza dessa vitória a caminho da luz, pois forças vivas jamais nos deixarão abandonados. Certeza. Certezas.

Conquanto limitado ao território de nós mesmos, há indícios claros dos dias melhores que vêm vindo pela resistência, alimento do desejo. Religiosos sinceros, invés de comerciantes da fé. Os eleitos da alma, que mantêm a consciência ligada nos amores puros. Eles, que existem no silêncio das multidões. Numa conspiração de virtudes, circulam calados, porém firmes nos seus propósitos.


Em clima de término de missão, desse modo perene a vida continua entre as minas da civilização, nos equívocos egoístas das gentes de cara assustada e faminta. Zumbis entregues aos afazeres dos instintos criam motivos artificiais nas salas vazias. Cenas de filmes mudos ainda lembram esses povos que imaginavam salvar o mundo e, depois, perderiam o trilho da história. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A luz do Sol

Quiséssemos fazer uma comparação, seria o Sol o coração da Via Láctea. Em nós, esta força do coração, que reúne tanta energia da gravitação de nossos elementos quanto o Astro Rei na manutenção dos movimentos em torno do seu poder magnífico. Quanto querer, quanto equilíbrio infinito acontece todo tempo em torno das ondas magnéticas e dos raios luminosos. Assim também no exercício do poder o Coração, foco das determinações da Natureza ao giro de nossas forças e virtudes.

Algumas considerações ocasionais quanto aos mistérios da existência incluem as imagens dos evangelhos nas palavras de Jesus, ao afirmar ser Seu o caminho do Coração, o sol das almas. Caminho, verdade e vida, ninguém indo a Deus a não ser por meio dEle. Daí os raios da luz do Sol alimentar a vida que nasce em todo momento através das existências.

Sois deuses... E não saber, qual disse o Mestre Divino. Nascer e renascer a cada fração de tempo, e merecer o reencontro, outras vezes, até a libertação definitiva. Um eterno continuar feito apenas um traste parcial a bater nas paredes da concha, pérola de Si próprio. Luz que brilha nos céus sem brilhar a si, mas que lá um dia verá a Luz. Busca profana da santidade, autores do gesto desconhecido de ser a perfeição que não conhece, nem saber da certeza de existir. Isto, de se ser Deus e não o saber ainda.

Andar pelas ruas de país estranho à busca de endereço impossível, pois já o carrega consigo no âmago do coração. Desejo da satisfação já satisfeita, da completude invisível nas brumas do destino futuro. Almas salvas, porém audazes e renitentes, pecadoras em fase de transformação para melhor. Sorrir ingênuas da sorte dos mártires, e será um deles logo mais a caminho do sacrifício extremo. Aceitar de bom grado a condição dos perdidos, todavia cientes da eterna Salvação que lhes aguarda de braço aberto às luzes da Manhã.
  

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Razões da existência

Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.                                                                                                                                                                                    Shakespeare 

Reunir forças suficientes de manter a calma face aos desafios. Estabelecer metas claras de aonde chegar diante dos embates. Desenvolver disposição necessária ao prosseguimento dos dias, nas determinações do tempo. Lembro-me de uma peça que, certa vez, assisti no Teatro Vila Velha, em Salvador, cujo título, O que mantém o homem vivo, indicava essa busca incessante da sustentação diante dos passos seguintes da existência. Quais meios utilizar no sentido de achar as respostas perante circunstâncias nem sempre favoráveis de viver, e sobreviver.

Eterno ir e vir representa, pois, a humana situação. Selecionamos, assim, escolhas e tocamos em frente o comboio de nós mesmos. Nalgumas horas, forçamos a marcha e superamos obstáculos. Noutras, sujeitamos o instinto à paciência e revelamos conhecimentos que jamais imagináramos possuir. Há de viver e descobrir o jeito justo de ser feliz. 

Que respostas oferecer aos trilhos das nossas histórias, eis o resumo dos muitos espetáculos a representar, neste palco da existência. Ninguém abandona o próprio barco ao léu. São as vivências guardadas e práticas constantes que somam a realidade nisso, e impõem leis que ensinam e exigem nossas reservas físicas e morais, no dever de caminhar. Quando alguém adquire métodos ideais, vem logo a seguir o instante de regressar rumo ao desconhecido donde viera.

Qual modelo pessoal, vimos criando nossos rebanhos de experiências e demonstrando o quanto aprendemos, nessa escola incessante. Quais professores e alunos, agimos e aprendemos no espelho das nossas ações, no fim de orientar à gente mesma. Ninguém foge da pretensa liberdade no agir, mas quantos quebram a cara porém ajeitam de continuar, sempre oferecendo razões que acalmem o gosto de viver. 

Portanto, a arte de resistir e vencer significa essa ciência principal que explicaria existir. Aqueles que desistem, desaparecem com mais rapidez e facilidade. Independente do nosso prazer e bem estar, resta-nos obedecer às condições inevitáveis que defrontamos, isso por norma de meridiana sabedoria. Continuar... Continuar... 

domingo, 19 de novembro de 2017

Notícias daqui de dentro

Reencontrar pessoas oferece meios de reunir os pedaços da gente que ficaram largados pela estrada do tempo. O passado já existira no presente, e hoje virou matéria de memória. Há quem diga que domar o pensamento é controlar o passado. Só que tarefa por demais difícil, mas não impossível. Dominar o desejo significa dominar o pensamento, se não ele nos domina. Então, qual dizíamos, reencontrar pessoas representa isto de escavar a lama do que ficou atrás e trazer às malhas do presente e, quem sabe?, limpar, reaproveitar, organizar, compreender. Por vezes esquecemos as peças deixadas no espaço sem a devida compreensão. Errar vem a ser isso, interpretar de jeito equivocado os méritos, ou enlamear as virtudes. Houvesse o mínimo de bom senso, seríamos autores de outras histórias produtivas, felizes.

Nesse passo, visto corresponder a única existência que somos, e desejar usufruir daquilo que não nos cabe, perdemos direito a concentrar individualidade no sentido da harmonia. Pisamos as costas dos parceiros e viramos o barco da paz. A inveja, o ciúme, os recalques, o medo, sujeitam tomar o comando e jogar a carga da energia de uma vida inteira no abismo da perdição. Precisa de pulso forte, firmeza, a fim de frear os desejos equivocados e nunca romper a ordem de onde estamos situados.

Sofrimento, pois, na visão budista, equivale à irrealização do desejo. O pensamento cria necessidades abstratas e pretende, a todo custo, que estas venham à realidade. O ser pensante, contudo, existe abaixo da ordem universal. Seu desejo conta pouco, ou nem conta. Assim, invés de ver a concretização daquilo que deseja, deve obedecer e aceitar o que lhe aconteça. O que deseja, por isso, equivale à matriz da irrealização. E sofre a consequência dos caprichos irrealizados. Aceitar e amar, eis os instrumentos através de que descobre a realização de Si, portal das melhores alegrias. 


Um amigo meu bem que disse: Encontrar um amigo nosso do passado e dar-lhe um abraço abre essas perspectivas a novas possibilidades. 

Histórias alheias IV

Vou contar uma história que, outro dia, li no livro Sobre a rocha, de Mark Finley, que diz respeito às imposturas dos humanos, que ainda se acham sujeitos ao transcorrer das eras escuras. A época, idos de 1820, quando se iniciaram graves atentados contra a população do estado indiano de Kolhapur. Um bando por demais agressivo de salteadores passou a aterrorizar os lares, tomando tudo de valor que pudesse rapinar.


Com isso, vieram as preocupações do principal dirigente, o rajá daquele território, senhor de ricas propriedades, ouro e pedrarias. Exposto aos vexames das ações nefastas, logo cuidou de reforçar a guarda pessoal do palácio, escolhendo a capricho homens de inteira confiança. No entanto nada obteria em reduzir as perversidades executadas pelos meliantes, às sombras das noites.

Donatário do poder absoluto, tal governador pronunciava decretos extremos aos que fossem flagrados na autoria dos sanguinários crimes, sem, todavia, disto resultar coisa alguma em termos concretos. Os delitos campeariam soltos até os derradeiros dias de vida do soberano, e na província ninguém seria feito prisioneiro, ou quaisquer resultados produziram as atitudes defensivas. 

Só após a morte do rajá seria desvendado o tamanho mistério. As razões de aquilo durar encoberto por décadas fio: A autoria dos crimes fora do próprio nobre que ocupava o trono. Debaixo do manto da impunidade com que os atentados aconteciam, ele manteve o bando formado nos seus quadros administrativos, longe dos olhos dos súditos de quem tomava o que visse pela frente, e a cada dia engrossava o tesouro real.

Exerceu, aquele facínora, o papel duplo de monstro e de tutor de seu povo, sob a influência das forças inferiores, semelhante à dualidade registrada no comportamento de tantos da massa que habita o chão da Terra. Feras na pele de cordeiro, sepulcros caiados, branquidão por fora e devassidão por dentro. Isto é, fazem da fortuna o troco do que pilham os cidadãos, quase sempre em nome das leis e da pretensa honradez. Esquecem que autoridade é o lugar de quem ocupa, e não a pessoa que esteja ocupando o lugar, esta mero figurante dos destinos infalíveis.