quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Além da sensibilidade


Noutro plano, onde inexista tempo e espaço. Rios de pura força do que se possa avistar com os olhos da consciência. Peregrinos audazes em forma invisível. Isso bem depois de cessar transes incontáveis de todas as respostas. Transcorreriam películas as mais audaciosas da imaginação pelas telas do quanto havia. Silêncio. Luzes impossíveis de ser. Nenhuma forma, nenhuma cor. Só movimentos inconstantes de pensamentos sem nexo. Isto a ponto de nem saber, ou ver, o que possa advir de tudo aquilo. Passos lentos, espasmos que sejam de uma multidão abismada no inerme da noite.

Enquanto isso, cá fora a vertente de vultos a sumir numa eternidade distante de visões e certezas. Relâmpagos de absurdos a envolver o Tempo e sustentar as horas ausentes dos céus. Então, dali circunstâncias alimentaram o vazio com expectativas vindas de um Cosmos silencioso, cercado dos seres invisíveis que o sustentam preso ao Nada.

Só nessa hora apareceram, pelas frestas da solidão, os raros peregrinos. Ali, muito menos palavras havia. Pura abstração. No entanto, apenas deixavam margem a supor pudessem conter, nalgum lugar, novas flores a meio de um caos absoluto. Diante, pois, do imponderável, do fragor da plenitude, qual demiurgo insólito, eis que surge, do teto das alturas, o Senhor da Veemência.

Numa retrospectiva ocasional, percepção haveria na presença única e definitiva de existir. Apenas rastros sobre um solo jamais conhecido. Lentos, lerdos, alguns primatas ainda admiravam o que quer que fosse, ao longe, no horizonte dos destinos. Se sabiam algo de sentir, ficaria na conta das ficções desses filmes surrais em circulação na Rede. Porém distinguiam nos céus as ausências de sinais dalguma transição antes impossível ao próprio perceber.

Bom, caudais a bem dizer intransponíveis à humana compreensão, nessa instância, ganharam forma pela primeira vez. De pronto, vieram, pois, atitudes de coerência lá entre os objetos e os seres, a preencher o século das muitas paisagens siderais. Vozes escutadas nas malhas do Infinito falavam disso, destes movimentos iniciais do coração humano a percorrer no rumo à Felicidade...

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