Dentre as mil faces do herói, nos seres humanos existe um eu criança que nunca perde as características originais da memória do ser inocente e vigoroso, que rege aspectos diversos da nossa personalidade. Ingênuo, se entrega fácil aos devaneios da sorte, aspirações bem naturais da primeira infância. Sonha alto em pleno dia. Engatinha nas decisões adultas, alimenta afetos imaginários, viaja nas vagas do tempo feito pássaro leve, largado ao sabor do infinito.

Seu passo os dirige a explorar o mundo através dos sentimentos, e descobrir aonde achar o mistério desse encaixe perfeito, secundado pelos muitos instrumentos de pesquisa, o trabalho, a aventura, o delírio de emoções variadas, os esportes, as artes, experiências de todo matiz; a fama, a chama da paixão, o furor das lamas dos vícios, as amas dos bordéis, o amor das revistas, das novelas, dos filmes; os parceiros de jogo, de estradas, de camas. Os seios da mulher amada. Os laços do destino, nas canções desesperadas.
O eu criança da Sublime Canção dos Vedas, à imagem de Krishna, o deus em forma de criança alegre, de junto da Natureza. São nuances da estrutura psíquica, os arquétipos , que, segundo o psiquiatra suíço Carl G. Jung, simbolizam imagens primordiais vindas na repetição da mesma experiência durante as gerações, e que permanecerão guardadas no Inconsciente Coletivo.
Até que, de tanto procurar sua parte complementar no decorrer da existência, o herói criança lá um dia deixará o corpo, depositado de novo ao seio da mãe Terra e regressa outra vez ao mistério original do que antes fora.
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