sábado, 7 de julho de 2012

Estrangeiros de si


Quer-se saber mais dos reais propósitos, da finalidade última, para se andar neste chão de tantos mortos em que pisar faceiro representa o desfilar das gerações. Numas dessas tardes de sábado em que coisas seguem acontecendo apesar dos trâmites equivocados que insistem vir a lume na rede de arrasto com que se colhe a vida e suas rotinas, imensos vazios parecem tomar conta das circunstâncias, a partir do interior de cada pessoa, na lembrança vaga da luz na consciência à procura do sentido que habitaria cada partícula de universo, notas exatas da magistral sinfonia das horas aflitas.

Contudo, a quem escreve, cabe o solitário dever das respostas, invés de perguntas, pelo modo prático da escrita, autor presente, leitor ausente... Leitor presente, autor ausente.
Nisso, algumas vezes depois, questões podem advir, erguidas no que tangem aspectos comuns da existência, meandro pessoal das impressões aonde viver significa reunir elementos da experiência comum e individual.

Por exemplo, quando neste exato momento padecem das dores atrozes de existir criaturas submetidas ao crivo de penas atrozes, tragédias ocultas aos olhos da rua, no bojo de paredes isoladas, residências, hospitais, manicômios, presídios, becos escuros, vilas descalças, período em que outros, no tempo paralelo, riem e festejam turnos ilusórios da idade, a chamada juventude, tronos atapetados, parques alegres, salas de espetáculo, estádios, mostras faraônicas do estado sólido da matéria, puro adiamento dos dramas porvindouros, quando chegar a época da prestação de contas.

Desta forma, entre lágrimas e sorrisos há distância infinita não superior, no entanto, a milímetros estreitos que dividem os dois lados de uma mesma moeda.

Aquilo de lembrar os vizinhos abandonados dos amantes fogosos em noite de núpcias, flagrante se impõe na contradição da roleta da sorte na escola do mundo. 

E cresce o enigma de viver diante da lei da compensação: Alimentar sonhos de felicidade perene em meio às guerras e crises, valores da busca incessante do ser. Noutras palavras, equilibrar dos pratos da balança da fortuna pessoal requer o mínimo de senso de justiça, no princípio de não fazer ao outro aquilo que não se quer a si, nas palavras de Jesus.

Afirmações exigem, pois, esforço de transmitir o que se quer, intenção clara que representa a luta de encontrar o si próprio (“Self”), no intuito de superar a trajetória impermanente de morar um corpo de carne até chegar a espírito puro, sublime instante da revelação final da essência existencial.

Todos, sem exceção, transitam nessa faixa de personalidade com o destino traçado de chegar a ser eterno, percurso das vidas reencarnadas. Ninguém vem aqui só a passeio. Nas horas amargas do conflito, afloram as possibilidades do infinito encontro com o Verdadeiro Eu, na morte da vida temporal e no renascimento para a eterna vida.

Este parto cósmico requer conhecimento e renúncia, qual largar a Terra rumo às estrelas, vez se ser delas peregrino. Nessa hora solene de chegar à casa do Pai celestial, fruto dos degraus da natureza em construção, gemido calado rompe no peito de solitários humanos, nascido dentro do coração. Assim, os primeiros raios do sol da manhã invadem o recinto da alma com o brilho de bênçãos, cessando dores lancinantes que rasgavam as entranhas, malha do aço resistente da melhor esperança, em golpe certeiro do amor de Deus. PS.: Habitantes da matéria, nossa substância definitiva é imortal.

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