Enquanto nuvens sucessivas escrevem suas formas inesperadas
nos céus, bem ali perduram antigas promessas contadas em épocas distantes sob
escombros e vagueiam nessas visagens das criaturas, a descrever suas nuances em
relentos ardorosos pelos rincões da Eternidade. Eles mesmos, nós, que sejam,
escutam calados esses cânticos embebidos no mistério, e nisso adormecem tantas
vezes, apenas cientes de preencher o mar da existência.
Quantos e tantos, um e muitos, silentes, deslizam no tempo de
dentro das consciências e buscam os motivos de andar neste chão. Lutam consigo
em revelar o sentido do quanto perdura face ao inesperado. Por mais soberbos
que fossem, marcariam pelos ares o crivo das antigas sementes de civilizações
desde sempre desaparecidas nas próprias almas.
Foram estes habitantes de reinos desfeitos que, nessa hora,
fixaram nas torres da solidão seus desejos e sabores, entranhados na pele dos
destinos, a rever, insistentes, o fervor da verdade que os transporta pelas gerações
sucessivas. Pudessem, decerto sorririam de felizes ao saber contar essas visões
do imaginário que eles mesmos alimentam no correr de dúvidas e sonhos. Prudentes
a transpassar de credos as palavras que sustentaram, ouvem contentes o
estribilho de derradeiras conquistas pelas encostas silenciosas que contornam
os precipícios vorazes em torno deles todos.
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