
Dentre seus primeiros clientes, surgiu cidadão indiciado como suspeito de contrabando de bebida. Meticuloso desde o início da defesa, o paladino do direito procurou se acercar de todos os elementos que evidenciassem a lídima inocência do constituinte, lacrimoso na justificação de ser vítima de trama insidiosa, porquanto não lhe pesasse o mínimo de responsabilidade quanto às acusações. Seria mais um dos casos onde se verifica perseguição do fisco contra alguém inexpressivo e de parcos recursos, e da insistência em prosseguir no ramo do comércio.
Ciente dessa isenção, cuidou logo o advogado de elaborar tese no tanto necessário ao convencimento do Juiz, coletando provas, estudando mais e mais doutrina e arrecadando as melhores jurisprudências. Seguiu bem de perto cada passo, se ocupando do andamento da ação como quem zela assunto de ordem pessoal, até alcançar admirável vitória com a absolvição do réu.
Só após o encerramento do feito, ainda sensibilizados com a forte argumentação apresentada, resolveram acertar honorários. E qual não foi o espanto do causídico ao ouvir o cliente oferecer proposta reveladora de lhe pagar os serviços com caixas de vinho estrangeiro da melhor espécie, porém que sem a correspondente nota de fornecimento, pois haviam transitado por meio da clandestinidade!
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