De longe, lá de dentro das distâncias, regressam recordações trazidas dalgum modo através de músicas, pessoas, pensamentos. Chegam assim ao seu jeito, vezes, fortes; doutras, só vislumbres que se dispersam com facilidade. Dali, chegam os ídolos daqueles reinados que antes foram. Eles, que sumiram nas quebradas do Tempo e retornam meio desconfiados, já agora noutras fases, noutras aventuras, a saber viventes doutros planos. Mas invadem com força os largos dos sentimentos e mexem a valer naquelas ocasiões escondidas nalgum lugar das consciências.
São poetas, romancistas, cronistas, compositores, autores
vários das recônditas lembranças ali entranhadas na memória, que sustentam
vivamente as horas das tantas vezes antigas, das noitadas, das manhãs ensolaradas,
afetos intensos, alegrias, esperanças, notícias, um enxame poderoso de verdades
acumuladas nesse farnel de anonimato, postas ao claro nas suas revivências.
Nisto, as fases da infância, das recentes descobertas daqueles
mínimos detalhes que persistiram nesse filão eterno de depois e depois. Objetos
encantados, falas, narrativas, roupas, até os acidentes de percurso das situações
adversas, desencontros, saudades, despedidas, algo que tanto fixou nas mesmas
entranhas das almas a eternidade de um tudo. As primeiras fotografias, que chamavam
de instantâneos perenizavam essas circunstâncias várias pelos álbuns guardados
desde sempre. Viagens de si no âmbito dos acontecimentos fortuitos do passado. Imortalizar.
Fixar nalgum monumento essas verdades que fizerem de nós estar aqui e deitaram alicerces
do íntimo de agora.
Hoje vejo, sem previsão, sem medida, isso acontecer num
roteiro imprevisto de filmes vários nascidos de conviver comigo na maior sem
cerimônia, feitas criaturas, momentos, cores, cenas, sequências, películas sem
par que acharam a oportunidade do transe inesperado nas telas da
individualidade. Nisto, por mais desejos de reunir resquícios em coleções, já os
somos todos, arquivos das humanas presenças jamais desaparecidas que nos
sustentam a consistir de ser e permanecer durante o Infinito, pigmentos de imagens
definitivas que constituem o que há e haverá no transcorrer das existências.
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