quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Artesões da sobrevivência


E nisso refazem caminhos até então desconhecidos. Estabelecem metas. Criam gado. Escrevem argumentos. Superam crises. Ocupam postos inacessíveis. Eles, mar imenso dessas iguais criaturas num horizonte coberto pelo lodo das eras intermináveis. Mas, diga mesmo, se tal não seria, a bem dizer, inacreditável diante o fosso doutros universos se não este que ora presenciamos, de largas montas daqueles outros que ficaram lá atrás?! Esforços sejam feitos e novas descobertas dar-se-ão das mais antigas civilizações, de novo encher páginas e páginas desses diários apressados que deixaram as viagens à nossa frente. Ver valores. Alimentar diapasões. Transitar a meio de caravanas outras, de línguas desconhecidas, olhos postos no fluir das gerações. Sustentar no íntimo as profundezas e os abismos, sorrir de controversos aos mínimos acordos firmados com o mistério, desvendar segredos guardados nas cavernas e nos sonhos.

Depois, lembrar do quanto houve, acreditar no que há de vir, submissos ao código infindável. Tudo a meio de palavras incontáveis, sombras que preenchem os céus e deixam cair de tudo os frutos das tantas solidões. Nalgumas vezes, revelam seus desejos de místicos louvores a quantos ídolos desde longe trazidos nas distâncias. Disto, o ritmo sincopado dos milhões de estrelas lá na escuridão dos vales. Sabem de si quase o suficiente de viver e nem por isso compõem os quadros infinitos das verdades eternas presas no coração.

Assim, entre imaginação e desaparecimento, vórtices de luzes inesgotáveis, os protagonistas das existências transitam pelos hemisférios, na busca de, certa feita, interpretar as mesmas guarânias contidas nas filosofias, nos dilemas originais e na infância. Tal seja, no penhor da ansiedade, persistir atônitos, impávidos senhores dos quatro pontos cardeais. Escutam o som das noites quando adormecem nos próprios braços. Cadenciam, desnorteiam, visitam lugares insólitos. Emissários de sóis inigualáveis, viajam pelos pensamentos, livres quais fossem das artimanhas do Destino. Intuem, no entanto, aonde vão chegar, face a face com o inesperado em movimento.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

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