quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Devaneios


Neste mundo de ficção onde se parece viver o reino dos imaginários, regido pela geometria euclidiana, duas paralelas jamais ver-se-iam juntas no Infinito, porém na geometria projetiva dúvidas não haverá de que tal aconteça nalgum momento, pois. Durante o desenrolar desse fio do Tempo a que estar-se sujeito, muito permite enganar a si mesmo, numa formação de nuvens e céus a bem dizer constante diante da visão e dos dias. Daí vêm os sons, as florestas, os ritos, outros animais, os argumentos, numa fúria sem conta, a preencher tetos imensos de expectativas o rio das civilizações. 

Nalgum sentido, entretanto, as palavras reduzem o instinto a um mero artefato de compreensão imediata de seres e objetos. Contam das sensações o empreendimento nascido de algum da imensidão, e desfazem nos próprios pés a fome de sobreviver a qual custo. Face a tanto, despejam no vácuo continentes inteiros de verdades absolutas até então desconhecidas e, nisso, totalizam multidões de histórias aparentemente simples, no entanto dotadas dos sinais inevitáveis do que virá certa feita daquilo plantado na pele em que habitam de certezas.

Uns se acham realizados, porém afeitos aos grilhões de sorte inesperada. Outros, anônimos do Universo, padecem ausências sem tamanho de cores e sensações. Noutros termos, gigantes abismados consigo, porejam vertentes adormecidas e constroem nas areias movediças suas possíveis sombras. Espécie de consideração aberta aos olhos de alguns que andam livres no além, participam dessa longa epopeia do firmamento e deixam margem às descobertas imprevisíveis do que ainda virá pela frente.

Leves espelhos dotados de vida, transmitem confiança em resistir aos parâmetros desta solidão que lhes acompanha inseparavelmente. Percorrem desertos, sobrevoam oceanos, escarcaviam mistérios indizíveis, isso transcritos que foram pela caligrafia de viagens e sonhos, na antiga certeza de iniciar, toda vez, novas aventuras que jamais irão chegar ao fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário