Invés de sumir no vácuo definitivo, vez em quando refaz o percurso e traz de volta tempos inteiros, de certeza nunca desaparecida. Das quantas qualidades, a memória reveste os humanos das tais armaduras metálicas daqueles guerreiros de antigamente. Nisto são as palavras, os códigos e as crenças. Sustentam estruturas profundas no âmbito da consciência, regressando quando menos esperar. Não fosse tanto, perder-se-iam heranças inteiras de averiguações deixadas no campo do passado inevitável. Face a face consigo, indivíduos observam aonde seguir o ritmo dessas lembranças, lastro de percorrer a busca do que tornará qualquer tempo.
Nem de longe haverá de inexistir aquilo que antes foi. Espécie de fisionomia das pessoas, transita fácil nos dramas acumulados pelas histórias deixadas. O que tem de sobreviver já agora envolve de verdades e soluções provisórias até, quem sabe?, esquecidas. Noutros dizeres, ninguém foge de si. Superpõem mil visões, porém à espera do que virá logo após. Conquanto o exercício das falas, nasce do restante do que ficou nas consciências, tantos que padecem de negligenciar as consequências desse acervo de gestos e posições em movimento.
E saber que tudo é vivo na memória, desde os séculos menos arcaicos. Números. Letras. Formas. Cores. Ali circulam vorazes os trastes do que fora e repercutiu nalguma certeza. A vontade do querer, a fome de permanecer, os ritos, as negociações entre ficar e desaparecer nas garras do imediato. Suaves recordações insistem continuar, sobremodo agora, prenhes doutras verdades desde então adquiridas nos impasses ou superpostos perante o travo do que se foi nesse nunca mais. Daí, emerge sorrateiro o sentimento da solidão, que alimenta o instinto de construir algo real, lúcido, do acervo das quantas histórias.
A seguir assim, que outro meio inexiste, perdura que denominemos cultura o que foi a sombra e inundou os céus de expectativas do que virá certa feita logo adiante.
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