sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dados móveis


A recordar um filme de Ingmar Bergman, O sétimo selo, me volta pensar no instinto dos humanos de serem perenes e não apenas mortais. Na constante busca de refazer os destinos, traz o Tempo meios outros que não só esses daqui do Chão. Nisso, aquela intenção substancial de vencer o invencível, sobremodo no que consiste propagar o eterno drama de aqui deixa tudo de mais preciso sob o prisma da matéria física. Contar versões menos esperadas e tonificar de cores a transição entre o visto e o invisível. Noutros termos, sobreviver ao desaparecimento, na rota sistemática do quanto existe.

Portanto, olhos posto nesse correr de tudo aos braços do Infinito, perdura o sonho de conhecer os segredos dos passos fatalizados nalgumas tradições, de expectativas e sustos, e ver nas circunstâncias sumir as legendas numa velocidade insistente. Nas lições de meus pais, sempre havia um véu de interrogação disso, de conhecer o que virá lá certa feita. Somos de uma família de tradição católica, nem de longe a ensinar da Reencarnação. Os cânones religiosos nos falavam de uma outra vida, circunscrita a Céu, Inferno e Purgatório.

Ao chegar no Colégio Diocesano, em Crato, onde cursei Ginasial e Científico, tive amizade com o Vice-Diretor, Alzir Oliveira, que, sabendo de meus interesses literários e filosóficos, ofereceu a que eu lesse o livro A face oculta de mente, do sacerdote católico Padre Quevedo. Até então nunca ouvira falar nas vidas sucessivas pela sequência das reencarnações. No livro, o padre combatia com veemência este conceito, mas a mim foi uma grata surpresa conhecer o que preconiza o ensino espírita: poder regressar ao mundo físico, depois da morte, e continuar no processo evolutivo através das vidas sucessivas. Um tanto da perfeição divina que nos conduz através das muitas chances, até o espírito se livrar das limitações e chegar ao grau de pureza na sua evolução. Aquela obra, pois, seria providencial a que viesse de revisar os meus valores iniciais sobre a existência carnal e o segmento original das muitas oportunidades em vista no transcorrer das quantas vidas.  

(Ilustração: O sétimo selo (1957), de Ingmar Bergman).

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