sábado, 21 de fevereiro de 2026

Trilhas desde sempre percorridas


Entre letras e números, são eles, os mesmos heróis de antigamente. Dotados das razões, descortinam incontáveis as paisagens, no transcorrer inextinguível. Fragmentos desse tempo, remoem as estruturas, 
 condição no entanto enigmática, perdida pela imensidão das horas. Daí, sede insaciável de mistérios lhes irrompe o fervor das sortes e os compõem nos quadros espalhados nesse chão em movimento.

Conquanto por vezes silenciosos, só recontam, sem fim, o sabor devastador dos firmamentos, resquícios daquilo que antes parecia ter sido. Assim, os verbos tornam-se, destarte, exíguos, na ânsia de continuar. Descrevem a si próprios de mil nuances, nas vezes largadas pelos corredores da História, logo depois feitas de pó, minúsculas partículas de um infinito inesperado que aguarda a cor de quantos estiveram nos sonhos.

Dos roteiros inéditos, das lendas deixadas no eito perene de tudo, sinais de pedra dos que chegaram e, lá um dia, viram pequeninos seres doutras aventuras rumo ao desconhecido. Vez por outra se reencontram no correr das gerações; abraçam ideais inesquecíveis rápido inscritos nas estrelas, singulares certezas guardadas até quando, ninguém ainda sabe, artífices de toda jornada, aves de todos os voos, panoramas incontáveis de seculares criações.

Isso que hoje se pode ser há de haver, nesse correr ilimitado das escolhas e dos amores nascidos do quanto existe. Pendores submissos, contudo, a desejos inefáveis, percorrem inumeráveis as saudades feitas de viagens e lassidão, resquícios dos seres aqui trazidos pelas naus as mais insondáveis. Astutos habitantes, pois, dos lugares mais recônditos da alma, dali espalham suas bênçãos de verdades a céus e sóis. Nisto, pouco a pouco ilustram de falas os objetos e as sequências imponderáveis, retratos perfeitos de visões que ora contêm os segredos no que foram elaborados. Passos silenciosos, e deles constroem as muitas moradas aonde viverão certa feita. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Bem doutras dimensões


Enquanto que os pensamentos conduzem, os sentimentos assistem a esse andar de acontecimentos qual quem resume a razão de existir. Nisto, viaja o Tempo por dentro, a transcrever o crivo dos destinos. Mares imensos desses entes assim estabelecem na memória estradas sem fim de transformar histórias em definições, na essência de tudo para sempre.

Tais artífices daquilo em que consolidam presenças em monumentos, daí denominam de civilizações. No entanto quem as fazem são seres individuais, a sumir inevitavelmente nalgum universo dos quantos persistem pela Eternidade. Isso pode, também, se encontrar nos sonhos. Resquícios vindos desses recantos da Natureza, já trazem consigo histórias intermináveis, sinais gravados de pensamentos e sentimentos que ora vagam ao léu da sorte. Foram muitas dessas interrogações que preencheram o espaço das lembranças e jamais os deixarão do teto de continuar.  

Nisto, indícios constantes de outras dimensões andam soltos no vão dos indivíduos, a conduzi-los ao modo das existências e dos lugares daqui do Chão. São tantas as sentenças, os pressentimentos, intuições doutras eventualidades, a encher de formas e cores quantos objetos sujeitos a encontrar qualquer vez. Em razão disto, os roteiros, as visões, os valores, caravanas inteiras de forasteiros a desembarcar, de uma hora a outra, nas consciências dos que aqui estejam.

Daí, gestas, narrativas incontáveis, cavernas misteriosas, sons adversos, inesperados, rastros informes desses todos que passaram nesse meio tempo, astutos autores das quantas histórias. Revivem, sustentam, anunciam, contatos por vezes indecifráveis de notícias inesperadas. Isto leva a imaginar, nalguma noite, as origens só agora trazidas de volta ao pomo da consciência. Quereres, ritmos, previsões, numa sequência exclusiva de traduções pessoais, no jeito próprio dos que viveram aqueles momentos e os esqueceram de volta.

Espécies de presenças até então desconhecidas nas mesmas pessoais, todavia sem nenhuma alternativa a não sustentar o feixe das compreensões e aceitar de bom grado o que lhes vem pelas vagas do silêncio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Artesões da sobrevivência


E nisso refazem caminhos até então desconhecidos. Estabelecem metas. Criam gado. Escrevem argumentos. Superam crises. Ocupam postos inacessíveis. Eles, mar imenso dessas iguais criaturas num horizonte coberto pelo lodo das eras intermináveis. Mas, diga mesmo, se tal não seria, a bem dizer, inacreditável diante o fosso doutros universos se não este que ora presenciamos, de largas montas daqueles outros que ficaram lá atrás?! Esforços sejam feitos e novas descobertas dar-se-ão das mais antigas civilizações, de novo encher páginas e páginas desses diários apressados que deixaram as viagens à nossa frente. Ver valores. Alimentar diapasões. Transitar a meio de caravanas outras, de línguas desconhecidas, olhos postos no fluir das gerações. Sustentar no íntimo as profundezas e os abismos, sorrir de controversos aos mínimos acordos firmados com o mistério, desvendar segredos guardados nas cavernas e nos sonhos.

Depois, lembrar do quanto houve, acreditar no que há de vir, submissos ao código infindável. Tudo a meio de palavras incontáveis, sombras que preenchem os céus e deixam cair de tudo os frutos das tantas solidões. Nalgumas vezes, revelam seus desejos de místicos louvores a quantos ídolos desde longe trazidos nas distâncias. Disto, o ritmo sincopado dos milhões de estrelas lá na escuridão dos vales. Sabem de si quase o suficiente de viver e nem por isso compõem os quadros infinitos das verdades eternas presas no coração.

Assim, entre imaginação e desaparecimento, vórtices de luzes inesgotáveis, os protagonistas das existências transitam pelos hemisférios, na busca de, certa feita, interpretar as mesmas guarânias contidas nas filosofias, nos dilemas originais e na infância. Tal seja, no penhor da ansiedade, persistir atônitos, impávidos senhores dos quatro pontos cardeais. Escutam o som das noites quando adormecem nos próprios braços. Cadenciam, desnorteiam, visitam lugares insólitos. Emissários de sóis inigualáveis, viajam pelos pensamentos, livres quais fossem das artimanhas do Destino. Intuem, no entanto, aonde vão chegar, face a face com o inesperado em movimento.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instintos e sentimentos


Esses os motivos das criaturas humanas, ao impulso de cumprir princípios guardados sob a sete capas dos destinos. Tantos seres, quantas histórias. Ao peso de existir, vêm as recentes descobertas individuais. Toques sem conta pelas paredes do céu e, gradualmente, revelam a si o tal sentido das visões que antes tiveram. Enquanto isto, preenchem cadastros, abrem cadernetas, totalizam estatísticas, no prisma constante das gerações. Aqui e ali, são vistos no trânsito, nas noitadas, acampamentos, viagens de um furor do inevitável. Bem isto, à conta de identificar profissões, aventuras, desempenhos.

Porém significam algo além de tocar no duas estruturas das compreensões, e lá num tempo desvendar as chaves dalgum mistério desse longo itinerário. Quer-se mergulhar noutras histórias, contudo blocos coesos de consistência definitiva os mantém nas paredes a dizer instransponíveis, exclusivas de cada um, circos ambulantes a vagar pelos vagões do Infinito.

Mártires, heróis, soberanos, subalternos, longas narrativas de quem há de transpor consigo metas ainda desconhecidas, em epopeias de experiência de causar espanto. Esse o perfil das tais criaturas que persevera desde sempre que delas se têm notícias pelo mundo. Muitos desses quais dotados de quanta genialidade em fase de aprimoramento.

Neste meio período da sorte, superpostos conceitos transportam assim vidas e vidas, no intervalo da ilusão com a verdade, pelo que exercitam o crivo da perfeição no mar das consciências. Nos primórdios, supõe-se haja sido tal e qual, pastores do pensamento em noites de sonhos. Eles, às vezes, pressentem largas interpretações, e dividem aos outros aquelas imagens arquitetônicas. Depois, passadas iguais conveniências, esquecem coletivamente o que alguém imaginou e deixam fluir novos enredos. Padecem perante o silêncio essa fome de querer conhecer. Aquietam os ânimos e desfazem estruturas antigas. Transitam, pois, no meio de duas margens, espécies de cavaleiros andantes de sortes imprevisíveis, verdadeiras loterias ao léu da perfeição.

Qualquer deles justificaria as andanças dos próprios pés, entretanto de olhos postos na distância das luas, no sabor de amores inigualáveis que sejam e alimentam.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

As várias ruas da História


Mesmo porque de nada adiantaria permanecer num só lugar enquanto tudo gira a não acabar mais. São tantas as facetes dos ditos acontecimentos vividos, percorrer as pessoas, deixando de lado qualquer versão definitiva. As trilhas, os muafos do quanto existiu em profusão pelos universos cá de dentro. Seres amorfos, espécie de transcurso de gerações sucessivas numa única criatura, a descrever paisagens e narrar momentos, obstinação por demais esquisita.

Daí nascem as películas, tentativas vãs de uns chegar aos outros dalguma forma, na intenção de quebrar esse gelo que os envolve. A todo instante, muitos e muitos artefatos de novo norteiam o tal sentido dessa busca informe. Desfazem seus dramas a contar detalhes daquilo talvez pouco significativo, no entanto necessário de satisfazer princípios neles próprios criados. Transitam, pois, essa longa cratera onde habitam multidões inteiras por si só, contudo perdidas em mares até então ignorados. Outrossim, o Tempo trabalha solto perenes desempenhos dos moradores desses bairros afastados das tantas cidades. Espalhadas num longo território de uma só direção, farejam do Destino suas pequenas marcas, trabalhado o instinto de prosseguir a todo preço através do Cosmos silencioso.

Nisto, cotejam aqueles lugares transitados nos dias lá de antes. Reveem com relativa clareza as pessoas dali, parceiros daquelas aventuras, diversos tipos, diversas categorias de gente. Talvez tenham seguido outras conotações, quem sabe já desaparecidos desse chão, todavia sobreviventes efetivos no universo das individualidades. E vem, sorriem, conversam; deixam marcas, e mergulham naqueles pensamentos daqueles estrados tão antigos.

Conquanto permanecem acesas as paisagens dessas histórias internas, séculos intactos doutros roteiros ainda persistem fincados no solo das lembranças. Nesse diapasão inevitável, as palavras ressurgem soltas, cobertas dos sentimentos entranhados nos mistérios das horas que se foram, fazendo-nos protagonistas das cenas que resistem nos menores detalhes, objetos esquecidos pelas encostas da compreensão. Luzes que piscam intermitentes na memória. Ânsias sem par de saber o tanto de tudo aquilo  regressa com tamanha grandeza, dono poderoso de toda existência de que jamais se libertarão.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mistérios do inesquecível


Invés de sumir no vácuo definitivo, vez em quando refaz o percurso e traz de volta tempos inteiros, de certeza nunca desaparecida. Das quantas qualidades, a memória reveste os humanos das tais armaduras metálicas daqueles guerreiros de antigamente. Nisto são as palavras, os códigos e as crenças. Sustentam estruturas profundas no âmbito da consciência, regressando quando menos esperar. Não fosse tanto, perder-se-iam heranças inteiras de averiguações deixadas no campo do passado inevitável. Face a face consigo, indivíduos observam aonde seguir o ritmo dessas lembranças, lastro de percorrer a busca do que tornará qualquer tempo.

Nem de longe haverá de inexistir aquilo que antes foi. Espécie de fisionomia das pessoas, transita fácil nos dramas acumulados pelas histórias deixadas. O que tem de sobreviver já agora envolve de verdades e soluções provisórias até, quem sabe?, esquecidas. Noutros dizeres, ninguém foge de si. Superpõem mil visões, porém à espera do que virá logo após. Conquanto o exercício das falas, nasce do restante do que ficou nas consciências, tantos que padecem de negligenciar as consequências desse acervo de gestos e posições em movimento.   

E saber que tudo é vivo na memória, desde os séculos menos arcaicos. Números. Letras. Formas. Cores. Ali circulam vorazes os trastes do que fora e repercutiu nalguma certeza. A vontade do querer, a fome de permanecer, os ritos, as negociações entre ficar e desaparecer nas garras do imediato. Suaves recordações insistem continuar, sobremodo agora, prenhes doutras verdades desde então adquiridas nos impasses ou superpostos perante o travo do que se foi nesse nunca mais. Daí, emerge sorrateiro o sentimento da solidão, que alimenta o instinto de construir algo real, lúcido, do acervo das quantas histórias.

A seguir assim, que outro meio inexiste, perdura que denominemos cultura o que foi a sombra e inundou os céus de expectativas do que virá certa feita logo adiante.  

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Qualquer quando


Sair de, ou entrar em cena, que diferença faria perante o furor das eternidades e dos momentos em profusão. Hábitos que sobrevivem a isso, numa perfeição por demais, desde sempre tornada clara, no entanto. Olhares em volta e percorrer as cenas insistentes de fazer de conta e sumir logo ali, sobre as folhas secas dos outonos. Postais de quantas vezes, ilhas de solares imensos largados ao relento dessas antigas memórias. Deixam, portanto, leves lembranças daquilo antes feito de imagens soltas pelo correr dos próprios pés. Sequências desacabadas de tudo quanto existiu. Nascem dali rios imenso que somem estradas afora sob os ritos das histórias espalhadas nas cidades em volta. Lugares lá de dentro das criaturas que sobrevivem sós a si mesmas, nas idades e nos infinitos famintos.

Desses ancestrais doutros firmamentos, aqui tocam além os séculos nas almas, no coração. Duras penas de viver a meio do desaparecimento sucessivo que alimentam. Quais meros artefatos, pois, de outras compreensões, ficam estatelados nos corredores estreitos de quantos desejos desfeitos de uma a outra hora. Nem de longe haver-se-ia de sustentar os princípios trazidos dos inícios das gerações, agora folhas soltas ao vento da tarde. Gorjeios imaginários que percorrer o instante. Nuvens, as mais distantes tais sejam. Pensamentos. Reflexões de palavras a percorrer as entranhas dos brejos.

De lugares assim vêm as ditas virtudes, os esteios e as sortes inesperadas. Trespassam luas, a vastidão das estrelas, os firmamentos, pelas vastidões de súplicas ainda antes despejadas no mistério do ser. Entes esses delimitam espaços e os desmontam na medida inútil de quantos passados restarem de depois abandonados. Eles, seres afeitos aos percalços das muitas aventuras. Só em querer contar, ficam, destarte, abismados da perfeição espalhada no clarão das alvoradas.   

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As cores doutro universo


Isso de hoje ser assim, procura que procura, e iniciam-se filmes e filmes, no entanto sob os temas que repetem iguais dilemas, surpresas, agressividade. São impasses mil diante do inesperado. Incorreções sentimentais. Frustrações. Desencanto. Num arcadismo exagerado de tramas e delírios, a causar espécie. Conquanto repetir as mesmas buscas e desencontros, dali ressurgindo semelhantes descompassos, isto num tempo espalhado nas esferas de vezes sem conta. Ali os dramas antigos, familiares, desamores, dúvidas. De certeza, algo parece insistir na sede invasora dos dias atuais. Uma humanidade que somos em expectativas e repetições.

No íntimo, um lastro do que aconteceu nos passados e que agora permanece em versões continuadas dos conflitos de si para consigo. Irmãos contra irmãos. Gerações antônimas. Do quanto até aqui, são enigmas ambulantes perdidos em florestas escuras. Superpõem ideais submersos nas noites de antigamente, trazidos no bojo das vilas e cidades, suores e fastio. Há que ser, no entanto, frutos de uma ansiedade colhida desde quando chegaram. Quais espectadores dos circos fantasmagóricos lá de dentro de protagonistas afeitos ao desencanto, quer-se, vez por outra, escrever novos enredos, contudo.

Daí o quanto circula no transe dessas histórias. Ficções talvez de esperança. Desejos enormes de canções felizes. Nisso, a trilha de realizações dos sonhos benfazejos esquecidos de véspera. Contar das alegrias reais num céu de harmonia, porém cabe aos indivíduos que compõem esse quadro que circula pelas redes de então. Sustentar perspectivas transcendentes nascidas nas imediações do coração. Sussurrar laivos de equidistância dos fatores que poluem o mistério e escondem a paz.

Na clareza dos dias bem isto significa, existir a caminho desse teor transfigurado naquilo de antes imaginado, de construir mundos outros aonde impere o signo da Verdade. Harmonizar os acordes dessa procura de milênios qual seja.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Devaneios


Neste mundo de ficção onde se parece viver o reino dos imaginários, regido pela geometria euclidiana, duas paralelas jamais ver-se-iam juntas no Infinito, porém na geometria projetiva dúvidas não haverá de que tal aconteça nalgum momento, pois. Durante o desenrolar desse fio do Tempo a que estar-se sujeito, muito permite enganar a si mesmo, numa formação de nuvens e céus a bem dizer constante diante da visão e dos dias. Daí vêm os sons, as florestas, os ritos, outros animais, os argumentos, numa fúria sem conta, a preencher tetos imensos de expectativas o rio das civilizações. 

Nalgum sentido, entretanto, as palavras reduzem o instinto a um mero artefato de compreensão imediata de seres e objetos. Contam das sensações o empreendimento nascido de algum da imensidão, e desfazem nos próprios pés a fome de sobreviver a qual custo. Face a tanto, despejam no vácuo continentes inteiros de verdades absolutas até então desconhecidas e, nisso, totalizam multidões de histórias aparentemente simples, no entanto dotadas dos sinais inevitáveis do que virá certa feita daquilo plantado na pele em que habitam de certezas.

Uns se acham realizados, porém afeitos aos grilhões de sorte inesperada. Outros, anônimos do Universo, padecem ausências sem tamanho de cores e sensações. Noutros termos, gigantes abismados consigo, porejam vertentes adormecidas e constroem nas areias movediças suas possíveis sombras. Espécie de consideração aberta aos olhos de alguns que andam livres no além, participam dessa longa epopeia do firmamento e deixam margem às descobertas imprevisíveis do que ainda virá pela frente.

Leves espelhos dotados de vida, transmitem confiança em resistir aos parâmetros desta solidão que lhes acompanha inseparavelmente. Percorrem desertos, sobrevoam oceanos, escarcaviam mistérios indizíveis, isso transcritos que foram pela caligrafia de viagens e sonhos, na antiga certeza de iniciar, toda vez, novas aventuras que jamais irão chegar ao fim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Um sexto sentido


Isso que hoje acontece, de tempos outros quais sempre sejam os tempos. Mas de inteira transformação face ao que ficara lá atrás. Diante das máquinas aprimoradas pela inteligência, agora existe qual domínio das mentalidades coletivas, e pessoas aceitam, indiferentes, ser rendidas a outras caricaturas, dos filmes de ficção, das histórias imaginativas e surreais. Quase não pretendessem nem revelar a si próprios, os tais seres pensantes abrem mão continuada de tocar o barco dos sentidos e deixam destinos inteiros entregues às ordens de absolutos enigmáticos.

Há um desfile continuado dessas criaturas, montadas em equipamentos ilustrados, fantasmagóricos, brilhosos, espalhados pelas ruas das cidades, no movimento constante das ações mecânicas. Enquanto isso, sorrateiramente, vagam soltas nos ares de sons esquisitos e tufões alucinados, deixando margem suficiente a pensar naquelas ficções de eras seguintes, quando atravessar-se-ia largos desafios desde sempre avisados nas escrituras e nos sonhos.

Mesmo assim, conquanto aves quiçá já dominadas em gaiolas, porém dotadas de nexos ainda desconhecidos, a serem revelados no transcorrer das gerações porvindouras. Hordas de místicos percorreram livros demasiados, nisto viam a busca de transcorrer essas travessias insólitas por dentro da consciência e descobrir dali meios de responder aos ditames de tempos quais estes. São exercício sem conta, práticas por vezes insensatas, contudo perspicazes, de aprimorar o mistério e tocar as bordas de outra margem.

Por centro que virão novos dias, lei inevitável das circunstâncias. Aos mínimos detalhes, permitiram chegar até então e perfazer das lendas suas possibilidades reais. Isto numa era definidora de princípios e consequências ao dispor das criaturas atuais. Sustentar o trilho das visões e fazer do imaginário o tanto de percepção por demais consequente, essencial que seja. Um vigor sem par domina, pois, o senso dagora dessas esperanças, a demonstrar dos estudos e pesquisas, o ímpeto da sobrevivência da espécie, no sentido de nova revelação; dalgum lugar virá, quem sabe?!, tal seja visão recente de perenidade além dessa rotina voraz que parecia devorar tudo, de determinações a perenizar o aparecimento em novas formações.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Outros semblantes


Dalgum lugar há de virem frases inteiras a dizer das atividades lá de fora. São entes na justa de viver e depois contar a si mesmos o espetáculo onde habitaram, encenando as peças sucessivas deste chão das almas. Bem assim, tais visões do inesperado a percorrer o mesmo carrossel de tantas histórias, ferrenhos propulsores do Inconsciente face às dúvidas dos outros milhões em queda livre pelo Infinito. Nisso, chegam ao fojo das individualidades, insistem habitar as curvas do firmamento e adormecem logo ali, passados que seja de sustentar o mastro das antigas embarcações rumo dos mistérios.

Cotejam-se demasiados sonhos e terminam exangues nas malhas dessas possibilidades. Conviver consigo próprio perante a sorte dos dias que dissolvem o senso de tais criaturas humanas, nesses instantes, lhes surgem lastros sem final de mil e muitas contrições lá de onde nascem os dias. Farejam quais outros animais, no entanto perplexos de alternativas espraiadas noites adentro, morada dos espíritos.

Ocasiões outras semelhantes trazem de volta aquelas visagens adormecidas no vácuo do esquecimento e transtornam populações inteiras. Qual sentido leva a tanto, o instinto de posse, de poder e fama? Houvesse que suficiência dentro dos vultos e saber-se-ia o nexo arrevesado nesses espelhos jogados ao léu. Porém desconhecem o essencial e ainda porejam dominar as estruturas inúteis de quantos ali estejam, num avanço atroz de muitos perdidos séculos.

Pelas postagens que circulam as redes, raros afetos hão de produzir os desejos que imperam trastes a fio. Olhares de lince feroz prescrutam distâncias inatingíveis nesse mar de interrogações. Com isto, retornam velhas lembranças doutras vezes, doutros delírios. O som de harpas nas alturas parece contar tudo de antes em frases curtas, ferindo de sentimentos corações que tão-só alimentam viver e ser feliz.

Vozes adiante e se escuta, de novo, o enredo de uma sorte em movimento de paz e realização.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Viver agora


Lá adiante, montanhas acima, escarpadas. Antes, só vivências inevitáveis do que houvesse de ter sido. Nisto, o longo trilho rumo de si próprio. Paisagem por algum momento contrafeitas aos seus olhos, no entanto de uma certeza tão absoluta que estremece as bases insólitas da consciência, na procura sem fim de um nexo qualquer que lhe suporte o senso.

Lugares por demais esquisitos formam, pois, novas montanhas e desfazem outras histórias, esquecidas ou recentes, de um passado sem mais formas. Tais quais ossos desmanchados pelas agruras doutras pessoas, entes assim repetitivos, insistentes de querer predominar a custo no meio de tantos objetos aos poucos largados pelas estradas. Razão disso, a mesma lição de lembrar apenas o presente e vivê-lo do modo intenso das verdades eternas em volta. Transes suspensos nas velhas compreensões das músicas suaves do vento, ali por perto alimentam o gosto de existir. Pequenos resultados daquilo que fora neste sempre aos pés do Infinito. Conter o instinto e saber-se inevitável face aos mundos imaginários. Sujeitos e verbos dos solos dessas melodias daqui do que deveras escreveram os sobreviventes das guerras, alienados pelas dores deixadas ao léu da sorte às primeiras luzes doutras manhãs já agora feitas de restos e larvas. Espécie de humanidade que viaja no Tempo à busca de novos sonhos, logo ali os transforma em meras ilusões.

Nesse arcabouço, são inúmeras aventuras perenes das horas em ação. Quantos e tantos, heróis de antigamente impregnados de lendas e mistério, a ferir o lastro do silêncio. Houvesse, no entanto, algo demasiadamente definitivo até então, outras vazes preencheriam o vazio no qual se acham e desvendariam milhões sem conta desse contexto que lhes domina os sentimentos. Bem defronte, as nuvens de chuva sobre as encostas da serra. Doutro lado, extensas paragens de monumentos e letras, emparedados de encontro ao furor das circunstâncias determinadas dalgum universo. Essas imagens perfazem, destarte, singulares verdades fincadas no chão das escrituras, numa indagação de profunda intensidade, laços imprevisíveis do que pudesse vir de um a outro dos instantes em movimento pelos céus inigualáveis. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dados móveis


A recordar um filme de Ingmar Bergman, O sétimo selo, me volta pensar no instinto dos humanos de serem perenes e não apenas mortais. Na constante busca de refazer os destinos, traz o Tempo meios outros que não só esses daqui do Chão. Nisso, aquela intenção substancial de vencer o invencível, sobremodo no que consiste propagar o eterno drama de aqui deixa tudo de mais preciso sob o prisma da matéria física. Contar versões menos esperadas e tonificar de cores a transição entre o visto e o invisível. Noutros termos, sobreviver ao desaparecimento, na rota sistemática do quanto existe.

Portanto, olhos posto nesse correr de tudo aos braços do Infinito, perdura o sonho de conhecer os segredos dos passos fatalizados nalgumas tradições, de expectativas e sustos, e ver nas circunstâncias sumir as legendas numa velocidade insistente. Nas lições de meus pais, sempre havia um véu de interrogação disso, de conhecer o que virá lá certa feita. Somos de uma família de tradição católica, nem de longe a ensinar da Reencarnação. Os cânones religiosos nos falavam de uma outra vida, circunscrita a Céu, Inferno e Purgatório.

Ao chegar no Colégio Diocesano, em Crato, onde cursei Ginasial e Científico, tive amizade com o Vice-Diretor, Alzir Oliveira, que, sabendo de meus interesses literários e filosóficos, ofereceu a que eu lesse o livro A face oculta de mente, do sacerdote católico Padre Quevedo. Até então nunca ouvira falar nas vidas sucessivas pela sequência das reencarnações. No livro, o padre combatia com veemência este conceito, mas a mim foi uma grata surpresa conhecer o que preconiza o ensino espírita: poder regressar ao mundo físico, depois da morte, e continuar no processo evolutivo através das vidas sucessivas. Um tanto da perfeição divina que nos conduz através das muitas chances, até o espírito se livrar das limitações e chegar ao grau de pureza na sua evolução. Aquela obra, pois, seria providencial a que viesse de revisar os meus valores iniciais sobre a existência carnal e o segmento original das muitas oportunidades em vista no transcorrer das quantas vidas.  

(Ilustração: O sétimo selo (1957), de Ingmar Bergman).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A que distância das estrelas


Por certo o tanto de percorrer entre as palavras que calam... Algo assim que se desfaz a meio da dúvida, entre pensamentos, sentimentos e atitudes. Nuvens no azul do Infinito. Cândidos desertos das humanas consciências à luz de tantas compreensões. Lugares soltos pelos espaços da memória adormecida no transitar das gerações e das horas. Gestos indescritíveis do quanto existira nalgum deserto dessas ausências sem fim que descrevem os mundos. No entanto, pesam nestes domínios feitos das criaturas enigmáticas a percorrer as folhas e os mistérios de uma solidão incalculáveis. Horas aflitas. Sordidez. Distâncias. Sim, bem isto, um eterno fervilhar a meio de luas e sóis, cândidos augúrios que antes transitavam pelas dobras dos depois. Nem de longe, com isto, chegam ao silêncio do que até hoje contavam os segredos das alturas através das narrativas mais silenciosas. Isto, nas mesmas e inúmeras oportunidades escondidas sob camadas sucessivas de indagações dos seres, quiçá, tão poderosos que circulam nos corpos celestes e de lá emitem seus sinais inigualáveis dos códigos donde vieram, e insistem andar pelas noites feitos ciganos em longas caminhadas. Dali, descem ao abismo das visões e mergulham de vez nas sensações de novos dias em movimento. Contos de mistério persistem, pois, a transmitir desses despenhadeiros o tempo e suas histórias desconhecidas, e revertem tudo a lances constantes de interpretação, contudo de olhos vivos doutros universos até aqui ignorados.

Entretanto invadem territórios outros à busca de dominar esse impossível de que sejam feitos. Sabem, por certo, restritos a poucos traços, e estes os comprimem no âmbito do domínio, e somem inevitavelmente de um a outro instante da igual sorte dos séculos. Perlustram, que sei disso, os vales eternos e renascem logo além, quais novas árvores dessas florestas que fazem agora desaparecer num abrir e fechar de transações. Assim, meros circunstantes do intangível, sustentam a ciência dos dias e desmancham em sonhos os dizeres que guardavam de outrora.

Ilustração: Gemini.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Pastores do tempo


Algo assim que bem pudesse ser, do Nunca ao Nada, eles primos-irmãos e da mesma sorte. A meio disso, essa imaginação ativa dos seres quais testemunhas do correr das nuvens pelo mar dos infinitos. Em todo instante, presentes nesse transitar dos objetos sobre superfície invisível, a não dizer impossível, algum ente que se superpõe a toda realidade, num correr sem conta, que vem e some de lugar a lugar. Ali adiante, os profetas a lhes observar extasiados.

Saber-se face a face consigo, nesse fazer inumerável de frações, transitam pelas frestas dos objetos, criando condições de tocar na ficção em que habitam as criaturas humanas, ditas pensantes. Por certo à luz dos acontecimentos há de haver caldeiras imensas que as sustentem no fervor das estruturas e alimentam os outros animais, nessa faina de viver. Condições inigualáveis de presenciar tantos momentos, alguns que silenciam os pensamentos e adormecem feitos quem achou o trilho dos contentes e se libertou. São tantos protagonistas das mesmas cenas, a repetir litanias e canções pelos ares bravios lá de fora.

Florestas incontáveis de tantos seres nem sempre deixam margem a compreender as razões de andarem aqui, no entanto persistem atentos pelos entulhos das eras que sumiram do jeito que vieram. Transitam e observam a finalidade do que habitam. Escutam sinais entre os sons do Infinito e rezam, sonham, trabalham, numa tradição milenar de longe suspensas nos reinos das alturas.

Jamais acreditariam antes chegar a este painel de solidão à busca das certezas e crenças, logo de novo submersas nas lembranças que restaram. Sabem, outrossim, de tudo isto em pequenas frações trazidas no vento da sorte. Chegam a tocar levemente o caule de árvores imensas, e, em seguida, descreem do que lhes disseram os sentidos. Conquanto fieis servidos da imaginação, acalmam os sentimentos e abandonam às margens das ausências aquilo trazido até agora.

(Ilustração: A luta entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel, o Velho).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Um mundo feito de palavras

 

E nos intervalos, de vez em quando surgem as criaturas humanas encapuzadas nos destinos ignorados. Meros seres feitos de carne, ossos e sangue que assustam uns aos outros, feitos visagens doutras histórias ainda em período de incubação. Longos disfarces cobertos de súplicas invadem, destarte, o teto dos instantes e deixam escorrer novas ideias. Tais disfarces compõem o espelho das alturas, desmancham, lentas, as horas sem fim e preenchem de visões disformes a longa imensidão do cotidiano.

Assim transcorre o prisma das noites imaginárias, a meio de um movimento, pela escala do Infinito. Blocos intermináveis de compreensão publicam suas lendas esquecidas nas salas das cavernas escuras aonde chegaram multidões inteiras. Trazem consigo esses equipamentos recentemente desenvolvidos de comunicação. Refazem os mesmos segredos antes guardados no furor das outras civilizações, e adormecem contritos sob o fogo intenso da dúvida.

A bem de se pensar, seriam eles os imaginados heróis lá de longe, desde o início da grande caminhada rumo ao Eterno. Secundados de extensos desesperos em não conhecer tudo neste caminho, agora padecem do quanto houveram de atravessar, nos intervalos acesos dos romances, contos, filmes e novelas, aquilo que pediam os termos desse acordo coletivo que os compõem. Porquanto perguntar a quem, ninguém há de responder com tamanha facilidade se não eles próprios. Talvez encontrem dentro de si justificativas plausíveis, contudo, dotadas de puro desassossego vindo das indecisões dos que construíam as naves dessa viagem exótica sem maiores justificativas de rumo certo.

Face a isto, eis o momento ideal no patamar das estruturas, enquanto permanecem num tempo de relativa paz, porém cercado dos instintos da raça afeita aos apegos da matéria. Padecem, pois, dos contrastes transpostos desde sempre, no seio da fome da espécie. Olham o trilho desse estado atual feitos pedaços dos passados que arrastam a fora, na velha fúria dos antigamente. Nos transes inigualáveis das oportunidades, fitam o mistério e sustentam os arcos do desejo de ser feliz algum dia, outrossim.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Ecos do inexistente


Bem assim de tudo que se conta ouvem sons enigmáticos dos quanto existem em torno de pessoas e lugares. Ainda que tanto, pensamentos e palavras conspiram nisso, à cata de responder dalgum jeito o espectro imenso ali diante das horas, tempos a fio. Conhecem da distância entre saber e compreender, vadiam na sombra dos astros e depois adormecem nos braços das ausências do quanto perpassam seus gestos e expectativas, no entanto. Eles, restos do que virá certa feita, somem no abismo do Infinito quais meros acordos de silêncio e dúvidas firmados eternidades incontáveis.

Há, no entanto, territórios inteiros dessa fronteira do conhecido e do inconsciente nas criaturas humanas. Sobejas vezes vão de encontro às lendas, na formação dos mitos que a isto determinam versões temporárias espalhadas ao sabor das histórias pessoais. Conquanto parceiros do que perdura na face de uma aparente realidade, só destarte ponderam desenvolver nítidas interpretações; daí o caudal sem fim das filosofias e dos grupos. Que transcrevam mistérios sem conta, porém dotados unicamente das avaliações parciais de mentalidades e tradições.

De olhos abertos, pois, multidões inteiras vagaram no correr do Tempo e nem sempre trazem de si uma real certeza desse itinerário já definido entre viver a permanecer, no decorrer das gerações. Sei que carregam consigo aquilo do que avistam lá a qualquer tempo, outrossim assustados do poder apenas imaginário de desvendar segredos e destinos. Perseguem os sóis da mais intensa luz, de consciências acesas aos gestos da verdade absoluta. São diversos aqueles sonhos do quanto esquecidos nas vitórias e domínios. Um a um, todos emitem relatórios talvez sinceros, todavia condicionados a ansiedades em voga no jogo dos poderes, nas fases que viveram.

Deixemos, entretanto, definido a contento esse instinto original de sobreviver, na sequência dos acontecimentos inevitáveis. Saber dos segredos deste Universo de que somos peças e alimentamos de esperança, toda vez que conosco de novo aqui nos reveremos.

sábado, 31 de janeiro de 2026

O princípio dos opostos


Nem de longe haver-se-ia de avistar qual seja um sem o outro, dois complementos inevitáveis, tanto do Mal quanto do Bem, vez trazerem ambos em si a própria sombra. Nesta, a base do quanto existe, porquanto existir a isto significa. Contudo, tais divisores desse duplo conhecer, dois universos, bem ali o Ser persiste. Essa paz que vem de dentro, na linguagem das criaturas, seres outros que buscam definir a compreensão e reconhecer o trilho donde anote viver sem consequências e interpretar essa linguagem. Até nem carecer julgar, demanda o mistério das vidas. A isto, tantas histórias individuais e o transitar do Tempo através das criaturas. Daí vagar entre passado e futuro a braços com o sentido único do quanto perdura, nas eras a fio.

Frutos disso, nascem as interpretações, filosofias, crenças, à cata incessante de respostas ao drama da Criação de que somos parceiros privilegiados do nexo do Absoluto. Perante uma simplicidade universal, veem consciências em movimento na face do Sol. Luzes, atitudes, pensamentos, e instrumentos vorazes das horas, na forma de pessoas e gestos.

Talvez outras versões descrevam o código das muitas existências, porém apenas dentro delas impera esse poder dalgum dia revelar o destino das almas durante os séculos aqui realizadas. Com isto, advêm os quantos significados e denominações, justas falas e nomes que justificam tanta procura, no decorrer dessa epopeia inexplicável a céu aberto e termos próprios do que possam contar.

Conquanto parceiros originais do Cosmos, preenchem crivos imensos de aventuras e transes pelos corredores sem fim, deuses em ação mesmo palco das verdades eternas. Sei que duvidam disso, vez em quando, porém aceitam de bom grado que assim aconteça. Heróis do firmamento, tão-só dispendem o sentido desse furor que lhes domina, e abrem os olhos a quantas providências que imperam no íntimo das certezas em revelação.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Uma realidade imaginária


Cada um que tenha a sua realidade. Cercados doutros seres, objetos e circunstâncias, criam em demasia previsões e plantam flores. Superpõem motivos e neles montam quais beduínos nesse deserto de fantasias constantes. Vagam. Suspiram. Viajam pelo mar sem fim das próprias dúvidas. Daí refazem noutras cores o que lhes resta e avaliam cumprir determinações desses outros territórios imensos das horas. A grosso modo, não vivem, encenam que vivem.

Bom, disto já se sabe a valer, conquanto parceiros, e assistem as mesmas montagens deles nascidas e projetadas nas telas de um suposto infinito. Além de que, nem sempre satisfeitos e querendo mais e mais dos trastes do Destino. Reclamam. Perduram. Insistem. Artesões dessas estruturas metálicas dos pensamentos, percorrem dias inteiros à sombra do anonimato refeito a cada gesto. Filmes sucessivos, incontáveis, despejados nas valas dos instrumentos que manipulam, que logo ali somem ao clarão dos sóis inesperados.

Quer-se dizer, no entanto, ser assim, no entanto ao sabor da perfeição do imediato, porquanto bem aceito no correr das gerações, transformado em narrativas inigualáveis, ao gosto em voga. Um retrato do que seja, a cara de um mundo de festa, descem e sobem os estrados do teatro monumental das residências de fadas e duendes, olhos fixos nas próximas cenas. Pouco, ou quase nada, satisfazem público feérico, passageiros das velhas histórias trazidas e dos gestos deles mesmos, senhores das quantas luas, autores admiráveis de tanta aceitação. Transitam a meio de tudo nos limites do lugar onde moram, nem sempre fieis aos princípios da certeza, porém dotados de prazeres a todo instante.

As palavras são suficientes de contar suas epopeias deixadas no itinerário até então percorrido pelos corredores das existências. E quantas vezes refazem os dias, surge dali a atividade intensa desse movimento iluminado da criação de si mesmo.  

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O domínio da vontade


Misto de ilusões com liberdade, voeja nos céus da Consciência esse poder maior que tange o mundo, a vontade dos seres. Querer ir e permanecer. Pensar e imaginar. Nutrir e desaparecer. Todos, sem exceção, que sustentam em si o Destino no andar das contingências, no lastro das imensidões, um afã sobremodo constante, porém sustentado pela força invisível de existir. Desde os menores entes, quer-se acreditar em seguir tal e não qual direção, por mínimos que sejam. O mesmo que aqui escolher pensamentos e palavras, e trazer o silêncio horas a fio no pomo da exatidão de um querer sem conta.

Austeros comandantes dessa instrução de viver e fazer sentido, escorrem nos traços do Infinito aparentemente inúteis atitudes, motivo de transcrever as histórias vividas e contadas. Espécies de objetos da própria essência, por vezes padecem doutros sensos e vomitam visões exacerbadas pelos porões da sorte. Nisso, inscrevem nas entranhas a finalidade do que decerto gostaria de ver acontecer.

Isto percorre os mistérios das individualidades, que jamais esquecem o transe de permanecer junto dos outros, no entanto silenciam a luta íntima de instante a instante. Daí, ninguém saber a contento aquilo guardado nas razões que lhes transportam ao desconhecido. A bem dizer, um composto do que pretendem e os desejos escondidos nos escombros do passado, de onde escutam o trotar das noites e padecem, no decorrer das madrugadas, a saudade e os desejos.  

Ao correr de quantas luas, resta patente a indagação de quem lhes domina, se não a vontade, o instinto de continuar à luz dos firmamentos. Dotados, pois, da condição inevitável de tocar em frente as dúvidas, só assim constroem seus monumentos, máquinas e terapias, tudo com a matéria-prima do inesperado que rasgam os hemisférios no furor de justificar mecanismos deles, nascidos no deserto da fama.

Além de que, vêm os números e suas narrativas em determinar o fervor das aventuras aqui largadas nos desfiladeiros do que antes transcorrera através dos fios da ausência desfeitos na correnteza dos dias que hão de vir a qualquer momento.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, de Juazeiro do Norte CE).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A capela do sítio


Lá onde nasci, no Tatu, ao lado da casa distante uns 50m, ficava a capela; possuía todas as características dos templos católicos, dotada de torre, sino, altar, sacristia, e era zelada com imenso carinho pela minha avó Lídia, mãe de meu pai. Sempre que possível, recebia a visita de algum sacerdote, quando oferecia missas, novenas, bênçãos, procissões. Ao presenciar as movimentações religiosas, que quase sempre ocorriam, eu, ainda bem criança, ficava a imaginar de que se tratava tudo aqui, algo falava na minha imaginação dos valores dessa busca humana pelo inefável da espiritualidade, o que me acompanha até hoje.

A abnegação de cultuar os valores sacros daquela gente permaneceu comigo em uma busca doutros padrões de consciência que enlevem à compreensão maior o que seja a realidade e o que fica de conhecer perante a Eternidade.

Depois, já em Crato, morava conosco Tia Vanice, irmã de minha mãe e freira do Silêncio, ordem criada ao tempo do Papa Pio X, que não adotava o hábito tradicional das religiosas das outras ordens. Acompanhou durante nossa infância, minha e dos meus irmãos quanto à formação religiosa. Nisto, aprenderia a rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e outras orações cristãs, além de fazermos o Terço todas as noites antes de dormir. Vivenciávamos, assim, bem de perto, a formação de nossa família em sua tradição católica.

Só com o tempo, depois de palmilhar outros conceitos, inclusive do materialismo e da indiferença quanto espiritualidade, atravessaria épocas de indiferença a qualquer credo, de fases anarquistas, passando, inclusive pelos transes das substâncias psicodélicas e do álcool.

Já mais recentemente, décadas adiante e de muito percorrer essas vastidões de pensamento, chegaria ao espiritismo kardecista, o que me fez conhecer os conceitos de imortalidade e reencarnação de modo intenso.

Após maiores estudos no que tange esse viver religioso, guardo comigo desde os primeiros sinais de culto e dedicação ensinados por minha mãe em seu fervor constante que rendia forte devoção mística aos santos e aos princípios de fidelidade e amor pela família, isso desde que me entendo de gente.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, de Juazeiro do Norte CE).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Portais da Consciência


Na antiguidade já falavam nisso, da possibilidade doutros lugares aonde poder despertar a compreensão do quanto existe em definito. São inúmeros os sinais espalhados pelos tempos a dizer dalguma alternativa diante do quanto persiste, anos a fio, o transcorrer dos acontecimentos espirituais. Vislumbrar outros meios de encontrar o próprio ser, face aos impasses dos sonhos de virtude, meios que signifiquem algo de duradouro, constante, a preencher o pomo da significação de estar aqui. Achar esse recanto aprazível da perenidade dos valores maiores.

Enquanto isto, perlustrar intemperanças na crosta do vento, ora felizes, noutras indecisos, inconstantes, incompatíveis. Quiçá, grosso modo, meros artesões de perspectivas por vezes às avessas conquanto imperfeitas, assustadoras, a saber aventureiros do Destino que se sejam eles. As inscrições pelas paredes dos labirintos descrevem bem esses sonhos insistentes quais como que sonâmbulos nas concepções, a vagar nos instantes, austeros, armados, ferrenhos. Autores parciais de si, porém afeitos ao imprevisível das ocorrências fortuitas.

Ao compasso das interpretações tão-só parciais, vislumbram alternativas por demais, nascidas do íntimo dessas mesmas criaturas. Criam teses, desvendam fórmulas mágicas, esperam nos serões das madrugadas, nas vidas, o despertar de um centro que lhes habita desde lá longe na existência. Convergem aos sentidos das cores, dos sóis, numa busca perene de novos inícios. Anseiam viagens fantásticas, descobertas territoriais, suaves mergulhos na alma, até substituir aqueles critérios até então caudais imensos de esperança trazidas consigo.

Sei que tateiam na escuridão desse tempo parcial de aventuras e romances alimentados de alternativas humanas que se desfazem ao compasso dos dias. Quando menos esperar, eis a postos os que assim vivenciaram as conquistas no âmbito invisível. E vêm, narram demasiado partos de iluminação, depois guardados nas sete capas da História. Sejam muitos, panteão de transcendência aos planos superiores. Em contrapartida, os que deixam este aqui persistirão à procura do caminho avassalador da Luz, na super-humana consciência, pois.

A balança de São Miguel


Dos mitos por demais considerados, São Miguel Arcanjo vê-se representado empunhando uma espada e uma balança para vencer Satanás, o que possui um significado tradicional em algumas culturas deste mundo.

A Balança de São Miguel Arcanjo simboliza a justiça divina, o julgamento imparcial e o discernimento de Deus, representando São Miguel pesando as almas no Dia do Juízo Final para decidir seu destino, e é um símbolo de sua luta contra o mal e proteção dos fiéis. É frequentemente visto em imagens e estátuas do Arcanjo, junto com sua espada, e representa a equidade e a retidão da justiça divina, sendo um amuleto de fé e proteção contra as forças do mal, além de patrono de juízes e daqueles que buscam a justiça.  Google

Tais tantos outros significados da balança, traz em si o princípio de avaliação das ações humanas diante da Eternidade, quando serão avaliadas, à luz de uma verdade plena, suas almas e suas ações quando aqui neste Chão. Símbolo do quanto imparcial ver-se-ão face a face com a infalibilidade da justiça maior, em que inexiste falhas no combate ao mal e na guarnição da certeza absoluta de tudo quanto há. Nisto, São Miguel representa o equilíbrio e a retidão em defesa d a concretude da Verdade perante o dizer da Justiça soberana.

A balança de São Miguel é um dos símbolos iconográficos mais fortes do Arcanjo, representando sua missão como o executor da justiça divina. 

(...)

Na arte, ele é frequentemente retratado segurando a balança em uma mão e a espada na outra (símbolo do combate espiritual), muitas vezes pisando sobre o dragão ou o demônio derrotado.  Idem

As tradições sustêm, pois, figurações semelhantes, a espelhar os arquétipos do Inconsciente, imagens que constam o sentido de recontar valores e pressupostos daquilo necessário ao eu consciente nas suas interpretações dos segredos da personalidade.

Daí, meios da compreensão reúnem, vez em quando, símbolos, figurações, imagens do que corresponde aos conceitos correntes. E a balança traz consigo o cerne da retidão de Deus e suas medições dos atos individuais através da Verdade e da Misericórdia. 

(Ilustração: TerraCota Arte Sacra).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Sem título XXi


De tanto escutar esses traços das palavras que ecoam mundo a fora, por vezes contidas pelos muros do silêncio, dali veem, talvez, caminhos de chegar às outras pessoas. Esforço vão, todavia. São tudo em minúsculos seres. Visagens das tradições, dos lugares afastados da consciência. E dizem expandir nisto as margens que deixam à deriva, já noutras interpretações nos dias seguintes aos primeiros encontros. Por certo, nunca haverá, inteiro que seja, tal capacidade desse contato definitivo. Desde essas mesmas criaturas até compreenderem a si demanda vastidões. Nisso, quando menos esperar, fogem sorrateiras, nos despenhadeiros do Universo, e esquecem na distância do tempo aquilo de outrora, numa maior sem cerimônia. Desse jeito, impossível que seja a leitura absoluta daquilo gravado nas malhas dos pensamentos e sentimentos.

Depois de sustentar tais empenhos, rastros perdidos nas hostes de antes, ficam deles só pequenos retalhos gravados pelas cavernas sombrias daquelas mesmas criaturas. Procuram, sobremodo, conviver consigo e alimentam este percurso anônimo dos heróis impávidos. Apalpam as paredes do mistério e logo ali despejam os eus sucessivos que criam e desconhecem, isso bem aos moldes do quanto existe nos transes da matéria em volta. Cativos da memória, no entanto senhores da imaginação tardia. Perfis inesperados, padecem da solidão numa mistura fosca de abandono e saudade. A isto denominam temperamento, contrição e súplica.

Numa viagem incontida, mergulham pelos sons inigualáveis da existência, olhos acesos e lábios ressequidos, guerreiros da própria essência, vistos ao longe no corredor sem trégua das gerações. A que demandar o destino, instrumentos desta história que compõem passo a passo, atravessam oceanos profundos, deuses de muitos credos e canções. Narram histórias de sabor estonteante, matéria prima dos sonhos, noites a fio. Ao longo desse furor imaginário, encenam as civilizações inesquecíveis que hoje superpõem de aventuras, ritmos, números e ausências, juízo de tantas eras.

sábado, 24 de janeiro de 2026

O silêncio das alturas


Até que esforços têm sido feitos. Buscas vorazes de compreensão das sombras ao redor determinam instrumentos de avaliação no poder que impõe valores e vontade, porém restritos ao nível dagora. Quais cativos de tantas jornadas, seguem o trilho da História ao sabor dos ventos em volta. De certeza afeitos a respeitar seus limites e designações, vindos dalgum bastião secreto de tudo, nisto as palavras lhes trazem sempre conceitos novos e engenhos que produzem equipamentos às ânsias de tornar o mundo setor real de transformação. Sob tais condições, há que render homenagem aos esforços humanos durante os acontecimentos, nas longas noites de martírio dessas longas experiências.

Quer-se contar diferente. Trazer outra vez o instinto de perfeição bem característico da raça. Concatenar situações nunca vistas e modificar os destinos que aí estejam. Distantes ficaram a Torre de Babel, o Dilúvio, o Mar Vermelho e as invasões territoriais guardadas nas folhas mais antigas da Civilização. Então, dali passaram a rever os detalhes passíveis de outras interpretações, no entanto ao critério das lendas íntimas das mesmas criaturas. Reunir coerências e segurar o firmamento às ordens desse igual mistério sobranceiro.

Em resposta, agora persistem versões contemporâneas de serem os indivíduos as peças-chave de tais renovações que lhes aguardam logo ali à frente, transcritas derradeiras jornadas pela imensidão sem fim. Sopesar o tanto suficiente de trazer de novo a esperança nos melhores dias. São inúmeras legendas que falam, narram, descrevem, asseguram. Enquanto isto, no ritmo das horas, veem tão só resistências ao furor de um futuro por demais inevitável, de profundas mudanças internas, das próprias expectativas. Mormente quantas interrogações, habitam as consciências largos sinais de realização e doutras alegrias postas em movimento diante do Infinito. Assim, numa espécie de mera recordação, sobrevivem a todo custo sonhos felizes que alimentam os ideais distantes, todavia presentes no silêncio deste Tempo.   

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Paisagens internas


Qual quem chega aos lugares até então desconhecidos, figuras percorrem o limbo das memórias a preenchê-las de ondas sucessivas numa superfície em movimento. Toca os segredos ali escondidos desde sempre. Insiste rever o que nunca antes avistara. Superpõe imagens trazidas consigo, e agora refeitas de palavras. Isso tal os que contemplam fielmente o lastro dos infinitos, suste na própria consciência transes inteiros do que vira ao léu das aventuras, músicas integradas aos castelos da imaginação que o sustêm. Retalhos de tempo. Luzes a sumir no mais íntimo do Ser. Sombras persistentes daquilo que ora lhe pertence, conquanto frutos maduros do passado inevitável. Num vasto horizonte, distingue com facilidade o quanto viveu, e nisto sobrevive indefinidamente.  

Entre os vastos continentes, mostra a si mesmo aqueles fragmentos deixados pelas encostas do quanto traz na alma, sabores por vezes ignorados. Sabe, sim, de ficar no meio dos dois territórios. Padece face a tanto. Amargura dores lá tão antigas. Todavia reconhece haver sido e depois desfeito nas agruras seculares. Naqueles instantes ainda hoje restritos a valores da matéria bruta restou, pois, o penhor da realidade que transporta vidas a fio. Fugir, no entanto a nenhum lugar.

Nas frestas dessa floresta individual, dali avista tudo enquanto, espalhado nos dias que se foram. Espécie de longo itinerário da experiencia tardia, nesses céus desaparecidos, outrossim resiste nas folhas das lembranças, trata de interpretar aonde seguir. Pelos sonhos, capta visões definitivas doutras histórias. Aguarda, alimenta, convive. A duras penas, olha lá dentro esse abismo e tenta separar o joio do trigo, na medida que escuta as películas que regressam de longe, nítidos sinais dos comportamentos que agora reclamam espaço no presente.

Do lado de fora, que só existe na ilusão, percebe possibilidades sem igual de transcender, construir, continuar. Numa clara nitidez de nem contar das virtudes que houvesse, equilibra nos ombros as farpas de novos destinos. Bem isto, personagem insólito em mundos siderais...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A ponte dos pensamentos


É ainda uma tarefa do futuro integrar a noção geral e básica de que nossa existência psíquica tem dois polos.
Carl Gustav Jung

Por mais que se pretenda, seres assim habitam na fronteira desses dois territórios, da Eternidade com a realidade em movimento; do Inconsciente e da ilusão, mundo estranho e fugidio. No entremeio, ao que imaginarem onde existir, fervilham seus pensamentos, logo refeitos de palavras, gestos, cores, formas. Enquanto isto, olhos e ouvidos presenciam este agora impermanente pelas florestas dos sóis. Daí as tantas versões individuais das aparências que formam as nuvens em maio aos escombros do passado e das ausências.

As próprias palavras em si já carregam o senso das gerações e invadem superfícies inteiras de tais momentos, a convergir numa impressão desencontrada entre os indivíduos e os objetos. Trazem no bojo a força dos pensamentos grudados e imaginados. Cumprem função de transmitir as civilizações que escrevem os destinos e logo fazem dels matéria de outras e novas ilusões. Enquanto que as criaturas sustentam suas histórias, nisto fazendo delas as ficções pessoais espalhadas pelo Chão.

A grosso modo, arcabouços imensos de pretensas realidades significam as esculturas do que aqui ocorreu, senhoras que foram dos protagonistas em ação, fixas nas dobras do Infinito. Perante essas ocorrências, nascem os místicos, credores dos sonhos, aventureiros da busca do outro universo ali ao lado. Intermitentes, sucedem nas mesmas imagens, entretanto noutras imagens, nas legendas, nos mitos, nas lendas talvez esquecidas. Quais autores das consciências que transitaram nesse longo intervalo, reúnem de volta histórias sem conta dos que irão revelar a outra margem, algum dia.

As visões em atividade preenchem os farnéis dos comboios que transcrevem as antigas cenas deste inevitável. Segredam entre eles façanhas gloriosas dalgum instante aqui percorrido nas jornadas. Falam, escrevem, desenham, deixam lastros inteiros de doutrinas ao sabor dos que virão em sentido contrário. Conquanto perdurem na face dos céus, acreditam piamente no anseio da certeza de que também sejam frações mínimos de um Poder definitivo, eterno. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

De algum lugar do Infinito


Seres humanos, esses pedaços estanques de uma só compreensão. Tal qual dizem, centros de tudo, um a um. Sementes lançadas pelos campos das histórias, e noites em movimento os sustentam dias e dias, na calada dos séculos. Razões de ser e transes de instantes que se tocam e não se desfazem entre si, moléculas da Luz. Nisto, de querer narrar o todo através de seus componentes, eles dotados do quanto existe e existirá sempre. Facetas recurvados dessa compreensão, talvez, nalgum tempo, adversas, porém de penhor inevitável do quanto nascerá, certa feita, a preencher de vez as comportas dos tantos oceanos espalhados neste e noutros mundo lá fora.

Nisso, a leitura real do firmamento, painel de estrelas mil também na face dos destinos individuais, hoje, aqui. Ao trocar olhares inesperados, no entanto sabem-se motivos dos padecimentos dagora. Transcrevem circunstâncias inéditas a cada vez, justos motivos de cumprir leis ora ainda deles desconhecidas. Entes assim dotados das visões do Paraíso, contudo cercados das ilusões do imediato, nestante.

Na ânsia, por isso, de atinar com os papiros do mistério, apenas obedecem a si próprios, vislumbres esquecidos dos princípios originais e cativos dos finais em andamento. Graças ao crivo das intensidades sob as quais vivem, descrevem seus princípios, alimentam as estações do pouco que lhes resta conhecer. Conquanto inúmeras perguntas que ecoam nos universos, sustêm na alma uma vontade soberana de liberdade, seja lá em qualquer quadrante. Bem isto, a doce estima de querer convencer multidões das súplicas que tangem gerações vidas a fora.

Diante dos enigmas sem igual, são desertos em volta, rudes às vezes; santos, noutras horas. Perquirir das palavras aquilo que as fermentam, réstias de sóis de novo trariam os desejos mais antigos de continuar nesse vale de dúvidas e interrogações. Sabem, entretanto, escutar, sorrir, transcender nalgum segundo ao som repetitivo das cercanias. E resistem fieis aos códigos da certeza que carregam dentro do coração.

sábado, 17 de janeiro de 2026

O fascínio das presenças


E nelas se renhecer pelo poder de estar aqui e transformar o momento. Ser-se diante da realidade pura. Nisto, revelar o sonho até os limites das contradições. Dizer único de todas as virtudes. Fagulhas do princípio eterno. Versão circunstancial do que existirá lá um dia na forma de liberdade. Assim, um quadro exótico de todas contrições permeia de motivos a história desses personagens. Princípio e final das lendas contadas pelos alienígenas, todavia guardadas no íntimo das tão antigas criaturas individuais.

Matriz das ficções descritas nos firmamentos, há luzes que iluminam noites sucessivas a alma dos deuses neste revelar os seus destinos. Contam de tantos amores; descrevem universos inteiros na imaginação; dormem o sono das aventuras nos braços dos humanos hoje desaparecidos. Lânguidos, porém noutras raízes profundas de mistérios incontáveis, e nisso sobrevoam as próprias consciências quantas vezes refaçam o mesmo percurso...

Surpresas em si, constroem castelos encantados nas ilhas distantes e de lá trazem de volta desejos acumulados nas crostas do Tempo. Antes, tudo bem, isto, solidão e súplica. Entre letras e números, caravanas inteiras rumam ao mistério. Barcos em mar imenso face aos rochedos da sorte, habitam nuvens, cores, alimentos, famílias, saudades, composição inestimável de todos os ritmos e melodias.

Experimento dessas eras, sustentam aos ombros o fervor de mil sóis. Busca de certeza entre as árvores de uma floresta sem fim. Eles, um só. Senhores e cativos doutras civilizações, agora percorrem audazes os horizontes imaginários. Horas a fio, chamas vivas dos sentimentos que lhes percorrem as entranhas.

Carrilhões das catedrais onde acedem tantas tochas, mergulham no silêncio e, areia dos desertos sacrossantos, descrevem traçados fantásticos de sombras em volta dos céus. Vez enquanto, outrossim, devoram as palmeiras dos oásis e somem contrafeitos nas escórias dos depois. Bem certo que regressam, noutras paragens, e destarte prosseguem no crivo da imensidão.

E isto o que se sabe


Das tantas revelações que circulam pelo mundo, em termos de conhecer a Verdade e desvendar o segredo da Consciência, observo, entretanto, o método definitivo de chegar à pura compreensão. A que se pegar nos termos práticos? Qual assim o gesto crucial que consta das litanias, dos sermões religiosos, filosofias, definições psicológicas? No seio das criaturas humanas perdura o senso dessa busca inefável. Encontrar, encontrar consigo mesmo, distinguir o princípio do Universo e acalmar as perquirições, neste abismo daqui do Chão. Afinal, em quem depositar toda a carga das odisseias de tantos em que apenas alguns tendem revelar, e dizem haver obtido?

Há enciclopédias incontáveis de tradições e crenças a nortear os destinos. Mestres sucessivos narram de seus paradigmas através dos tempos. Máquinas de conhecimento que revertem nas interpretações mil palavras de virtudes. Subtendem conceitos preciosos trazidos ao lombo dos desertos e das histórias. Heróis, aventureiros, peregrinos, invadem, com isso, o campo das alquimias e contam lendas inesquecíveis, feitas de versos, romances, roteiros. Conquanto realistas a valer, no entanto reclamam métodos pertinentes que possam tocar adiante no rosto dos aprendizes.

Depois, percorridos que sejam calhamaços inteiros das revelações,  convêm as certezas que todos trazem na alma, instrumentos plenos dessa iluminação. Enquanto isto, no correr das epopeias, estas, a bem dizer, são repetitivas. Quase que numa constante reedição, tal qual ninguém houvesse escutado as muitas narrativas de transformação até aqui superpostas e difundidas.

Daí o desejo voraz de saber donde vem, aonde vai, quanto querer na forma de letras e papeis espalhados neste lugar. Numa prática fiel, a que simplicidade resumir os volteios da História e fazer da Terra um lugar de Paz e Felicidade. Durante, pois, longas jornadas, o Infinito perfaz as circunvoluções e permanecemos céleres nas suas justas circunstâncias, parceiros fieis do quanto possa existir.  

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As armadilhas do caos


Sei que se habita um território pessoal, exclusivo, onde há liberdade incondicional predomina. Porém desse mesmo flanco interno nascem as decisões. Nelas, as rendições e os riscos em potencial. Neles, as dependências do ego. Quais sejam, as vaidades, os humores, os desejos, falsos ganhos, ilusões. Nisso, da própria criatura vão as suas quedas. Riscos mil rondam os muros da individualidade. Fôssemos apurar, as fraquezas seriam as mesmas quedas de que anseia fugir. Os ranços de atrasos que subvertem a razão, a justiça, a verdade. Espécies de cativos das pessoas limitações que ainda transportam vidas e vidas, multidões arrastam o peso de atrasos crônicos. Dali, as ditas tragédias indicam o nível de evolução dos seres, a par da Consciência em aprimoramento.

Dentre outros desses ardis que moram ali ao lado, a bem dizer aliados convenientes aos interesses em jogo, despontam os vícios, as carências, perdições por vezes inevitáveis ao crescimento. Testes sucessivos alimentam de vaidade o querer em vias de afirmação. As sociedades refletem essas mesmas limitações nas instituições precárias que lhes sustentam à face dos destinos. Resulta daí o instinto de sobrevivência, indivíduo a indivíduo, conquanto diante dos remorsos, mágoas, guerras, desperdícios.

Há que supor, vive-se aos olhos do caos em movimento quais minúsculos componentes de um quadro monumental. Ao furor das condições inevitáveis deste sistema, de tanto partilhar desafios externos, regressam a si, numa alternativa crucial de autodescoberta através valores em volta. Perante o eterno dos dramas e avanços das existências, tal momento ressurgem daquilo que antes aparecia a título de única finalidade, só existir. Isto lembra o mito de Platão e a função natural do quanto persiste seio das estruturas universais. A pessoa despertará, certa vez, das disposições aparentemente inexpugnáveis da presença física e distingue a luz desde sempre guardada no coração, ansiada por todos. Eis o trilho determinante das vidas em órbita no transcorrer das existências.

O conhecimento dessa estrutura de personalidade ora preenche laudas e laudas, no decorrer das muitas civilizações. Resta, no entanto, desvendar no mais íntimo esse modo desse controle da vontade e praticá-lo nas bases suficientes da plena realização do Ser, o mistério da essência de tudo, pois..

(Ilustração: Homem alimentando gansos (Cracóvia).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A imprevisibilidade do instante seguinte


Os mistérios da Natureza, isso do que compõe a barca da sublimidade, poder detém inexplicável o segredo em termos eternos. Por mais investiguem os fenômenos do Tempo, soturnamente prevalece o instinto da incompreensão por dizer absoluta. Qual se veja sob o crivo da imaginação, destarte segue o correr de todo acontecimento. Colunas descomunais de forças até então desconhecidas formam o furor das imprevisões. Algo assim semelhante aos véus que já encobrem de antiguidade aquilo que antes aconteceu.

Isso traz consigo a fleuma do inesperado em marcha continua, porém. O entremeio dos instantes, forma-se, pois, a jornada frontal do inconcebível em termos humanos. Dotados, por isto, de dúvida constante, eles vagam estremecidos pelas florestas desconhecidas da fortuna. De uma hora a outra, tudo parece reverte o senso da expectativa e demonstra valores até agora fruto só dos sonhos.

À busca dos motivos dessas elocubrações e fantasias, à luz das suposições, deslizam pelos dias hordas inteiras de tais expectadores do próprio anonimato. Apenas nisto, mínimo fator de sobrevivência, o que nos aguarda bem ali depois deste agora ferrenho, inevitável?!

Aspectos outros, contudo, subsistem aos penhores da procura, numa sede admirável de reviver o que escorrera há pouco pelas frestas do passado. Espécies quais senhores provisórios do que ora estejam a viver, nem de longe resistem à equação da ausência em queda livre rumo do abismo das alturas de quantas ocorrências enigmáticas. Batem a todo instante às portas dos seres abstratos que significam, face a tanto; mesmo sementes da inexistência que transportam no íntimo, ainda alimentam com sabedoria certezas a toda prova.  

Portanto, frutos da árvore da ciência do mal e do bem, saboreiam na essência de si o prolongamento do inigualável que o traz aqui, místicos autores de uma única realidade definitiva.