sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As armadilhas do caos


Sei que se habita um território pessoal, exclusivo, onde há liberdade incondicional predomina. Porém desse mesmo flanco interno nascem as decisões. Nelas, as rendições e os riscos em potencial. Neles, as dependências do ego. Quais sejam, as vaidades, os humores, os desejos, falsos ganhos, ilusões. Nisso, da própria criatura vão as suas quedas. Riscos mil rondam os muros da individualidade. Fôssemos apurar, as fraquezas seriam as mesmas quedas de que anseia fugir. Os ranços de atrasos que subvertem a razão, a justiça, a verdade. Espécies de cativos das pessoas limitações que ainda transportam vidas e vidas, multidões arrastam o peso de atrasos crônicos. Dali, as ditas tragédias indicam o nível de evolução dos seres, a par da Consciência em aprimoramento.

Dentre outros desses ardis que moram ali ao lado, a bem dizer aliados convenientes aos interesses em jogo, despontam os vícios, as carências, perdições por vezes inevitáveis ao crescimento. Testes sucessivos alimentam de vaidade o querer em vias de afirmação. As sociedades refletem essas mesmas limitações nas instituições precárias que lhes sustentam à face dos destinos. Resulta daí o instinto de sobrevivência, indivíduo a indivíduo, conquanto diante dos remorsos, mágoas, guerras, desperdícios.

Há que supor, vive-se aos olhos do caos em movimento quais minúsculos componentes de um quadro monumental. Ao furor das condições inevitáveis deste sistema, de tanto partilhar desafios externos, regressam a si, numa alternativa crucial de autodescoberta através valores em volta. Perante o eterno dos dramas e avanços das existências, tal momento ressurgem daquilo que antes aparecia a título de única finalidade, só existir. Isto lembra o mito de Platão e a função natural do quanto persiste seio das estruturas universais. A pessoa despertará, certa vez, das disposições aparentemente inexpugnáveis da presença física e distingue a luz desde sempre guardada no coração, ansiada por todos. Eis o trilho determinante das vidas em órbita no transcorrer das existências.

O conhecimento dessa estrutura de personalidade ora preenche laudas e laudas, no decorrer das muitas civilizações. Resta, no entanto, desvendar no mais íntimo esse modo desse controle da vontade e praticá-lo nas bases suficientes da plena realização do Ser, o mistério da essência de tudo, pois..

(Ilustração: Homem alimentando gansos (Cracóvia).

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