Qual quem deixa de lado seu ser e aceita de bom grado admitir outros sentidos ao que agora esteja vivendo, assim são os aborígenes desses tempos desde então. Vislumbram de tudo, sobrevivem aos dias apressados e, tais habitantes de vales enigmáticos de tantos equipamentos, visores e pedais, continuam nesse mar sem conta que espalham noutros firmamentos imaginários adrede criados deles próprios. Ter de usufruir até o que pouco significa, porém por demais necessário às linguagens em feiras espalhadas no horizonte e nos objetos em volta, eles ali exercitam-se nas peças automáticas de visões entontecidas, sujeitos de sortes pré-fabricadas nas oficinas dos porões da consciência que transportam impérios sem limite.
Antes criaram o senso da procura dos talvez e dos pressentimentos,
normas que foram ocultas nas películas e nos livros conservados a esse dito panorama.
Depois, quiseram insistir nas longas noites de um passado remoto, lá de quando
vestiam túnicas esquisitas e viajavam pelas estrelas, habitando universos
paralelos a qualquer custo. Dormiam assim feitos figurantes de si mesmos, sós,
assustados, discretos protagonistas de histórias nunca escutadas ou vistas. Com
isto, resolveram agora desfilar, em praças e ruas, os feitos de todos segmentos,
meros joguetes das sombras deles criadas nas lembranças mais antigas. Daí,
multiplicaram monumentos, sepulturas, ruínas, e transitam feitos visagens pelas
telas dos velhos equipamentos fabricados do que restou daquele período insano. Ausentes,
pois, de alguns séculos, regressam nas memórias dos outros, enfurecidos e
austeros. Sabem quase nada, todavia, daquilo que foram nos inícios, e padecem
com isso angústias e desatinos, argumentos das suas aventuras constantes jamais
deixadas de lado.
Questões exacerbadas dos desejos que os mantêm, saboreiam
dos minutos a velocidade crepuscular nos nítidos sinais doutros temas largados
nas calçadas enquanto aqui continham a fúria de viver, transformados em novos
heróis, à cata de novas conquistas siderais. Esses aparentes intérpretes daqueles
argumentos ora trazidos à baila querem, grosso modo, respirar novos augúrios, e
aceitam de bom grado observar a pauta dos destinos ao penhor de existir com
esta finalidade.
(Ilustração: Alfons Mucha).
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