segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O espelho circular


Qual quem deixa de lado seu ser e aceita de bom grado admitir outros sentidos ao que agora esteja vivendo, assim são os aborígenes desses tempos desde então. Vislumbram de tudo, sobrevivem aos dias apressados e, tais habitantes de vales enigmáticos de tantos equipamentos, visores e pedais, continuam nesse mar sem conta que espalham noutros firmamentos imaginários adrede criados deles próprios. Ter de usufruir até o que pouco significa, porém por demais necessário às linguagens em feiras espalhadas no horizonte e nos objetos em volta, eles ali exercitam-se nas peças automáticas de visões entontecidas, sujeitos de sortes pré-fabricadas nas oficinas dos porões da consciência que transportam impérios sem limite.

Antes criaram o senso da procura dos talvez e dos pressentimentos, normas que foram ocultas nas películas e nos livros conservados a esse dito panorama. Depois, quiseram insistir nas longas noites de um passado remoto, lá de quando vestiam túnicas esquisitas e viajavam pelas estrelas, habitando universos paralelos a qualquer custo. Dormiam assim feitos figurantes de si mesmos, sós, assustados, discretos protagonistas de histórias nunca escutadas ou vistas. Com isto, resolveram agora desfilar, em praças e ruas, os feitos de todos segmentos, meros joguetes das sombras deles criadas nas lembranças mais antigas. Daí, multiplicaram monumentos, sepulturas, ruínas, e transitam feitos visagens pelas telas dos velhos equipamentos fabricados do que restou daquele período insano. Ausentes, pois, de alguns séculos, regressam nas memórias dos outros, enfurecidos e austeros. Sabem quase nada, todavia, daquilo que foram nos inícios, e padecem com isso angústias e desatinos, argumentos das suas aventuras constantes jamais deixadas de lado.

Questões exacerbadas dos desejos que os mantêm, saboreiam dos minutos a velocidade crepuscular nos nítidos sinais doutros temas largados nas calçadas enquanto aqui continham a fúria de viver, transformados em novos heróis, à cata de novas conquistas siderais. Esses aparentes intérpretes daqueles argumentos ora trazidos à baila querem, grosso modo, respirar novos augúrios, e aceitam de bom grado observar a pauta dos destinos ao penhor de existir com esta finalidade.

(Ilustração: Alfons Mucha).

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