quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Árvores do Paraíso


Ausentes que sejam esses registros, há que buscar nalguma imaginação tais referências, porquanto delas vêm todos eles, seres e objetos. Qual o quê, espécimes diversos vagueiam pelos córregos, nas gerações, a contar outras histórias, conquanto ainda sustentam lembranças daqueles contemporâneos de Noé deixados atrás ao momento das águas que tomavam o querer da Terra. Nisto, vastidões enormes, através das consciências, mostram fortes indícios de outras plantas até então desconhecidas que alimentavam viventes em volta.

Mesmo sentido a considerar quanto diversos argumentos guardados debaixo do solo aonde almas insistem mergulhar, horas a fio, na ânsia de quais encontros outra vez. Conhecer, por demais, a isto significa perdurar nessa floresta inigualável, talvez fruto das sementes deixadas entre os cascalhos, após a submissão dos seus primeiros habitantes que nos trouxeram aqui.

Conquanto senhores de baixas sucessivas, representam descendências inteiras no meio das raças deste mundo. Falam códigos às vezes inteligíveis, porém cobertos da lama daqueles primeiros embates. Por isto, no íntimo de todo ser existem céus sem conta, transmigração do que havia naqueles inícios arcaicos. O que mais espanta nasce disto, das sombras de supostas interrogações. Vozes recônditas seguem soltas pelos brejos, caatingas, vilarejos, numa sequência original de descobrir aqueles motivos primeiros, acrescentados ao furor das tradições.

Desvendar camadas profundas daquele parto intenso, entrecruzado na força das origens, eis em que andar no antigo chão e reconhecer partes individuais das atitudes, quer-se, todavia, apartar de si a escuridão das eras e reinventar primeiros passos da incalculável intenção. Viver descreve o roteiro nas entranhas de todos, contudo. Nas escrituras antigas havia sinais disso, depois reduzidos a meras suposições e abandonados pelas praias do Infinito.

Ao transitar nesses espaços de inexistência, se perdem nítidos onde foram terminar caules e folhagens dessas lendas feitas de sonhos e de outras dimensões, agora resquícios só imaginários, fervilhando o coração daquelas iguais criaturas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

As palavras e as cores


Mínimo esforço, e dali vêm à tona os sons, formas várias talvez, a criar das ideias o movimento. São lastros infinitos de se chegar às compreensões, independente da vontade e donde nascem. De si, os instrumentos de pensar os mundos tocam adiante. Nisso, desde lá longe, revestem o vazio do passado e demostram, tantas e quantas vezes, iguais acontecimentos deixados à margem das histórias, de novo a rever essa trilha imensa dos tantos que já habitaram este chão.

Daí, juntar pouco a pouco o silêncio a essas possibilidades faz da gente moléculas das horas, sem esquecer, todavia, nenhum dos detalhes aqui vivenciados. Espécies de conteúdo em atividade, preenchem viagens ilimitadas no íntimo de todos, nisto a formar roteiros de inúmeros dos autores vistos agora nas memórias individuais.

Correr a torto, a direito, pelas jornadas, e séculos, contudo ainda assim permanecem nalgum lugar, nalguma constelação. Conquanto nada desaparece, pois, do quanto existe, ser-se-á a iluminação de um panorama enorme do que exercita viver. Seres tais fervilham nas superfícies de mares incontáveis que significam lendas e mitos a construir a tapeçaria do Universo.

Neles, nas quais criaturas impávidas, vagueiam multidões aos milhares, feitas de suor e sangue, desejos e sentimentos, alimentados no Tempo e senhores de si próprios. Painel sem limites, ao longe, nas profundezas do mistério, ali sobrevivem de sol a sol. Monarcas de impérios ora desfeitos em cinzas, no entanto insistem continuar no espaço entre os astros, a escrever o código secreto da imortalidade.

Então, um a um, perfazem no íntimo a grandeza do que têm de narrar aos ouvidos da humana solidão. Sustentam seus diálogos intérminos; substituem o instinto pela intuição; e nisso estabelecem novos mundos aonde possam chegar certa feita.

(Ilustração: Hieronymus Bosch).

Nesse correr de argumentos, largam folhas sucessivas de contos surreais diante dos olhos acesos da imensidão, somando pedaços deles a desenhos enigmáticos do quanto ocorre no sabor de toda sorte.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Saber mais


E se amas a vida não temerás o futuro, pois a vida é o próprio mistério.
Khalil Gibran

Nos entremeios da dúvida, eis onde percorrem, visões sucessivas, as constantes caravanas em um mar de perdidas ilusões. No entanto, face aos limites dos sentimentos, daí perpetuam querer, lá num dia, revelar a si o quanto de segredos habitam este Universo. Perguntar, mirar na profundeza das dores seus aspectos definitivos de orientação. Despertar, portanto, do marasmo das repetições e encontrar a raiz de tudo, enfim. Na calma, na paciência, leveza sem par aos olhos da imensidão,

Desde sempre, indagar dos anseios inevitáveis, e presenciar na consciência esse mistério do Tempo a distinguir da Paz sua essência. Nisto, as religiões, filosofias, discernimentos guardados pelas profundezas dos astros. Clarear o coração e sustentar, no trilho da compreensão, o reconhecimento de estar aqui, a que se veio. Um e todos, insistentes anseios de transitar a meio do quanto existe, e tocar as bordas de certezas e soluções. Ver além da visão.

Nas horas mórbidas, quando defrontar o teto das confissões, dali surgem as normas do inesperado, misto de padecimentos e ausências. Entretanto, no correr das histórias, advém o arrependimento de antigas práticas, carcomidos prazeres, desvarios... Tais instantes cobram valores e fragilidades. Preço incontável doutras aventuras vem à tona, sem mostrar os corredores de fuga, conquanto daqui de dentro há que permanecer as criaturas, então.

As palavras contam essa vastidão de existências impávidas, afoitas perante o Infinito, mergulhadas que foram numa aparência de liberdade. Neste andar das circunstâncias, é-se um só a convergir ao eterno das eras sem fim. Com isto, as interrogações frontais da gente consigo próprio. Rio imenso a ser transposto, tais visões abstratas, preenchem o vale das sombras e aguarda, lá adiante, que seja o significado, a salvação.

Num transe de respostas inigualáveis, a que veio, pois, de persistir nas lendas vivas senão transitar à busca da realização do Ser que o somos?!

domingo, 28 de dezembro de 2025

Mitos e visões


De mesma vontade de tantos vêm os tais instrumentos de acreditar nos sonhos desde sempre. Na longa caminhada, filamentos descem dos céus e preenchem de cores os sentimentos, demonstrando sua força que domina os mundos. A meio disso, os habitantes de estrelas se põem a observar o Cosmos e percorrem esses longos corredores dos hemisférios, cientes, a bem dizer, donde chegar-se-á momento destes. Nascem lá de dentro das nuvens. Descem contrafeitos ao panorama dos momentos e anotam na memória traços inesquecíveis, guardados nas ilhas da consciência.

Perante quais lendas, descobrem existência até então que viviam tão só nas impressões gravadas nas ausências. Superpõem vagas lembranças dalguns seres com quem trocaram vidas e muitas epopeias e agora andam lado a lado. Das muitas e mais variadas espécies, são entes a procurar e o que significa aquilo enviesado no íntimo das mesmas criaturas que ora estejam do seu lado aqui. Blocos de significados mostram características diversas. Às vezes, animais, visagens, flores, outros humanos trajados de fantasias e gestos.

Qual o quê, viajam pelas alturas e permanecem escondidos nas sombras e nos bosques. Sobrevoam o teto da imaginação e resistem a duras penas aos mergulhos de quantos já sumiram, diante dos dias deste chão. Fossem revivê-los no fulgor das criaturas, desvendariam, de certeza, todas as aventuras humanas dos infinitos. Mas, por isso, as paisagens das entranhas de si constroem esses palácios no mistério.

Andam soltos em longas alcateias ao leu da sorte. Tramam, exercem papeis estoicos, transparecem, superpostos na caligrafia dagora, enquanto novos acontecimentos exercem iguais oportunidades aos que desfazem suas mesmas histórias. Descritas, pois, várias situações, eis que nos vemos face a face conosco próprios, a interpretar códigos sem final ali contidos nas inúmeras bibliotecas deste mundo.

(Ilustração: Aldemir Martins).

sábado, 27 de dezembro de 2025

As muralhas do Inconsciente


A que é que se destina... Vencer o inevitável e perlustrar despenhadeiros abaixo, à busca do sentido dessas estradas inolvidáveis; viver sem conta; continuar rios acima no rumo do Infinito. Horas gerais isto que toca o coro dos céus, na busca incessante dos meios necessários de cruzar tantas muralhas aqui bem ao lado disso, das horas, arcabouços de tantas jornadas inscritas na alma, gosto fiel dos sentimentos, mantém laços próprios das existências. Mas nisso eis o trem de alimentar seus sonhos ora em movimento.

Quantas pessoas nessa paisagem que se renova constantemente. E em cada uma as largas histórias, seus fracassos, angústias, definições, esperanças, planos, desejos, sobrevivência inédita de estar aqui aos sóis de todo tempo. Eles todos, milhões, bilhões, habitantes do cosmos a meio dos princípios até então desconhecidos.

Nisto, numa sequência natural, lá um dia dão de cara com o desconhecido de si próprio, submissos ao poder do mistério. Pisam as antigas veredas de tradições inesquecíveis, e mergulham pelas sombras dos astros. Querem descobrir a que estejam e aonde irão. Conquanto isso, dobras dessas ansiedades contundem, indagam das palavras, dos taumaturgos, das cartas, o segredo das consciências acesas, feitos protagonistas originais do que os traz até nestante.

Carcomem do passado o farnel de longas caminhadas, pedaços que foram de películas largadas no eito e queimadas ao vento. Ouvem, das epopeias, as virtudes, os percalços, feitos pequeninos seres, no entanto eternos, dos padrões universas. Houvessem outros autores, e seriam assim personagens vagos doutras histórias, doutros romances, de novas filosofias. Outrossim, hão de aceitar, queiram ou não, o instinto das interpretações que já transportam aos ombros. Submissos, pois, nos caminhos da continuidade, abrirão, certa feita, o coração e irão aceitar de bom grado todos aqueles lances das infinitas aventuras agora cativas da memória, após demasiados experimentos de onde fizeram morada.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Desde quando tudo aconteceu


Teto das alturas, e um mundo aos próprios pés. Espaço intermediário entre sonhar e existir, pelas folhas do Tempo, todos eles percorrem o imediato, ainda sob o crivo de um líquido desconhecido que nascem das primeiras flores. E fugir de volta aos lugares de longe, às madrugadas, ao silêncio das ruas desertas. Histórias mil a ser contadas. Uma geração inteira a contornar de saudade aquilo tudo, e reviver as agruras de inteira solidão agora presente.

Pudessem haver anotado o quando disto acontecer, quase que o silvo das cigarras faria sentido de tudo querendo viver nas horas extremas os espetáculos de então visitados. Espécie de abstração do que nunca se dera, assim sobrevivem multidões inteiras, largando pelos universos a impressão de valores, desejos e dúvidas. Nisso, recolhem as normas do primeiro amanhecer, depois de passarem séculos inteiros de escuridão.

Quaisquer impulsos e, de novo, a memória surpreende novas revelações, deixando ao vazio pura intenção de continuar aqui e permitir que palavras falem, invés dos gestos até agora adormecidos em saudade. Senhores, portanto, de preservar o panorama das quantas histórias guardadas no firmamento, resistem a custo ao furor do inexistente. Bem isto, das lembranças dos tantos heróis, ídolos de horas afetuosas espalhas pelos campos, ideias e certezas expostas ao relento de épocas férvidas, colossos do coração.

Crer-se ficarem certas verdades escondidas nesse inverno de consciências. Nas músicas, nos livros, nas festas apagadas, circunstâncias dos dias numa só paisagem indomável de circunstâncias inscritas nas antigas paredes da existência. Num abrir e fechar de olhos, qual contornar o esquecimento, agora refazem o percurso lá dentro das vidas e alimentam de tudo o sentimento de eternidade há tempos, na alma dos tais protagonistas. Habitantes, por isso, do vasto continente desses fulgores, ora contêm de sempre a vontade ferrenha de estar onde estejam, sem, no entanto, abandonar os amores de antes. Acreditar no gesto das convicções, pois, e reunir em único ser a voz plena dos melhores momentos vividos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

À busca de interpretações


Qual nas histórias sem fim, desse jeito as criaturas humanas e o instinto de compreender as causas outras de um tudo onde preencher de existência os continentes distantes. Desde sempre, buscam, nas malhas dos relacionamentos, motivos de simplificar as intenções. Sujeitam-se aos valores que repetem, dividem com os demais e sustentam, nas teses fantasiosas de si. Querem juntar em única visão a paisagem universal e nisso viajam pelas ilusões feitos seres incontrolados.

Nem de longe, por isso, resolvem de tudo equações e desafios. Criam, é verdade, lastros enormes das respostas que ocorrem à medida do Tempo. Sabem, no entanto, isto ser o fruto amargo dos pensamentos/sentimentos, espécies de entes esquisitos que habitam o firmamento e querem dominar as tais criaturas próximas. Diante da tal matéria bruta, lugar em que ora vivem, reproduzem cenas incontáveis dos dias, a buscar o senso pela estrada longa à sua frente.

Mesmo perante território enigmático, superam normas antigas de padrões e experiências, tateando o escuro deste chão. Recorrem aos códigos gravados pelos semelhantes; trabalham, refazem, reúnem, e anseiam desvendar, porém cativos da escuridão donde vêm. Daí, face ao território inabitável da dúvida, ao término, lhes sobra aceitar o que deixarem aos pósteros.

São relíquias das tradições, dos livros, lembranças vagas daqueles mais astuciosos, dispostos a fervilhar as cinzas e contar do que dali interpretam. Conquanto façam nascer novos símbolos, letras, números, palavras, textos, persistem aos olhos da Eternidade autores de equações quase nunca suficientes. Transitam pelos ares feitos componentes absurdos das lendas deixadas incompletas nas arcas dos destinos.

Dos saltos das gerações, provêm emissários perspicazes, tipos isolados nas noites do mistério tão só a colher fragmentos esquecidos nas calçadas da História, de quem talvez possam avaliar seus segredos e mitos. Bem suportam cruzar os mares do desconhecido, todavia sujeitos a sucumbir, porquanto o fazem no barco do esquecimento. Visto destarte, outra sorte há de ter esses aventureiros nas asas da imensidão.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Postais da inexistência


Casarões esquecidos na imensidão do que ficou atrás falam disso, do quanto ficara grudado nas cores de antigamente e que insistem regressar ao clarão das madrugadas atuais. Sequências inteiras das praias lá do passado persistem intactas nesses azuis de eternamente. São as próprias pessoas tais interrogativos firmados em si, dentro dos condados então vividos, que fixaram raízes quais princípios do inevitável da imortalidade.

Parágrafos inteiros narram histórias sem limite que pousaram naquelas galhas ressequidas dessas árvores da mais imensa floresta, preservadas a ferro nas lembranças das gentes e dos objetos. Isso do Tempo, que fascina sobremodo a quantos queiram nele mergulhar. Algo assim que nem mistério em vida, a contornar solidões inteiras. Enquanto isto, mil pendores invadem a torre dos universos e as exploram demasiado ao teto das contrições.

Daí nascem os roteiros dos tantos amores espalhados nesse vendável de súplicas que transformaram no simples gesto de estar aqui, pisar as horas e sobreviver ao impossível. Multidões encapuzadas vagueiam pelas frestas disso, do que buscamos compreender e tornar íntimo das palavras. Saem silenciosas no eito dos céus, a deixar rastros profundos na alma das gentes em movimento. Mesmo que tanto, sempre regressam noutras aventuras, demonstrando o poder da certeza aos braços da imensidade no caos das expectativas ainda em formação.

Conquanto cientes dessas longas planícies que haverão de cruzar, edificam a ermo paisagens sucessivas e alimentam sonhos de trazer no íntimo a força de continuar a todo custo. E cuidassem disto, de revelar o firmamento que já carregam na essência, transitariam pelo inesperado e saberiam permanecer nesse cosmos de razões absolutas como quem desfaz o percurso das tramas e dos desejos.

Quais protagonistas de espetáculos jamais imaginados, sustentam essas condições de usufruir da existência, herdeiros privilegiados e sujeitos de orações controladas dalgum lugar dos universos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Os versos II


Recordo a fase de quando viemos morar em Crato vizinho à serraria que meu pai iniciara em sociedade com o meu Tio Quinco, irmão de minha mãe, ali pelos inícios da década de 50. Dada a proximidade, era minha: Escola, casa e serraria. Lá conhecia todos os operários, fazendo-os meus amigos. Zé Doca. Assis. Edmilson. Mestre Manoel. Mestre Elias. Joza. Pedro. Chapeuzinho. Mestre Mulato. Borginho. Prancha. Zé de Sousa. Gregório. Mestre Raimundo Nascimento. Eles aperfeiçoavam a madeira e faziam linhas, caibros, ripas, portas, janelas, etc.

Às segundas-feiras, nos intervalos do expediente, havia quem deles fosse ao centro da cidade e comprasse cordéis, sempre vendidos na feira semanal daqueles dias. Nisso, no decorrer da semana, ao médio dia, um deles fazia a leitura de um desses livretos de feira, a que denominavam versos. E eu ali, deitado na raspa das madeiras, escutava atentamente as histórias. Atento, logo que concluíam a leitura, (já sabiam), de pronto corria e pegava o verso lido guardando comigo, nisto formando uma coleção. Durante um bom tempo foi minha primeira biblioteca, que escondia, clandestinamente, na gaveta da mesa das refeições lá de casa, na sala de janta.

Nalgumas ocasiões, eles pediam de volta até fazerem a releitura dos mais apreciados. Eram produzidos em larga escala pela Gráfica Sáo Francisco, em Juazeiro do Norte, escritos por autores destacados da oralidade nordestina, entre os quais Patativa do Assaré, Cego Aderaldo, Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, dentre outros. Ainda lembro alguns dos títulos: As proezas de João Grilo, O romance do Pavão Misterioso e Triste Partida. Em sua maioria, tinham as capas ilustradas com xilogravuras.

Apreciava com gosto as histórias, as rimas, o ritmo, e na voz sertaneja dos operários isto se tornava por demais misterioso, diferente das aulas da escola que também tratavam de livros. Hoje, então, quando sinto na literatura um mundo que me fascina, recordo esse primeiro instante de haver conhecido as letras também da cultura nascida na alma do povo do Sertão.

Reticências do Absoluto


Isto do qual cravejar caldeiras antigas na intenção de construir naves que os levem a estrelas até então desconhecidas; nisto, neste exato momento, o mundo lá fora prosseguirá. Noutras palavras, viajar pela imaginação na forma de seres doutras dimensões é pousar à sombra de árvores de pedra na espera da sorte grande qualquer dia. São eles, os tais peregrinos dos desertos os mais imensos, largados à procura de, num tempo outro, descobrir o território das consciências e nele habitar enquanto defrontam, desfeita em luzes, a lonjura da Eternidade. Sujeitos, contudo, aos percalços dessa imensidão, apenas observam impávido, devagar, o traço profundo das horas que disso lhes desperta, pouco a pouco, os olhos da vontade que havia de vir certa feita.

São inúmeros por demais, exemplos assim de aventureiros à cata do destino. De hora a outra, desfazem os agasalhos e dormem de vez nas asas da imaginação. Sabem obedecer a determinações dalgum lugar, qualquer tempo. Ser-se-iam meros artífices de uma força soberana em movimento constante pelas entranhas do Tempo. Outra alternativa, no entanto, lhes resta que significa achar os marcos definitos da longa estrada além desse Infinito.

Exercem papeis a bem dizer intransferíveis. Superpõem longas histórias aos mínimos acontecimentos do dia. Mesmo que tanto, outros que se sucedem ficam por conta do inesperado. Sei que ouviram, nalguma vez, o que teriam de experimentar. Vagam, por isso, ao redor dos séculos, deixando de lado paixões e devaneios, todavia cientes de encontrar dentro si, alguns instantes, leis antigas, pois as mantêm na própria carne ao fervor do tempo inteiro. Sendo viventes da relatividade, observam transformações que sustentam admirados o sequenciar das consequências neles mesmos. A escola é isto, aprender na existência o que já trazem consigo desde sempre.

Destarte, personagens de uma ópera significativa, preenchem tais caldeiras desse mistério, e aceitam de bom grado o que se lhes aproxima e satisfaz, na medida dos segmentos posteriores.  

(Ilustração: Botticelli).

domingo, 21 de dezembro de 2025

O prenúncio das incertezas


E nisso se chegar até aqui. Tocar em frente a barreira do som. Substituir na dúvida a inevitabilidade dos acontecimentos. Daí nascerem palavras e delas pensamentos; em seguida, quem sabe?, os sentimentos. Conjecturas às margens desse rio inolvidável dos destinos... Sonhar... Cantar... Respirar... Enquanto as mesmas aves sobrevoam o Infinito e dormem ao sabor das madrugadas intensas. Bem isso, fagulhas que percorrem lastros enormes de perquirições, contudo já agora prenhes dos novos momentos que lhes surgem num abrir e fechar de olhos.

Saber-se além das eras e nelas existir. Saturar as normas dos percalços e andar sobre trilhas e despenhadeiros quais secundários detentores das outras condições que ficaram ao longo das estradas do sem fim. Página a página, construir arcas sucessivas de outras histórias. Senhores, portanto, da imensidão depositada nos mesmos corações de antigamente. Esses pergaminhos do inextinguível daqui buscam sempre o que possam encontrar pelas sombras dos tais hemisférios.

Fossem, pois, argumentar diante do Eterno e, na certa, definiram continuar vidas a fora no barco dos contentes. Olhares postos nas curvas da servidão, conteriam no íntimo essa vontade insana de prosseguir aos picadeiros da fama. Eles, nós, quem fosse, avistariam, decerto, razões inúmeras de só observar insistentes o horizonte em forma de luzes inimagináveis. Prudentes autores dos romances inesquecíveis, voltar-se-iam à esperança, todavia ainda que perante as dúvidas e os impactos do chão.

Astronautas do inexistente, percorrem sabores incautos, mesmo assim. Deslizam a meio do firmamento cientes do quanto lhes aguarda logo ali, porém astutos, miraculosos, cobertos dos velhos lençóis de noite as mais escuras que sejam. Às vezes, algozes; noutras, santos, fieis, relíquias de litanias puras. Bem isto, frutos da necessidade constante de revelar tais princípios da imortalidade, contêm na própria essência o instrumento de todos valores que os trarão de volta depois de cruzarem mares e mares sem conta. Cientes disto, apenas exercitam a consciência, no meio dos desafios que os levam, à espera dos céus.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Mesmo que assim não seja


Há que se viver dalgum jeito diante de tudo enquanto. Falam de portais, iluminação, lugares santos na alma, luas místicas, dias de paz...Resumem grosso modo as mil compreensões, vagos territórios até então desconhecidos, porém férteis nas consciências das pessoas. Um pudor estonteante adormece no coração das pessoas e restam filosofias cadenciadas a falar disso, da clareza que acompanha os sentimentos.

A esse ente, sobrepeso de tantos outros, segue o instinto de preservar os destinos e chegar lá um tempo na ilha da solidão do imaginário, onde impera sobremodo o tal poder de continuar vidas e vidas. Disso provêm as sociedades, reunião dos fragmentos de histórias guardadas na lembrança dos livros e salas de aula. O herói dos infinitos que percorre sem jeito o panteão das academias, o solo dos poderes além do véu, e aceitam de bom grado padecer e perpetuar a espécie.

Pudessem avaliar o espaço preenchido das vivências mais antigas, seres superiores viveriam entre as massas e contariam delas o sentido da realização. Juntar palavras dissolve, pois, o princípio das encontrar o  que alimenta gerações inteiras. Fugir sem ter aonde significa, pois, bendizer as cicatrizes da culpa e trazer de volta os mártires, serviçais do egoísmo avassalador de eras perdidas.

Quer-se recontar doutro padrão a herança daqueles desaparecidos, e transformar a expectativa das civilizações em moeda de troca dos enlaces que virão logo adiante. Os jogos e tabuleiros falam dos restos que aqui ficaram largados ao vento. Temos de identificar o rumo de abordar o mistério e fazer dele a pedra de toque do que ainda vem acontecer a qual instante.

No somatório das visões de reis e senhores do palco, sempre haverá alternativas de estruturar os roteiros. Ninguém estará a margem do que virá. As marcas esquecidas pelos vagões da memória demonstram a realidade dos encontros inesperados das humanas soluções em andamento.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Cativos da Liberdade


Seres que tais, visagens soltas em mundos desconhecidos, padecem qual tempo desta fome das horas. Sei que vivem aventureiros, porém submissos por demais ao inesperado. Vagam feitos galáxias sem fim das memórias guardadas consigo dos transes outros deixados lá no íntimo do passado. Andam cadenciados pelos campos, olhos fixos do Infinito que devora sem razão aparente. Esperam, contudo, existir nalgum dia, senhores das floresta imaginárias que lhes percorrem sem cessar os escombros. Transitam, que conheço, nesse mar de tantas aves, tantas nuvens, nem de si reconhecendo, no entanto, o motivo original de todas as letras.

Bem esse retrato fiel do anonimado das muitas criaturas em volta de imensas fogueiras de sentimentos onde existem. Vislumbram tratar do instinto e padecem dos arrependimentos. Sobrevivem a troco de, lá num momento distante, refazer os percursos de sonhar nas noites felizes.

Mas o que nos compete será sempre distinguir entre agir e aceitar as consequências. Saber-se autor dos próprios destinos. Saborear das cores a pureza do firmamento. Pisar nos astros e aceitar as luzes dos objetos de que fazem parte inestimável.

Livres, libertos, se não de si, dos gestos da imensidão enigmática. Lapidar das palavras os argumentos, no fervor das dúvidas. Eles, parágrafos inteiros cheios de ânsias e virtudes, histórias e aventuras errantes lá do mesmo coração, constroem os monumentos das civilizações e habitam esse universo inteiro da beleza em forma de desejos, e recebem de bom trado os frutos das contingências do quanto buscam. Independentes, pois, do que sejam, só em continuar adquirem o senso da História e voltam a viver, de novo, consigo pelas malhas do mistério donde vieram.

Nisso, agem sem medidas aos trâmites do Destino e gozam da beatitude trazida lá de dentro, das malhas sombrias dessas visões até então feitas de esperança e fé.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

A que nos cabe ser assim


Alimárias soltas entre causas e consequências, isto refaz das experiências este mundo vasto sob o crivo de algumas razões adormecidas. Elas imperam, determinam, impõem. Altivas parceiras do real desconhecido, eis-nos perante o desaguar das civilizações, de olhos fixos nalguma criação imaginária que segue faceiro no sentido de tantas jornadas.

Esse panorama resume as ficções que somem na crosta do infinito de nós mesmos, caudilhos de semblantes os mais diversos. São inúmeras as confrarias montadas a determinar a quê, no entanto mera repetição das noites disformes deixadas no passado. Porém o experimento testifica, por si, a que se veio. Pássaros de asas abertas ao inesperado, hoje vagueiam sobre equipamentos diversos, a estruturar novas criaturas do que restou até aqui.

As lâminas superpostas equivalem, em tudo, às ciências postas em andamento. A bem dizer senhores de liberdade imaginária, geram outras vidas às deixando no relento da sorte. Seres em rebanhos multiformes ainda percorrem sistemas arcaicos e saboreiam dos retalhos antes jogados fora, qual vez. Disso nascem as políticas, os esportes, as religiões, fatores outros múltiplos de qual rumo postular no correr das penitências.

Quando se parar um pouco e analisar os véus que cobrem o que ficou na estrada, dali advêm histórias sem conta, pudores, fragmentos, outras sequências então esquecidas. Entretanto, anterior ao que possam vislumbrar os autores, profetas, líderes, no âmbito disso ressurgem possibilidades inimagináveis. Alguns querem que mudem as letras, os romances, filmes, cantigas e repetitivas ilusões, contudo nem sempre ser-se-á presente ao que virá durante o seguimento daqui adiante, pois.

Dentro, na essência de si, viceja encantado o destino na forma de absoluta transformação, substrato das sementes lançadas aos céus. Isto a causa única do princípio universal das existências, em novas dimensões, justas, verdadeiras, inigualáveis, há de fomentar o nexo de todas as visões e rescaldo pleno dos motivos de chegar a esse instante.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

As entrelinhas do Destino


Falas sem conta preenchem o teto das alturas. Lá desde longe aparecem os limites, no entanto. Quais olhos abertos dalgum ser, vemos circular, no verso das criaturas, esse desejo enorme de compreender o rastro de quem anda pelo mundo. São espectros tangidos num tropel de quantas raças. Animais acesos nas fogueiras das consequências, avaliam as chances de liberdade, contudo meros autores de si mesmos.

Bem que se ouve os acordes vários das sinfonias mais distantes. Daí, versões do que pudesse acontecer a qualquer momento, nisso desfilam infinitos pelas bordas da imaginação. Vadios, soltos nos gestos, visões mergulham na essência dos objetos, perdas incontáveis dos dias e das noites, suaves atitudes na forma de criaturas. Conquanto digam as palavras, luzes que rasgam os céus nas histórias em profusão.

Eles vislumbram, pois, os gestos em volta e deixam que seja assim o trilho que percorre a floresta antiga de lendas e fantasias. Sabem, portanto, de onde nascem os credos, alimento dos deuses. Sustentam normas sucessivas de longas viagens nos quadrados abertos à frente. Querem agir, afirmar o roteiro dos contentes, outrossim cercados das vestes já rotas, muitos em nuvens de calor intenso nestas tardes sem fim.

Houvesse verdades esquecidas, ali satisfariam o senso desses vilarejos da própria consciência. Juízos gastos, mãos entontecidas, sabores até então desconhecidos, querem cumprir de algum modo o ofício de sobreviver a tudo e todos. Vislumbram, sim, as perspectivas que lhes restam, e sorriem de contentes em face do mistério que compõe os corações. Mapas esquisitos perduram a duras penas pelo íntimo das virtudes. Passados foram essas chances do inesperado onde trituram rochedos imensos nos braços que compõe o painel dos sóis abertos.

Sobretudo pensamentos insistem nutrir a beleza das flores que colorem os sentimentos. Superpõem de certezas o barco, nas marés dentro de roteiros até então definitivos, e aceitam de bom grado as servidões a que devem obedecer.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Duas primeiras estrelas


Festival de asas cruza o céu em plena tarde ao final, indicação da tendência do frio que trazia consigo a noite embalada sob as fraldas sombrias da serra, esmaecidas quando saí o Sol que fora embora, largando mais um dia à própria sorte da escuridão audaciosa, invasora de tudo.

Dentro do peito, esse vazio de não ter tamanho, ausência de compreensão naquilo do fazer de cada minuto seguinte nas pautas eternas. Pergunta frondosa encobria todo o terreiro da alma, suavizava a razão na luta de encontrar resposta através das paredes horizontais, no distante das coisas.

Viessem obrigações de cumprir papéis, passos pegajosos afora pouco ou nada aumentariam da calma dominadora das ânsias de engolir mágoas e caprichos. Vadios instantes engalfinhavam cinturas de objetos abandonados pelos cantos iguais da casa vasta do Universo.

Contudo, as mesmas esperas de lençóis revoltos jogados ao vento na manhã seguinte. Nuvens em forma de ilusão escorregam nas frestas das possibilidades e janelas fechadas a sete chaves. Sabores oleosos entre dedos calejados. Frases superpostas ao tempo, em velocidade, nas luzes que clareiam o longe do vale nos relâmpagos aflitos das chuvas insistentes.

Vezes sem conta, abraços cálidos aqueceram o drama ininterrupto das feras perigosas no cio. Folhas secas estalavam com isso. Troncos rolantes ladeiras abaixo, na mata cinzenta dos restos de árvores e fiapos de lua escorrida nas gretas ressequidas dos galhos, passada em meio à brisa gelada recém-chegada no véu das plantas nervosas.

Saudade ou bicho parecido quis cravar velhas unhas enegrecidas de encontro ao pescoço da presença contundente da vida em cada espectro circunvizinho. Apenas silenciosos vultos, recurvados ao peso das existências inevitáveis, desfilavam sorrateiros, enquanto sensação de tumulto interior realizava trabalho repetitivo de clamar por socorro aos berros estridentes dos lobos entediados no alto das serras.

Quantos séculos transcorreram nas entranhas da mata entre os vermes do húmus enegrecido, ninguém sabe, calcados na força dos músculos de raízes vegetais. Saber ninguém jamais saberá, em face das tantas negociações em aberto. Apenas a sensação de calafrio, as entranhas da gente e os animais, seres desconhecidos em bando, jogados às gamelas untadas de mel e seivas azuis. Mandíbulas de presas amoladas, hálito forte de garganta ressequida, estertorosa, sabor de fome e sede, misturado na soma de restos jogados fora, fulgores e fermentos.

Enquanto pedaços intercalados da cena reconstituem o panorama secreto, pássaros noctívagos impõem tons salpicados de chiado surdo. Corpos, um nada mais que tanto único, corpos atracados feitos insetos-gente, suados e nus, âmbito dos fenômenos revoltos da natureza viva, revolvem o barro avermelhado.

No alto, as primeiras estrelas festejavam a concretização da mudança de seres entalados na terra, nervos, artérias e veias. Dois entes esverdeados erguem os braços e tocam as faces escorridas de visgo odoroso os narizes desafeitos. E abraçam um ao outro, nessa primeira de inúmeras outras vezes.

Aqueles mesmos lugares


Ser-se quais testemunhas do que viveu, isto resume o transe de experimentar sabores, situações, estradas, ruas, num perpetuar ilimitado pelos séculos. Tocar as paredes da presença e conversar nas imagens, cores, falas, entre histórias que repetem as cenas mais antigas de uma peça monumental. Revisitar trechos da consciência ali mantidos nesses territórios de tudo, feitos seres vivos também. De comum, são eles que existem, esses momentos, não as criaturas em volta. Sustentam emoções, reações, sentimentos, desejos, pensamentos, numa horda inesperada dessas trilhas, conservados a ferro e fogo no íntimo. Enquanto isso, estão ali escondidas as histórias preservadas no metal das horas, a fervilhar quando menos se espera; chegam fácil e impõem condições. Sem avisar, descrevem, narram, o que antes aconteceu, tais acordes e pessoas. Decantam mil fragmentos daquelas ocasiões. Nalgumas vezes, quais algozes. Noutras, a título de incentivo e gratificação.

Isso que chamam de memórias; significam preservar, a todo custo, os destinos, e alimentam as consequências de haver sido daquele jeito. Assim, de dentro dessa cápsula do ser que o somos, nas suas paredes incontáveis, ficam estabelecidas as cenas dos tais filmes da gente em forma de sentimentos e resposta do feito e vivido, normas da causalidade. Espécies, pois, de alimento desse caudal intransferível, tocam adiante o princípio das certezas e a manutenção dos resultados.

Em dizer tudo, há, de certeza, a preservação do sentido através desses fragmentos espalhados fora e dentro, e conservados em si. Tetos do instinto definitivo doutras sequências, instigam mares sem fim de tantas verdades; deixam nítido o entrosamento de tempo e espaço, por meio dos viventes e da realidade que existe. A bem dizer, nisto a única existência feita de blocos soltados pelas consciências em movimento e ao bel prazer individual.

Destarte, sempre a conter na percepção o nexo de reinterpretar, estes protagonistas e autores das vidas sucedem o Infinito, largando desperta a razão do quanto houve, suspensos a meio mastro nos céus. Valores inestimáveis, assistem dos frutos as sementes do que virá logo em seguida.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Instantâneos


Isso de viajar por dentro de si, escarcaviar as entranhas dessa caverna de onde somos feitos, espécies de estações solitárias, exclusivas, de outra dimensão. Indivíduos, seres orgânicos e, além de tudo, cientes disso, do que possam vir a ser certa feita. Nisto, nessa circunstância enigmática, sucedem os pensamentos na face constante dos sentimentos arredios. Estreitos laços dentre palavras e ideias, ali mora o Tempo, autor do quanto existe.

Nesse corredor estreito das próprias histórias, sustentar os dramas do passado e carcomer dos dias suas agruras, porém senhores absolutos das atitudes que regressão em forma de aprimoramento. Preencher de continuidade as trilhas inevitáveis aonde seguem, sobrevivem aos mesmos desafios de saber-se assim frente a frente consigo e autores do roteiro que ora exercem. Quantas vezes regressam aos antigos momentos de emoções a se desfazer nas horas já desaparecidas no vazio. Perante essa fogueira que lhes ferve das lembranças, saber do quanto viveu e, talvez, possam haver aprendido lá alguma lição.

Conviver na essência do que aconteceu, eis o destino dos quantos estejam no campo das criaturas viventes. Buscam conhecer as trilhas da contrição, no entanto ainda refeitos doutras surpresas inatingíveis deixadas no limbo do passado. A gente observa isto no teto das distâncias e distingue quase imediatamente o lustre desses limites entre as existências. A bem dizer pomos inatingíveis dalgum ente em formação, arrecadam do vento o correr das circunstâncias nem sempre esquecidas.

Desses totens cruciais, logo de início descobrem a tangibilidade dos seres iguais que andam próximos, e fazem de conta ignorar o sentido que determina sobreviver, porém aspiram, sobremodo, um dia, fazer as pazes com o firmamento e dormir contente à busca dos finais felizes. Muitas vivências, se não todas, permanecerão para sempre grudadas no íntimo de todos. As falas, os mistérios, conservarão nalguns o senso do definitivo nos instantes que jamais irão desaparecer.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Contornos da visão


Nítidos os motivos de observar em volta, no entanto resta nisso compreender apenas metade do quanto existirá dentro desses que a isso observam. Admitem interpretar a totalidade, enquanto identificam o que ficou lá fora e nisto submetem a realidade ao que lhes resta de acreditar, fixos ao instinto das soluções que eles mesmos criam de per si a todo instante.

Daí o extremo da necessidade que submeter a Filosofia a um discernimento tão só parcial daquilo que significaria responder aos desafios desse universo inteiro. Pequeninos seres, veem ainda menor o que representa ver. Distinguem, talvez, minúsculas partículas da enormidade em si e no mundo em volta. Nisso, as palavras respiram a imitação desse quanto que ora sobra de conhecer dos mistérios os seus segredos.

Da imensa totalidade que importa mínimos conceitos perdurarem no tempo em movimento e na mente das criaturas humanas?! Padecem, por isso, do senso arrevesado de parceiros do anonimato, e seguem pesarosos o trilho da imensidão. Creio que viajam pelas sombras à procura da iluminação de que sentem o calor. Conquanto persistam na aventura da interpretação benfazeja, observam na distância o palco transcendente dos séculos, e aceitam de bom grado que seja tal e qual.

São muitos interpretes a construir do verbo a missão, porém ficam soltos pelo ar, séculos a fio, quais canções místicas dos senhores da essência. Folhas mil deslizam pelos céus da consciência doutra até agora humanidade que conhece. Contam, descrevem, superpõem. Sobrevoam os rincões da imensidade e, então, adormecem nos braços mornos das ficções. Todavia pesa saber, responder aos queixumes da ausência de respostas além do painel das verdades trazidas no íntimo. Mergulhar dentro da própria intuição e conter todas aquelas assertivas que possam revelar de vez o tanto que se procura vidas a fora.

Bom, do transitório nada resta, portanto. De quem já presenciou o mais sincero de tudo da Verdade eis aqui o campo fértil de partilhar a luz da Sabedoria ao que estejam ausentes, pois.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Alquimia da alma


Isso lá de antigamente, quando carismas pregavam transformar chumbo em ouro, e agora veem doutro modo, em reverter o ego no Eu Real, quanto à psicologia analítica de Carl Gustav Jung.

Carl Gustav Jung foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica. Com um legado influente nos campos da psiquiatria, psicologia, filosofia, ciência da religião e literatura, Wikipédia

Nisto, ver-se-á face a face consigo mesmo e refaz o percurso da compreensão, não mais através de jogos sucessivos de poder, se não por meio do autoconhecimento. Itinerário da longa espera de resolver o sentido das existências, certa feita distinguirá a verdadeira arquitetura da personalidade. Os dois eus identificam, portanto, o nexo da consciência e resolvem no âmago estabelecer o princípio do quanto lhes traz à presença o mistério em vida. A isto Jung denominou Processo de Individuação.

A Individuação em Carl Jung é o processo de tornar-se um indivíduo único e completo, integrando os aspectos conscientes e inconscientes da psique (como a Sombra e arquétipos) para alcançar a totalidade e o “Si-mesmo” (Self), uma jornada contínua de autodescoberta e autorrealização, diferente da mera individualidade social, buscando equilíbrio e o próprio potencial máximo da pessoa, e não a perfeição ou a fusão com o coletivo.  Google AI

Conquanto desvendar tal objetivo de continuação psicológica signifique integrar o objetivo natural ao senso individual, cabe, no entanto, ao ser humano exercitar isto, instrumento este dentro da individualidade e totalizar tal processo. A tanto cabe conhecer os segmentos filosóficos da racionalidade e reunir na essência do ser o aspecto da própria autenticidade.

Daí desde longe quando iniciavam a contar da alquimia as interpretações que levavam considerar poder fortuito de conquistas materiais, quando, todavia, simbolizava o fenômeno interior da superação da Sombra pela Luz, fator sem igual na ciência do Espírito.

(Ilustração: Carl Jung (reprodução de brandstaetter images/Getty Images).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Universos individuais

 Assim dentro da vida, tais heróis das próprias aventuras, deslizam feitos segmentos dispares, porém semelhantes em quase tudo, um de cada lado. Vezes astutos, noutras piedosos, pacientes. Pelotões sucessivos de microrganismos desse muito espalhado aos quatro cantos, alimentam as ilusões. Senhores de desejos sórdidos. Múltiplos, a contemplar os sóis, todavia macerados, contundentes, a viajar nas sombras, e persistentes buscadores de vitórias vorazes no tabuleiro dos céus.


Trazidos que tanto a lugares mais próximos do Infinito, eis que descobrem serem o início e o final do quanto existe e haverá sempre ser. Dois esteios do mesmo pavimento. Olhos fixos nos mistérios, porém de portas abertas ao conhecimento da plenitude que ainda ignoram. E nisso tocam em frente o romance das distâncias, autores e protagonistas que tiverem sido. Fieis ao que lhes restam nalgum dia, vasculham as latas de lixo da História e de lá descobrem, certa feita, o princípio original que os trouxe até agora.

Sei que conversam entre eles, sobremodo nas noites mais escuras. Destrincham farpas sem conta dos laços que imperam querer. Trocam detalhes das antigas tradições e confundem possibilidades. Esperam, contudo, respostas aos apelos feitos nas cercanias da Luz. Sustentam, destarte, mil condições de encontrar essa resposta insistente que já carregam no íntimo de si. Superpõem verdades sobre verdades, longe, no entanto, de pô-las no colo das presenças.

Sabem, sim, de ouvir dizer dos profetas, que trazem consigo a resposta do teorema das maravilhas com que possui parentesco inevitável. De novo prescrutam territórios inteiros de filosofias, estratagemas, crenças, e aceitam visionários quais fator essencial do que poderá acontecer nalgum dia. Eles, pois, a existência em forma de negociação à frente do espelho, nexo das probabilidades desde que admitam o início original dos séculos, dos milênios, nas entranhas da essência em movimento.

Já do lado interno, a Consciência resume todas as únicas razões do desfecho sagrado à sua espera logo aqui, nas palmas do sentimento.

(Ilustração: Centro de Artesanato Meste Noza, Juazeiro do Norte CE).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O abismo do Infinito


A alma tem um logos que aumenta a si mesmo. Heráclito

Vem de um eco lá de longe, trazido nas abas do vento; são sinais imaginários da compreensão e da força, na imensidade feita de carne, cores e formas até hoje fruto tão só de meras suposições e pensamentos vários. O espaço, afinal, que arrasta esse caudal de existências desfeitas pelos céus e de que apenas pequenos acordes de lembranças perduram, nos olham nos últimos avisos das profecias vindas de há muito e deixadas de lado. Nisto, ficam lá fora, entre dores e queixumes, os animais extintos e restos de pertences esquecidos na memória de alguns. Funduras sem limites que sejam, separam, pois, as noites e os dias da História.

Enquanto nuvens sucessivas escrevem suas formas inesperadas nos céus, bem ali perduram antigas promessas contadas em épocas distantes sob escombros e vagueiam nessas visagens das criaturas, a descrever suas nuances em relentos ardorosos pelos rincões da Eternidade. Eles mesmos, nós, que sejam, escutam calados esses cânticos embebidos no mistério, e nisso adormecem tantas vezes, apenas cientes de preencher o mar da existência.

Quantos e tantos, um e muitos, silentes, deslizam no tempo de dentro das consciências e buscam os motivos de andar neste chão. Lutam consigo em revelar o sentido do quanto perdura face ao inesperado. Por mais soberbos que fossem, marcariam pelos ares o crivo das antigas sementes de civilizações desde sempre desaparecidas nas próprias almas.

Foram estes habitantes de reinos desfeitos que, nessa hora, fixaram nas torres da solidão seus desejos e sabores, entranhados na pele dos destinos, a rever, insistentes, o fervor da verdade que os transporta pelas gerações sucessivas. Pudessem, decerto sorririam de felizes ao saber contar essas visões do imaginário que eles mesmos alimentam no correr de dúvidas e sonhos. Prudentes a transpassar de credos as palavras que sustentaram, ouvem contentes o estribilho de derradeiras conquistas pelas encostas silenciosas que contornam os precipícios vorazes em torno deles todos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O labitinto da memória


No correr dos dias, vez em quando sujeita acontecer de a gente esquecer, talvez nomes, fisionomias, lugares; para, examina nas entranhas, querendo trazer de volta, o que às vezes ocorre, ou não. Nisso, as cenas a bem dizer constantes de negociar consigo próprio, no afã de recontar o que ficou na estrada, mas sem saber o armário disso. Quando, então, vêm de volta as grosserias, os embalos de contradições, atitudes equivocadas, (sei lá!), um tanto de percalços que só a existência oferece e restaram nalgum recanto esquisito da mesma pessoa. Conquanto queira-se melhor, no entanto a pedir compreensão a si mesmo ou aos outros que nem imagina aonde foram parar.

Bem isto, viver numa cercania de abstrações e ser esse objeto em movimento que pensa, imagina, pesa, sente calor, fala, se contradiz, viaja, trabalha, enxerga, namora, algo em movimento na exatidão dos séculos, a persistir nas intenções de horas absurdas, noutras coerentes. Preveem, supõem, determinam... Cactus... Roseirais... Ditos seres humanos.

Daí, as sensações de calor, escutas, recordações do que fica grudado nas paredes de dentro e servem de parâmetros ao que possa vir a qualquer momento. Antes de tudo, blocos de percepções incontáveis, a dizer do quanto significou de presença no chão onde esteve.

Nisso, o fio inevitável do que possa ter sido todo itinerário, roteiro da sorte que carrega no peito, são abismos profundos de transes aqui escondidos no íntimo, riscos incontáveis de quantos impulsos, desafios e saudades. Noutras palavras, blocos de pensamentos/sentimentos em constante ebulição, todavia algo surpreendente em termos de habitar os sentidos do Universo e tocar adiante esse projeto surreal de emoções e surpresas que o somos ao sabor de enigmas profundos, aos quais fazendo parte e desenvolvendo o transcorrer das histórias.

A percorrer quais ideias, dali ressurgem a beleza das cores, o formado do que se vê, as distâncias no Infinito, o som do silêncio, a circulação dos astros, a profundeza do firmamento, o decorrer das civilizações, os alimentos, a exuberância de natureza em volta, tudo isto a perpassar a exatidão das pessoas e o fervor das consciências. Enquanto seja, eis o significado em andamento, motivo único, tão-só, de encontrar a razão desse absoluto que contém as respostas e o significado de estar aqui.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Livros abertos


Depois de algum tempo a claridade vem à tona e restam esquecidas as primeiras suposições do que seja essencial na cultura humana. Isso de gostar de ler, por exemplo, deixa de significar o faz de conta que ora domina a bem dizer quase tudo. Nas estatísticas, o País perdeu em torno de 7 milhões de leitores; que os livros somem numa velocidade estonteante. Quando, na verdade, quem gosta de ler jamais abandona o ofício, isto pelo prazer inigualável dessa atividade tão fascinante. Respeito os que buscam outros meios de mergulhar pelos páramos da inteligência, no entanto aprecio sobremaneira o gosto da leitura qual prazer inestimável.

São tantas as escolhas, desde caminhar, praticar esportes, viajar, escrever, desenhar, cantar, compor, cozinhar, fazer crochê, bordar, dirigir, pintar, nadar, costurar, velejar, jogar gamão, xadrez, damas, comer, beber, criar animais, etc., que nem de longe nos permitiria definir essa ou aquela tais fossem as mais ou menos importantes. Respeito, pois, o gosto das pessoas, do mesmo jeito que quero que respeitam o meu gosto.

Ao que quero crer, vivemos uma época de síntese na História. Os meios da tecnologia aceleram cada dia esta definição. Nisto quando o computador de bolso (o celular) passou a ser gênero de primeira necessidade, algo talvez nunca imaginado antes, antigamente. Aulas ilimitadas percorrer os sinais da nova mídia, permitindo conhecer autores de toda época e pensamento. Só se tem a considerar a importância e o poder desses instrumentos atuais de comunicação. Face a tanto, significam livros em profusão através dos veículos inimagináveis que cobrem os dias. E lembrar que a base disso tudo vem dos livros, desde lá longe quando nem eletricidade havia em uso.

E livros ganham o âmbito da Internet, sob a denominação de ebooks, porém impossível de superar o charme do livro físico, agora assim considerado nos novos tempos, novos sonhos...  

Realidade além dos pensamentos

 

Rios e rios de ilusão antecedem, pois, a natureza das existências. Enchem de farpas os destinos e os mantêm sob controle dalgum significado só parcial. Superpõem possibilidades outras que não a verdade derradeira do Ser. Tais frases de impressionismo dissimulador, dominam entes e ocorrências naquilo denominadas percepções imediatas, prazeres fugidios. Assim, quais senhores de sistema adverso à evolução, entes transitam soltos no meio dos humanos. Fazem deles instrumentos de jogo imaginário a que definem realidade sem o sentido no que de real signifique.

Nisto, protagonistas desse dogma na forma de desafio, os pensamentos funcionam quais espelhos, a fomentar submissão aos padrões ali estabelecidos. Imitam o querer próprio, contudo submissos ao mistério do desconhecido. Vivem, porejam, padecem, arrastam consigo o tesouro dalgum dia da pura libertação do que seja estar aqui. Mesmo que dotados de liberdade, apenas farejam o encontro, sementes doutras árvores guardadas em si em potencial.  

Heróis da sorte parcial, viajam pelas eternidades quais alimento dos deuses, ficções de sonhos imaginários. Tecem longos trechos de realidades aparentes enquanto decifram os caminhos da revelação. Nesse curso inevitável, fomentam o desejo da plenitude. Superpõem fantasias ao princípio absoluto que lhes transitam e de onde procedem. São caminhantes ocultos da consciência em andamento. Deles os mundos e os tempos se veem dotados, pigmentos de um painel infinito a criar emoções e contar suas antigas epopeias ao correr dos séculos, até então.

Valem de rascunho daquilo em formação. Percorrem o largo das criaturas a viver as vidas em sucessivas miragens. Repassam esse jeito adverso de tocar os sensos, porém na forma de artimanhas fictícias. Exaltam méritos artificiais. Isso o que os espaços do Chão definem de verdade e qualidades, embora não sejam, desse modo; apenas trastes e expectativas.

Lá dentro do tesouro das existências, transpostas as crostas do abominável, dali nascem as flores. Mineram o sol da transcendência no mar dos significados definitivos.

(Ilustração: Sessão de jazz).

sábado, 6 de dezembro de 2025

A arqueologia do futuro


Desde os princípios isso, de certa feita, que marcaria o encontro  avaliar tudo desde então. Admitir as oportunidades largadas fora. Aceitar o fruto das promessas não cumpridas no íntimo da dor a se repetir quando lembrada fosse. No frêmito de haver previsto e não realizado, contar das vezes quando buscava as certezas e as via pouco ou nada dar no tanto insuficiente. Querer expressar firmeza, enquanto o senso ainda previa novos sustos seriam cobrados a duras penas e preenchidos pelas respostas de animais quiçá semelhantes virem a possuir o dom da profecia.

Nisto, num lastro de artimanhas, foi transformado em dúvidas essa motivo, outrossim necessário, sendo de revelar a si próprio aquilo de antes aceito nas raias da normalidade hemisférica. Desvendar o mistério do ser, missão por demais, e compreender a urgência da aproximação do interior da existência, dessa revelação da essência consigo. Pacificar os desejos numa só direção. Palmilhar o chão das heranças trazidas até aqui, agora noutras possibilidades, na união ao princípio universal da prudência. Vêm disto a realidade, resultando na distinção dos princípios originais postos no campo das emoções verdadeiras dos tais seres anônimos em busca da plena realização de tudo a céu aberto, no prisma do inevitável e eterno.

Esclarecer, portanto, nas palavras que nascem, crescem e somem em seguida, a exigir atitude coletiva que corresponda ao que tanto aguardado em face do mistério. Aquele universo gasto no passado, vida sem finalidade, nestante que pede coerência. As descobertas chegam disso às virtudes postas em prática pelos comportamentos íntimos dos seres. Há um momento quando dois viram só um, único e heroico, dos fragmentos das fascinações que lá longe somente agora reclamam serenidade e contrição absoluta.

É de saber, nalgum dia de claridade, que os humanos são o instrumento que a Natureza fez valer de transformar matéria em Consciência.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Trilhos do Tempo


Falam dos rios a céu aberto no espaço, água que vagueia ao dorso do Infinito quais sendo fonte de abastecimento dos mistérios cósmicos. Isto sem levar em conta tantos outros dos fenômenos que nem de longe haver-se-ia de registrar daqui donde nos encontramos. Daí, as façanhas espalhadas pela caligrafia das civilizações. Sequências inteiras de seriados no lombo do Tempo que viram outro caudal de ocorrências e circulam durante as eras sem fim.

A bem considerar, de quase tudo resta a distância de lá um dia tocar nas consciências entorpecidas pelas limitações da matéria, e nisso buscar a própria fome, anseios de realização de quantos passos adiante sobram acontecer. Existem as cercas da possibilidade em termos do labirinto que constrange a todos. Ainda assim, muito se andou no solo das fragilidades e cultura tamanha fez morada no coração das gentes que ora percorrem o espaço.

Desde o instinto das palavras às intuições continuadas, avanços sem limite despejam réstias no horizonte, feitos lâminas de fogo na pele dos sentimentos. Antes imaginavam aos pedaços o que agora descobrem. Herança de sonhos, as noites viraram dias. Aqueles meros seres primitivos contudo estendem o território da história aos recantos menos considerados naquelas horas atrás. Até já admitem aceitar padrões recentes de felicidade mecânica, desejos feitos tatuagens e pergaminhos na pele e nas muralhas disso em voga pelos dias.

Os textos ficaram menores. Livros passaram a ser relíquias. Templos preenchem de cores as convicções antigas. Indústrias desmancham pedras em minúsculos artefatos a encher os oceanos de sons. Buscas persistentes e as criaturas invadem as estrelas. Naves então desconhecidas percorrem roteiros diversos e fossem retalhos de objetos esquecidos nas praias impossíveis.

Se vissem, pois, o que caberá logo à frente, essas versões atuais desde sempre tão só perderiam o sentido, lagos escuros doutras vezes abandonadas pelo poder da liberdade, e a braços ver-nos-iam como verdades eternas.

(Ilustração: Castelo de Brennand, Recife PE).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Luar de verão


Nisto de se ver assim a bem dizer observador assíduo de palavras e sentimentos nas superfícies escorregadias do Tempo.  Observadores contumazes apenas fitam abismados as grandes navegações, no entanto de olhos fixos no imaginário lá de dentro de si. Pequeninos espaços vagos de transes inexplicáveis, viajam em gestos e dúvidas, aves raras de mundos maravilhosos, suspensos entre as muralhas desses continentes da imaginação, e suportam, decerto, as histórias atiradas a fio na própria cara.

A Natureza persiste num prisma leal de tocar adiante o que lhe coube fazer, a braços, porém, com as atitudes dos astros pelo silêncio do Universo.

O que mexe conosco são esses filmes repetitivos de dramas mordazes, fixos nas interrogações internacionais das existências que restam. Raros que deixam margem a sorrir, desfrutar das certezas inevitáveis do que virá, conquanto altos e baixos. Tudo segue inexorável a um fim útil, livres das aflições que cercariam os cartazes dessas películas de guerra ou dos transes milionários de grupos alucinados, ao longo dali desfeitos nas nuvens da imensidão.

Há uma trilha sonora de verdades eternas a percorrer artérias e veias desse mundo. Consciências norteiam séculos aos milhares, sejam quais entes que escrevem o definitivo no paraíso das sortes. E numa deriva a bem dizer persistente, águas passadas nem movem mais os moinhos do que ficou na inexistência. Sustentar, por isso, o desejo das situações felizes passa a significar o gesto de estar aqui e sobreviver às intempéries dos destinos.

Ouvem-se de não sei quando os ecos de longas litanias que lembram das vezes em que o clamor de eternidades fez morada no coração. Vozes sem conta invadem gradualmente a trilha dos valores e, de hora a outra, tudo pode significar um senso de perfeição nos verões que chegam ao fim e desaparecem no céu.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Painéis do Infinito


Seres complexos de contemplar lá qualquer vez e a isto se é nestante. Incontáveis distâncias os encerram diante do indescritível pelas eras sem fim, um a um, a sós. Distinguem a vastidão e padecem das existências logo nesse início doutras histórias, a preencher os quadros constantes da dúvida, ao sabor de passos que somem num passado de ficções. Contêm, sim, destarte, a inteireza dos mundos, segredos em movimento na face dos destinos em volta. O mais ser-se-ia contar de seus padeceres, retalhos das horas através da imensidão. Buscar conhecer de outros sóis, nem que as distâncias sejam incapazes de revelar, contudo.  

Antes, escutar o silêncio por meio de tantos haveres que as próprias palavras adormecem ao sabor do quanto existe logo, agora. Multiplicar definições, o grifo das cidades e dos reinos até então desaparecidos. Mergulhos nefastos, sórdidos penhores. Daí, longos percursos através das consciências e a dor da servidão que distingue rastros de civilizações no além desaparecidas. Quer-se, no entanto, revelar de tais definições grudadas nas ausências, meros signos dos instintos largados fora sobre a lama de tantas aventuras.

Elas, criaturas ainda sombrias que definem o transe das antigas concessões dos pensamentos num instante viram só vontade a bem dizer insana de compreender os motivos desses raros sentimentos perante o imensurável. Interrogações. Contrastes de criaturas distintas. Multidão. Enigmas pelos desertos e milênios. Mais que tudo, a angústia de indagar e haver de suportar o itinerário ao dispor nos pés do Tempo. Enquanto isto, que seja viver, permanecer a bordo das visões e distinguir a liberdade individual imperecível.

Quais objetos soltos nas longas paisagens do horizonte, dali nascem os rios, cantam os pássaros, fervilham e padecem aqueles vindos de estações e degredos desde sempre retratos circunstanciais da perfeição, porém caricaturas de iguais sabores amargos, viagens insólitas de heróis em contrição nos braços da esperança.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

As gerações


Vez em quando observo as paisagens humanas qual nesta noite ao avistar, sentados na frente de uma casa simples, no Bairro do Seminário, em Crato, dois netos e uma avó. Eles, de olhos fixos no celular. Ela, a própria resignação do quanto existiu nesse abstrato de vistas ao infinito dos céus lá de dentro da alma. Duas realidades e uma vida. Nelas, a imensidão. Bom princípio do que vislumbrar desse enigma do que seja ser e estar, então. Corredores de labirintos imensos nas chances de gozar da liberdade enquanto aqui.

Neles, o infinito da ilusão a perder altura no intrincado de momentos feéricos de luzes e formas, meandros de conjecturas em movimento às mãos de quem observa o inesperado pela técnica em vigor. Nela, o altar das tantas circunstâncias, desfeitas em gestos e sentimentos distantes, só agora revelados na intensidade das certezas que já saboreia.

Bem isto, naquilo das ausências de quem testemunhou prazeres e vilezas de estar no Chão e cotejar as encostas dos dias através do trabalho, das interrogações e expectativas em forma de orações, das quantas verdades cravadas no instinto de sobreviver, na servidão de continuar a todo custo face ao desconhecido. Algo de sagrado na fisionomia desnudada pelo tempo, de alguém resignado às verdades incontestes de existir inevitavelmente.

Noutro patamar das iguais condições de ser, os netos. Ao furor da tecnologia, um a um veem-se no interior de si, no entanto apenas submersos ao inesperado, frágeis protagonistas do que há de vir certa feita.

Longe que seja doutras avaliações e conceitos, três faces em ocasiões distintas desse caudal de tantos acontecidos que significa contestar e realizar o princípio da consciência nos seres. Autores de longas histórias gravadas pelo Tempo através das criaturas. Ali, atores dos dramas, das comédias que hão de repetir a sensação de experimentar a vida, sonhos constantes dos outros que, talvez, perto deles toquem de frente o antigo fervor das existências depois deixadas ao léu e que comporão as cantigas da presença nos corações que, nalgum lugar, possam usufruir das cenas sempre atuais de estar aonde sigam ao sabor dos destinos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A inevitabilidade do quanto existe


Antes de pensar que poder-se-ia existir, já se existe, pois. Diante do infinito dos acontecimentos vorazes, apenas isto, um furor de ondas no mar de fenômenos dos quais é-se parte inevitável, persistente. Nas luzes desse espaço de ocorrências, ali impera a força viva do que há pouco haveria de ter sido. Nuvens tenazes dessas histórias arrastam isso, numa força descomunal. O que nem sempre deveria ocorrer, mais que seja, portanto. Nesse diapasão de fragmentos, energia inevitável de milhões de outros destalhes, nisto a conjuração de letras e nomes que ora preenchem o rosto de quantos aspectos dos quais ninguém foge, e a isto rendem homenagem séculos sem fim.

Mesmo que sob o crivo das interrogações, ninguém possui o ditame da dúvida posta em movimento, porquanto, por maiores sejam os sentimentos, outro senso existe que não só rende graças ao mistério, mas faz dele sua razão ser... Sombras sucessivas que avançam no vácuo transformam o imaginário e, de hora a outra, somente da transformação significa o vazio ali deixado na volta em forma de realidade. Nalgum instante, por isso, as farpas do Destino imobilizam o clamor da multidão e fazem dela mera ficção.

A que fossem destinados os desejos, eles correspondem à quadra de todos os momentos, lista interminável das contingências feitas de pensamentos e palavras. Sobrevivem (quem sabe?) a novos sonhos, no entanto dispostos, agora, numa longa expectativa desfeita pelas folhas secas das novas estações. Dali que vêm os séculos, dispostos em longos rosários de crenças e possibilidades. Derramam as cores da imensidão no berço das criaturas, pequeninos seres dessa virtude sideral em queda livre que o somos. Sobem, descem, refazem nas alturas o sentido original de todas as vezes que agitam a tela do firmamento, e, logo adiante, mergulham, outra vez, no silêncio da solidão adormecida nos mesmos sóis das lutas e de uma paz até então imaginária. Constantes aspectos disso, de indagar a si próprio pela liberdade, contudo apoiam sobre o peito a vontade lá tão antiga de certa feita participar de todo nessa epopeia dos registros históricos inesquecíveis.

(Ilustração: Hieronymus Bosch).