Quantos amam e sabem da fragilidade desses momentos do amor... Quantos... De sentimentos acesos no apego, oram pela permanência, ainda que cientes da transitoriedade dos objetos, pessoas e lugares. Qual tremor frio das madrugadas, cessam rápido nos fulgores do alvorecer. Tinta de cores inimagináveis os sonhos da noite, e rompem o dia no auge das circunstâncias. Deixam cair cortinas de escuridão e desnudam a velocidade infalível do presente.
Entretanto amar quer persistir, ainda que ofereça apenas a transformação do momento em nuvens evanescentes. Amar, essa força poderosa de conter a solidão durante algumas e poucas frações infinitesimais, transação solitária equivalente a morrer nas praias da Perfeição. Amar, a luz de todos os verbos conjugados à porta da Felicidade.
Quando a pulsão de mudar é maior que a de permanecer, a gente muda, isto no dizer de Sigmund Freud. Um querer semelhante a mudar de trilha e achar dentro de si próprio o mistério dos sonhos. Animar a permanência de viver e a renunciar todas as ausências e amar desesperadamente os sabores da real sobrevivência do Ser.
No exótico ritmo da salvação, a herança restará do íntimo do desejo de todos, afeitos, no entanto, ao poder nascido de querer sempre e sincero. Sofrer a saudade e jamais desistir de amar.
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