quinta-feira, 16 de maio de 2013

O poder do sorriso


As tais oportunidades que afloram na superfície dos dias e quase nem merecem o necessário respeito do aproveitamento, uma delas o sorriso, tranquilidade na forma de gente, que poucos, raros, raríssimos, utilizam no seu proceder. Pouco, nada de esforço, pede o sorriso fagueiro, abridor de horizontes e, no entanto, contém milhões de fascínios a ponto de transpor as portas e janelas diante das correrias idiotas desses blocos de metais enferrujados.

Leveza no ar e perenes sentimentos vagam a praia das faces felizes. Só alguns animais riem. A hiena, o cachorro, os pássaros e seus cantos de trinados infinitos. A hiena, o riso torto de alienado, dentes a mostra e olhos pelo chão das ribanceiras, esforço de quem simula vitória inexistente, fingimento e grosseria. A todo custo, impõe condições de conquista às lamas ralas das carniças, a hiena. Já o cachorro, decantado amigo do homem, quando deixaram a existência da cauda, balança esse formato de rabo a qualquer sintoma de cordialidade do vaidoso proprietário.

Os humanos, porém, gargalham perdidamente diante dos obstáculos da mediocridade. Facilitam janelas na cara aos outros, no exercício do ofício de tratadores de cavalos que escovam o pelo dos bichos à intenção de agradar as cavalariças, contudo agradando menos a si próprios tratadores, consumidores inveterados de ilusões. Gargarejam o gesto de rir, esquecidos da qualidade especial de um sorriso, início das relações agradáveis e fraternas. Bobos das cortes medievais, que trabalhavam o humor dos reis, expostos a coices e lapadas, esforço de arrancar felicidade daqueles solos endurecidos e corações vaidosos na farra da ambição.

Hoje, contudo, chances de amizade circulam consciências, pedido paz na guerra da fama. As crianças mesmas usam a função do sorriso independente de outras preocupações, gestos simples da alma e mentes aberta ao infinito. Quiséssemos considerar a crise aborrecida desses tempos dos materiais químicos através das lentes grossas da investigação independente, ali habitariam a imprudência da falta de verdade nas multidões profissionais da sobrevivência. Catucaríamos velhas latas de peitos mutilados e descobriríamos tolos rabugentos só tangendo tropas de mendigos fantasiados de campeões da inutilidade.

O calendário e os relógios, igualmente, reservariam doses extremas de frustração aos teimosos do aborrecimento. Ninguém passaria impune pelos corredores dessa aridez das ciências dos corações felizes.

Sorrir, e sorrir sempre, eis a prova máxima da esperança e os pomos harmoniosos que dormem grudados às dobras internas de todos nós.   

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