sexta-feira, 6 de março de 2026

Animais do Paraíso


Garças, muitas garças, rinocerontes, cochonilhas, avoantes, sequência interminável de seres os mais diversos, transcritos em códigos, no princípio, depois feitos de peles, penas, carne, osso, medulas, que tudo o que a natureza de então orientava. E entre eles, afeitos a longos percursos no lombo uns dos outros, o bicho dos humanos. À época quase nem existiam as tais reuniões periódicas de tribos e clãs, logo adiante feitas de costume, a decidir a sorte dos outros e a sua, também.

Passados o que restou, hoje traduzem a valer o instinto guardado lá de antes, aprendido nas horas dos interesses. Agora bem isto que anda pelos ares, figuras abismadas em volta de capítulos inteiros daquilo dos inícios, restos quiçá largados pelas estradas do Infinito. São muitos deles vestidos de armaduras medievais, munidos com peças destrutivas e descritos nas lendas esquecidas nas matas. Há que se pensar nalguns destes submersos nas nuvens de antigamente. Isso porque insistem carregar consigo os perjúrios que lhes fizeram contrariedade e lamúria.

Ainda que tanto, narram fábulas enigmáticas de vidas afora, por certo alimentando aqueles velhos augúrios das raças agressivas de espécies daqueles princípios enigmáticos. Recurvados sob o peso de ferragens sofisticadas e do padecimento dos outros ali em torno deles, nisso vêm de perguntar quando irão esquecer de vez quanta estultice e exercer de tudo a paz nas consciências. Afeitos por isso ao nexo do padecimento, reúnem de si o fruto que haverão de colher logo ali nas cercanias.

Em face de tais resultados dessas memórias arcáicas, circunscrevem distâncias a imaginar inatingíveis, produto sórdido em movimento. Quadro espesso dessas tintas ancestrais, relembram aqueles primeiros séculos da história de gerações inteiras, sempre senhoras de feitos memoráveis, conquanto vistas naquelas paisagens originais do transcorrer das inconsciências, e revivem o sonho das sequências e dos instantes de Amor que ocasionou tudo, porém.

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