domingo, 29 de março de 2026

Tempos heroicos


A braços com o ser que se move no crivo do eterno, levas imensas deles seguram o tempo no espaço, largadas em vão, no entanto que voltam sempre através daquilo o que deixaram no caminho da solidão. Nisto, rever lá dentro as cicatrizes do mistério que sejam as criaturas humanas. E recontar as longas jornadas entre palavras e gastos. Mundo diverso, raiz das indefinições. Transitar a meio das antigas ruínas de tantas histórias, na certeza de prosseguir ao fim e trazer de volta experiências sem conta. São essas as testemunhas desse instinto de sobreviver. Tais sonhos vivos, nos gestos as festas, os abismos ali cavados a duras penas reencontram tudo aquilo.

De novo, as contações, seres talvez individuais que trazem no bojo essas relíquias das fagulhas do imediato, depois feitas de longos suspiros de estender a matéria nos seus traços de significados. Daí, se enxerga o quanto significou existir naquelas épocas distintas. Suportar as ausências longe de esquecê-las, porém. Bem ao gosto dessa procura, seguem, eles todos, pelas bordas do inevitável.

Assim, chegam as fases de volta ao coração dos habitantes desta galáxia. Transitam face a face consigo próprios e sustentam o silêncio das horas nas artérias e veias. Repassam de volta as aventuras arcaicas através de filmes, livros, lá de antes previstos nas fábulas filosóficas mantidas no íntimo e desfeitas no cotidiano. Alimentam a ideia da perfeição em forma de luzes acesas na alma e no Infinito.

Isso das memórias. Saltimbancos do que persiste, veem de olhos fechados as virtudes que os trouxeram até então. Minúsculos habitantes dos reinos encantados, saboreiam as vivências e as fazem contar impossíveis criações, espalhando ao vento. A gente ouve, pois, melodias esplêndidas, recolhidas daquela época do Paraíso. Nem de longe, pois, no azul dos firmamentos haverá dizeres quão profundos, na semente das recordações descritas em única linguagem, por certo enigmática aos instantes de agora.

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