terça-feira, 17 de março de 2026

Lá onde houver consciência


Desfeitas que forem tantas outras interrogações, ali sustenta, nítida, a grandeza da Luz. Lugares vários, sombrios, de tantas quantas existam, circunspectas, suaves, definitas, trazem consigo a totalidade do Ser. Inteiras multidões, entes iguais ao valor absoluto do Tempo, ouvirão chilreios de todos os pássaros, acordes de todas as canções, e nenhuma saudade que seja senão íntimo sabor de novos universos em formação. Bem junto do Cosmos, miríades inesgotáveis de lembranças, refeitas nas horas vagas daquela ausência, durarão infinitos séculos.

Diante, por isso, da imensidão, o que antes fora meros desejos contidos depois desvendarão o espaço das horas e descobrirão os portais inesgotáveis de uma alegria sem par.

Esse edifício que plenificará os horizontes desde há muito vive nos mesmos córregos donde vieram as primeiras águas que aqui estejam, salpicadas de cores e luzes. Disto, desta semente em formação, nasceram os heróis da antiguidade, fruto das percepções guardadas no arrebol dos firmamentos. Saber, buscar, encontrar, ser-se-ão mínimos argumentos do painel indizível da Natureza em volta.

Enquanto isto, aquilo doutras eras, fragmentos de esperança e fé, vislumbram no íntimo as verdades ocultas que sobreviveram, pois, aos contrafortes do inesperado e favem de si próprio o sabor de manjares até então narrados nas ficções e despejados pelas calçadas do mundo; sendo, sim, por demais necessários de trazê-los até os céus. Tais relíquias significam sinais dessa expedição de quantos às florestas inesgotáveis dos sonhos atuais.

Talvez na mesma conta se achem, também, seres ainda desconhecidos pelos padrões da época e ora estejam pelas cavernas em movimento na alma das criaturas humanas. Porém seguem abismadas rumo ao destino que lhes habitam o arcabouço do que sobrevive a tanto. Foram, assim, frutos da necessidade dos ventos a tanger os barcos e fazê-los imagens espalhadas nas civilizações afora, trastes e contrates de um só deslumbramento, durante o correr das gerações no Humanidade. Agora, é ouvir o silêncio e adormecer na essência dos astros, neste espaço entre gestos e palavras...

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).


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