segunda-feira, 9 de março de 2026

As noites e os sonhos


Eles chegam sem prenúncio, há que se imaginar quais fossem, porém só depois das lembranças desmancharem no ar o pouco que seria dali guardado. De uma impetuosidade tamanha, no entanto prenhes de transes inimagináveis, sobrevivem ao vazio e oferecem narrativas, porém, de ser assim, algo intocado pelos sonhadores, seus fieis e inevitáveis parceiros. Tudo em volta, séculos de tamanhas surpresas que dentro em breve podem virá filmes, histórias e lendas, donde provêm, contudo, resta à Ciência desvendar com clareza.

Neles perduram isto de sabor imprevisível, circunstanciais de haver, tipo as composições musicais provenientes dalgum céu de longe e que chegam faceiras à inspiração dos autores. Tal quem escreve, donde vem tão só o instinto de transformar palavras em pensamentos nesse deslizar constante das falas íntimas. Uma quanta certeza, outrossim, carregam consigo vastidões inatingíveis, senhores que decerto das criaturas sonhadoras, no seguimento do deslizar-lhes na consciência. Sejam assustadores, dadivosos, íntimos, surpreendem pela força que carregam, e dominam aonde possam chegar.

Dali nascem os códigos dessa perene licenciatura das contrições de horas sem fim. Vadeiam pelas cercanias de todos, faceiros, audazes, surreais, numa surpreendente consistência até então sob o crivo das interrogações inexplicáveis. Qual fossem procedentes das próprias pessoas, deitam e rolam na interpretação daquilo que elas vivem e, quem sabe?, quisessem esquecer, sobretudo. Todavia trazem de volta os perrengues de quantas vivências, equívocos, padecimentos, desejos, vindos dalgum deus que os transportam aos bilhões e espalham noites a fio, ao silêncio dos ânimos calados.

Isso toca profundo nas existências, a ponto de supor alguns serem sonhados e não sonhadores. Transitam, sim, dentro da mais inteira liberdade, espécie de saltimbancos em movimento pelas quadras dos destinos. Uma safra, pois, de longos segredos soltos entre credos e desafios. Disto dão notícias atuais, revelam lastros encobertos de alvuras sem par. Primos-irmãos da plenitude, tocam o coração de tantos, seguido, furtivos, a sumir debaixo do manto ainda morno das silentes madrugadas.

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