sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Dias e dias


Isto um passar cadenciado, séculos sem fim diante das longas estradas cobertas de palavras e tradições. Nisto, as pessoas, esteiras imensas de transformações em andamento, diante do vazio ora em movimento. Abertos os olhos, fitam essas paisagens de silêncio e multidões que trazem consigo. Superpõem a si mesmos qualquer possibilidade do que virá logo em seguida. Esses, as testemunhas incontáveis de circunstâncias do que significam. Sei que existem suposições, falas continuadas de histórias inigualáveis; dúvidas feitas de riscos na face do Tempo. No entanto, meras buscas do quanto percorrer na face dos destinos. Personagens individuais, criaturas nascidas de dentro das consciências e expectativas febris do que haveriam de ser horas dessas.

Razão disso, narrativas constantes do mistério que lhes compõe sustentam o drama de aqui viver, entretanto. São distintas as vertentes que as descrevem. Acalmam os pensamentos, transpiram motivos que devoram o Infinito num abrir e fechar de intervalos. Há de conhecer as consequências, todavia cobertos dos entulhos das idades e das flores. Rios, mares, regiões ilimitadas ali através das escrituras que transportam sem cessar. Fossem rever o passado, habitariam esquecimentos sem conta.

Bem depois, pelos rastros informes largados nos rochedos das eras, dormem contritos pelas crostas de tudo aquilo desde antes acondicionado na alma de cada dessas pessoas. Porém apuram de si mínimos detalhes feitos farpas deixadas ao relento. Conquanto reúnam, pois, milhões de estrelas na fresta de um desaparecimento imediato, mesmo assim reconhecem que traduzem do inesperado a certeza de novos séculos. Nisso, arrebanham os momentos eternos em pequenos artesanatos de couro e madeira, distribuídos pelo correr dos sóis. Seguram as rédeas dos animais e os tangem devagar no fluir das gerações.

Impávidos, segredam entre eles todos os códigos conquistados, resquícios de vivências até então enigmáticas. Veem, sonham, definem, enquanto só presenciam tantos, quais outros que fossem. E em blocos coesos, arquitetam o futuro nas folhas secas da floresta onde habitam.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Uma vida interior


Visões sucessivas do imaginário preenchem a visão e definem mundos lá de fora na velocidade dos pensamentos. Eis o que define estar e permanecer diante das horas. Quais peças soltas de uma loja de variedades, superpõem momentos seguidos a lhes invadir a noção do quanto presenciam. Disto se acha identificada a realidade em volta. Seres, objetos, circunstâncias, e o silêncio que os envolve. São tantas as paisagens, os gestos, no suficiente de considerar outro universo que inexista, não fossem as consciências a exercitar a causa-origem do quanto existe dentro das criaturas.

Abre-se, contudo, nova porta ao senso desse mundo real superposto, onde habitam as tais presenças e os significados que deles possam advir. A esse território o denominam vida interior, nascida através do conhecimento das percepções e suas interpretações continuadas. Disso, há duas realidades, pois. A circunstancial e a íntima, dois aspectos dos humanos.

Vistas assim, definições nascidas dos pensamentos e das palavras imperam no plano externo das vidas, transitando ao bel prazer pelos corredores do cotidiano. Autores dos próprios universos, movidos pela imaginação, os indivíduos perfazem o panorama do quanto, logo ali fora, o significado doutra realidade a todo tempo. Em razão disto, vêm tantas e quantas suposições de teorias, filosofias, epopeias.

No entanto, ambos perfis dessas possibilidades tocam adiante, vidas e vidas, o prisma das histórias, versões inevitáveis de conceitos só pessoais, limitados ao ponto de vista de quem as traz. Em face destas considerações, percorrem tantos o poder restrito das constatações e exercitam o que existe à sua compreensão. Muitos até aceitam de bom grado apenas exercitar o plano traçado pelos costumes; outros, no entanto, mergulham noutras dimensões, ao sabor do gosto de avistar mais à frente o abismo da inspiração de um si mesmo ali existente.

A que pensar no senso dessas possibilidades, nítida disposição da natureza humana consiste na auto descoberta e no poder da revelação que mostra a presença então de muitos desconhecida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Instantâneos


De longe, lá de dentro das distâncias, regressam recordações trazidas dalgum modo através de músicas, pessoas, pensamentos. Chegam assim ao seu jeito, vezes, fortes; doutras, só vislumbres que se dispersam com facilidade. Dali, chegam os ídolos daqueles reinados que antes foram. Eles, que sumiram nas quebradas do Tempo e retornam meio desconfiados, já agora noutras fases, noutras aventuras, a saber viventes doutros planos. Mas invadem com força os largos dos sentimentos e mexem a valer naquelas ocasiões escondidas nalgum lugar das consciências.

São poetas, romancistas, cronistas, compositores, autores vários das recônditas lembranças ali entranhadas na memória, que sustentam vivamente as horas das tantas vezes antigas, das noitadas, das manhãs ensolaradas, afetos intensos, alegrias, esperanças, notícias, um enxame poderoso de verdades acumuladas nesse farnel de anonimato, postas ao claro nas suas revivências.

Nisto, as fases da infância, das recentes descobertas daqueles mínimos detalhes que persistiram nesse filão eterno de depois e depois. Objetos encantados, falas, narrativas, roupas, até os acidentes de percurso das situações adversas, desencontros, saudades, despedidas, algo que tanto fixou nas mesmas entranhas das almas a eternidade de um tudo. As primeiras fotografias, que chamavam de instantâneos perenizavam essas circunstâncias várias pelos álbuns guardados desde sempre. Viagens de si no âmbito dos acontecimentos fortuitos do passado. Imortalizar. Fixar nalgum monumento essas verdades que fizerem de nós estar aqui e deitaram alicerces do íntimo de agora.

Hoje vejo, sem previsão, sem medida, isso acontecer num roteiro imprevisto de filmes vários nascidos de conviver comigo na maior sem cerimônia, feitas criaturas, momentos, cores, cenas, sequências, películas sem par que acharam a oportunidade do transe inesperado nas telas da individualidade. Nisto, por mais desejos de reunir resquícios em coleções, já os somos todos, arquivos das humanas presenças jamais desaparecidas que nos sustentam a consistir de ser e permanecer durante o Infinito, pigmentos de imagens definitivas que constituem o que há e haverá no transcorrer das existências.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Um tempo subjetivo


Ser-se isso, o transcorrer das próprias sombras e avaliar tais rastros ficados nas encostas de traços assim largados nalgum chão dalgum lugar. Depois de muita procura, eis que se depara consigo no correr mecânico dessas horas. Pedaços reunidos e, dali, provem aquilo desde antes considerado existir. Tais portadores de faixas sucessivas dessas histórias contidas pelos pensamentos, considera, então, único lá dentro das tantas avaliações traduzidas em falas, imagens, locações, esses entes que percorrem as trilhas do Destino de almas em punho.

Isto só depois das quantas presenças ali ao lado, mãos postas no arco das estruturas montadas a título de cenário. Disto, são muitos, infinitos fossem, decerto, o porquanto contar e achar de limites os circuitos das memórias que, de longe, transportam na alma. Esperam, silenciam nas noites escuras a visão e reveem trechos inteiros de antigas escrituras encontradas entre os escombros dessas lendas mais antigas.

Sabem de si quantas vezes, porém absortos se deixam passar nos trechos por demais importantes dos longos intervalos, perdidos ou ignorados. Eles, no entanto, padecem face a isto, submissos a determinações imaginárias. Bem ali próximos, outros também reconhecem o valor das narrativas que transportam aos ombros. Constroem pontes imensas a meio dos momentos e as cruzam de olhos fechados, sob o risco das profundezas que logo avistam sob os pés.

São espécie de visagens recém criadas no íntimo, descritas na superfície do mundo que preenchem aos poucos. Primeiro de palavras, em seguida antepostos no coração à forma dos sentimentos vagos. Transpiram, quem sabe?, novos habitantes desses universos que carregam sem reconhecer; figuras feitas ao sabor das ausências e refeitas na medida dos sonhos. Realidades que signifiquem, arrastam pelos dias fardos imensos de interrogações. Gotejam no Infinito o pouco daquilo descoberto na imensidão das consciências. Contribuem, na verdade, com o passar dessa voragem que apenas escreve nos sóis algo de tamanha profundidade, mas hão de reconhecer nisto o motivo essencial de habitar as hostes acesas dos firmamentos.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Trilhas desde sempre percorridas


Entre letras e números, são eles, os mesmos heróis de antigamente. Dotados das razões parciais, descortinam incontáveis as paisagens, no transcorrer do inextinguível. Fragmentos desses tempos, remoem as estruturas onde vivem, numa condição no entanto enigmática, perdida pela imensidão das horas. Daí, sede insaciável de novos mistérios lhes irrompe no fervor das sortes e os compõem nos quadros espalhados nesse chão em movimento.

Conquanto por vezes silenciosos, só reconhecem, sem fim, o sabor devastador dos firmamentos, resquícios daquilo que antes parecia ter sido. Assim, os verbos tornam-se exíguos, na ânsia de continuar sobrevivendo. Descrevem a si próprios de mil nuances, nas vezes largadas pela História e logo depois feitas de pó, minúsculas partículas de um infinito que aguarda os quantos estiveram nos sonhos.

Dos roteiros inéditos, as lendas deixadas no eito perene de tudo, sinais de pedra dos que chegavam e, lá um dia, viraram pequeninos seres, noutras aventuras rumo ao desconhecido. Vez por outra se reencontram, no correr das gerações; abraçam ideais inesquecíveis, rápido inscritos nas estrelas, singulares certezas que poucos já sabem, artífices de toda jornada, aves de todos os voos.

Disso que hoje se pode ser há de haver, no correr das escolhas e dos amores, o quanto existe. Pendores submissos, contudo, desejos inefáveis, percorrem de inumeráveis saudades feitas de viagens e lassidão, resquícios dos seres trazidos pelas naus do insondável. Astutos habitantes, pois, dos lugares recônditos da alma, dali espalham suas bênçãos aos céus e sóis. Nisto, pouco ou nada ilustram de falas os objetos e as sequências, retratos perfeitos de visões que ora contêm os segredos de que foram elaborados. Passos silenciosos, apenas, e deles constroem as muitas moradas aonde viverão certa feita.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Bem doutras dimensões


Enquanto que os pensamentos conduzem, os sentimentos assistem a esse andar de acontecimentos qual quem resume a razão de existir. Nisto, viaja o Tempo por dentro, a transcrever o crivo dos destinos. Mares imensos desses entes assim estabelecem na memória estradas sem fim de transformar histórias em definições, na essência de tudo para sempre.

Tais artífices daquilo em que consolidam presenças em monumentos, daí denominam de civilizações. No entanto quem as fazem são seres individuais, a sumir inevitavelmente nalgum universo dos quantos persistem pela Eternidade. Isso pode, também, se encontrar nos sonhos. Resquícios vindos desses recantos da Natureza, já trazem consigo histórias intermináveis, sinais gravados de pensamentos e sentimentos que ora vagam ao léu da sorte. Foram muitas dessas interrogações que preencheram o espaço das lembranças e jamais os deixarão do teto de continuar.  

Nisto, indícios constantes de outras dimensões andam soltos no vão dos indivíduos, a conduzi-los ao modo das existências e dos lugares daqui do Chão. São tantas as sentenças, os pressentimentos, intuições doutras eventualidades, a encher de formas e cores quantos objetos sujeitos a encontrar qualquer vez. Em razão disto, os roteiros, as visões, os valores, caravanas inteiras de forasteiros a desembarcar, de uma hora a outra, nas consciências dos que aqui estejam.

Daí, gestas, narrativas incontáveis, cavernas misteriosas, sons adversos, inesperados, rastros informes desses todos que passaram nesse meio tempo, astutos autores das quantas histórias. Revivem, sustentam, anunciam, contatos por vezes indecifráveis de notícias inesperadas. Isto leva a imaginar, nalguma noite, as origens só agora trazidas de volta ao pomo da consciência. Quereres, ritmos, previsões, numa sequência exclusiva de traduções pessoais, no jeito próprio dos que viveram aqueles momentos e os esqueceram de volta.

Espécies de presenças até então desconhecidas nas mesmas pessoais, todavia sem nenhuma alternativa a não sustentar o feixe das compreensões e aceitar de bom grado o que lhes vem pelas vagas do silêncio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Artesões da sobrevivência


E nisso refazem caminhos até então desconhecidos. Estabelecem metas. Criam gado. Escrevem argumentos. Superam crises. Ocupam postos inacessíveis. Eles, mar imenso dessas iguais criaturas num horizonte coberto pelo lodo das eras intermináveis. Mas, diga mesmo, se tal não seria, a bem dizer, inacreditável diante o fosso doutros universos se não este que ora presenciamos, de largas montas daqueles outros que ficaram lá atrás?! Esforços sejam feitos e novas descobertas dar-se-ão das mais antigas civilizações, de novo encher páginas e páginas desses diários apressados que deixaram as viagens à nossa frente. Ver valores. Alimentar diapasões. Transitar a meio de caravanas outras, de línguas desconhecidas, olhos postos no fluir das gerações. Sustentar no íntimo as profundezas e os abismos, sorrir de controversos aos mínimos acordos firmados com o mistério, desvendar segredos guardados nas cavernas e nos sonhos.

Depois, lembrar do quanto houve, acreditar no que há de vir, submissos ao código infindável. Tudo a meio de palavras incontáveis, sombras que preenchem os céus e deixam cair de tudo os frutos das tantas solidões. Nalgumas vezes, revelam seus desejos de místicos louvores a quantos ídolos desde longe trazidos nas distâncias. Disto, o ritmo sincopado dos milhões de estrelas lá na escuridão dos vales. Sabem de si quase o suficiente de viver e nem por isso compõem os quadros infinitos das verdades eternas presas no coração.

Assim, entre imaginação e desaparecimento, vórtices de luzes inesgotáveis, os protagonistas das existências transitam pelos hemisférios, na busca de, certa feita, interpretar as mesmas guarânias contidas nas filosofias, nos dilemas originais e na infância. Tal seja, no penhor da ansiedade, persistir atônitos, impávidos senhores dos quatro pontos cardeais. Escutam o som das noites quando adormecem nos próprios braços. Cadenciam, desnorteiam, visitam lugares insólitos. Emissários de sóis inigualáveis, viajam pelos pensamentos, livres quais fossem das artimanhas do Destino. Intuem, no entanto, aonde vão chegar, face a face com o inesperado em movimento.  

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instintos e sentimentos


Esses os motivos das criaturas humanas, ao impulso de cumprir princípios guardados sob a sete capas dos destinos. Tantos seres, quantas histórias. Ao peso de existir, vêm as recentes descobertas individuais. Toques sem conta pelas paredes do céu e, gradualmente, revelam a si o tal sentido das visões que antes tiveram. Enquanto isto, preenchem cadastros, abrem cadernetas, totalizam estatísticas, no prisma constante das gerações. Aqui e ali, são vistos no trânsito, nas noitadas, acampamentos, viagens de um furor do inevitável. Bem isto, à conta de identificar profissões, aventuras, desempenhos.

Porém significam algo além de tocar no duas estruturas das compreensões, e lá num tempo desvendar as chaves dalgum mistério desse longo itinerário. Quer-se mergulhar noutras histórias, contudo blocos coesos de consistência definitiva os mantém nas paredes a dizer instransponíveis, exclusivas de cada um, circos ambulantes a vagar pelos vagões do Infinito.

Mártires, heróis, soberanos, subalternos, longas narrativas de quem há de transpor consigo metas ainda desconhecidas, em epopeias de experiência de causar espanto. Esse o perfil das tais criaturas que persevera desde sempre que delas se têm notícias pelo mundo. Muitos desses quais dotados de quanta genialidade em fase de aprimoramento.

Neste meio período da sorte, superpostos conceitos transportam assim vidas e vidas, no intervalo da ilusão com a verdade, pelo que exercitam o crivo da perfeição no mar das consciências. Nos primórdios, supõe-se haja sido tal e qual, pastores do pensamento em noites de sonhos. Eles, às vezes, pressentem largas interpretações, e dividem aos outros aquelas imagens arquitetônicas. Depois, passadas iguais conveniências, esquecem coletivamente o que alguém imaginou e deixam fluir novos enredos. Padecem perante o silêncio essa fome de querer conhecer. Aquietam os ânimos e desfazem estruturas antigas. Transitam, pois, no meio de duas margens, espécies de cavaleiros andantes de sortes imprevisíveis, verdadeiras loterias ao léu da perfeição.

Qualquer deles justificaria as andanças dos próprios pés, entretanto de olhos postos na distância das luas, no sabor de amores inigualáveis que sejam e alimentam.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

As várias ruas da História


Mesmo porque de nada adiantaria permanecer num só lugar enquanto tudo gira a não acabar mais. São tantas as facetes dos ditos acontecimentos vividos, percorrer as pessoas, deixando de lado qualquer versão definitiva. As trilhas, os muafos do quanto existiu em profusão pelos universos cá de dentro. Seres amorfos, espécie de transcurso de gerações sucessivas numa única criatura, a descrever paisagens e narrar momentos, obstinação por demais esquisita.

Daí nascem as películas, tentativas vãs de uns chegar aos outros dalguma forma, na intenção de quebrar esse gelo que os envolve. A todo instante, muitos e muitos artefatos de novo norteiam o tal sentido dessa busca informe. Desfazem seus dramas a contar detalhes daquilo talvez pouco significativo, no entanto necessário de satisfazer princípios neles próprios criados. Transitam, pois, essa longa cratera onde habitam multidões inteiras por si só, contudo perdidas em mares até então ignorados. Outrossim, o Tempo trabalha solto perenes desempenhos dos moradores desses bairros afastados das tantas cidades. Espalhadas num longo território de uma só direção, farejam do Destino suas pequenas marcas, trabalhado o instinto de prosseguir a todo preço através do Cosmos silencioso.

Nisto, cotejam aqueles lugares transitados nos dias lá de antes. Reveem com relativa clareza as pessoas dali, parceiros daquelas aventuras, diversos tipos, diversas categorias de gente. Talvez tenham seguido outras conotações, quem sabe já desaparecidos desse chão, todavia sobreviventes efetivos no universo das individualidades. E vem, sorriem, conversam; deixam marcas, e mergulham naqueles pensamentos daqueles estrados tão antigos.

Conquanto permanecem acesas as paisagens dessas histórias internas, séculos intactos doutros roteiros ainda persistem fincados no solo das lembranças. Nesse diapasão inevitável, as palavras ressurgem soltas, cobertas dos sentimentos entranhados nos mistérios das horas que se foram, fazendo-nos protagonistas das cenas que resistem nos menores detalhes, objetos esquecidos pelas encostas da compreensão. Luzes que piscam intermitentes na memória. Ânsias sem par de saber o tanto de tudo aquilo  regressa com tamanha grandeza, dono poderoso de toda existência de que jamais se libertarão.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mistérios do inesquecível


Invés de sumir no vácuo definitivo, vez em quando refaz o percurso e traz de volta tempos inteiros, de certeza nunca desaparecida. Das quantas qualidades, a memória reveste os humanos das tais armaduras metálicas daqueles guerreiros de antigamente. Nisto são as palavras, os códigos e as crenças. Sustentam estruturas profundas no âmbito da consciência, regressando quando menos esperar. Não fosse tanto, perder-se-iam heranças inteiras de averiguações deixadas no campo do passado inevitável. Face a face consigo, indivíduos observam aonde seguir o ritmo dessas lembranças, lastro de percorrer a busca do que tornará qualquer tempo.

Nem de longe haverá de inexistir aquilo que antes foi. Espécie de fisionomia das pessoas, transita fácil nos dramas acumulados pelas histórias deixadas. O que tem de sobreviver já agora envolve de verdades e soluções provisórias até, quem sabe?, esquecidas. Noutros dizeres, ninguém foge de si. Superpõem mil visões, porém à espera do que virá logo após. Conquanto o exercício das falas, nasce do restante do que ficou nas consciências, tantos que padecem de negligenciar as consequências desse acervo de gestos e posições em movimento.   

E saber que tudo é vivo na memória, desde os séculos menos arcaicos. Números. Letras. Formas. Cores. Ali circulam vorazes os trastes do que fora e repercutiu nalguma certeza. A vontade do querer, a fome de permanecer, os ritos, as negociações entre ficar e desaparecer nas garras do imediato. Suaves recordações insistem continuar, sobremodo agora, prenhes doutras verdades desde então adquiridas nos impasses ou superpostos perante o travo do que se foi nesse nunca mais. Daí, emerge sorrateiro o sentimento da solidão, que alimenta o instinto de construir algo real, lúcido, do acervo das quantas histórias.

A seguir assim, que outro meio inexiste, perdura que denominemos cultura o que foi a sombra e inundou os céus de expectativas do que virá certa feita logo adiante.  

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Qualquer quando


Sair de, ou entrar em cena, que diferença faria perante o furor das eternidades e dos momentos em profusão. Hábitos que sobrevivem a isso, numa perfeição por demais, desde sempre tornada clara, no entanto. Olhares em volta e percorrer as cenas insistentes de fazer de conta e sumir logo ali, sobre as folhas secas dos outonos. Postais de quantas vezes, ilhas de solares imensos largados ao relento dessas antigas memórias. Deixam, portanto, leves lembranças daquilo antes feito de imagens soltas pelo correr dos próprios pés. Sequências desacabadas de tudo quanto existiu. Nascem dali rios imenso que somem estradas afora sob os ritos das histórias espalhadas nas cidades em volta. Lugares lá de dentro das criaturas que sobrevivem sós a si mesmas, nas idades e nos infinitos famintos.

Desses ancestrais doutros firmamentos, aqui tocam além os séculos nas almas, no coração. Duras penas de viver a meio do desaparecimento sucessivo que alimentam. Quais meros artefatos, pois, de outras compreensões, ficam estatelados nos corredores estreitos de quantos desejos desfeitos de uma a outra hora. Nem de longe haver-se-ia de sustentar os princípios trazidos dos inícios das gerações, agora folhas soltas ao vento da tarde. Gorjeios imaginários que percorrer o instante. Nuvens, as mais distantes tais sejam. Pensamentos. Reflexões de palavras a percorrer as entranhas dos brejos.

De lugares assim vêm as ditas virtudes, os esteios e as sortes inesperadas. Trespassam luas, a vastidão das estrelas, os firmamentos, pelas vastidões de súplicas ainda antes despejadas no mistério do ser. Entes esses delimitam espaços e os desmontam na medida inútil de quantos passados restarem de depois abandonados. Eles, seres afeitos aos percalços das muitas aventuras. Só em querer contar, ficam, destarte, abismados da perfeição espalhada no clarão das alvoradas.   

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As cores doutro universo


Isso de hoje ser assim, procura que procura, e iniciam-se filmes e filmes, no entanto sob os temas que repetem iguais dilemas, surpresas, agressividade. São impasses mil diante do inesperado. Incorreções sentimentais. Frustrações. Desencanto. Num arcadismo exagerado de tramas e delírios, a causar espécie. Conquanto repetir as mesmas buscas e desencontros, dali ressurgindo semelhantes descompassos, isto num tempo espalhado nas esferas de vezes sem conta. Ali os dramas antigos, familiares, desamores, dúvidas. De certeza, algo parece insistir na sede invasora dos dias atuais. Uma humanidade que somos em expectativas e repetições.

No íntimo, um lastro do que aconteceu nos passados e que agora permanece em versões continuadas dos conflitos de si para consigo. Irmãos contra irmãos. Gerações antônimas. Do quanto até aqui, são enigmas ambulantes perdidos em florestas escuras. Superpõem ideais submersos nas noites de antigamente, trazidos no bojo das vilas e cidades, suores e fastio. Há que ser, no entanto, frutos de uma ansiedade colhida desde quando chegaram. Quais espectadores dos circos fantasmagóricos lá de dentro de protagonistas afeitos ao desencanto, quer-se, vez por outra, escrever novos enredos, contudo.

Daí o quanto circula no transe dessas histórias. Ficções talvez de esperança. Desejos enormes de canções felizes. Nisso, a trilha de realizações dos sonhos benfazejos esquecidos de véspera. Contar das alegrias reais num céu de harmonia, porém cabe aos indivíduos que compõem esse quadro que circula pelas redes de então. Sustentar perspectivas transcendentes nascidas nas imediações do coração. Sussurrar laivos de equidistância dos fatores que poluem o mistério e escondem a paz.

Na clareza dos dias bem isto significa, existir a caminho desse teor transfigurado naquilo de antes imaginado, de construir mundos outros aonde impere o signo da Verdade. Harmonizar os acordes dessa procura de milênios qual seja.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Devaneios


Neste mundo de ficção onde se parece viver o reino dos imaginários, regido pela geometria euclidiana, duas paralelas jamais ver-se-iam juntas no Infinito, porém na geometria projetiva dúvidas não haverá de que tal aconteça nalgum momento, pois. Durante o desenrolar desse fio do Tempo a que estar-se sujeito, muito permite enganar a si mesmo, numa formação de nuvens e céus a bem dizer constante diante da visão e dos dias. Daí vêm os sons, as florestas, os ritos, outros animais, os argumentos, numa fúria sem conta, a preencher tetos imensos de expectativas o rio das civilizações. 

Nalgum sentido, entretanto, as palavras reduzem o instinto a um mero artefato de compreensão imediata de seres e objetos. Contam das sensações o empreendimento nascido de algum da imensidão, e desfazem nos próprios pés a fome de sobreviver a qual custo. Face a tanto, despejam no vácuo continentes inteiros de verdades absolutas até então desconhecidas e, nisso, totalizam multidões de histórias aparentemente simples, no entanto dotadas dos sinais inevitáveis do que virá certa feita daquilo plantado na pele em que habitam de certezas.

Uns se acham realizados, porém afeitos aos grilhões de sorte inesperada. Outros, anônimos do Universo, padecem ausências sem tamanho de cores e sensações. Noutros termos, gigantes abismados consigo, porejam vertentes adormecidas e constroem nas areias movediças suas possíveis sombras. Espécie de consideração aberta aos olhos de alguns que andam livres no além, participam dessa longa epopeia do firmamento e deixam margem às descobertas imprevisíveis do que ainda virá pela frente.

Leves espelhos dotados de vida, transmitem confiança em resistir aos parâmetros desta solidão que lhes acompanha inseparavelmente. Percorrem desertos, sobrevoam oceanos, escarcaviam mistérios indizíveis, isso transcritos que foram pela caligrafia de viagens e sonhos, na antiga certeza de iniciar, toda vez, novas aventuras que jamais irão chegar ao fim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Um sexto sentido


Isso que hoje acontece, de tempos outros quais sempre sejam os tempos. Mas de inteira transformação face ao que ficara lá atrás. Diante das máquinas aprimoradas pela inteligência, agora existe qual domínio das mentalidades coletivas, e pessoas aceitam, indiferentes, ser rendidas a outras caricaturas, dos filmes de ficção, das histórias imaginativas e surreais. Quase não pretendessem nem revelar a si próprios, os tais seres pensantes abrem mão continuada de tocar o barco dos sentidos e deixam destinos inteiros entregues às ordens de absolutos enigmáticos.

Há um desfile continuado dessas criaturas, montadas em equipamentos ilustrados, fantasmagóricos, brilhosos, espalhados pelas ruas das cidades, no movimento constante das ações mecânicas. Enquanto isso, sorrateiramente, vagam soltas nos ares de sons esquisitos e tufões alucinados, deixando margem suficiente a pensar naquelas ficções de eras seguintes, quando atravessar-se-ia largos desafios desde sempre avisados nas escrituras e nos sonhos.

Mesmo assim, conquanto aves quiçá já dominadas em gaiolas, porém dotadas de nexos ainda desconhecidos, a serem revelados no transcorrer das gerações porvindouras. Hordas de místicos percorreram livros demasiados, nisto viam a busca de transcorrer essas travessias insólitas por dentro da consciência e descobrir dali meios de responder aos ditames de tempos quais estes. São exercício sem conta, práticas por vezes insensatas, contudo perspicazes, de aprimorar o mistério e tocar as bordas de outra margem.

Por centro que virão novos dias, lei inevitável das circunstâncias. Aos mínimos detalhes, permitiram chegar até então e perfazer das lendas suas possibilidades reais. Isto numa era definidora de princípios e consequências ao dispor das criaturas atuais. Sustentar o trilho das visões e fazer do imaginário o tanto de percepção por demais consequente, essencial que seja. Um vigor sem par domina, pois, o senso dagora dessas esperanças, a demonstrar dos estudos e pesquisas, o ímpeto da sobrevivência da espécie, no sentido de nova revelação; dalgum lugar virá, quem sabe?!, tal seja visão recente de perenidade além dessa rotina voraz que parecia devorar tudo, de determinações a perenizar o aparecimento em novas formações.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Outros semblantes


Dalgum lugar há de virem frases inteiras a dizer das atividades lá de fora. São entes na justa de viver e depois contar a si mesmos o espetáculo onde habitaram, encenando as peças sucessivas deste chão das almas. Bem assim, tais visões do inesperado a percorrer o mesmo carrossel de tantas histórias, ferrenhos propulsores do Inconsciente face às dúvidas dos outros milhões em queda livre pelo Infinito. Nisso, chegam ao fojo das individualidades, insistem habitar as curvas do firmamento e adormecem logo ali, passados que seja de sustentar o mastro das antigas embarcações rumo dos mistérios.

Cotejam-se demasiados sonhos e terminam exangues nas malhas dessas possibilidades. Conviver consigo próprio perante a sorte dos dias que dissolvem o senso de tais criaturas humanas, nesses instantes, lhes surgem lastros sem final de mil e muitas contrições lá de onde nascem os dias. Farejam quais outros animais, no entanto perplexos de alternativas espraiadas noites adentro, morada dos espíritos.

Ocasiões outras semelhantes trazem de volta aquelas visagens adormecidas no vácuo do esquecimento e transtornam populações inteiras. Qual sentido leva a tanto, o instinto de posse, de poder e fama? Houvesse que suficiência dentro dos vultos e saber-se-ia o nexo arrevesado nesses espelhos jogados ao léu. Porém desconhecem o essencial e ainda porejam dominar as estruturas inúteis de quantos ali estejam, num avanço atroz de muitos perdidos séculos.

Pelas postagens que circulam as redes, raros afetos hão de produzir os desejos que imperam trastes a fio. Olhares de lince feroz prescrutam distâncias inatingíveis nesse mar de interrogações. Com isto, retornam velhas lembranças doutras vezes, doutros delírios. O som de harpas nas alturas parece contar tudo de antes em frases curtas, ferindo de sentimentos corações que tão-só alimentam viver e ser feliz.

Vozes adiante e se escuta, de novo, o enredo de uma sorte em movimento de paz e realização.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Viver agora


Lá adiante, montanhas acima, escarpadas. Antes, só vivências inevitáveis do que houvesse de ter sido. Nisto, o longo trilho rumo de si próprio. Paisagem por algum momento contrafeitas aos seus olhos, no entanto de uma certeza tão absoluta que estremece as bases insólitas da consciência, na procura sem fim de um nexo qualquer que lhe suporte o senso.

Lugares por demais esquisitos formam, pois, novas montanhas e desfazem outras histórias, esquecidas ou recentes, de um passado sem mais formas. Tais quais ossos desmanchados pelas agruras doutras pessoas, entes assim repetitivos, insistentes de querer predominar a custo no meio de tantos objetos aos poucos largados pelas estradas. Razão disso, a mesma lição de lembrar apenas o presente e vivê-lo do modo intenso das verdades eternas em volta. Transes suspensos nas velhas compreensões das músicas suaves do vento, ali por perto alimentam o gosto de existir. Pequenos resultados daquilo que fora neste sempre aos pés do Infinito. Conter o instinto e saber-se inevitável face aos mundos imaginários. Sujeitos e verbos dos solos dessas melodias daqui do que deveras escreveram os sobreviventes das guerras, alienados pelas dores deixadas ao léu da sorte às primeiras luzes doutras manhãs já agora feitas de restos e larvas. Espécie de humanidade que viaja no Tempo à busca de novos sonhos, logo ali os transforma em meras ilusões.

Nesse arcabouço, são inúmeras aventuras perenes das horas em ação. Quantos e tantos, heróis de antigamente impregnados de lendas e mistério, a ferir o lastro do silêncio. Houvesse, no entanto, algo demasiadamente definitivo até então, outras vazes preencheriam o vazio no qual se acham e desvendariam milhões sem conta desse contexto que lhes domina os sentimentos. Bem defronte, as nuvens de chuva sobre as encostas da serra. Doutro lado, extensas paragens de monumentos e letras, emparedados de encontro ao furor das circunstâncias determinadas dalgum universo. Essas imagens perfazem, destarte, singulares verdades fincadas no chão das escrituras, numa indagação de profunda intensidade, laços imprevisíveis do que pudesse vir de um a outro dos instantes em movimento pelos céus inigualáveis. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dados móveis


A recordar um filme de Ingmar Bergman, O sétimo selo, me volta pensar no instinto dos humanos de serem perenes e não apenas mortais. Na constante busca de refazer os destinos, traz o Tempo meios outros que não só esses daqui do Chão. Nisso, aquela intenção substancial de vencer o invencível, sobremodo no que consiste propagar o eterno drama de aqui deixa tudo de mais preciso sob o prisma da matéria física. Contar versões menos esperadas e tonificar de cores a transição entre o visto e o invisível. Noutros termos, sobreviver ao desaparecimento, na rota sistemática do quanto existe.

Portanto, olhos posto nesse correr de tudo aos braços do Infinito, perdura o sonho de conhecer os segredos dos passos fatalizados nalgumas tradições, de expectativas e sustos, e ver nas circunstâncias sumir as legendas numa velocidade insistente. Nas lições de meus pais, sempre havia um véu de interrogação disso, de conhecer o que virá lá certa feita. Somos de uma família de tradição católica, nem de longe a ensinar da Reencarnação. Os cânones religiosos nos falavam de uma outra vida, circunscrita a Céu, Inferno e Purgatório.

Ao chegar no Colégio Diocesano, em Crato, onde cursei Ginasial e Científico, tive amizade com o Vice-Diretor, Alzir Oliveira, que, sabendo de meus interesses literários e filosóficos, ofereceu a que eu lesse o livro A face oculta de mente, do sacerdote católico Padre Quevedo. Até então nunca ouvira falar nas vidas sucessivas pela sequência das reencarnações. No livro, o padre combatia com veemência este conceito, mas a mim foi uma grata surpresa conhecer o que preconiza o ensino espírita: poder regressar ao mundo físico, depois da morte, e continuar no processo evolutivo através das vidas sucessivas. Um tanto da perfeição divina que nos conduz através das muitas chances, até o espírito se livrar das limitações e chegar ao grau de pureza na sua evolução. Aquela obra, pois, seria providencial a que viesse de revisar os meus valores iniciais sobre a existência carnal e o segmento original das muitas oportunidades em vista no transcorrer das quantas vidas.  

(Ilustração: O sétimo selo (1957), de Ingmar Bergman).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A que distância das estrelas


Por certo o tanto de percorrer entre as palavras que calam... Algo assim que se desfaz a meio da dúvida, entre pensamentos, sentimentos e atitudes. Nuvens no azul do Infinito. Cândidos desertos das humanas consciências à luz de tantas compreensões. Lugares soltos pelos espaços da memória adormecida no transitar das gerações e das horas. Gestos indescritíveis do quanto existira nalgum deserto dessas ausências sem fim que descrevem os mundos. No entanto, pesam nestes domínios feitos das criaturas enigmáticas a percorrer as folhas e os mistérios de uma solidão incalculáveis. Horas aflitas. Sordidez. Distâncias. Sim, bem isto, um eterno fervilhar a meio de luas e sóis, cândidos augúrios que antes transitavam pelas dobras dos depois. Nem de longe, com isto, chegam ao silêncio do que até hoje contavam os segredos das alturas através das narrativas mais silenciosas. Isto, nas mesmas e inúmeras oportunidades escondidas sob camadas sucessivas de indagações dos seres, quiçá, tão poderosos que circulam nos corpos celestes e de lá emitem seus sinais inigualáveis dos códigos donde vieram, e insistem andar pelas noites feitos ciganos em longas caminhadas. Dali, descem ao abismo das visões e mergulham de vez nas sensações de novos dias em movimento. Contos de mistério persistem, pois, a transmitir desses despenhadeiros o tempo e suas histórias desconhecidas, e revertem tudo a lances constantes de interpretação, contudo de olhos vivos doutros universos até aqui ignorados.

Entretanto invadem territórios outros à busca de dominar esse impossível de que sejam feitos. Sabem, por certo, restritos a poucos traços, e estes os comprimem no âmbito do domínio, e somem inevitavelmente de um a outro instante da igual sorte dos séculos. Perlustram, que sei disso, os vales eternos e renascem logo além, quais novas árvores dessas florestas que fazem agora desaparecer num abrir e fechar de transações. Assim, meros circunstantes do intangível, sustentam a ciência dos dias e desmancham em sonhos os dizeres que guardavam de outrora.

Ilustração: Gemini.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Pastores do tempo


Algo assim que bem pudesse ser, do Nunca ao Nada, eles primos-irmãos e da mesma sorte. A meio disso, essa imaginação ativa dos seres quais testemunhas do correr das nuvens pelo mar dos infinitos. Em todo instante, presentes nesse transitar dos objetos sobre superfície invisível, a não dizer impossível, algum ente que se superpõe a toda realidade, num correr sem conta, que vem e some de lugar a lugar. Ali adiante, os profetas a lhes observar extasiados.

Saber-se face a face consigo, nesse fazer inumerável de frações, transitam pelas frestas dos objetos, criando condições de tocar na ficção em que habitam as criaturas humanas, ditas pensantes. Por certo à luz dos acontecimentos há de haver caldeiras imensas que as sustentem no fervor das estruturas e alimentam os outros animais, nessa faina de viver. Condições inigualáveis de presenciar tantos momentos, alguns que silenciam os pensamentos e adormecem feitos quem achou o trilho dos contentes e se libertou. São tantos protagonistas das mesmas cenas, a repetir litanias e canções pelos ares bravios lá de fora.

Florestas incontáveis de tantos seres nem sempre deixam margem a compreender as razões de andarem aqui, no entanto persistem atentos pelos entulhos das eras que sumiram do jeito que vieram. Transitam e observam a finalidade do que habitam. Escutam sinais entre os sons do Infinito e rezam, sonham, trabalham, numa tradição milenar de longe suspensas nos reinos das alturas.

Jamais acreditariam antes chegar a este painel de solidão à busca das certezas e crenças, logo de novo submersas nas lembranças que restaram. Sabem, outrossim, de tudo isto em pequenas frações trazidas no vento da sorte. Chegam a tocar levemente o caule de árvores imensas, e, em seguida, descreem do que lhes disseram os sentidos. Conquanto fieis servidos da imaginação, acalmam os sentimentos e abandonam às margens das ausências aquilo trazido até agora.

(Ilustração: A luta entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel, o Velho).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Um mundo feito de palavras

 

E nos intervalos, de vez em quando surgem as criaturas humanas encapuzadas nos destinos ignorados. Meros seres feitos de carne, ossos e sangue que assustam uns aos outros, feitos visagens doutras histórias ainda em período de incubação. Longos disfarces cobertos de súplicas invadem, destarte, o teto dos instantes e deixam escorrer novas ideias. Tais disfarces compõem o espelho das alturas, desmancham, lentas, as horas sem fim e preenchem de visões disformes a longa imensidão do cotidiano.

Assim transcorre o prisma das noites imaginárias, a meio de um movimento, pela escala do Infinito. Blocos intermináveis de compreensão publicam suas lendas esquecidas nas salas das cavernas escuras aonde chegaram multidões inteiras. Trazem consigo esses equipamentos recentemente desenvolvidos de comunicação. Refazem os mesmos segredos antes guardados no furor das outras civilizações, e adormecem contritos sob o fogo intenso da dúvida.

A bem de se pensar, seriam eles os imaginados heróis lá de longe, desde o início da grande caminhada rumo ao Eterno. Secundados de extensos desesperos em não conhecer tudo neste caminho, agora padecem do quanto houveram de atravessar, nos intervalos acesos dos romances, contos, filmes e novelas, aquilo que pediam os termos desse acordo coletivo que os compõem. Porquanto perguntar a quem, ninguém há de responder com tamanha facilidade se não eles próprios. Talvez encontrem dentro de si justificativas plausíveis, contudo, dotadas de puro desassossego vindo das indecisões dos que construíam as naves dessa viagem exótica sem maiores justificativas de rumo certo.

Face a isto, eis o momento ideal no patamar das estruturas, enquanto permanecem num tempo de relativa paz, porém cercado dos instintos da raça afeita aos apegos da matéria. Padecem, pois, dos contrastes transpostos desde sempre, no seio da fome da espécie. Olham o trilho desse estado atual feitos pedaços dos passados que arrastam a fora, na velha fúria dos antigamente. Nos transes inigualáveis das oportunidades, fitam o mistério e sustentam os arcos do desejo de ser feliz algum dia, outrossim.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Ecos do inexistente


Bem assim de tudo que se conta ouvem sons enigmáticos dos quanto existem em torno de pessoas e lugares. Ainda que tanto, pensamentos e palavras conspiram nisso, à cata de responder dalgum jeito o espectro imenso ali diante das horas, tempos a fio. Conhecem da distância entre saber e compreender, vadiam na sombra dos astros e depois adormecem nos braços das ausências do quanto perpassam seus gestos e expectativas, no entanto. Eles, restos do que virá certa feita, somem no abismo do Infinito quais meros acordos de silêncio e dúvidas firmados eternidades incontáveis.

Há, no entanto, territórios inteiros dessa fronteira do conhecido e do inconsciente nas criaturas humanas. Sobejas vezes vão de encontro às lendas, na formação dos mitos que a isto determinam versões temporárias espalhadas ao sabor das histórias pessoais. Conquanto parceiros do que perdura na face de uma aparente realidade, só destarte ponderam desenvolver nítidas interpretações; daí o caudal sem fim das filosofias e dos grupos. Que transcrevam mistérios sem conta, porém dotados unicamente das avaliações parciais de mentalidades e tradições.

De olhos abertos, pois, multidões inteiras vagaram no correr do Tempo e nem sempre trazem de si uma real certeza desse itinerário já definido entre viver a permanecer, no decorrer das gerações. Sei que carregam consigo aquilo do que avistam lá a qualquer tempo, outrossim assustados do poder apenas imaginário de desvendar segredos e destinos. Perseguem os sóis da mais intensa luz, de consciências acesas aos gestos da verdade absoluta. São diversos aqueles sonhos do quanto esquecidos nas vitórias e domínios. Um a um, todos emitem relatórios talvez sinceros, todavia condicionados a ansiedades em voga no jogo dos poderes, nas fases que viveram.

Deixemos, entretanto, definido a contento esse instinto original de sobreviver, na sequência dos acontecimentos inevitáveis. Saber dos segredos deste Universo de que somos peças e alimentamos de esperança, toda vez que conosco de novo aqui nos reveremos.