sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Desconstruir o mistério


Face a face consigo, tais visões de um espelho circular, passam por nós as memórias numa velocidade constante, o que demonstra, de verdade, aquilo que nos interessa interpretar de nós mesmos nas suas mais diversas ocasiões. Portas abertas do Destino, assim o somos, retalhos da boa chita que se conformam conosco nas vidas e vidas. Até então foram percursos inesquecíveis, pois, uma vez que permanecem aqui de junto, a contar as ocasiões dos pensamentos e sentimentos e de nossas práticas naqueles instantes deixados nalgum resquício eterno, preso aos nossos seres quais farnéis de procura. Pessoas. Lugares. Momentos. Arcabouços das aflições e glórias imortais de quem e quando fomos seus autores, parceiros e viventes. Sei que existe, sim, a tal caverna de que falou Platão, donde se avista a tela escura nas profundezas, projeções da luz lá de fora em forma de sombras ativas a nos entreter toda hora. Desfilamos, tais atores de um cinema individual no quanto presenciamos daquelas ilusões imaginárias, a revelar só ficções do paraíso doutra essência que virá lá algum dia, de girar dentro da presença individual e resolver ser o que seremos em definitivo, na descoberta da Consciência. Guardada desde sempre, enquanto isso, só meros desenhos animados, esboços grosseiros do que vivemos ao sabor dos impulsos, tais diferentes aventureiros do prazer imediato. Famintos das horas, arquejamos ao sabor desse tempo e desfazemos a própria história nos fragmentos fulgurantes daqueles cotidianos provisórios doutros e antigos dias.

Depois, bem depois, de percorrer essa longa estrada no correr do firmamento, olhos acesos ao que virá, eis a caravana que antecede o trilho do Infinito. Existe de tudo no meio dessas figuras impacientes do que fazemos das lembranças; restam esses personagens que transportamos na mochila da sorte pelas existências adiante.

 

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