sábado, 8 de setembro de 2018

O labirinto das palavras

Formadas de letras vivas, as palavras são elas a música da alma. Abrem espaços entre os pensamentos e encaixam sentimentos partilhados da gente com a gente. Cavam trincheiras profundas no seio das criaturas, ou permitem longas caminhadas dois a dois pelas estradas deste mundo. Nas dobras das esquinas do astral, ali percorrem à busca de descobrir o jeito maior da entrega aos valores supremos, na disposição de viver em comum no leito quente da Verdade mais plena do absoluto.

Bem ali nessa visão das eras intermináveis e descobertas, bem ali, ou aqui, vicejam os sonhos do Ser. Quais simples instrumentos de nós, somos estes seres em potencial, formas da concretude e de todos os desejos possíveis e imagináveis. Enquanto que deixamos cair o véu das inocências, ainda assim sobreviveremos diante do Eterno. Meros joguetes das aparentes liberdades, vaquejamos a Liberdade, afeitos aos farrapos da descrença, ou depositários da luz em forma de animais, eles se superam.

Destarte, temos todos estes quais momentos de lucidez dolorida perante os apetites nefastos das ganâncias, anjos largados às feras em bando nesse labirinto de palavras e pensamentos, sinfonias e canções de tocar os corações. Pássaros insólitos, vagamos soltos no Infinito entre as estrelas e os versos, emparedados, pois, neste chão de almas, temidas e tementes, trocamos de passos aos pés do Criador da Consciência. Por vezes vacilantes, contudo emocionados nas pequeninas ações dos dias, esquecidos na sorte para sempre, batemos as portas da Felicidade feitos aprendizes.

Naves esquecidas
deste céu de emoções inesperadas, tangemos o barco ao fluir das ondas, olhos abertos aos instintos, no destino da realização, individualidades, micro-organismos vestidos de tempo, durante o que festejamos as palavras. As palavras que, sim, são livres, e nós só quase libertos à procura do Amor. O resto disso é a aventura intensa nos campos da possibilidade sem fim de achar a Perfeição.

2 comentários:

  1. Que texto maravilhoso! Rico de palavras e sentido. Uma metáfora capaz de levar qualquer escritor de primeiro mundo a ler e reler cada parágrafo, cada palavra, e interpretar cada sentido. Uma mistura, um turbilhão de sentimentos e verdades, realidade e devaneio. Parabéns ! Texto magnífico..

    ResponderExcluir
  2. Lisonjeada com o seu comentário , voltei para reler rsrs. Um abraço Emerson Monteiro.

    ResponderExcluir