domingo, 7 de janeiro de 2018

Neste mar de sentimentos

Por mais que sejam movidos a pensamentos, durante todo tempo os humanos estão sujeitos aos sentimentos. Eles evitam sentir, pois sentir dói um tanto. Porém ninguém foge ao poder dos sentimentos, função principal de existir neste chão. Embriagados, entorpecidos, dependentes, no entanto rodam, rodam, e chegam ao mesmo lugar, à casa das emoções, na matriz do coração. A única porta de sair dessa escravidão da carne ali permanece fechada aos apelos e apegos, por mais que insistam vencer o destino inevitável. Nisso pena o espírito, até chegar do lado de dentro de si.

Já foram turbilhões de passados e os indivíduos persistem no velho desespero de revelar rotas de fuga; contudo são frustrados na memória das experiências, das ambições deslavadas, que amarguram no vazio de respostas a que pudessem dominar esse território. Tão ausentes de conforto permanente, andam açoitados pela fria razão, e nunca realizam plenamente a ânsia do absoluto.

Nadar no mar desse infinito significa, por isso, tocar adiante as frustrações e vencer o desencanto. Incríveis as lições do próprio corpo, cercado de sentidos, centrais de identificação da consciência aprendiz. A angústia, portanto, é viver de contradições. Querem ser felizes, todavia praticam egoísmo crônico. Planejam vencer os instintos, mas deixam que reinem soberanos. Entre animais ferozes e desafios diários, encaram a certeza do fim quais pagãos sentenciados à procura de novas ilusões.

Ondas gigantes por vezes parecem anular a sombra dos apetites; marchas colossais de sonhos brilham nas praias; nuvens encobrem os sentimentos, contudo jamais largaram os barcos ao tédio de quando tudo terminar em cada existência perdida. Apenas isso, heróis inacabados, prisioneiros de pensamentos andam em círculo à volta da única resposta, abrir de vez por todas o cristal da compreensão e aceitar os sentimentos que levam à estação da real Felicidade.

(Ilustração: Hieronymus Bosch).

2 comentários:

  1. Sentimento é sentimento, não temos como fugir disso. Podemos até nos contermos em nossas atitudes , mas não podemos matar os sentimentos da alma. Por mais que lutemos, levará um tempo até ficarmos livres do que nos sufoca e arrebata.

    ResponderExcluir
  2. Acredito não haver entendido seu texto. As vezes penso que o sru texto trás sempre uma lição de moral na sua essência. Procuro não vê-la porque ler você me faz bem.

    ResponderExcluir