quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Histórias alheias VI

Rei da Prússia, Frederico II visitava, certo dia, um presídio da Capital do reinado, Berlim. De cela em cela, ia escutando as queixas insistentes dos apenados ali reunidos, que clamavam do soberano a revisão das suas condenações, alegando injustiça, impropriedades, e que as punições estavam fora de propósito. Justificavam as atitudes delituosas de haverem sido mal consideradas pelos julgadores e firmavam os pés na mais pura das inocências dos atos que lhes jogaram no infeliz calabouço. 

O monarca, atento, escutava as narrativas de um a um, sem maiores reações. Num determinado momento, enquanto observou, meio distante dos demais, a presença de prisioneiro quieto e afastado. Cauteloso, se dirigiu até ele, perguntando: - E o senhor, o que cometeu de tão grave que lhe trouxesse a este lugar?

O sentenciado, de pronto, respondeu: - Um assalto. Fui flagrado em um assalto nas estradas, e aqui estou pagando a pena, majestade.

Daí, o rei seguiria o interrogatório: - E o senhor na verdade é responsável por isso de que foi punido?

- Sim, majestade. Pago pena que mereço, vista a ação criminosa que pratiquei no passado.

Pensativo, Frederico II matutou um pouco; em seguida, chamaria o carcereiro, dizendo: - Agora mesmo, pode soltar este homem. Não quero que permaneça um só dia nesta prisão, pois ele está influenciado de modo negativo os outros presos, todos eles inocentes e injustiçados.

Assim, cumpririam os responsáveis pela instituição penal as ordens do Rei, pondo em liberdade o único detento que não alegara ser vítima da lei, naquele país distante.


(Narrativa que li no livro Sobre a rocha, de Mark Finley). 

Um comentário:

  1. Interessante. A forma como estes rei analisou o fato é como decidiu, baseado em que se fundamentou. Mas se eu entendi o recado, uma maçã podre pode contaminar todo o cesto, sendo que destafeita a escolha e o efeito reverso.

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