Crato não fugiu à regra e testemunhos podem ser recolhidos, pois cada depoimento somado concederá uma visão da memória, comparável às fotografias diferentes de um mesmo sítio.

Muitos talvez se recordem de dois pedintes bem característicos: Pedro Cabeção e Moipen. Pedro fazia ponto na Rua Miguel Limaverde, onde antes ficava a saída do Cine Cassino; hidrocéfalo sempre feliz, estalava a língua no encontro do céu da boca, ocasionando ruído para chamar a atenção dos passantes, com quem trocava chistes e de quem merecia as migalhas da sobrevivência. Simpático por profissão, conseguiu se fazer querido de muitos, sobretudo das crianças.
Moipen (Júlio Grego era o outro nome dele), por sua vez, seguia, de casa em casa, chapéu de palha de aba larga sobre a testa, a lhe encobrir os olhos, girando na ponta do indicador uma bandeja de flandre desbotada, qual fosse um disco, adaptando o som da palavra esmola ao seu falar diferente (moi... moi... moi...) (moipen... moipen... moipen...), para significar uma esmola para Nossa Senhora da Penha.
Outra figura peculiar das ruas cratenses - Tendô, que não mais soubemos dele; representava outra época dessa história natural da cidade, nos fins da década de 40, começo dos anos 50.
Troncudo, baixo na estatura, cinto largo de muitos adereços, fivelas variadas, e cravejado de tudo quanto era ilhós, e um chapéu de couro e barbicacho que não destoavam do exagero geral; também muito querido da população, prestativo e eficiente, vivia de recordar as proezas de seu antigo patrão, Dr. José Gesteira, a quem servira em sua casa de saúde.
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