
Os noviços responsáveis pelas rotinas do estabelecimento, no entanto, nutriam pouca disposição de, além dos afazeres regulares, ainda pegar as migalhas dispensadas dos alimentos para constituir a sopa dos necessitados, e com isso dificultavam a mais não poder o trabalho que resultaria no sustento da longa fila andrajosa dos mendigos.
Diante daqueles modos indiferentes, São Benedito repetia com insistência que eles, os auxiliares, estariam abandonando no lixo o sangue dos seus pobres. Inúmeras vezes aconteciam esses conselhos sem significar, contudo, manifestações que produzissem os devidos frutos.
Até que, belo dia, o frade, utilizando a estopa de limpeza do balcão onde preparavam os pratos, nela recolheria os mantimentos que já iam a caminho da lixeira e, em seguida, com força, espremeu o tecido às vistas de todos em volta, reafirmando o sempre dissera:
- Meus irmãos, vejam, na verdade, que o que fazem é derramar o sangue dos pobres – e na mesma hora escorreu sobre a bancada mais puro e expressivo sangue humano, razão de espanto dos presentes, passando ser essa uma das ocorrências somadas ao mérito da canonização do santo virtuoso.
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