domingo, 19 de agosto de 2018

Dimensões

Quais camadas superpostas assim somos nós. Espaços imaginários que circulam possibilidades, gravitamos sozinhos feitos ciganos em bandos em volta do núcleo das existências ainda que admitamos viajar outras órbitas, contudo estas são outros seres que também somos. Jamais percorremos, pois, as outras dimensões conquanto a outros astros elas pertencem no curso infinitos destas condições humanas. Nutrimos, no entanto, a sede nas aventuras alheias, à busca dos espelhos que significariam diversos mundos, porém doutros atores de si, o que só em nós, de longe, desenvolvemos revelar na essência definitiva, ora vagando em nossas mãos, por certo carentes e inexperientes, ou nas mãos dos outros.

Os dramas, as angústias; medos, desespero; luas, humores; peças do território desta vida, apenas trocamos de roupa e de leve fugimos de nós mesmos, tais bichos ariscos e largados no universo absurdo que deixaremos de ser tão logo revelemos a consciência. Foram muitos por inteiro dos céus que frequentamos nas sequências deste modo de aprender que a Natureza oferece dias e dias, meras dúvidas e repetições que sustentam as vaidades e alimentam o desejo de continuar sem limite. Criamos o jardim das delícias dos sentidos e neles maneiramos mágoas e queixumes, vórtices apaixonados de prazer e apetites. E refazemos os sonhos no objetivo de achar a porta de sair dos dilemas e frustrações. Nutrimos leis, deveres e relacionamentos. Nisso largamos as cascas e os corpos na lama das horas, mergulhamos apreensivos no saber a que viemos acender luzes e, por vezes, nem nos apercebemos que o tempo desmancha no ar as notas da presença do passado que nunca mais voltará, e o futuro é agora. 

Doces ausências nós o somos, camadas superpostas das dimensões a que alçamos, pouco a pouco, duendes saltitantes nas florestas do conhecimento escondidos debaixo dessas quantas camadas do ser que em nossas mãos solicita a força de todas a maior, de habitarmos a intensidade e aguardar a certeza na semente de fomos dotados desde o princípio de Tudo.

Um comentário:

  1. Doces ausências de nós mesmos, somos nós. Esquecemo-nos muitas vezes de nossos próprios valores. O que não deveria ocorrer, mas acontece. Parabéns pelo texto e também pela colagem.

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