E nos intervalos, de vez em quando surgem as criaturas
humanas encapuzadas nos destinos ignorados. Meros seres feitos de carne, ossos
e sangue que assustam uns aos outros, feitos visagens doutras histórias ainda em
período de incubação. Longos disfarces cobertos de súplicas invadem, destarte,
o teto dos instantes e deixam escorrer novas ideias. Tais disfarces compõem o espelho
das alturas, desmancham, lentas, as horas sem fim e preenchem de visões disformes
a longa imensidão do cotidiano.
Assim transcorre o prisma das noites imaginárias, a meio de um
movimento, pela escala do Infinito. Blocos intermináveis de compreensão
publicam suas lendas esquecidas nas salas das cavernas escuras aonde chegaram
multidões inteiras. Trazem consigo esses equipamentos recentemente
desenvolvidos de comunicação. Refazem os mesmos segredos antes guardados no
furor das outras civilizações, e adormecem contritos sob o fogo intenso da
dúvida.
A bem de se pensar, seriam eles os imaginados heróis lá de longe,
desde o início da grande caminhada rumo ao Eterno. Secundados de extensos desesperos
em não conhecer tudo neste caminho, agora padecem do quanto houveram de atravessar,
nos intervalos acesos dos romances, contos, filmes e novelas, aquilo que pediam
os termos desse acordo coletivo que os compõem. Porquanto perguntar a quem, ninguém
a de responder com tamanha facilidade se não eles próprios. Talvez encontrem
dentro de si justificativas plausíveis, contudo, dotadas de puro desassossego vindo
das indecisões dos que construíam as naves dessa viagem exótica sem maiores
justificativas de rumo certo.
Face a isto, eis o momento ideal no patamar das estruturas,
enquanto permanecem num tempo de relativa paz, porém cercado dos instintos da
raça afeita aos apegos da matéria. Padecem, pois, dos contrastes transpostos
desde sempre, no seio da fome da espécie. Olham o trilho desse estado atual
feitos pedaços dos passados que arrastam a fora, na velha fúria dos
antigamente. Nos transes inigualáveis das oportunidades, fitam o mistério e
sustentam os arcos do desejo de ser feliz algum dia, outrossim.