quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As cores doutro universo


Isso de hoje ser assim, procura que procura, e iniciam-se filmes e filmes, no entanto sob os temas que repetem iguais dilemas, surpresas, agressividade. São impasses mil diante do inesperado. Incorreções sentimentais. Frustrações. Desencanto. Num arcadismo exagerado de tramas e delírios, a causar espécie. Conquanto repetir as mesmas buscas e desencontros, dali ressurgindo semelhantes descompassos, isto num tempo espalhado nas esferas de vezes sem conta. Ali os dramas antigos, familiares, desamores, dúvidas. De certeza, algo parece insistir na sede invasora dos dias atuais. Uma humanidade que somos em expectativas e repetições.

No íntimo, um lastro do que aconteceu nos passados e que agora permanece em versões continuadas dos conflitos de si para consigo. Irmãos contra irmãos. Gerações antônimas. Do quanto até aqui, são enigmas ambulantes perdidos em florestas escuras. Superpõem ideais submersos nas noites de antigamente, trazidos no bojo das vilas e cidades, suores e fastio. Há que ser, no entanto, frutos de uma ansiedade colhida desde quando chegaram. Quais espectadores dos circos fantasmagóricos lá de dentro de protagonistas afeitos ao desencanto, quer-se, vez por outra, escrever novos enredos, contudo.

Daí o quanto circula no transe dessas histórias. Ficções talvez de esperança. Desejos enormes de canções felizes. Nisso, a trilha de realizações dos sonhos benfazejos esquecidos de véspera. Contar das alegrias reais num céu de harmonia, porém cabe aos indivíduos que compõem esse quadro que circula pelas redes de então. Sustentar perspectivas transcendentes nascidas nas imediações do coração. Sussurrar laivos de equidistância dos fatores que poluem o mistério e escondem a paz.

Na clareza dos dias bem isto significa, existir a caminho desse teor transfigurado naquilo de antes imaginado, de construir mundos outros aonde impere o signo da Verdade. Harmonizar os acordes dessa procura de milênios qual seja.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Devaneios


Neste mundo de ficção onde se parece viver o reino dos imaginários, regido pela geometria euclidiana, duas paralelas jamais ver-se-iam juntas no Infinito, porém na geometria projetiva dúvidas não haverá de que tal aconteça nalgum momento, pois. Durante o desenrolar desse fio do Tempo a que estar-se sujeito, muito permite enganar a si mesmo, numa formação de nuvens e céus a bem dizer constante diante da visão e dos dias. Daí vêm os sons, as florestas, os ritos, outros animais, os argumentos, numa fúria sem conta, a preencher tetos imensos de expectativas o rio das civilizações. 

Nalgum sentido, entretanto, as palavras reduzem o instinto a um mero artefato de compreensão imediata de seres e objetos. Contam das sensações o empreendimento nascido de algum da imensidão, e desfazem nos próprios pés a fome de sobreviver a qual custo. Face a tanto, despejam no vácuo continentes inteiros de verdades absolutas até então desconhecidas e, nisso, totalizam multidões de histórias aparentemente simples, no entanto dotadas dos sinais inevitáveis do que virá certa feita daquilo plantado na pele em que habitam de certezas.

Uns se acham realizados, porém afeitos aos grilhões de sorte inesperada. Outros, anônimos do Universo, padecem ausências sem tamanho de cores e sensações. Noutros termos, gigantes abismados consigo, porejam vertentes adormecidas e constroem nas areias movediças suas possíveis sombras. Espécie de consideração aberta aos olhos de alguns que andam livres no além, participam dessa longa epopeia do firmamento e deixam margem às descobertas imprevisíveis do que ainda virá pela frente.

Leves espelhos dotados de vida, transmitem confiança em resistir aos parâmetros desta solidão que lhes acompanha inseparavelmente. Percorrem desertos, sobrevoam oceanos, escarcaviam mistérios indizíveis, isso transcritos que foram pela caligrafia de viagens e sonhos, na antiga certeza de iniciar, toda vez, novas aventuras que jamais irão chegar ao fim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Um sexto sentido


Isso que hoje acontece, de tempos outros quais sempre sejam os tempos. Mas de inteira transformação face ao que ficara lá atrás. Diante das máquinas aprimoradas pela inteligência, agora existe qual domínio das mentalidades coletivas, e pessoas aceitam, indiferentes, ser rendidas a outras caricaturas, dos filmes de ficção, das histórias imaginativas e surreais. Quase não pretendessem nem revelar a si próprios, os tais seres pensantes abrem mão continuada de tocar o barco dos sentidos e deixam destinos inteiros entregues às ordens de absolutos enigmáticos.

Há um desfile continuado dessas criaturas, montadas em equipamentos ilustrados, fantasmagóricos, brilhosos, espalhados pelas ruas das cidades, no movimento constante das ações mecânicas. Enquanto isso, sorrateiramente, vagam soltas nos ares de sons esquisitos e tufões alucinados, deixando margem suficiente a pensar naquelas ficções de eras seguintes, quando atravessar-se-ia largos desafios desde sempre avisados nas escrituras e nos sonhos.

Mesmo assim, conquanto aves quiçá já dominadas em gaiolas, porém dotadas de nexos ainda desconhecidos, a serem revelados no transcorrer das gerações porvindouras. Hordas de místicos percorreram livros demasiados, nisto viam a busca de transcorrer essas travessias insólitas por dentro da consciência e descobrir dali meios de responder aos ditames de tempos quais estes. São exercício sem conta, práticas por vezes insensatas, contudo perspicazes, de aprimorar o mistério e tocar as bordas de outra margem.

Por centro que virão novos dias, lei inevitável das circunstâncias. Aos mínimos detalhes, permitiram chegar até então e perfazer das lendas suas possibilidades reais. Isto numa era definidora de princípios e consequências ao dispor das criaturas atuais. Sustentar o trilho das visões e fazer do imaginário o tanto de percepção por demais consequente, essencial que seja. Um vigor sem par domina, pois, o senso dagora dessas esperanças, a demonstrar dos estudos e pesquisas, o ímpeto da sobrevivência da espécie, no sentido de nova revelação; dalgum lugar virá, quem sabe?!, tal seja visão recente de perenidade além dessa rotina voraz que parecia devorar tudo, de determinações a perenizar o aparecimento em novas formações.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Outros semblantes


Dalgum lugar há de virem frases inteiras a dizer das atividades lá de fora. São entes na justa de viver e depois contar a si mesmos o espetáculo onde habitaram, encenando as peças sucessivas deste chão das almas. Bem assim, tais visões do inesperado a percorrer o mesmo carrossel de tantas histórias, ferrenhos propulsores do Inconsciente face às dúvidas dos outros milhões em queda livre pelo Infinito. Nisso, chegam ao fojo das individualidades, insistem habitar as curvas do firmamento e adormecem logo ali, passados que seja de sustentar o mastro das antigas embarcações rumo dos mistérios.

Cotejam-se demasiados sonhos e terminam exangues nas malhas dessas possibilidades. Conviver consigo próprio perante a sorte dos dias que dissolvem o senso de tais criaturas humanas, nesses instantes, lhes surgem lastros sem final de mil e muitas contrições lá de onde nascem os dias. Farejam quais outros animais, no entanto perplexos de alternativas espraiadas noites adentro, morada dos espíritos.

Ocasiões outras semelhantes trazem de volta aquelas visagens adormecidas no vácuo do esquecimento e transtornam populações inteiras. Qual sentido leva a tanto, o instinto de posse, de poder e fama? Houvesse que suficiência dentro dos vultos e saber-se-ia o nexo arrevesado nesses espelhos jogados ao léu. Porém desconhecem o essencial e ainda porejam dominar as estruturas inúteis de quantos ali estejam, num avanço atroz de muitos perdidos séculos.

Pelas postagens que circulam as redes, raros afetos hão de produzir os desejos que imperam trastes a fio. Olhares de lince feroz prescrutam distâncias inatingíveis nesse mar de interrogações. Com isto, retornam velhas lembranças doutras vezes, doutros delírios. O som de harpas nas alturas parece contar tudo de antes em frases curtas, ferindo de sentimentos corações que tão-só alimentam viver e ser feliz.

Vozes adiante e se escuta, de novo, o enredo de uma sorte em movimento de paz e realização.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Viver agora


Lá adiante, montanhas acima, escarpadas. Antes, só vivências inevitáveis do que houvesse de ter sido. Nisto, o longo trilho rumo de si próprio. Paisagem por algum momento contrafeitas aos seus olhos, no entanto de uma certeza tão absoluta que estremece as bases insólitas da consciência, na procura sem fim de um nexo qualquer que lhe suporte o senso.

Lugares por demais esquisitos formam, pois, novas montanhas e desfazem outras histórias, esquecidas ou recentes, de um passado sem mais formas. Tais quais ossos desmanchados pelas agruras doutras pessoas, entes assim repetitivos, insistentes de querer predominar a custo no meio de tantos objetos aos poucos largados pelas estradas. Razão disso, a mesma lição de lembrar apenas o presente e vivê-lo do modo intenso das verdades eternas em volta. Transes suspensos nas velhas compreensões das músicas suaves do vento, ali por perto alimentam o gosto de existir. Pequenos resultados daquilo que fora neste sempre aos pés do Infinito. Conter o instinto e saber-se inevitável face aos mundos imaginários. Sujeitos e verbos dos solos dessas melodias daqui do que deveras escreveram os sobreviventes das guerras, alienados pelas dores deixadas ao léu da sorte às primeiras luzes doutras manhãs já agora feitas de restos e larvas. Espécie de humanidade que viaja no Tempo à busca de novos sonhos, logo ali os transforma em meras ilusões.

Nesse arcabouço, são inúmeras aventuras perenes das horas em ação. Quantos e tantos, heróis de antigamente impregnados de lendas e mistério, a ferir o lastro do silêncio. Houvesse, no entanto, algo demasiadamente definitivo até então, outras vazes preencheriam o vazio no qual se acham e desvendariam milhões sem conta desse contexto que lhes domina os sentimentos. Bem defronte, as nuvens de chuva sobre as encostas da serra. Doutro lado, extensas paragens de monumentos e letras, emparedados de encontro ao furor das circunstâncias determinadas dalgum universo. Essas imagens perfazem, destarte, singulares verdades fincadas no chão das escrituras, numa indagação de profunda intensidade, laços imprevisíveis do que pudesse vir de um a outro dos instantes em movimento pelos céus inigualáveis. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dados móveis


A recordar um filme de Ingmar Bergman, O sétimo selo, me volta pensar no instinto dos humanos de serem perenes e não apenas mortais. Na constante busca de refazer os destinos, traz o Tempo meios outros que não só esses daqui do Chão. Nisso, aquela intenção substancial de vencer o invencível, sobremodo no que consiste propagar o eterno drama de aqui deixa tudo de mais preciso sob o prisma da matéria física. Contar versões menos esperadas e tonificar de cores a transição entre o visto e o invisível. Noutros termos, sobreviver ao desaparecimento, na rota sistemática do quanto existe.

Portanto, olhos posto nesse correr de tudo aos braços do Infinito, perdura o sonho de conhecer os segredos dos passos fatalizados nalgumas tradições, de expectativas e sustos, e ver nas circunstâncias sumir as legendas numa velocidade insistente. Nas lições de meus pais, sempre havia um véu de interrogação disso, de conhecer o que virá lá certa feita. Somos de uma família de tradição católica, nem de longe a ensinar da Reencarnação. Os cânones religiosos nos falavam de uma outra vida, circunscrita a Céu, Inferno e Purgatório.

Ao chegar no Colégio Diocesano, em Crato, onde cursei Ginasial e Científico, tive amizade com o Vice-Diretor, Alzir Oliveira, que, sabendo de meus interesses literários e filosóficos, ofereceu a que eu lesse o livro A face oculta de mente, do sacerdote católico Padre Quevedo. Até então nunca ouvira falar nas vidas sucessivas pela sequência das reencarnações. No livro, o padre combatia com veemência este conceito, mas a mim foi uma grata surpresa conhecer o que preconiza o ensino espírita: poder regressar ao mundo físico, depois da morte, e continuar no processo evolutivo através das vidas sucessivas. Um tanto da perfeição divina que nos conduz através das muitas chances, até o espírito se livrar das limitações e chegar ao grau de pureza na sua evolução. Aquela obra, pois, seria providencial a que viesse de revisar os meus valores iniciais sobre a existência carnal e o segmento original das muitas oportunidades em vista no transcorrer das quantas vidas.  

(Ilustração: O sétimo selo (1957), de Ingmar Bergman).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A que distância das estrelas


Por certo o tanto de percorrer entre as palavras que calam... Algo assim que se desfaz a meio da dúvida, entre pensamentos, sentimentos e atitudes. Nuvens no azul do Infinito. Cândidos desertos das humanas consciências à luz de tantas compreensões. Lugares soltos pelos espaços da memória adormecida no transitar das gerações e das horas. Gestos indescritíveis do quanto existira nalgum deserto dessas ausências sem fim que descrevem os mundos. No entanto, pesam nestes domínios feitos das criaturas enigmáticas a percorrer as folhas e os mistérios de uma solidão incalculáveis. Horas aflitas. Sordidez. Distâncias. Sim, bem isto, um eterno fervilhar a meio de luas e sóis, cândidos augúrios que antes transitavam pelas dobras dos depois. Nem de longe, com isto, chegam ao silêncio do que até hoje contavam os segredos das alturas através das narrativas mais silenciosas. Isto, nas mesmas e inúmeras oportunidades escondidas sob camadas sucessivas de indagações dos seres, quiçá, tão poderosos que circulam nos corpos celestes e de lá emitem seus sinais inigualáveis dos códigos donde vieram, e insistem andar pelas noites feitos ciganos em longas caminhadas. Dali, descem ao abismo das visões e mergulham de vez nas sensações de novos dias em movimento. Contos de mistério persistem, pois, a transmitir desses despenhadeiros o tempo e suas histórias desconhecidas, e revertem tudo a lances constantes de interpretação, contudo de olhos vivos doutros universos até aqui ignorados.

Entretanto invadem territórios outros à busca de dominar esse impossível de que sejam feitos. Sabem, por certo, restritos a poucos traços, e estes os comprimem no âmbito do domínio, e somem inevitavelmente de um a outro instante da igual sorte dos séculos. Perlustram, que sei disso, os vales eternos e renascem logo além, quais novas árvores dessas florestas que fazem agora desaparecer num abrir e fechar de transações. Assim, meros circunstantes do intangível, sustentam a ciência dos dias e desmancham em sonhos os dizeres que guardavam de outrora.

Ilustração: Gemini.