Nisto, o roteiro de andar aqui, percorrer as distâncias e se fartar das suas tantas recordações. Qual numa fita a bem dizer sem limites, um a um prosseguem os protagonistas do grande arcabouço. Vaquejam a si próprios através daquilo guardado na consciência. Luzes insistentes lhes iluminam assim os céus das existências. O que mais causa espécie é isso acontecer de modo intermitente, preenchendo o vago dos momentos que ora somem a fartar. Dali, as criaturas humanas. Olhares silenciosos a quanto veem, porém submissos ao credo lá de dentro, numa relação até então feita de pensamentos, imagens, legendas, transes de cunho pessoal e intransferível.
Desse empenho nascem as
filosofias, literaturas, as artes de modo pleno, nuvens que deslizam pela
superfície dos céus a denotar os fragmentos desta interpretação. Quando
crianças, ao ver passar as formações desse imaginário na forma de desenhos
soltos, abstratos ou figurativos, dar-se a pensar, talvez, que em tudo persistem
outros seres que não nós, a confeccionar mil disfarces logo desfeitos na
imensidão do Infinito. Daí a busca incansável pelos encontros dalgum dia, aonde
isto possa ser de tudo.
Conquanto estejamos a
presenciar quais aventuras do espírito, há de, certa feita, perguntar quem
possa assistir aos dramas da espécie. Falam em silenciar a mente nas
meditações, em acalmar o eu interior no sentido de identificar realidade
sobranceira, definitiva, nalgum espaço da gente. Mestres afirmam, desempenham
calma, silêncio e refletem algo imprescindível. Em consequência, vivem a bem
dizer outras vidas, outras histórias, e contam a seu modo essas vivências.
Enquanto isto, muitos
insistem na procura de experiências equivalentes, depois de reconhecer as
limitações deste chão. Tateiam na escuridão das quantas aventuras espirituais, por
vezes saturados da repetição do ritmo em volta. Destarte, trazem consigo o
sonho doutras realizações. Ao lado, horas a fio, anotam vagamente o percurso e
aceitam continuar no rumo das verdades eternas.