terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Paisagem interna


De comum é assim, ao escrever vemos de dentro o mundo lá de fora. Disso, vêm os enredos, temas vários, observações do quanto existe ou existirá certa feita. A forma de abordar fica, no encargo, dos autores em voga. Restringem os gestos e os desenvolvem, pondo-se na função de quem desvenda universos à parte. Os meios, as palavras e o leitor, estes seus elementos. Conquanto usufruam de aparente liberdade nesse ofício, há que sustentar o interesse dos que leem, a escolher padrões trazidos pelos tempos e costumes. Aquilo de autonomia que pudesse ter ao produzir vira condições inevitáveis, se é que pretende chegar a algum lugar no que faz.

Noutro extremo, existem os que escrevem a seguir instintos, inspirações, vindos sei lá de onde. Daí, imaginar, de vez em quando, que as próprias palavras têm vida e autonomia por si, e sujeitam coagir perceptores a fazer o que a elas esteja de bom grado. Desde então, os pretensos criadores passam a meros intermediários de roteiros vindos das luas do tempo e do espaço. Assim, tais avaliações circunscrevem diferentes aspectos, pondo em xeque, porém, a decantada autonomia dos escribas.

Nalgumas vezes, quem seria o autor defronta a condição de mero protagonista naquilo que traga à tona, neste mar enigmático. E invés de autor passa a espelho doutra condição de ser. Nisto, reflexos doutros argumentos que não aqueles a que se propôs na cena anterior. Algo compatível ao desejo profundo restrito aos percalços de novas determinações aleatórias. Senhores de si apenas em teoria, enquanto dalgum lugar advém fixar nas letras o fervor das imaginações que não a sua.

Eles, os autores, sabem por demais de tais circunstâncias. Aceitam, contudo, perante a força dessa intersecção de deles consigo, numa convenção vinda no gesto de transmitir. A penetrar nesse universo insólito, vislumbram paraísos os mais distantes. Rendem, destarte, graças a poderes originais vindos dalguma dimensão além dos céus que avistam agora.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Novos sonhos


Quanto as lendas escondem; vêm doutras alternativas de sobreviver. Nisso, palavras silenciam, esquecem. Preenchem de infinitos restos deixados ao longo das eras e transformam as reverências noutras indagações. Nuvens intensas que dali haviam sumido, regressam, pois, doutras formas; superpõem circunstâncias e satisfazem os instintos. Nalgum lugar, certamente, tudo permanecerá de um jeito original. Danos viram meios de reencontros. Portas são abertas no transe do inigualável, e aqueles antes inexistentes passam, outra vez, a crescer de caules desconhecidos.

Forças assim incontáveis persistem nas antigas revelações. Demonstram só num momento inesperado as certezas ocultas, e alimentam consigo as multidões inermes. Esse correr extático recria o poder vindo dalgum lugar dos mistérios. Os sons chegam das dimensões do inimaginável e sobrevivem nas criaturas em movimento. No chão dos sentimentos, isso fala mais alto. Deixa entrever espetáculos de luz e cor dentro dos horizontes acesos. Traz de volta as histórias das ausências no jeito de consciências até então adormecidas no ermo. A bem dizer, significa superposições às ruínas dos impérios esfacelados.

O retrato delas, dessas quais figurações dotadas de plena imaginação, desfaz do passado o conteúdo abandonado. Conquanto sustente a iluminação nas sombras, controlam inventos e normas do que ora existe, numa fase de outras interpretações deste mundo insólito. Do inanimado, constrói seus instrumentos de continuar à face do Tempo. Alguns termos podem, em consequência, definir melhor, isto é, acharb o habitat da perfeição inigualável, fazendo-a motivo e nexo de todas as compreensões.

Muitos ensinam aspectos estes de sequenciar as cenas atuais. Informam detalhes aparentemente esquecidos de acalmar a si mesmo. Dos tais sacrifícios dessas jornadas infindas, dali recolhem os segmentos de sustentar os destinos a vir. Sabem, por demais, segredos trazidos nas próprias entranhas, e disso edificam cidades inteiras nos instantes dagora. Há que apaziguar situações guardadas nas lembranças, aclimatar desavenças, contornar reações adversas e desvendar o eterno do presente.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Sem título


Tempos de tudo dão conta de haver sido, eles mesmos, os autores, desde os dramas originais. Depois, fustigaram suposições, crenças, filosofias; e, então, vêm as respostas suficientes de encontrar pelos caminhos a luz que tanto imaginaram. Isto entre meandros de cores e formas, a preencher suas entranhas da alma.

Quer-se crer, desvendar segredos inatingíveis. Avançar pelas alamedas inevitáveis e desenvolver máquinas talvez enigmáticas. Somente agora, ao viajar na própria intimidade, reconhecem o quanto dali sempre alimentaram o sonho da perfeição. Haver-se-ia, no entanto, de mover as teclas da imensidade de qualquer maneira. Em si, o crivo das transformações era o que alimentava o quanto existe de procurar no escuro. Criador e criação. Prudentes quais foram, fustigaram o Infinito de dentro da humana ciência e aqui estamos.

Busca por demais, chegaria o tempo onde todo o Universo se resumiria nessa disposição individual. Percorrer infinitos, a bem dizer fustigar momentos outros de sistemas por demais sofisticados. Montar estações orbitais. Submergir nos códigos secretos. Cantar as melodias cósmicas inesquecíveis. Eis quando, diante do eterno, faceiam o mistério e nele fazem mudanças radicais. Cartas embaralhadas. Palpites. Desejos. Ilusões. Espasmos de reconhecimento. Tudo que significara rascunhos vinha a seguir.  

Hoje, o texto fala independente. Contém as inscrições deixadas nos primórdios. Revertem o itinerário da dúvida e vislumbram estrelas jamais vistas. Traços assim de conceitos remotos são trazidos ao lombo de camelos, no deserto dessa vastidão que tocam os sentimentos. Nisto, o eco das ausências decifra profecias e gestos até tocar as redes cerebrais.

Só resta, destarte, a criatura e o poder naquele território imenso da intuição onde restaram lembranças vagas, relíquias esquecidas nos transes, várzeas e séculos. Um a um, portanto, sujeitos se desprendem dos sóis e elaboram seu destino, a isto que vieram.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Abstrações


Uma irrealidade concreta; criações e palavras pela metade; versos soltos de um poema; ainda assim possíveis. As próprias ilusões têm forma. Entre dois vazios, o Tempo. Daí, se aprender, reunir não saber e saber. A imaginação vive disso, de contar a si o que nasceu de uma suposição. Tal poeira do pensamento, dali surgem as falas. Quais chamas de velas hipotéticas, riscam os céus de significados. Vagos horizontes de caminhos, portas abrem os meios de tocar adiante. As horas, mesmo, preenchem da existência impressões resistentes que permanecem na forma de lembranças. Fieiras imensas de lendas compõem as histórias gravadas em pedras e pó. Seres. Vultos. Cometas. Resquícios, talvez, doutras vivências, repetições controlam as letras, e das letras, as páginas. Estruturas que tanto, inundam as superfícies de paixões, delas fazendo tão só o teto dos instantes. Frases que sejam, impõem respostas ao silêncio. Heróis de outras civilizações dormem exaustos nos livros de antigamente. Nisso, andar pelas ruas à cata de mensagens deixadas ao léu. Único sentido, pois, reconhecer as ruínas daquilo que antes foi. Palmilhar contente nesses continentes da Eternidade sendo, (quem sabe?), resquícios dos dias feitos de lembranças. Pesa, no entanto, partilhar consigo próprio aqueles lugares desfeitos na ausência. Contos siderais despejados aos borbotões pelos quadrantes afora. Buscas sem norte das caravanas perdidas no deserto das sombras. Intuições quase semelhantes aos véus que hoje encobrem os destinos. Justos preceitos de verdades inevitáveis ao relento das noites. Fossem narrar, no entanto, vitórias incontáveis, permaneceriam assustados pelos cantos. Por isso, riscos profundos sustentam o teto das cidades em forma de visões esquecidas. Todavia, avançam calados, sujeitos abismados face aos valores que sempre prevalecem; mundos constantes de tempos imaginários. Absortos nesses conteúdos sincopados, observam ao longe o segmento das dúvidas que os levou fora dos sentidos. Perante todos os números, algo compõe o ritmo do que nos trouxe aqui.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A realidade e os sonhos


Lado a lado consigo próprio, duas as vertentes de um mesmo universo em tudo percorrem o espaço entre memórias e o Tempo, no furor do movimento. São incontáveis todos eles, os indivíduos na face dos instantes que existem à luz dos sóis. E totalizam no pensamento as circunstâncias deixadas pelo caminho. Seres ainda que desconhecidos de si, preenchem painéis imensos de histórias onde revertem seus sonhos. Nessa dita presença até então ignorada em termos definitivos de compreensão, viajam vidas e vidas.

Tais visagens palmilhando as aparências de certezas, superpõem de falas, gestos e interrogações o segmento das horas, feitas criaturas ausentes de onde vêm, criadas por quem. Autores constantes de planos e realizações, porém destituídas desta visão consistente das suas origens e desde quando.

Há que se indagar, ao sabor dos sentimentos, a diferença disto e da presença de um nada absoluto que, no entanto, lhes acompanha passos adiante, nessas estradas da sorte. Bem que impere nítido o desejo da consciência, porém aos pedaços de respostas ora em andamento. Fazem assim, aceitam os créditos do quanto trouxeram e oferecem nos mercados e feiras os frutos e os empreendimentos que produzem.

A meio de tantas gerações, leituras vagas, contudo, descrevem o que haveria de ser das notas fenomenais. Refazem percursos sucessivos de civilizações conhecidas ou desaparecidas. Estabelecem bases científicas de sobejas proporções espalhadas nos séculos que se vão. Outrossim, submersos ao êxito pessoal, vezes sem conta repetem aos milhões lá de longe, o cabal desses resultados inconclusos, logo ali reavaliados, todavia.

De que deixam claro pelas muitas interpretações e profecias, dá de aceitar o senso de origem extraordinária e plena, e passo a passo insistem no sonho de conhecer, além, a Criação e vislumbrar o seu Autor. Nisto perdura o andar de tudo em volta, senhores que sejam de imaginações inigualáveis. Outrossim, sobrevivem, nas duras penas, aos trechos imediatos nessas condições só parciais.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Árvores do Paraíso


Ausentes que sejam esses registros, há que buscar nalguma imaginação tais referências, porquanto delas vêm todos eles, seres e objetos. Qual o quê, espécimes diversos vagueiam pelos córregos, nas gerações, a contar outras histórias, conquanto ainda sustentam lembranças daqueles contemporâneos de Noé deixados atrás ao momento das águas que tomavam o querer da Terra. Nisto, vastidões enormes, através das consciências, mostram fortes indícios de outras plantas até então desconhecidas que alimentavam viventes em volta.

Mesmo sentido a considerar quanto diversos argumentos guardados debaixo do solo aonde almas insistem mergulhar, horas a fio, na ânsia de quais encontros outra vez. Conhecer, por demais, a isto significa perdurar nessa floresta inigualável, talvez fruto das sementes deixadas entre os cascalhos, após a submissão dos seus primeiros habitantes que nos trouxeram aqui.

Conquanto senhores de baixas sucessivas, representam descendências inteiras no meio das raças deste mundo. Falam códigos às vezes inteligíveis, porém cobertos da lama daqueles primeiros embates. Por isto, no íntimo de todo ser existem céus sem conta, transmigração do que havia naqueles inícios arcaicos. O que mais espanta nasce disto, das sombras de supostas interrogações. Vozes recônditas seguem soltas pelos brejos, caatingas, vilarejos, numa sequência original de descobrir aqueles motivos primeiros, acrescentados ao furor das tradições.

Desvendar camadas profundas daquele parto intenso, entrecruzado na força das origens, eis em que andar no antigo chão e reconhecer partes individuais das atitudes, quer-se, todavia, apartar de si a escuridão das eras e reinventar primeiros passos da incalculável intenção. Viver descreve o roteiro nas entranhas de todos, contudo. Nas escrituras antigas havia sinais disso, depois reduzidos a meras suposições e abandonados pelas praias do Infinito.

Ao transitar nesses espaços de inexistência, se perdem nítidos onde foram terminar caules e folhagens dessas lendas feitas de sonhos e de outras dimensões, agora resquícios só imaginários, fervilhando o coração daquelas iguais criaturas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

As palavras e as cores


Mínimo esforço, e dali vêm à tona os sons, formas várias talvez, a criar das ideias o movimento. São lastros infinitos de se chegar às compreensões, independente da vontade e donde nascem. De si, os instrumentos de pensar os mundos tocam adiante. Nisso, desde lá longe, revestem o vazio do passado e demostram, tantas e quantas vezes, iguais acontecimentos deixados à margem das histórias, de novo a rever essa trilha imensa dos tantos que já habitaram este chão.

Daí, juntar pouco a pouco o silêncio a essas possibilidades faz da gente moléculas das horas, sem esquecer, todavia, nenhum dos detalhes aqui vivenciados. Espécies de conteúdo em atividade, preenchem viagens ilimitadas no íntimo de todos, nisto a formar roteiros de inúmeros dos autores vistos agora nas memórias individuais.

Correr a torto, a direito, pelas jornadas, e séculos, contudo ainda assim permanecem nalgum lugar, nalguma constelação. Conquanto nada desaparece, pois, do quanto existe, ser-se-á a iluminação de um panorama enorme do que exercita viver. Seres tais fervilham nas superfícies de mares incontáveis que significam lendas e mitos a construir a tapeçaria do Universo.

Neles, nas quais criaturas impávidas, vagueiam multidões aos milhares, feitas de suor e sangue, desejos e sentimentos, alimentados no Tempo e senhores de si próprios. Painel sem limites, ao longe, nas profundezas do mistério, ali sobrevivem de sol a sol. Monarcas de impérios ora desfeitos em cinzas, no entanto insistem continuar no espaço entre os astros, a escrever o código secreto da imortalidade.

Então, um a um, perfazem no íntimo a grandeza do que têm de narrar aos ouvidos da humana solidão. Sustentam seus diálogos intérminos; substituem o instinto pela intuição; e nisso estabelecem novos mundos aonde possam chegar certa feita.

(Ilustração: Hieronymus Bosch).

Nesse correr de argumentos, largam folhas sucessivas de contos surreais diante dos olhos acesos da imensidão, somando pedaços deles a desenhos enigmáticos do quanto ocorre no sabor de toda sorte.