Um jeans velho e muitas histórias para contar de horas incertas, dos dias nebulosos em passado que de bom não se sabia, naquela hora quando voava nas asas de pássaros pouco felizes, e havia mais amor nos corações, nas tardes, noites, de anos cinzas deixados no tempo. Algo diferente, naquela solidão fria, antiga. Os jardins que restaram nas flores ao vento e o perfume adocicado de folhas secas, cálidos sonhos, agora dormentes nas pedras róseas dos muros que delimitam supostos territórios livres de manhãs iguais, globalizadas.
Aquilo que chamáramos esperança surgiu, enfim, na curva longa do caminho poeirento, dominando a paisagem diferente da alta estação turística. Jornais apontam novos índices de crescimento do setor. Os prestadores de serviços e a iniciativa privada têm de se articular para a integração dos vários segmentos, cuidando de ações efetivas de pesquisa, superando carências urgentes.
Por conta disso, olhos fixos nas movimentações do comboio, rua acima e abaixo, ouve passar o caminhão do lixo; lembra ser sábado e que não passará correio nesse dia. Então, assim também é bom, porquanto ficará mais tranqüilo, noutra tarde.
Não chegará a correspondência. Vai cuidar mais uma vez dos bichos, no quintal, do banho, de si, lavar o carro; de novo, amar a companheira; duas, dezenas, milhares. Sonhar, filmar, contar suas iguais fantasias eróticas; contemplar as flores no jardim na praça, escutando pássaros, nos começos de noite. Quando chegar, pretende recebê-la a caráter, braços abertos e modo melhor, essa tal missiva, tantas vezes horas, meses, séculos, alimentada nos seios flácidos do coração insistente; com os braços pregados em cruz na mesa do jantar, entre xícaras, talheres, bolos e bules fumegando...
O que sabia disso, contudo, alimentava seus sonhos o suficiente, esquemas e planos políticos favoráveis, na luz do merecimento das prendas positivas, escondidos sob as pálpebras ressequidas. Pois ninguém aceita resposta inadequada, ainda que pergunte do jeito que quiser, dizendo o que quer, sem querer ouvir o que não quer.
As promessas do verde modificaram o espaço e solidificaram cada cratera, num único teto de casa sozinha no seio da mata, donde leve fumaça se evola em fiapos brancos, a subir de chaminé escurecida, brincando no azul antes de rumar suave no céu claro do outro lado de si mesmo. Um território imenso de luz dourada rebrilha nos tetos em formas juvenis, almas novas que a tudo revive na alma imensa dos trilhos eternos.