sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

As cores do Tempo

O passado é muito real e presente, apoderando-se de todos aqueles que não podem libertar-se satisfatoriamente. Carl Jung

Li nalgum canto serem os sonhos trazidos em preto e branco. Nisso, esperei a oportunidade e notei outras cores nos sonhos. Ao recordar as histórias sonhadas, lembro de suas cores quando disso me vem à lembrança querer saber. Assim com relação ao Tempo, no transcorrer das fases deixadas no passado, suas cores, seus detalhes e formas. Que essas recordações mexem com a gente, sei de certeza ser este o resultado. Tais filmes, regressam continuamente, aos feixes. Ali, no correr das tantas cenas, refazem situações as mais diversas, revivescendo-as na memória. De comum, nas emoções, pelos impactos causados.

Esses tais roteiros de dentro das pessoas oferecem margem a interpretações carregadas de já valores atuais. Quais livros de ficção, enchem o pensamento de circunstâncias talvez inesgotáveis. De resto, cheias das interrogações de aonde foram parar. Os enredos dessas memórias pedem, por certo, chance de refazer o que foram, no entanto na ânsia inútil de impossíveis mudanças. Autores padecem, pois, das mesmas dúvidas, no esforço de contar de um jeito suave, menos denso, ou trágico, quem saber? o que lhes chega à inspiração. Todavia repassam ao leitor sentimentos por vezes amargos, sombrios.

Qual seja assim, ocorre também nas pessoais. Há esforços de reconstruir a si próprio com as lamas de antigamente. Refundir acontecimentos, sobretudo aqueles que firam, no presente, seus protagonistas. No pensar desse modo, o futuro vem se prestar, sabem quando, ao ofício de revisão desse passado, no dizer dos místicos. Dessas tintas usadas antes, desse aprendizado de cores, far-se-ão, com isto, novas telas.

A qualquer instante, por isso, renascem as tonalidades daquelas outras horas, criação sadia e outras memórias, razão, quiçá, de paz na consciência.

Escrever tem disso, vontade diferente de novas narrativas, frutos doces nascidos a meio de intenções agradáveis, signos de suavidade e leveza. Conquanto venham em forma de recordações ressequidas, vivificam de luzes claras os sonhos que hão de vir logo adiante.

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A sobrevivência do Ser

 

Transpostas que foram ideias, palavras e atitudes, dali seguirá incólume o confronto das eras e das ausências. Há que supor existir tudo o mais, no entanto arcabouços monumentais, servidão e êxito. Mesmo assim, seguirão incólumes vidas a dentro, uno, a meio de multidões em desvario. Planos. Metas. Civilização. Ele, padrão universal das vozes, único, sacrossanto de mistérios. Desse império de subjetividade, comanda o quanto haverá desde sempre.

Isso, no reino da subjetividade, tudo pode acontecer a todo instante. Seres dispersos, contudo singulares de si em muitos. Nele, ao sabor das vertentes e dos enigmas, transitam os pensamentos e sentimentos, de uma exclusividade a bem dizer perfeita. Se réstias do passado, porém haustos do que virá logo depois ao sabor da sorte. Tais revestidos de cápsulas intransferíveis, definitivas, percorrem que tal o oceano dos desafios em volta do mistério.

Daí, nesse patamar inalienável deles todos em um só, transitam os demônios e anjos, a vagar altivos. Com eles, terras e céus se perdem de vista. São expressões constantes das horas em suspensão. Quanto padeçam, disso usufruem o campo de ideias e canções, de telas e filmes, jornadas e silêncio. Elaboram a valer as tramas daqui do Chão. Superpõem vanguardas a desaparecidos, criação e dúvidas.

Assim, lá num tempo, vieram as ilustrações das páginas com as quais buscavam dizer aonde imaginam chegar certa feita. Falam dos deuses, das idades, dos sonhos, fusão fundamental em voga nos livros mais antigos. Convergem de sobreviver a duras penas através de objetos e pessoas, espécie do empenho de quanto desejam sustentar das abstrações inevitáveis donde vivem.

Agora, nos olhos acesos de tantos segue o vazio a bordo das suposições, naquilo arrematado das impressões largadas aos sóis. Asseguram com veemência conter no íntimo, pelos meandros de si, a Verdade, retrato fiel dos seus julgamentos e desejos. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Além da sensibilidade


Noutro plano, onde inexista tempo e espaço. Rios de pura força do que se possa avistar com os olhos da consciência. Peregrinos audazes em forma invisível. Isso bem depois de cessar transes incontáveis de todas as respostas. Transcorreriam películas as mais audaciosas da imaginação pelas telas do quanto havia. Silêncio. Luzes impossíveis de ser. Nenhuma forma, nenhuma cor. Só movimentos inconstantes de pensamentos sem nexo. Isto a ponto de nem saber, ou ver, o que possa advir de tudo aquilo. Passos lentos, espasmos que sejam de uma multidão abismada no inerme da noite.

Enquanto isso, cá fora a vertente de vultos a sumir numa eternidade distante de visões e certezas. Relâmpagos de absurdos a envolver o Tempo e sustentar as horas ausentes dos céus. Então, dali circunstâncias alimentaram o vazio com expectativas vindas de um Cosmos silencioso, cercado dos seres invisíveis que o sustentam preso ao Nada.

Só nessa hora apareceram, pelas frestas da solidão, os raros peregrinos. Ali, muito menos palavras havia. Pura abstração. No entanto, apenas deixavam margem a supor pudessem conter, nalgum lugar, novas flores a meio de um caos absoluto. Diante, pois, do imponderável, do fragor da plenitude, qual demiurgo insólito, eis que surge, do teto das alturas, o Senhor da Veemência.

Numa retrospectiva ocasional, percepção haveria na presença única e definitiva de existir. Apenas rastros sobre um solo jamais conhecido. Lentos, lerdos, alguns primatas ainda admiravam o que quer que fosse, ao longe, no horizonte dos destinos. Se sabiam algo de sentir, ficaria na conta das ficções desses filmes surrais em circulação na Rede. Porém distinguiam nos céus as ausências de sinais dalguma transição antes impossível ao próprio perceber.

Bom, caudais a bem dizer intransponíveis à humana compreensão, nessa instância, ganharam forma pela primeira vez. De pronto, vieram, pois, atitudes de coerência lá entre os objetos e os seres, a preencher o século das muitas paisagens siderais. Vozes escutadas nas malhas do Infinito falavam disso, destes movimentos iniciais do coração humano a percorrer no rumo à Felicidade...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Paisagem interna


De comum é assim, ao escrever vemos de dentro o mundo lá de fora. Disso, vêm os enredos, temas vários, observações do quanto existe ou existirá certa feita. A forma de abordar fica, no encargo, dos autores em voga. Restringem os gestos e os desenvolvem, pondo-se na função de quem desvenda universos à parte. Os meios, as palavras e o leitor, estes seus elementos. Conquanto usufruam de aparente liberdade nesse ofício, há que sustentar o interesse dos que leem, a escolher padrões trazidos pelos tempos e costumes. Aquilo de autonomia que pudesse ter ao produzir vira condições inevitáveis, se é que pretende chegar a algum lugar no que faz.

Noutro extremo, existem os que escrevem a seguir instintos, inspirações, vindos sei lá de onde. Daí, imaginar, de vez em quando, que as próprias palavras têm vida e autonomia por si, e sujeitam coagir perceptores a fazer o que a elas esteja de bom grado. Desde então, os pretensos criadores passam a meros intermediários de roteiros vindos das luas do tempo e do espaço. Assim, tais avaliações circunscrevem diferentes aspectos, pondo em xeque, porém, a decantada autonomia dos escribas.

Nalgumas vezes, quem seria o autor defronta a condição de mero protagonista naquilo que traga à tona, neste mar enigmático. E invés de autor passa a espelho doutra condição de ser. Nisto, reflexos doutros argumentos que não aqueles a que se propôs na cena anterior. Algo compatível ao desejo profundo restrito aos percalços de novas determinações aleatórias. Senhores de si apenas em teoria, enquanto dalgum lugar advém fixar nas letras o fervor das imaginações que não a sua.

Eles, os autores, sabem por demais de tais circunstâncias. Aceitam, contudo, perante a força dessa intersecção de deles consigo, numa convenção vinda no gesto de transmitir. A penetrar nesse universo insólito, vislumbram paraísos os mais distantes. Rendem, destarte, graças a poderes originais vindos dalguma dimensão além dos céus que avistam agora.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Novos sonhos


Quanto as lendas escondem; vêm doutras alternativas de sobreviver. Nisso, palavras silenciam, esquecem. Preenchem de infinitos restos deixados ao longo das eras e transformam as reverências noutras indagações. Nuvens intensas que dali haviam sumido, regressam, pois, doutras formas; superpõem circunstâncias e satisfazem os instintos. Nalgum lugar, certamente, tudo permanecerá de um jeito original. Danos viram meios de reencontros. Portas são abertas no transe do inigualável, e aqueles antes inexistentes passam, outra vez, a crescer de caules desconhecidos.

Forças assim incontáveis persistem nas antigas revelações. Demonstram só num momento inesperado as certezas ocultas, e alimentam consigo as multidões inermes. Esse correr extático recria o poder vindo dalgum lugar dos mistérios. Os sons chegam das dimensões do inimaginável e sobrevivem nas criaturas em movimento. No chão dos sentimentos, isso fala mais alto. Deixa entrever espetáculos de luz e cor dentro dos horizontes acesos. Traz de volta as histórias das ausências no jeito de consciências até então adormecidas no ermo. A bem dizer, significa superposições às ruínas dos impérios esfacelados.

O retrato delas, dessas quais figurações dotadas de plena imaginação, desfaz do passado o conteúdo abandonado. Conquanto sustente a iluminação nas sombras, controlam inventos e normas do que ora existe, numa fase de outras interpretações deste mundo insólito. Do inanimado, constrói seus instrumentos de continuar à face do Tempo. Alguns termos podem, em consequência, definir melhor, isto é, acharb o habitat da perfeição inigualável, fazendo-a motivo e nexo de todas as compreensões.

Muitos ensinam aspectos estes de sequenciar as cenas atuais. Informam detalhes aparentemente esquecidos de acalmar a si mesmo. Dos tais sacrifícios dessas jornadas infindas, dali recolhem os segmentos de sustentar os destinos a vir. Sabem, por demais, segredos trazidos nas próprias entranhas, e disso edificam cidades inteiras nos instantes dagora. Há que apaziguar situações guardadas nas lembranças, aclimatar desavenças, contornar reações adversas e desvendar o eterno do presente.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Sem título


Tempos de tudo dão conta de haver sido, eles mesmos, os autores, desde os dramas originais. Depois, fustigaram suposições, crenças, filosofias; e, então, vêm as respostas suficientes de encontrar pelos caminhos a luz que tanto imaginaram. Isto entre meandros de cores e formas, a preencher suas entranhas da alma.

Quer-se crer, desvendar segredos inatingíveis. Avançar pelas alamedas inevitáveis e desenvolver máquinas talvez enigmáticas. Somente agora, ao viajar na própria intimidade, reconhecem o quanto dali sempre alimentaram o sonho da perfeição. Haver-se-ia, no entanto, de mover as teclas da imensidade de qualquer maneira. Em si, o crivo das transformações era o que alimentava o quanto existe de procurar no escuro. Criador e criação. Prudentes quais foram, fustigaram o Infinito de dentro da humana ciência e aqui estamos.

Busca por demais, chegaria o tempo onde todo o Universo se resumiria nessa disposição individual. Percorrer infinitos, a bem dizer fustigar momentos outros de sistemas por demais sofisticados. Montar estações orbitais. Submergir nos códigos secretos. Cantar as melodias cósmicas inesquecíveis. Eis quando, diante do eterno, faceiam o mistério e nele fazem mudanças radicais. Cartas embaralhadas. Palpites. Desejos. Ilusões. Espasmos de reconhecimento. Tudo que significara rascunhos vinha a seguir.  

Hoje, o texto fala independente. Contém as inscrições deixadas nos primórdios. Revertem o itinerário da dúvida e vislumbram estrelas jamais vistas. Traços assim de conceitos remotos são trazidos ao lombo de camelos, no deserto dessa vastidão que tocam os sentimentos. Nisto, o eco das ausências decifra profecias e gestos até tocar as redes cerebrais.

Só resta, destarte, a criatura e o poder naquele território imenso da intuição onde restaram lembranças vagas, relíquias esquecidas nos transes, várzeas e séculos. Um a um, portanto, sujeitos se desprendem dos sóis e elaboram seu destino, a isto que vieram.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Abstrações


Uma irrealidade concreta; criações e palavras pela metade; versos soltos de um poema; ainda assim possíveis. As próprias ilusões têm forma. Entre dois vazios, o Tempo. Daí, se aprender, reunir não saber e saber. A imaginação vive disso, de contar a si o que nasceu de uma suposição. Tal poeira do pensamento, dali surgem as falas. Quais chamas de velas hipotéticas, riscam os céus de significados. Vagos horizontes de caminhos, portas abrem os meios de tocar adiante. As horas, mesmo, preenchem da existência impressões resistentes que permanecem na forma de lembranças. Fieiras imensas de lendas compõem as histórias gravadas em pedras e pó. Seres. Vultos. Cometas. Resquícios, talvez, doutras vivências, repetições controlam as letras, e das letras, as páginas. Estruturas que tanto, inundam as superfícies de paixões, delas fazendo tão só o teto dos instantes. Frases que sejam, impõem respostas ao silêncio. Heróis de outras civilizações dormem exaustos nos livros de antigamente. Nisso, andar pelas ruas à cata de mensagens deixadas ao léu. Único sentido, pois, reconhecer as ruínas daquilo que antes foi. Palmilhar contente nesses continentes da Eternidade sendo, (quem sabe?), resquícios dos dias feitos de lembranças. Pesa, no entanto, partilhar consigo próprio aqueles lugares desfeitos na ausência. Contos siderais despejados aos borbotões pelos quadrantes afora. Buscas sem norte das caravanas perdidas no deserto das sombras. Intuições quase semelhantes aos véus que hoje encobrem os destinos. Justos preceitos de verdades inevitáveis ao relento das noites. Fossem narrar, no entanto, vitórias incontáveis, permaneceriam assustados pelos cantos. Por isso, riscos profundos sustentam o teto das cidades em forma de visões esquecidas. Todavia, avançam calados, sujeitos abismados face aos valores que sempre prevalecem; mundos constantes de tempos imaginários. Absortos nesses conteúdos sincopados, observam ao longe o segmento das dúvidas que os levou fora dos sentidos. Perante todos os números, algo compõe o ritmo do que nos trouxe aqui.