segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Portais da Consciência


Na antiguidade já falavam nisso, da possibilidade doutros lugares aonde poder despertar a compreensão do quanto existe em definito. São inúmeros os sinais espalhados pelos tempos a dizer dalguma alternativa diante do quanto persiste, anos a fio, o transcorrer dos acontecimentos espirituais. Vislumbrar outros meios de encontrar o próprio ser, face aos impasses dos sonhos de virtude, meios que signifiquem algo de duradouro, constante, a preencher o pomo da significação de estar aqui. Achar esse recanto aprazível da perenidade dos valores maiores.

Enquanto isto, perlustrar intemperanças na crosta do vento, ora felizes, noutras indecisos, inconstantes, incompatíveis. Quiçá, grosso modo, meros artesões de perspectivas por vezes às avessas conquanto imperfeitas, assustadoras, a saber aventureiros do Destino que se sejam eles. As inscrições pelas paredes dos labirintos descrevem bem esses sonhos insistentes quais como que sonâmbulos nas concepções, a vagar nos instantes, austeros, armados, ferrenhos. Autores parciais de si, porém afeitos ao imprevisível das ocorrências fortuitas.

Ao compasso das interpretações tão-só parciais, vislumbram alternativas por demais, nascidas do íntimo dessas mesmas criaturas. Criam teses, desvendam fórmulas mágicas, esperam nos serões das madrugadas, nas vidas, o despertar de um centro que lhes habita desde lá longe na existência. Convergem aos sentidos das cores, dos sóis, numa busca perene de novos inícios. Anseiam viagens fantásticas, descobertas territoriais, suaves mergulhos na alma, até substituir aqueles critérios até então caudais imensos de esperança trazidas consigo.

Sei que tateiam na escuridão desse tempo parcial de aventuras e romances alimentados de alternativas humanas que se desfazem ao compasso dos dias. Quando menos esperar, eis a postos os que assim vivenciaram as conquistas no âmbito invisível. E vêm, narram demasiado partos de iluminação, depois guardados nas sete capas da História. Sejam muitos, panteão de transcendência aos planos superiores. Em contrapartida, os que deixam este aqui persistirão à procura do caminho avassalador da Luz, na super-humana consciência, pois.

A balança de São Miguel


Dos mitos por demais considerados, São Miguel Arcanjo vê-se representado empunhando uma espada e uma balança para vencer Satanás, o que possui um significado tradicional em algumas culturas deste mundo.

A Balança de São Miguel Arcanjo simboliza a justiça divina, o julgamento imparcial e o discernimento de Deus, representando São Miguel pesando as almas no Dia do Juízo Final para decidir seu destino, e é um símbolo de sua luta contra o mal e proteção dos fiéis. É frequentemente visto em imagens e estátuas do Arcanjo, junto com sua espada, e representa a equidade e a retidão da justiça divina, sendo um amuleto de fé e proteção contra as forças do mal, além de patrono de juízes e daqueles que buscam a justiça.  Google

Tais tantos outros significados da balança, traz em si o princípio de avaliação das ações humanas diante da Eternidade, quando serão avaliadas, à luz de uma verdade plena, suas almas e suas ações quando aqui neste Chão. Símbolo do quanto imparcial ver-se-ão face a face com a infalibilidade da justiça maior, em que inexiste falhas no combate ao mal e na guarnição da certeza absoluta de tudo quanto há. Nisto, São Miguel representa o equilíbrio e a retidão em defesa d a concretude da Verdade perante o dizer da Justiça soberana.

A balança de São Miguel é um dos símbolos iconográficos mais fortes do Arcanjo, representando sua missão como o executor da justiça divina. 

(...)

Na arte, ele é frequentemente retratado segurando a balança em uma mão e a espada na outra (símbolo do combate espiritual), muitas vezes pisando sobre o dragão ou o demônio derrotado.  Idem

As tradições sustêm, pois, figurações semelhantes, a espelhar os arquétipos do Inconsciente, imagens que constam o sentido de recontar valores e pressupostos daquilo necessário ao eu consciente nas suas interpretações dos segredos da personalidade.

Daí, meios da compreensão reúnem, vez em quando, símbolos, figurações, imagens do que corresponde aos conceitos correntes. E a balança traz consigo o cerne da retidão de Deus e suas medições dos atos individuais através da Verdade e da Misericórdia. 

(Ilustração: TerraCota Arte Sacra).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Sem título XXi


De tanto escutar esses traços das palavras que ecoam mundo a fora, por vezes contidas pelos muros do silêncio, dali veem, talvez, caminhos de chegar às outras pessoas. Esforço vão, todavia. São tudo em minúsculos seres. Visagens das tradições, dos lugares afastados da consciência. E dizem expandir nisto as margens que deixam à deriva, já noutras interpretações nos dias seguintes aos primeiros encontros. Por certo, nunca haverá, inteiro que seja, tal capacidade desse contato definitivo. Desde essas mesmas criaturas até compreenderem a si demanda vastidões. Nisso, quando menos esperar, fogem sorrateiras, nos despenhadeiros do Universo, e esquecem na distância do tempo aquilo de outrora, numa maior sem cerimônia. Desse jeito, impossível que seja a leitura absoluta daquilo gravado nas malhas dos pensamentos e sentimentos.

Depois de sustentar tais empenhos, rastros perdidos nas hostes de antes, ficam deles só pequenos retalhos gravados pelas cavernas sombrias daquelas mesmas criaturas. Procuram, sobremodo, conviver consigo e alimentam este percurso anônimo dos heróis impávidos. Apalpam as paredes do mistério e logo ali despejam os eus sucessivos que criam e desconhecem, isso bem aos moldes do quanto existe nos transes da matéria em volta. Cativos da memória, no entanto senhores da imaginação tardia. Perfis inesperados, padecem da solidão numa mistura fosca de abandono e saudade. A isto denominam temperamento, contrição e súplica.

Numa viagem incontida, mergulham pelos sons inigualáveis da existência, olhos acesos e lábios ressequidos, guerreiros da própria essência, vistos ao longe no corredor sem trégua das gerações. A que demandar o destino, instrumentos desta história que compõem passo a passo, atravessam oceanos profundos, deuses de muitos credos e canções. Narram histórias de sabor estonteante, matéria prima dos sonhos, noites a fio. Ao longo desse furor imaginário, encenam as civilizações inesquecíveis que hoje superpõem de aventuras, ritmos, números e ausências, juízo de tantas eras.

sábado, 24 de janeiro de 2026

O silêncio das alturas


Até que esforços têm sido feitos. Buscas vorazes de compreensão das sombras ao redor determinam instrumentos de avaliação no poder que impõe valores e vontade, porém restritos ao nível dagora. Quais cativos de tantas jornadas, seguem o trilho da História ao sabor dos ventos em volta. De certeza afeitos a respeitar seus limites e designações, vindos dalgum bastião secreto de tudo, nisto as palavras lhes trazem sempre conceitos novos e engenhos que produzem equipamentos às ânsias de tornar o mundo setor real de transformação. Sob tais condições, há que render homenagem aos esforços humanos durante os acontecimentos, nas longas noites de martírio dessas longas experiências.

Quer-se contar diferente. Trazer outra vez o instinto de perfeição bem característico da raça. Concatenar situações nunca vistas e modificar os destinos que aí estejam. Distantes ficaram a Torre de Babel, o Dilúvio, o Mar Vermelho e as invasões territoriais guardadas nas folhas mais antigas da Civilização. Então, dali passaram a rever os detalhes passíveis de outras interpretações, no entanto ao critério das lendas íntimas das mesmas criaturas. Reunir coerências e segurar o firmamento às ordens desse igual mistério sobranceiro.

Em resposta, agora persistem versões contemporâneas de serem os indivíduos as peças-chave de tais renovações que lhes aguardam logo ali à frente, transcritas derradeiras jornadas pela imensidão sem fim. Sopesar o tanto suficiente de trazer de novo a esperança nos melhores dias. São inúmeras legendas que falam, narram, descrevem, asseguram. Enquanto isto, no ritmo das horas, veem tão só resistências ao furor de um futuro por demais inevitável, de profundas mudanças internas, das próprias expectativas. Mormente quantas interrogações, habitam as consciências largos sinais de realização e doutras alegrias postas em movimento diante do Infinito. Assim, numa espécie de mera recordação, sobrevivem a todo custo sonhos felizes que alimentam os ideais distantes, todavia presentes no silêncio deste Tempo.   

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Paisagens internas


Qual quem chega aos lugares até então desconhecidos, figuras percorrem o limbo das memórias a preenchê-las de ondas sucessivas numa superfície em movimento. Toca os segredos ali escondidos desde sempre. Insiste rever o que nunca antes avistara. Superpõe imagens trazidas consigo, e agora refeitas de palavras. Isso tal os que contemplam fielmente o lastro dos infinitos, suste na própria consciência transes inteiros do que vira ao léu das aventuras, músicas integradas aos castelos da imaginação que o sustêm. Retalhos de tempo. Luzes a sumir no mais íntimo do Ser. Sombras persistentes daquilo que ora lhe pertence, conquanto frutos maduros do passado inevitável. Num vasto horizonte, distingue com facilidade o quanto viveu, e nisto sobrevive indefinidamente.  

Entre os vastos continentes, mostra a si mesmo aqueles fragmentos deixados pelas encostas do quanto traz na alma, sabores por vezes ignorados. Sabe, sim, de ficar no meio dos dois territórios. Padece face a tanto. Amargura dores lá tão antigas. Todavia reconhece haver sido e depois desfeito nas agruras seculares. Naqueles instantes ainda hoje restritos a valores da matéria bruta restou, pois, o penhor da realidade que transporta vidas a fio. Fugir, no entanto a nenhum lugar.

Nas frestas dessa floresta individual, dali avista tudo enquanto, espalhado nos dias que se foram. Espécie de longo itinerário da experiencia tardia, nesses céus desaparecidos, outrossim resiste nas folhas das lembranças, trata de interpretar aonde seguir. Pelos sonhos, capta visões definitivas doutras histórias. Aguarda, alimenta, convive. A duras penas, olha lá dentro esse abismo e tenta separar o joio do trigo, na medida que escuta as películas que regressam de longe, nítidos sinais dos comportamentos que agora reclamam espaço no presente.

Do lado de fora, que só existe na ilusão, percebe possibilidades sem igual de transcender, construir, continuar. Numa clara nitidez de nem contar das virtudes que houvesse, equilibra nos ombros as farpas de novos destinos. Bem isto, personagem insólito em mundos siderais...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A ponte dos pensamentos


É ainda uma tarefa do futuro integrar a noção geral e básica de que nossa existência psíquica tem dois polos.
Carl Gustav Jung

Por mais que se pretenda, seres assim habitam na fronteira desses dois territórios, da Eternidade com a realidade em movimento; do Inconsciente e da ilusão, mundo estranho e fugidio. No entremeio, ao que imaginarem onde existir, fervilham seus pensamentos, logo refeitos de palavras, gestos, cores, formas. Enquanto isto, olhos e ouvidos presenciam este agora impermanente pelas florestas dos sóis. Daí as tantas versões individuais das aparências que formam as nuvens em maio aos escombros do passado e das ausências.

As próprias palavras em si já carregam o senso das gerações e invadem superfícies inteiras de tais momentos, a convergir numa impressão desencontrada entre os indivíduos e os objetos. Trazem no bojo a força dos pensamentos grudados e imaginados. Cumprem função de transmitir as civilizações que escrevem os destinos e logo fazem dels matéria de outras e novas ilusões. Enquanto que as criaturas sustentam suas histórias, nisto fazendo delas as ficções pessoais espalhadas pelo Chão.

A grosso modo, arcabouços imensos de pretensas realidades significam as esculturas do que aqui ocorreu, senhoras que foram dos protagonistas em ação, fixas nas dobras do Infinito. Perante essas ocorrências, nascem os místicos, credores dos sonhos, aventureiros da busca do outro universo ali ao lado. Intermitentes, sucedem nas mesmas imagens, entretanto noutras imagens, nas legendas, nos mitos, nas lendas talvez esquecidas. Quais autores das consciências que transitaram nesse longo intervalo, reúnem de volta histórias sem conta dos que irão revelar a outra margem, algum dia.

As visões em atividade preenchem os farnéis dos comboios que transcrevem as antigas cenas deste inevitável. Segredam entre eles façanhas gloriosas dalgum instante aqui percorrido nas jornadas. Falam, escrevem, desenham, deixam lastros inteiros de doutrinas ao sabor dos que virão em sentido contrário. Conquanto perdurem na face dos céus, acreditam piamente no anseio da certeza de que também sejam frações mínimos de um Poder definitivo, eterno. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

De algum lugar do Infinito


Seres humanos, esses pedaços estanques de uma só compreensão. Tal qual dizem, centros de tudo, um a um. Sementes lançadas pelos campos das histórias, e noites em movimento os sustentam dias e dias, na calada dos séculos. Razões de ser e transes de instantes que se tocam e não se desfazem entre si, moléculas da Luz. Nisto, de querer narrar o todo através de seus componentes, eles dotados do quanto existe e existirá sempre. Facetas recurvados dessa compreensão, talvez, nalgum tempo, adversas, porém de penhor inevitável do quanto nascerá, certa feita, a preencher de vez as comportas dos tantos oceanos espalhados neste e noutros mundo lá fora.

Nisso, a leitura real do firmamento, painel de estrelas mil também na face dos destinos individuais, hoje, aqui. Ao trocar olhares inesperados, no entanto sabem-se motivos dos padecimentos dagora. Transcrevem circunstâncias inéditas a cada vez, justos motivos de cumprir leis ora ainda deles desconhecidas. Entes assim dotados das visões do Paraíso, contudo cercados das ilusões do imediato, nestante.

Na ânsia, por isso, de atinar com os papiros do mistério, apenas obedecem a si próprios, vislumbres esquecidos dos princípios originais e cativos dos finais em andamento. Graças ao crivo das intensidades sob as quais vivem, descrevem seus princípios, alimentam as estações do pouco que lhes resta conhecer. Conquanto inúmeras perguntas que ecoam nos universos, sustêm na alma uma vontade soberana de liberdade, seja lá em qualquer quadrante. Bem isto, a doce estima de querer convencer multidões das súplicas que tangem gerações vidas a fora.

Diante dos enigmas sem igual, são desertos em volta, rudes às vezes; santos, noutras horas. Perquirir das palavras aquilo que as fermentam, réstias de sóis de novo trariam os desejos mais antigos de continuar nesse vale de dúvidas e interrogações. Sabem, entretanto, escutar, sorrir, transcender nalgum segundo ao som repetitivo das cercanias. E resistem fieis aos códigos da certeza que carregam dentro do coração.