
Quer-se fazer de modo à toa coisas antes feitas de forma inútil, para reter o tempo em nós, porém as faces do presente reclamam folhas novas às árvores da vida. Amores flutuantes ainda persistem, acalmando a sede do prazer, clamor de rês desmamada, sabendo, contudo, ser eterno o direito dos prazeres que permanecem feitos fiapos durante o percurso do espírito ao caminho da luz, frias madrugadas abissais.
Quereres atrozes na carne... Doces espasmos de culpas... Descem os bichos à represa para beber água no sumir do dia. Eu, aqui, vulto pensante de ser sofisticado, me olho por dentro do que sou e revejo possibilidades na sombra que se desprende longa no estirão do sol. Quero a tranquilidade do voo cósmico das garças ao longe, espantos que respigam tintas brancas no azul esmaecido, que moldura a tarde.
Cá em mim essa oficina que desentorta pontos de interrogação em soberbas exclamações dispostas perante as peças do cômodo em que me acho prisioneiro, no entardecer impaciente. Olho o eu que resiste e sabe que sairá do outro lado das cercas, no velho trilho do gado que volta.
Pensamentos assim escorregam altivos pelas dobras da ausência, e insistem continuar fiéis ecoando nas paredes do tórax ansioso, gritos compassados de sabiás distantes, a reverberar a mata cinza de sertão sofrido, pelas vozes misteriosas da noite.
Aviso claro escreve no círculo solar de brasa rubra tudo isso: Amor e paz que desfiam certezas diante do modo de viver que nos é dado com força e persistência, nas certezas definitivas da mais pura verdade.
(Foto: Jackson Bola Bantim).
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