Observo na televisão,
num desses programas de meio dia, moço estirado no chão tosco de bairro
periférico, cercado de gente aflita e de policiais. Escapara por pouco de
linchamento, flagrado em delito revoltante; bermudas, joelhos maiores do que a
cabeça, chinelas japonesas, feições transtornadas, olhos esbugalhados. Imagino
a folha corrida que o espera, na ocasião de ouvir seu passado escrito nas
máquinas em rede. Seres humanos vigiados tornamo-nos todos. Alguns mais perto,
outros a longa distância, porém objetos de acompanhamento e investigação
permanente da sociedade plenipotenciária dos dias científicos.
Alarmada que informações
na internet cairão nas malhas das agências mundiais de espionagem, moeda de dominar
pessoas e lugares, a grande maioria desconhece o poder de controle da
atualidade, isso qual houvesse real e absoluta privacidade a quem quer que
fosse. Na hora do cidadão nascer, recebe registro e, com isso, ganha o primeiro
número. Daí segue até a certidão de óbito, no longo curso dos algarismos que obriga
percorrer o itinerário de condições populacionais, na Geografia econômica.
Países privilegiam
dados supranacionais e os trabalham, cotidianamente, junto a comércio, indústria,
agricultura, pecuária, segurança, transportes, migrações, alimentação, abastecimento,
ilusão galopante pois pretender que exista reduto isento às tramas e aos poderes
do Estado tentacular.
Admiração com que
respondem a tamanha estrutura resta só na cota dos sonhos de liberdade da raça,
já nos primórdios escondida em cavernas, joguete que fora dos fenômenos
desconhecidos e misteriosos da Natureza. A ninguém, no entanto, é dado ignorar
a lei, no axioma do Direito positivo. Entretanto, a lei jamais ignorará os seus
cidadãos.
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