As horas vivas desse mundo onde tantos passam, ou escorregam, ou fogem, na maior sem cerimônia, eles que, por vezes, ainda têm a petulância de reclamar que o tempo está assim ou doutro jeito, essas horas que simbolizam a oportunidade rara, nua e crua, de marcar presença do ser em chão de barro, de escrever a história ou desocupar o beco às novas gerações. Há, por isso, um passo a ser dado no sequenciar das horas. O que faremos do que nos deixam fazer, nas palavras de Jean-Paul Sartre. Criar a nossa própria essência perante a existência, uma vez possuirmos tal condição de recriar a consciência no território neutro, breve e estreito das multidões.
Contudo independe das escolhas políticas ou religiosas laborar o ideal particular em meio aos limites impostos...

Indivíduos pagam o preço de merecer a responsabilidade definitiva de conter em si a eternidade, a loteria dos mágicos em fúria. Sempre além das cortinas sobrarão os ventos e vagarão as caravelas do depois. Nós, navegantes aprendizes, zarparemos de cada porto, autores das luzes que iluminarão a história.
Bom, querer contar através de pequenos detalhes a cena interior resulta no direito libertário de colar as peças desse jogo da fala. Convidar outras memórias a trabalhar o destino em painéis mentais que identificarão o futuro das aventuras pessoais no seio das coletividades. Qual a sua participação no exercício de trabalhar a certeza?
(Foto: Jackson Bola Bantim).
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