
Isso numa improvisação
generalizada de emoções que varreu a semana dos habitantes das grandes cidades
que resolveram ativar o repertório dos motivos principais da vida pública,
empunhar cartazes com frases de efeito, cantar canções revolucionárias. Decidiam,
de comum acordo, repactuar os sonhos de um País garroteado nas garras convencidas
de raposas proprietárias da hegemonia das urnas, viciados profissionais da
rotina eleitoral e práticas equivocadas.
Gestos típicos das
aragens libertárias, cem mil pessoas saíam em bloco nas avenidas principais do
Rio de Janeiro, que, se combinado com antecedência, por certo não aconteceriam
com tamanha hegemonia e autenticidade.
Bom, que arrepiou,
arrepiou. Algo de aglutinador que reviveu, nas caixas da inspiração romântica coletiva,
os dias melhores ensinados a verso e prosa, nas cartilhas da luta democrática,
discursos de justiça, segurança, transporte, anticorrupção, oportunidade
profissional, educação, dignidade, paz social, saúde. O mote desse modelo
transformador desliza pelos asfaltos em forma da brava gente de carne e osso,
sangue e nervos. Talvez muitos nem saibam direito a que saíram em passeata, no
entanto acreditam na verdade dos santos propósitos que lavam a alma de todos os
males, isto também dos que assistam de casa, nos rincões distantes, graças ao
milagre da comunicação imediata.
O mérito maior, todavia,
das manifestações desta hora, no Brasil, representa a chance ímpar de testar as
conquistas de gerações inteiras dos sacrificados na história comunitária. O
exemplo disso são os meios pacíficos utilizados, o respeito das guarnições militares
e presença massiva da juventude e suas pautas de clamor de quem demonstra
confiança nas instituições e no futuro.
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