terça-feira, 2 de junho de 2026

O segredo das árvores


Lá em certo sonho, certa feita, encontrava no meio de uma floresta árvore diferente, de tronco aprofundado entre a casca, onde havia santuário de tempos outros. Entre ramagens e restos de caule a imagem é de que habitava aquele interior espécie preciosidade rara, semelhante a segredos e mistérios. Nunca esqueci. Algo assim deixado nas eras a permanecer ao infinito. Isso a meio de tantas outras árvores enquanto somente essa trazia sacralidade.

Hoje relembro daquela visão onírica, pois quis permanecer a meio das lembranças a fazer espécie do quanto persiste no decorrer das contingências, vidas e vidas. Isso das florestas do chão espalhadas nos momentos, de pessoas continuarem neste mar de existências, suas ideias, construções, histórias. Menos se espera e se nos deparam verdades eterna no seio das criaturas, impérios de silêncios a vagar pelos firmamentos. O sagrado em tudo. Busca incessante de respostas definitivas que ofereçam virtude, paciência, consciência, durante o largo transe da aparente realidade que se lhes desmancha todo tempo, aos próprios pés.

Seres, esses desejos sem conta de revelar os sonhos a si e aos demais, percorrem os vales das sombras, transitam pelos córregos do inesperado e sustentam as visões de que são feitos. Das dores vêm dias sucessivos nas ondas desse mar constante. Conhecem o tanto de encontrar lugares diferentes, outrossim dotados de ânsias intangíveis, seculares, segundo a segundo sujeito à fúria do esquecimento. Guardados que fosse nos cuidados da solidão e ainda assim vistos cercados de verdades ocultas.

No me deparar outra vez com a lembrança daquele sonho, algo diz das cores e das imagens ali presente em que pouco, que universo, sempre a oferecer luzes doutras ciências, outras certezas da memória. E aquela árvore falava disso, dalgum pouso oculto nas malhas da presença e de alguma inocência original de que seremos parte.

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