Lá em certo sonho, certa feita, encontrava no meio de uma floresta árvore diferente, de tronco aprofundado entre a casca, onde havia santuário de tempos outros. Entre ramagens e restos de caule a imagem é de que habitava aquele interior espécie preciosidade rara, semelhante a segredos e mistérios. Nunca esqueci. Algo assim deixado nas eras a permanecer ao infinito. Isso a meio de tantas outras árvores enquanto somente essa trazia sacralidade.
Hoje relembro daquela visão onírica, pois quis permanecer a
meio das lembranças a fazer espécie do quanto persiste no decorrer das
contingências, vidas e vidas. Isso das florestas do chão espalhadas nos
momentos, de pessoas continuarem neste mar de existências, suas ideias,
construções, histórias. Menos se espera e se nos deparam verdades eterna no
seio das criaturas, impérios de silêncios a vagar pelos firmamentos. O sagrado
em tudo. Busca incessante de respostas definitivas que ofereçam virtude,
paciência, consciência, durante o largo transe da aparente realidade que se lhes
desmancha todo tempo, aos próprios pés.
Seres, esses desejos sem conta de revelar os sonhos a si e
aos demais, percorrem os vales das sombras, transitam pelos córregos do
inesperado e sustentam as visões de que são feitos. Das dores vêm dias
sucessivos nas ondas desse mar constante. Conhecem o tanto de encontrar lugares
diferentes, outrossim dotados de ânsias intangíveis, seculares, segundo a
segundo sujeito à fúria do esquecimento. Guardados que fosse nos cuidados da
solidão e ainda assim vistos cercados de verdades ocultas.
No me deparar outra vez com a lembrança daquele sonho, algo
diz das cores e das imagens ali presente em que pouco, que universo, sempre a oferecer
luzes doutras ciências, outras certezas da memória. E aquela árvore falava
disso, dalgum pouso oculto nas malhas da presença e de alguma inocência
original de que seremos parte.
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