Estes dois temas vêm circulando nossos pensamentos, subindo na espiral das ideias, no meio de consoantes e vogais, quase a pedir para chegar ao papel, que terminamos por fazer-lhes a vontade, numa tarde de sábado, segunda quinzena de qualquer mês de abril.
Falar de Carma e Destino,
sem lembrar os povos do Oriente, equivale a esquecer das ciganas quando se fala
em ledores de sorte. Mas queremos ir além, aonde nascem as interrogações largas
e os mais profundos conceitos, imensidão das cordilheiras, desertos sombrios,
viagens misteriosas: à pátria do coração.
Por vezes, recolhidos
para dormir, lembramos de quantos, naquela mesma hora, vivem situações
adversas. Quão poucos, no meio de tantos nesta vida, dispõem de família feliz,
de seres amigos ao seu lado? De um teto, do alimento, da saúde, da paz? E que
nem sabem como e nem onde podem adquirir? Vagam no tempo quais fossem cisco de
correnteza, frágeis borboletas no fio do horizonte. E os que desfrutam de
melhores oportunidades até esquecem disso tantas vezes, numa das curvas da
jornada pondo em risco a felicidade.
Existe um livro que bem
pode ampliar tais considerações. Trata-se de Cândido, ou O
Otimismo, de Voltaire, que conta a história de personagem
aventureiro a se desgarrar pelo mundo, na procura do sonho. Atravessa as mais
inesperadas e cruéis conjunturas sem, no entanto, perder o ânimo, insistindo no
trilho do Eldorado, terra da bendita fartura. Cada encontro redundando
em desencontro, que por sua vez produz novo encontro, numa sucessão
intermitente. As peripécias irão levá-lo ao infalível êxito da boa luta.
Assim também na
existência humana na Terra, quando cada um conta sua própria história, entre
lágrimas e sorrisos.
Carma é o que nos cabe
elaborar em cada passo, seja negativo ou positivo. Do mal ou do bem que façamos
ou deixemos de fazer, com relação aos outros e a nós mesmo, na decorrência dos
dias que seguem no ritmo infatigável do Destino.
Nisto se percebe que
Destino é determinação superior; aquilo que não se pode derrogar. Lei acima das
leis dos homens, promulgada em níveis inalcançáveis pelos poderes terrenos,
instâncias tão elevadas que muitos preferem agir como não sendo assim.
Os poderosos daqui do Chão
fazem seus planos quais soberanos senhores. E os jornais a divulgar tais
atitudes de força, a falar no projeto do fim do mundo, com a mais
singela naturalidade, para combater o antigo poder nuclear soviético, em caso
de ataque.
Todavia avaliamos que, no
confronto das superpotências com despropositadas armas, o abalo seria tão
nefasto que de nada adiantariam quaisquer estratégias militares. Escombros é o
que resultaria, de ambos os lados.
Em sendo desta forma,
onde encaixar o assunto - Carma e Destino?
Seria carma coletivo de
toda a Humanidade a conflagração generalizada. E destino a transmissão do
Planeta a um outro estágio, por certo do conhecimento da lei acima das leis
dos homens, onde cada ser, de per si, responderá por seu carma
individual, face a face com o Poder Maior, submetido ao novo destino que lhe
seja reservado por via de conseqüência. Noutras palavras, enquanto o
materialismo impenitente se propõe, com seus feitos arrevesados, a desobedecer
ao equilíbrio harmônico do Universo, avaliando que, no mínimo, vai gerar uma fogueira
de vaidades, nada mais conseguirá do que servir à correspondência
matemática dos valores eternos e seus projetos insofismáveis.
Concluímos, por dedução:
Este silêncio suspeito
que se fez após o término da indigitada Guerra Fria prontifica-nos a
servir de momento de reflexão para o que iremos aprontar agora, nas linhas
claras do Tempo Infinito.
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