terça-feira, 9 de junho de 2026

Carma e Destino


Estes dois temas vêm circulando nossos pensamentos, subindo na espiral das ideias, no meio de consoantes e vogais, quase a pedir para chegar ao papel, 
que terminamos por fazer-lhes a vontade, numa tarde de sábado, segunda quinzena de qualquer mês de abril.

Falar de Carma e Destino, sem lembrar os povos do Oriente, equivale a esquecer das ciganas quando se fala em ledores de sorte. Mas queremos ir além, aonde nascem as interrogações largas e os mais profundos conceitos, imensidão das cordilheiras, desertos sombrios, viagens misteriosas: à pátria do coração.

Por vezes, recolhidos para dormir, lembramos de quantos, naquela mesma hora, vivem situações adversas. Quão poucos, no meio de tantos nesta vida, dispõem de família feliz, de seres amigos ao seu lado? De um teto, do alimento, da saúde, da paz? E que nem sabem como e nem onde podem adquirir? Vagam no tempo quais fossem cisco de correnteza, frágeis borboletas no fio do horizonte. E os que desfrutam de melhores oportunidades até esquecem disso tantas vezes, numa das curvas da jornada pondo em risco a felicidade.

Existe um livro que bem pode ampliar tais considerações. Trata-se de Cândido, ou O Otimismo, de Voltaire, que conta a história de personagem aventureiro a se desgarrar pelo mundo, na procura do sonho. Atravessa as mais inesperadas e cruéis conjunturas sem, no entanto, perder o ânimo, insistindo no trilho do Eldorado, terra da bendita fartura. Cada encontro redundando em desencontro, que por sua vez produz novo encontro, numa sucessão intermitente. As peripécias irão levá-lo ao infalível êxito da boa luta.

Assim também na existência humana na Terra, quando cada um conta sua própria história, entre lágrimas e sorrisos.

Carma é o que nos cabe elaborar em cada passo, seja negativo ou positivo. Do mal ou do bem que façamos ou deixemos de fazer, com relação aos outros e a nós mesmo, na decorrência dos dias que seguem no ritmo infatigável do Destino.

Nisto se percebe que Destino é determinação superior; aquilo que não se pode derrogar. Lei acima das leis dos homens, promulgada em níveis inalcançáveis pelos poderes terrenos, instâncias tão elevadas que muitos preferem agir como não sendo assim.

Os poderosos daqui do Chão fazem seus planos quais soberanos senhores. E os jornais a divulgar tais atitudes de força, a falar no projeto do fim do mundo, com a mais singela naturalidade, para combater o antigo poder nuclear soviético, em caso de ataque.

Todavia avaliamos que, no confronto das superpotências com despropositadas armas, o abalo seria tão nefasto que de nada adiantariam quaisquer estratégias militares. Escombros é o que resultaria, de ambos os lados.

Em sendo desta forma, onde encaixar o assunto - Carma e Destino?

Seria carma coletivo de toda a Humanidade a conflagração generalizada. E destino a transmissão do Planeta a um outro estágio, por certo do conhecimento da lei acima das leis dos homens, onde cada ser, de per si, responderá por seu carma individual, face a face com o Poder Maior, submetido ao novo destino que lhe seja reservado por via de conseqüência. Noutras palavras, enquanto o materialismo impenitente se propõe, com seus feitos arrevesados, a desobedecer ao equilíbrio harmônico do Universo, avaliando que, no mínimo, vai gerar uma fogueira de vaidades, nada mais conseguirá do que servir à correspondência matemática dos valores eternos e seus projetos insofismáveis.

Concluímos, por dedução:

Este silêncio suspeito que se fez após o término da indigitada Guerra Fria prontifica-nos a servir de momento de reflexão para o que iremos aprontar agora, nas linhas claras do Tempo Infinito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário