Enquanto as borboletas voam faceiras no vento, os alfinetes só pulam de galha em galha, também faceiros, resistentes. Naquela manhã, ele acordaria de olhos acesos de quem não dormira a noite toda, ou nunca dormira em hora nenhuma de todas as noites. Pouco sabia do mistério dos alfinetes e das borboletas; de que eles seguem borboletas coloridas ou foscas que passam nas ondas do vento, de flor em flor, nas manhãs ensolaradas. Sabiam inúteis que alfinetes são afiados no sentido de ferir as borboletas e grudá-las nos quadros da ilusão que existem no salão enorme das velhas mansões escuras.

Desse jeito, as borboletas e os alfinetes, dois seres que aparentemente nasceram um ao outro, e entre si trocam de alimento como quem troca de cartas em jogos noturnos. O açúcar e sal das espécies, delas, os humanos; deles, o limite das existências.
Vagam soltos na floresta e nas cidades, tanto alfinetes, quanto borboletas. Exemplo dos vícios e das virtudes. Atrás de cada borboleta existe um alfinete. Atrás de todo bicho corre uma assombração. Todos que se segurem no chão das almas, que aqui permanecem no período de virar em antigas borboletas pregadas a ferro nas coleções deste mundo matemático, dois a dois, um a um.
Belo texto. Mas o que me levou a lembrar com uma certa tristeza, é saber que o homem, na sua insensatez e avareza, persegue as borboletas e as prende em quadros, entre vidros preservando as cores belas e desenhos, porém, tristemente, mortas.
ResponderExcluirPara mim as borboletas com sua beleza e leveza a voar de flor em flor, um lindo espetáculo da natureza, e é também renovação, transformação. Um carinhoso abraço ao amigo Emerson Monteiro,💫✨🍀🍀🌷
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