Alguns dias de junho de 1977 e escrevi história de ficção ambientada no Cariri, de nome Naipes e gatilhos, título de argumento envolvendo costumes e tradições regionais do Nordeste, desenvolvido em roteiro cinematográfico, com os detalhes de filmagem.

O foco da história envolvia prisão da jovem esposa de um fazendeiro dos Inhamuns, por parte de proprietário de terras no Cariri, que por razões de afetos pessoais a mantinha em cárcere privado. O enredo levava ao tal coronel, quando se dava confronto envolvendo os agregados da fazenda, aliados ao mocinho, que venceria o embate entre os dois grupos, após sangrenta batalha. Em meio a tais questões, se apresentavam considerações críticas a propósito da posse da terra e aspectos morais das circunstâncias históricas.
Outros lances descritivos da fotografia mostravam as belezas da paisagem regional, danças e cores de grupos folclóricos, as várias fases do beneficiamento da cana-de-açúcar nos engenhos, etc, dando ao filme visões típicas caririenses. Enquanto isso, o fundo musical traria autores locais, a exemplo de Abidoral Jamacaru.
No desenrolar das cenas, cego cantaria versos escritos por Elói Teles narrando a mesma história do filme, o que depois viraria um folheto de cordel, independente da conclusão do filme, suspensa na segunda metade da produção e que nunca aconteceu.
Dificuldades surgidas no decorrer dos trabalhos impediram a sua montagem final que a mim caberia. Atravessei fase crítica na saúde e, a contragosto, deixei de lado aquele que seria o primeiro filme média metragem todo ele realizado no Cariri.
A propósito, pouco, ou quase nada, sobrou da iniciativa além de lembranças vagas nas pessoas que viveram de perto a experiência. Há pedaços esparsos do copião em super8 que ainda subsistem nalgumas mãos de apreciadores do cinema regional. Pouco tempo antes de falecer em Crato, João Batista Filgueira me forneceu uma cópia do roteiro original, que nem isso mais eu guardara, e hoje existe nos meus arquivos.
(Foto: Jackson Bola Bantim).
(Foto: Jackson Bola Bantim).
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