Antes, gostava de livros. Hoje, gosto de ler. Às vezes, chegam às minhas mãos livros que lembram pessoas. Esses demoram pouco comigo, não me pertencem.A tal distância infinita entre as pessoas se parece com o texto de Deus e do avião, de longe fica pequeno; de perto, bem maior. Quanto de pouca comunicação há entre pessoas; vazios e impossibilidades; nuvens e oceanos...
De comum, a linguagem adotada, invés de reunir, chega a distanciar, pelas próprias limitações do processo da comunicação, cavando esconderijos profundos e trincheiras enlameadas em que chafurdam criaturas amarguradas e tristes; ou flores frágeis de doces perfumes.
O ser que somos nem sempre mostra aquela cara que a gente imaginava... Somos, nalgumas ocasiões, meras sombras de nós mesmos; espectros ambulantes perdidos nas estradas da existência.
Isso de identificação soma quando a gente se sente sozinho. Saímos a bater nas portas das vidas aqui de perto, a procura que nos abrirá os olhos da mente a as fibras de um coração a vislumbrar paisagens novas.
O tal vazio das horas difíceis significaria isso, a impressão de que um deus dormiu, e a gente esperaria que ele acordasse, quando jamais a Verdade esconderá a face diante das horas, no íntimo, o tempo todo.
Instinto da religiosidade nada mais é do que despertar de si em Si, alimento das águas claras de lagos limpos.
Sei, não. Mas parece que perdemos o contato com o outro lado da gente mesma, meros joguetes de sorte criada pela sonhada na civilização da história. Conquanto busquemos acertar, perdemos, horas algumas, o alvo objetivo de querer chegar; e deslizamos numa pista de espumas e energias, sons e imagens, à velocidade dos tempos.
Saber da presença das vidas além da muralha dessa caverna traz gosto de seguir arranhando as pedras e nutrindo esperanças, motivos suficientes a persistir, ainda enquanto o calor e a secura indiquem solidão, pois moram luzes lá nos inícios de novas alvoradas.
(Foto: Jackson Bola Bantim).
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