terça-feira, 31 de março de 2026

A noite dos tempos

 


Nisso há qual que melancolia. Longos trechos percorridos sob duras penas. Às vezes, até pensar em evolução. Noutras, puro ostracismo. Mesmo assim, permanecem seus registros, farpas largadas ao lombo da sorte. Nalguma forma, seres a transportar nos horizontes o fardo de vivências guardadas a sete capas, experiências transformadas em novos instintos. Sinuosamente, dali nascem aparentes convicções, depois refeitas em outros dramas e dominações. Bem isto, itinerário que jornadeia, a bem dizer, o próprio absurdo. Fugazes espectros de si, buscam desaparecer pela quadra dos contentes.

Logo adiante, no entanto, num próximo parágrafo, escrituras detalhadas daquilo que antes foram. Histórias, circunstâncias, justificativas, então. Sóbrios, alguns que sejam, apenas observam o percurso deixado nas encostas do Tempo, mas em seguida viram sonhos. Profetas, taumaturgos, videntes, escritas abandonadas em momentos de revelação, porém desfeitas nas dúvidas do que virá. Noutros termos, um caudal ilimitado de possibilidades transformado em ficção, na sua maioria prenhes de outras interrogações.

A seguir, todavia, o foco das luzes alumia essa gente, pois desde sempre existe uma procura insólita dos vínculos com a imaginação, eles feitos de palavras. Espécimes exóticas, fustigam aspectos até então ilimitados. No andamento, se tornam meras figurações dos séculos ao sabor de cada uma delas. Entretanto, algo resistirá ao término das contrições e, mais à frente, sementes e árvores crescerão naquele mesmo sítio de onde vêm e irão todos, num sem fim enigmático. Astutos, sagazes, inteligentes, quais tantos, tocam além belos instrumentos e refazem tantas outras horas em nuvens e ciências,

itinerário este calcado no íntimo de criaturas ainda em movimento, a desvendar aonde irão certa feita. Talvez senhores de reinos desconhecidos, transitam entre nós silenciosamente e transportam sentimentos indefinidos ao furor das gerações. Lá no íntimo, reconhecem o poder dalguma razão que lhes habita. Fartos de quantas lembranças, já mergulhados em planos intocáveis, far-se-ão astros luminosos no eito das consciências.


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