sábado, 4 de abril de 2026

O silêncio dos filmes


Esse hábito de acompanhar as histórias cinematográficas me deixa, por vezes, a notar o quanto difícil ser um filme dotado doutras noções a não um de um término melancólico, mesmo que queira fugir e esquecer do lado da continuidade que pudesse haver, talvez, dali adiante. São peças soltas do grande Tempo em constante movimento. Seus diretores abandonam aos pedaços o passado às mãos dos espectadores e os põem, inevitavelmente, face a face consigo próprios. Legendas cheias de percepções, ação, inesperados, depois feitos de pura lembrança, semelhante ao que acontece de um a um dos que os veem.

Nisso, a gente também revolve de dentro os traços do que ficou atrás, fragmentos de vidas, emoções, tudo num filão sem par, desfeito nos velhos episódios da gente e que se movem noutras histórias. Longos estirões de traços acumulados no íntimo fervem à solta, em focos repetidos, trazidos de antes. Dariam outras quantas películas, por certo. Contariam novos enredos. Encheriam outras telas. Isto, esses resquícios daquilo guardado nas entranhas das criaturas farejam, quem sabe?, vir outras vezes, quais sempre fazem noutros diretores.

Essa compreensão do poder da imaginação, algo vivo, sustenta do passado as nuances ali deixadas nesse filão em atividade onde pousamos lá um dia. Roteiros daquelas vivências, isto sim, bem significam nós mesmos, pois. Justaposição das possibilidades mais antigas persistam junto aos humanos em forma de verdades eternas do que experimentaram e agora ajustam na alma às necessidades atuais. Livros, argumentos, verdades só parciais, contornam o esquecimento, feitos seres livres, audazes, numa façanha super-humana, desmanchados pelos escombros que ora nos cercam. Crê-se, por isso, no poder da existência e da Eternidade que habitam cômodo semelhante, enquanto que envolvem entes e objetos no afã de reverter o quadro da inexistência e, hora ou outra, vir exibidos nalguma sala de projeção mundos afora.

Bem isto a força das existências em formado de tantos segmentos, porém unidos aos barcos do Infinito, arte pura das verdades sem final.

 

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